domingo, 24 de abril de 2016

Pilares do Sul - Morgan Mahira (Definição)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.


Eu entendo que seja um Estilo derivado da Dança do Ventre, mas que incorpora muitos outros estilos de dança, antigos e modernos, e nos dá a possibilidade de fazer uma alquimia entre eles e inovar por conta disto, através da criatividade e até da cultura de cada indivíduo ou grupo. 

Eu até arrisco dizer que o Tribal pode se tornar infinito, pois não permite se encerrar ali adiante... por mais que algumas pessoas tentem... ele sempre vai deixar uma pontinha, uma brecha para alguém ter uma ideia diferente, seja no tipo de dança a colocar, seja na música, seja na maquiagem, no figurino, enfim, naquele detalhe que ninguém tenha pensado ainda... 

e mesmo assim, continua sendo chamado de Tribal, pois mantém sua essência... mantém aquilo que permite o estilo ser chamado de Tribal... ;)


Fonte: texto enviado por Morgan Mahira para o Blog

Fotos: arquivo pessoal de Morgan Mahira no Facebook

sábado, 23 de abril de 2016

Pilares do Sul - Morgan Mahira (Linha de Trabalho)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.

Sinceramente não. 

Gosto de muitos estilos, muitas culturas e me identifico com tudo isso. 

Então, tudo depende do momento, da música, da vibe... 

Isso inclusive gerou um comentário na avaliação de um dos jurados no LIBRAF 2013 a esse respeito: a falta de definição de um estilo dentro do Tribal.

Concordei plenamente, pois naquele momento, naquele dia, improvisando boa parte da minha dança, realmente não consegui definir a linha a seguir... 

E é bem isso... não sigo uma linha específica, mas atualmente, tenho esse amadurecimento para pelo menos tentar definir a linha a ser seguida (ou enfatizada) dentro daquela música específica.
 Fonte: texto enviado por Morgan Mahira para o Blog

Fotos: arquivo pessoal de Morgan Mahira no Facebook

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Pilares do Sul - Morgan Mahira (Cenário)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.
Apesar de ainda ter muito o que aprender (e terei sempre), eu vejo como um cenário ainda em expansão. Tenho visto e acompanhado profissionais e não profissionais maravilhosas com um bom embasamento no Estilo e extremamente dedicadas e criativas. Acredito que bons frutos dentro do Tribal estão sendo colhidos aqui no Estado. Somente aqui mais pro Extremo Sul é que o Tribal ainda tem poucas “adeptas”, talvez por falta de conhecimento ou até falta de interesse. No resto do Estado conheço (a maioria virtualmente) um pessoal já bem engajado e amadurecido dentro do estilo, o que me incentiva bastante.

Ah é. Tem algo que vejo com muita frequência: pessoas que dizem dançar Tribal, mas na realidade, fazem o que muitos fazem: pensam que dançar uma música de Tribal, fazer cara de má e dançar feito bruxas, com o cabelo no rosto ou coisas do tipo, é Tribal

Ou fazer uma (con)fusão qualquer com dança do ventre, é dançar Tribal também. 

Essas coisas me deixam muito fula da vida. 

Sério! E, apesar de termos tanto acesso de qualidade à informação, essas pessoas insistem em ficar obsoletas, não estudar, não se informarem, ou acharem que o Tribal é “qualquer-coisa-diferente-da-dança-do-ventre-mas-que-parece-com-dança-do-ventre”.
Fonte: texto enviado por Morgan Mahira para o Blog

Fotos: arquivo pessoal de Morgan Mahira no Facebook

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Pilares do Sul - Morgan Mahira (Cursos)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.
Antes até de conhecer a dança do ventre (especificamente, desde 1996), eu fazia aulas de jazz dança contemporânea, me apresentando com o corpo de baile da minha escola, então já tinha alguma base para agregar ao Tribal, pois dancei esses estilos por três anos. A única coisa que me impediu de dar continuidade a esses dois estilos, paralelamente à dança do ventre (que comecei em 1998), foi a questão “tempo”. Faculdade o dia inteiro, por exemplo. Então optei por ficar somente com a dança do ventre.

Também participei de um workshop de Dança Havaiana em Rio Grande (acho que por volta de 2008/2009, não lembro exatamente), muito bom, por sinal e tenho estudado vários tipos de fusões, muita coisa para amadurecer ainda, como street e hip hop, alguma coisa de yogadança cigana, enfim, estilos diferentes conforme vão surgindo as oportunidades, mas a maioria advinda de dvds didáticos.

Está nos meus planos fazer (novamente) ballet contemporâneo e entrar na Licenciatura em Dança na UFPel. Mas ainda estou me organizando internamente para isso.
Fonte: texto enviado por Morgan Mahira para o Blog

Fotos: arquivo pessoal de Morgan Mahira no Facebook

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Pilares do Sul - Morgan Mahira (Inspirações)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.

Minhas primeiras inspirações foram basicamente as de muitas: Rachel BriceSharon Kihara (mais que a Rachel Brice, inclusive), depois Zoe Jakes, MoriaChappel, KamiLiddle e por aí vai... 

Já conhecia toda a história do FCBD, da Jamila, enfim... várias informações adquiridas basicamente da internet e de vários blogs, tanto daqui do Brasil quanto internacionais. 

Vídeos-aula fui baixando ao longo do tempo, conforme meu acesso ao mundo virtual foi aumentando. Um dos vídeos mais inspiradores para mim (e até hoje me encanto assistindo), foi o das meninas que dançavam uma coreografia maravilhosa (desculpem... não lembro o nome da coreografia – memória seletiva – risos), com a Karina Iman (eu já conhecia pessoalmente a Karina, da época que ela vinha à Pelotas dançar em um restaurante árabe), mas ainda não conhecia as outras. Estas também fui conhecendo, conforme fui amadurecendo e me aprofundando nesse “mundo”.

Meu primeiro contato oficial com o Tribal foi com MahailaDiluzz, quando consegui, a “trancos e barrancos”, organizar um workshop dela aqui em Pelotas, em 2008. Já tinha um pessoal que conhecia e se interessava, então consegui organizar. 

Em 2010 (acho),consegui ir a Porto Alegre fazer um workshop de ATS com Isabel de Lorenzo, organizado por Mahaila. Foi um grande acréscimo de conhecimento presencial para minha bagagem virtual de estudos. E essas foram minhas primeiras aulas presenciais. 

Minhas restrições financeiras e várias outras questões pessoais, infelizmente me impediam de investir mais, viajar mais, ter mais aulas presenciais (aqui em Pelotas, só não digo que fui pioneira no Tribal por não ter certeza disso, pois existe uma colega que estuda Tribal há um tempo também, mas não lembro quanto).
Atualmente? Muitas inspirações... mas cito algumas aqui somente para exemplificar: Irina AkulenkoAnasma (apesar de fazer mais fusões que Tribal propriamente dito, gosto muito dela como inspiração no que diz respeito a técnicas de hip hop e expressão corporal e facial), Ariellah (sempre), Zoe Jakes (ainda), Mira Betz, vários grupos interessantes e lindos de ATS ITSBruna GomesKilma Farias, o pessoal da Shaman (adoooroooo!), Damballah TribalJoline Andrade... e... nossa! 

Tantos nomes que nem conseguirei citar no momento (certamente lembrarei de outros em outros momentos), mas estão sempre presentes na minha vida dançante.

Como se deu o amadurecimento da sua dança durante este período? 
Pergunta difícil... Acredito que amadureço minha dança a cada dia, a cada semana, a cada mês, a cada ano... a cada ideia nova, a cada novo conhecimento, sempre que conheço e aprendo algo novo, seja música, dança, passos e até coisas relacionadas a roupas e culturas, procuro incorporar à minha dança... Ainda tenho tantas coisas a melhorar e a resolver... Tenho períodos de amadurecimento dentro da minha história dançante sim, mas é algo que não consigo pontuar. Só sinto... É uma sensação semelhante àquela que temos quando enxergamos melhor.
Fonte: texto enviado por Morgan Mahira para o Blog
Fotos: arquivo pessoal de Morgan Mahira no Facebook

terça-feira, 19 de abril de 2016

Pilares do Sul - Morgan Mahira (Trajetória)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.
Nome: Morgan Mahira (Michele Chabarria)
Grupo: Clã Luas de Isis – Tribal e Oriente

Bom, minha trajetória consciente (mais adiante, explico porquê), dentro do Tribal, começou lá pelos idos de 2007, quando aluguei um vídeo de shows de dança do ventre na locadora do meu tio. Na época já dançava e dava aulas de dança do ventre, mas não conhecia o grupo BellydanceSuperstars ainda (pasme!). 

