segunda-feira, 17 de agosto de 2015

HISTÓRIA DO TRIBAL - PARTE 1

Tema: Jamila Salimpour , Bal Anat e Masha Archer Por Rebeca Piñeiro
Matéria exclusiva para Revista Shimmie Ampliando Conceitos 
TEXTO ORIGINAL - http://www.campodastribos.com.br/historia-do-tribal-parte-1/
Nosso primeiro estudo será sobre Jamila Salimpour e seu grupo Bal Anat, sobre Masha Archer e sua importante influência para o Tribal. Reconhecida como a bailarina que originou o que hoje conhecemos como Tribal, Jamila Salimpour despertou seu interesse pela dança oriental através de seu pai que em 1910 encontrava-se em uma base militar siciliana e através de sua senhoria egípcia.
Começou a dar aulas no inicio anos 50 com muita dificuldade, uma vez que não havia aprendido formalmente as técnicas devido a falta de professores, escolas ou métodos para se basear na época.
Foi em 1960 que Jamila pode aperfeiçoar suas técnicas ao se apresentar no “Cabaret Baghdad” na Broadway onde encontrou diferentes dançarinos do oriente médio e pode finalmente catalogar e criar um vocabulário de dança. No mesmo ano muitos dançarinos foram importados do oriente para trabalhar em casas árabes que estavam em alta na época, Jamila então pode assistir shows e aprender ainda mais com nativos do oriente enriquecendo suas aulas e coreografias.
Jamila desenvolveu um método de repartição verbal e terminologia para os movimentos que ainda hoje são usados por dançarinos em todo mundo como “Maya” e “Básico Egípicio”.
Em 1968 Jamila precisou organizar seu grupo de alunos que frequentavam (e de certa forma tumultuavam) uma feira chamada “Renaissance Pleasure Faire”, nasce então o grupo Bal Anat, cujo nome significa “Dança da Deusa Mãe”, primeiro grupo a dançar com espada, cobra e máscara, realizando shows em formato circense baseado na dança de muitas tribos e com música ao vivo. O grupo Bal Anat ficou muitos anos nos palcos mas teve uma longa pausa sendo atualmente revivido por sua filha Suhaila Salimpour que foi e continua sendo professora de muitas profissionais do Tribal como Rachel Brice, Sharon Kihara e Zoe Jakes.
O método exclusivo de ensino de Suhaila é reconhecido internacionalmente e muito procurado por profissionais o Tribal e Dança do Ventre. Hoje, Jamila ministra aulas e workshops no estúdio de sua filha Suhaila Salimpour em Berkeley,CA e continua um ícone na história da dança do ventre e tribal.
Masha Archer foi aluna de Jamila e integrante do Bal Anat. Uma mulher fundamental para a história do tribal, principalmente para o ATS®. Masha dizia sentir que as pessoas do Oriente Médio não mereciam ser os guardiões da dança do ventre já que tinham vergonha de sua própria dança e eram abusivos com suas mulheres.
Tinha como principal meta conquistar o respeito do público para a arte da dança, para isso, deixou o Bal Anat e utilizando suas habilidades artísticas, tentou distanciar-se da dança do ventre sempre seguindo as influências de Jamila.
Masha cobriu as pernas com calças pantalonas, trocou o sutiã decorado por um choli indiano modificado e escondeu os cabelos com um turbante. Sua intenção era fazer com que o público admirasse a dança e não apenas a dançarina para entretenimento masculino.
Em 1970 fundou o grupo “San Francisco Classic Dance” com suas alunas, adotando algumas modificações como: postura alta, excluiu movimentos de chão alegando a não valorização da dançarina neles e modificou seu repertório de música passando a dançar músicas populares de vários países do Oriente e não apenas as comuns da época para dança do ventre, dizendo deixar as performances previsíveis.

Masha era muito consciente de que estava tomando liberdades extremas com sua dança e suas raízes culturais, mas sentiu fortemente que a dança era tão especial e tão merecedora de respeito que “não importava o que ela fazia com a dança, dançar sempre seria lindo” e esse foi o último legado transmitido para suas alunas antes de parar de dançar. A trupe de Masha apenas se apresentava em eventos culturais.
Hoje, Masha não dança mais e trabalha atualmente como designer de jóias. Carolena Nericcio foi aluna de Masha Archer e será nosso assunto para o próximo post ” História do Tribal – parte 2″ onde detalharei sua imensa importância para o estilo. Até lá!

Fontes: