Refletindo sobre a dinâmica de
nosso dia-a-dia, observo que a rotina que nos aflige e esmaga sonhos se
encontra impregnada na dança. Há uma urgência em evoluir, crescer, se tornar
visível, como disse Oswaldo Montenegro, parece que todos almejam a fama e em
alguns anos não haverá ninguém para aplaudir, estarão no palco. Pois bem, ter
objetivos definidos é essencial para se trilhar um caminho que chegue à
almejada “casa de doces”, mas se deliciar com as flores da travessia também.
Quando identifiquei os reflexos
da Tribal em minha vida, percebi que uma guinada necessitava ser adotada, urgia
tratar a dança com devoção, respeito e dedicação. Estudar os fundamentos, saber
o porquê daquela posição, o sentido de se fazer o que se faz passou a ser tão
importante quanto dançar, afinal uma coisa está umbilicalmente ligada a outra. Assisti
diversos DVD´s, sempre desejando mais, sedenta de tudo que pudesse me auxiliar
nesta busca frenética, o tempo, sempre ele, governando nossos passos, até que
encontrei uma antiga entrevista de Masha Archer, que se apresentava com o San
Francisco Classic Dance Troupe, onde ela explicava o figurino e como via a
dança que desenvolvia com seu grupo. Esta entrevista, e tantas outras de
Nericcio, foram um divisor de águas, a compreensão de se respeitar o nosso
tempo e sedimentar os fundamentos apaziguou a urgência do imediatismo.
Maria Carvalho - A dança me cura! Qdo encarno essa entidade que me habita me sinto livre...
É comum vermos pessoas fazendo
uma aula de sua modalidade preferida e sair para difundir à outras bailarinas,
sem qualquer preocupação com o conhecimento e a responsabilidade que estão
agregados ao ofícios de ensinar. Algo preocupante, afinal respeitar a arte é
pressuposto basilar para extrair dela sua real essência. Há, ainda, a
bailarina-relâmpago, que faz meia dúzia de aulas e se julga estar apta para o
intermediário, quiçá avançado e mais uma vez me vem à mente os ensinamentos da
Nave-mãe: respeitar seus limites, seu corpo, seu mestres, os iniciantes e os
amadurecidos.
O corpo demanda certo tempo para
assimilar movimentos e reproduzi-los, a repetição auxilia esse processo, tudo
estará em fino acordo com o grau de comprometimento de cada um, a dança está
aí, onde se irá com ela é uma questão de arrebatamento e vontade. O Caminho é
longo, apreciar a iniciante que começa seus estudos com a paixão do primeiro
amor se faz tão importante quanto admirar o Carvalho maduro, firme e
exuberante. Lembrando que, nunca se dançará igual a mestra, mesmo que seja
técnica similar, afinal a dança é pessoal, única, um DNA que vem carimbado com
sua essência e verdade.
Tempo...tempo....tempo que esteja
ao nosso lado, posto que a dança está no fi-o-fó da alma."
Super xeros. Maria
Maria Carvalho - As mulheres da minha vida, mamãe com 62 anos e Marina com 5 anos!
Orgulho, amor e admiração.
** Material enviado por Maria Carvalho para este Blog para publicação e divulgação.
Dando ao Blog Nossa Tribo & Nossa Dança o direito de divulgar sua imagem, escritos e vídeos. **
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