E foi o famoso show no FolésBergére que me levou conscientemente ao Tribal. É, pode ser meio clichê isso (risos), mas o acesso à tecnologia, internet, etc., ainda era limitado para mim. 

Foi então que pirei assistindo aquele estilo completamente "bruxesco”, com aquela música hipnotizante (uma delas eu até tinha e era minha preferida daquele cd) e aqueles movimentos lentos e sinuosos... aquele figurino alternativo... algo completamente diferente do que já havia visto. Me encantei de primeira. No mesmo dia fui buscar informações a respeito daquele estilo. 

Enquanto buscava, pesquisava informações sobre o Tribal, a sensação principal que tive foi algo como “agora me achei”, “agora tô na minha praia” (risos). 

Achei bastante coisas até e comentei com uma amiga via orkut (na época ela morava em Santa Maria, se não me engano) a respeito da minha “super descoberta” e o comentário dela foi: “é a tua cara, amiga” (risos). Então ela me indicou a Cláudia Bittencourt de Rio Grande e por indicação da própria, acabei entrando em contato com a MahailaDiluzz, de Porto Alegre.

Agora, por que enfatizei a trajetória “consciente” dentro do Tribal? Porque um bom tempo depois, quando eu já estava envolvida com os estudos de Tribal, lembrei de dois eventos passados, um, ocorrido em 1999, em uma visita à minha família que mora em Atlanta, EUA, quando assisti algumas apresentações de Tribal em uma espécie de encontro de culturas do Oriente Médio em um Café, mas sem saber que era Tribal (só achei aquele figurino da bailarina muito diferente na época); e outro, ocorrido lá pelos idos de 2002, quando fui a SP visitar uma amiga e viajamos a Campinas para encontrar (e no meu caso, conhecer pessoalmente) outra “amiga-do-ventre”. Nessa época, fui apresentada a um vhs do FatChance Bellydance, mas certamente não estava preparada para o Tribal ainda. Obviamente por imaturidade da minha parte, pois sempre gostei de coisas “diferentes” e fora do “tradicional”. Enfim... tanto isto se confirma, que só fui lembrar desta passagem, vários anos depois. Mas é como sempre digo: faz parte. E assim começou minha trajetória.

Apesar de estudar o Tribal desde 2007 e ensinar Tribal para meus alunos há um tempo, minha trajetória foi um tanto solitária, até 2014. Em 2011 já dançava em alguns eventos pela cidade, incluindo o World Belly Dance Day e o Piquenique Cultural (evento local que acontece em praças da cidade ao longo do ano), mas só retornei para os palcos competitivos em 2012, graças ao estímulo da querida Lise Bueno, quando me explicou a respeito do método de avaliação do LIBRAF (tema de podcast no “Sala de Dança”, inclusive). Foi a primeira vez que me expus dançando Tribal, fora da área Pelotas/Rio Grande e em mostra competitiva. Apesar de muitas questões emocionais pessoais que me deixaram extremamente tensa (nunca havia dançado com o corpo tão tenso, em toda minha vida!), foi uma experiência muito interessante e gratificante pra mim. Inclusive, tive o prazer de conhecer Bruna Gomes (e depois descobrir que ela era uma das meninas que dançava com a Karina naquele vídeo inspirador – risos) e fazer um workshop com ela, o que foi uma experiência e tanto pra mim. Em 2013, fui ao mesmo evento competir, mas já havia me apresentado com uma aluna/parceira/colega de dança em um evento local, a Fenadoce, participado de alguns outros eventos culturais com outra aluna/ parceira de dança e antes ainda, participado de outra edição do World Belly Dance Day, mas dessa vez, em Jaguarão.

Em 2014, o Clã Luas de Isis já estava se solidificando como grupo e nos apresentamos na Fenadoce novamente, dessa vez com mais três alunas/parceiras de dança. E assim, o Clã vem se consolidando cada vez mais como grupo. Muitas ideias e projetos a partir deste ano de 2015.





Fonte: texto enviado por Morgan Mahira para o Blog
Fotos: arquivo pessoal de Morgan Mahira no Facebook

domingo, 17 de abril de 2016

Pilares do Sul - Karine Neves (Definição)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.
dança tribal pra mim é um estilo em que se misturam elementos de diversas danças étnicas, tendo como linguagem de base a dança do ventre

Vejo o Tribal como um conceito muito amplo, uma dança que conecta o ancestral e o contemporâneo, e permite uma grande variedade de criações. 

Mas acima de tudo, é uma forma de autoconhecimento, de sentir-se conectada, seja com a sua “tribo”, seja com a natureza, com o que chamar de Deus ou consigo mesma.
Fonte: texto enviado por Karine Neves para o Blog
Fotos: arquivo pessoal de Karine Neves no Facebook


sábado, 16 de abril de 2016

Pilares do Sul - Karine Neves (Linha de Trabalho)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.

Acredito que não sigo uma linha muito definida dentro do Tribal

Acho que o que me atraiu para o Tribal foi a sua infinita possibilidade criativa, a liberdade artística que ele oferece. 

Sinto dificuldade em rotular a minha dança, pois a considero bastante híbrida e em constante mutação. 

Porém acho que muitas vezes fica nítido um caráter ritualístico ou devocional (o que talvez revele o que a dança significa na minha vida), com alguma influência da dança cigana (por influência da minha mãe, Carmem Rosca, bailarina de dança cigana). 

Como minha formação foi no ballet clássico, posso dizer que ele também faz parte da minha dança, principalmente no que diz respeito à postura e disciplina. 

Outro detalhe que vale mencionar é que, como costumo dizer, sou nordestina de coração. Amo aquele canto do país e a sua cultura. Me encantam ritmos como baiãomaracatuxote, etc. Essa admiração me levou a pesquisar bastante, e acabou também influenciando minha dança.

Fonte: texto enviado por Karine Neves para o Blog
Fotos: arquivo pessoal de Karine Neves no Facebook

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Pilares do Sul - Karine Neves (Cenário)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.

Fico muito feliz em ver que o Tribal está disseminando e aos poucos se tornando mais popular. 

Hoje está deixando de ser um estilo desconhecido. 

Há alguns anos sempre que eu falava que dançava tribal as pessoas olhavam com cara de interrogação. 

Hoje é comum já terem assistido, ou conhecerem alguém que faz aula, etc. 

Eu acredito que o estilo está sendo cada vez mais valorizado no nosso estado, pois temos excelentes profissionais, e estão surgindo novos grupos produzindo trabalhos muito interessantes. 

Aos poucos vejo o Tribal ganhando espaço no cenário nacional e conquistando respeito no meio da dança do RS.


Fonte: texto enviado por Karine Neves para o Blog
Fotos: arquivo pessoal de Karine Neves no Facebook

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Pilares do Sul - Karine Neves (Cursos)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.
Para agregar e ajudar a construir a minha dança, além das aulas e workshops de Tribal, também procurei fazer cursos em outras áreas. 

Fiz curso Intensivo de Dança Indiana com Supriya, curso intensivo de dança moderna com Tânia Bauman, aulas regulares de Yoga com Nihar Sarkar, fora alguns workshops de reeducação do movimento com Ivaldo BertazzoZambra com Ali Kaliflamenco com Andréa Franco, e aulas regulares de Pilates, que faço até os dias de hoje.
Fonte: texto enviado por Karine Neves para o Blog

Fotos: arquivo pessoal de Karine Neves no Facebook

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 4

Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 04 - Visão do Estilo Tribal no Brasil hoje


Sobre como anda o tribal hoje, penso algumas coisas, todas boas. 

Primeiro que percebi que, desde o desaparecimento da Halim, o estilo se popularizou um bocado pra baixo do Equador (como diz uma música). Mas não tive a oportunidade de ver mais que fotografias e vídeos curtos na internet. 

Tenho contato com algumas bailarinas, vejo algumas publicações com trechos de apresentações de Rebeca Piñero, com peças interessantíssimas de Maria Badulaques, e isso me faz sorrir por dentro, e faz vontade de voltar. 

Vontade, não. Muita vontade!

Tenho a impressão de que o fato de o Brasil ter um público, interessados em dançar, e um mercado para dança do ventre muito grande, muito expressivo, pode favorecer muito o surgimento de novos e bons trabalhos para tribal, ou, como chamamos Shaide e eu desde a época da Cia Halim, dança étnica contemporânea, ou simplesmente fusion (sem deixar de tratar por tribal).

Tenho bastante material nos papéis e no computador. E este material ainda vai criar pele, curvas, movimentos sinuosos, cores, pintas e traços tribais. Na hora certa.

(Maria pergunta) Conta como foi ver a expansão do tribal no Brasil. Você acha que deu uma guinada exponencial após o curso que deu para Kilma na Paraíba?

Gosto desta pergunta, também. Há dois pontos sobre a minha relação pessoal com o quanto o tribal cresceu no Brasil. Um é de uma certa boa surpresa, porque quando a Cia Halim era ativa e eu dela participava, era a única (pelo menos que tenhamos tido notícias à época) companhia de Tribal, ou de danças étnicas contemporâneas fusion

Shaide participou muito mais do processo de ministração das aulas, por muitos motivos. Custava um pouco caro a produção de workshops, com nós dois em estados distantes, e eu ainda estava ligado a um trabalho de uma empresa de cinema em São Paulo, que não permitia ausências prolongadas. Então, fui algumas vezes ao Rio de Janeiro, a Brasília e a Porto Alegre (me roendo um pouquinho por dentro por não ter podido ir à Paraíba).


Mas, mesmo as notícias que me chegavam à distância, e sobre os relatórios que a própria Shaide me passava dos trabalhos fora de São Paulo, me traziam a impressão de que Kilma seria uma das principais, senão a principal representante do Estilo Tribal em toda a sua região. As fotografias a que tive acesso depois me trouxeram outra boa impressão. 

Era para mim possível, mesmo em imagens estáticas, reconhecer a alma da composição de um trabalho para Tribal. Dali em diante, tanto Shaide Halim quanto Fernando Reis não puderam mais pensar em Estilo Tribal da metade do território nacional para cima sem que o primeiro nome que nos viesse à mente fosse Kilma Farias.

Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007). 

Para saber mais sobre Shaide Halim ou Cia Halim, clique nos links.

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 3

Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 03 - Criação do Nome e Término

Irma Mariotti se transformou em Shaide Halim

Esta parte foi assim. Ela estava empolgada com o projeto (que no começo era mais só dela), e eu dava um ou outro pitaco, sem grandes envolvimentos. Um dos pitacos foi (acho que nem foi tanto ideia minha. Capaz de ela ter pensado nisso porque muitas bailarinas de danças orientais têm nomes artísticos orientais, e Irma é um nome forte, mas super europeu italianão, e poderia combinar mais pra ballet (o que hoje nem enxergo com esta restrição toda) a adoção de um nome artístico. 

Me lembrei de que tive uma colega num colégio e ela se chamava Shaide. Era filha de libaneses, acho. Só falei este nome pra ela uma vez. Os olhos brilharam e ela quase nunca mais, a partir dali, foi chamada de Irma (acho que só a família chama). Ah! E era para ser só Shaide e Halim era o nome da companhia. Um dia alguém se referiu a ela como Shaide Halim, porque acho que o nome da companhia fosse o sobrenome dela, e ficou.


O trabalho da Cia Halim, desde a primeira reunião, foi sempre realizado na pequena sala da casa em que morávamos, na Vila Mariana. Produzimos piso de madeira suspenso do chão, espelho do tamanho de uma parede inteira e procurávamos manter os muitos gatos da casa longe dos trabalhos. 

Então, a Halim era, sim, respondendo à sua pergunta, nossa companhia. 

Mas eu não me sentia patrão de ninguém (o que não quer dizer que quem aceitasse participar da companhia não tivesse que ter consciência de que teria compromissos a cumprir, e que os compromissos representariam cobranças de resultados. Nunca tivemos condições de pagar cachês ou salários, porque nunca tivemos patrocínio ou lucro com bilheterias. Mas não cobrávamos mais que dedicação de quem quisesse e pudesse participar, e que ajudassem no que pudessem (com figurino, com transporte de qualquer coisa pra quem tinha carro...).

A Cia Halim começou a esfriar por duas causas, que acho que só me ocorreram agora por ter que responder a vocês. Uma parte do trabalho estava vinculada a mim, às minhas condições pessoais, e até à minha relação com Shaide. Eu estava envolvido com várias tarefas diferentes, um pouco cansado, um bocado contaminado por meus próprios maus-hábitos, e decidido a me mudar de casa. 

Shaide, por outro lado, embora nunca tenha deixado de se incomodar, naturalmente, com o meu tumulto interior que respingava sobre casa e companhia de dança, tinha sempre o foco voltado para a produção de dança e seus projetos. Se não fossem para tribal, seriam para o que pudesse e gostasse de fazer. E assim, acabou-se a Cia Halim, Shaide deu início a projetos novos e eu fiquei um bocado sem produzir dança (a não ser nos papéis, por enquanto).



Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007). 

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 2

Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 02- Formação e Estruturação

Irma sempre teve muita, mas muita mesmo, aptidão e facilidade para dançar qualquer coisa, ainda que jamais tenha tido peso e massa corporal dentro dos padrões para os bailarinos profissionais. Ela sempre foi gordinha, mesmo.

:) Embora eu não ache que isso deva acontecer com a naturalidade de quem se relaciona a partir de um passeio no parque, pela primeira vez eu me peguei em um relacionamento com colega ou aluna. Era aluna e era a Irma. Irma ficou grávida e nós nos casamos.

A vida seguiu comigo sendo programador de filmes para cinema na distribuidora Pandora Filmes e Irma estudando relações públicas e ajudando o pai em tarefas administrativas de seus cursos (os do pai. Ele é consultor para empresas e professor em institutos de filosofia). Eu já não tinha condições de praticar ballet como antes, mas fazia umas aulinhas de flamenco aqui e ali, com Jussara Correa, a turma do Raies... 

Um dia, Irma, que sempre teve um bocado mais de possibilidades relacionadas a investimentos econômicos que eu, por causa da família, teve a  oportunidade de conhecer o trabalho de Carolena Nericcio e a FatChance BellyDance. Ficou absolutamente encantada! 

Mais que isto! Ela própria reunia impressionantes condições para fazer um excelente tribal (eu não digo isto só porque fomos casados. Digo porque é verdade). E, tendo em casa um sujeito que vinha da dança também, que conhecia flamenco (que podia ser muito útil no trabalho), ela (ainda Irma) não parou um minuto de elaborar e produzir. 

E eu fui ajudando com o que podia e com o que achava que tinha que fazer (me metia mesmo. Estava virando diretor da coisa sem perceber). Um dia a Cia Halim estava formada, com as aludas de dança do ventre que Shaide já tinha, as que se interessaram em participar. 

Nem todas eram muito boas, mas a gente tirava a alma delas pelo umbigo, sabe? Nunca com brutalidade. Eu era firme com o que era preciso, Shaide coreografava, dava aulas, limpava técnica, eu ajudava com coreografias, limpava umas coisas, desenhava cenas, fazíamos (muito mais Shaide) os figurinos, e um dia estreamos "Saluq" (não por acaso, nome de um vento que sopra do oriente pro ocidente), no teatro Sergio Cardoso (não me lembro data), com todo o cuidado que cabia no nosso pobre orçamento. As meninas ficaram nervosas e emocionadas, e a platéia aplaudiu nada burocraticamente. Gostaram mesmo.

O trabalho seguiu, fizemos outras coisas, Shaide tocou muito mais que eu o trabalho, mas continuei dirigindo enquanto a Cia Halim existiu em enquanto o casamento durou. O trabalho com a Halim fez com que Lulu (que à época era Sabongi) me confiasse a direção técnica e a criação da cena de abertura do show de vinte anos de sua carreira.

Eu me separei de Shaide, a Halim já havia morrido e morei na cidade do Porto um tempo (em outro casamento que também já acabou). Passei dias difíceis em internações e sobre uma cadeira-de-rodas, porque sofri a síndrome de Wrnicke-Korsakov, em decorrência de alcoolismo (já estou curado da causa e das conseqüências).

Estou de volta a São Paulo e com os papéis cheios de planos. Não posso dizer muito sobre eles, por enquanto, mas são para o bem e são para dança :)


Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007). 

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 1


Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 01 - História de Vida

Vou procurar colocar aqui o máximo do que eu puder me lembrar da história da Cia Halim, da minha história e do quanto procuramos colaborar para a formação do Estilo Tribal nessa nossa terra.

Meu nome é Fernando Reis (é o nome que uso geralmente, para apresentações profissionais, artísticas, em geral), sou Fernando Mendes dos Reis, nos registros. Tenho 41 anos, nasci na cidade de Esplanada-BA, mas sou um bocadinho aculturado da cultura e identidade do povo baiano, porque minha família mudou-se para São Paulo em 1978 (eu tinha quatro anos).

Sempre fomos de uma família um bocado pobre, e, embora isto tenha sido bastante ruim para a vida em geral, teve uma contribuição para saldo positivo (embora eu não seja apoiador de trabalho para menores). Eu vim a ter possibilidades de trabalhos para colaborar na renda doméstica, apoiado primeiro pelo meu irmão Léo Mendes, que trabalha com cinema há uns trinta anos, e depois com o irmão Moacir Mendes, que é publicitário e artista gráfico. 

Durante a minha adolescência vim a saber, entre os colegas da escola (pública), que um rapaz estava reunindo interessados em tomarem parte em um curso de interpretação para teatro. A turma de colegas que me apresentou aquela informação estava mais animada pela possibilidade de os trabalhos resultarem em beijocas nas garotas (para as cenas) que em qualquer ilusão de desenvolverem algum potencial para atuação. Me interessei, mesmo sendo muito tímido (e nem foi tanto pelas beijocas (que jamais aconteceram)).

O professor Edson Araújo Lima, que é um dos meus melhores e mais importantes amigos até hoje (fiz uma arte prum projeto dele esses dias), se mostrou muito bom professor. Junto com os meus irmãos (no cinema, na publicidade e nas artes gráficas), foi um dos maiores responsáveis pelo desenvolvimento de meu interesse e alguma aptidão para interpretação (fizemos um curta-metragem até. Dez anos depois). E naquela época eu, que estava bastante entusiasmado com as aulas de teatro, ouvi falar (ou intuí) que aulas de dança eram muito boas para a complementação da formação de atores. Tomei coragem e me matriculei em um curso de jazz.

As aulas de jazz eram um bocado fracas, mas eu não fiquei propriamente frustrado ou incomodado (afinal aquela não era a única escola e nem a única modalidade de dança). Vi flamenco pelo trabalho com cinema, dentro dos filmes de Carlos Saura, e me apaixonei! Chegou um tempo em que eu já não estava mais estudando teatro e nem só estudando dança por causa do teatro. Eu queria ser mais bailarino que ator.

Nunca foi nada fácil. Eu pobre, sem carro, trabalhando oito a dez horas por dia, com vontades de fazer coisas da vida social, mini-baladinhas de pobre... 

Comecei a fazer aulas de ballet clássico com uns vinte anos, depois de já ter feito um pouco de jazz, por achar que o clássico prepara melhor para tudo o que exija técnica e força. Não era propriamente para ser bailarino clássico... mas fui ganhando bolsas em todas as escolas das quais me aproximei. Os professores me viam com uma certa (alguns, bastante) boa impressão, porque eu era longilíneo, tenho os pés com uma ponta pouco comum, sou bastante en-dehors, e fui fazendo minhas aulinhas dentro da vidinha capenga. Entrei em cursos de dança flamenca, daqueles de pequeníssimas escolas (acho que o André Tiani, que foi meu primeiro professor, nem dá aulas mais) e me apaixonei por flamenco.

Da paixão por flamenco pra começar a dar aulas pra iniciantes na mesma academia em que tive minhas primeiras aulas de dança (jazz) na vida (!!!) foi um pulo.

Uma das minhas primeiras alunas foi Irma Mariotti (guarde isto, porque é importante).



* Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007).