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terça-feira, 20 de outubro de 2015

ENTREVISTA - Janis Goldbard (Vídeo)


Publicado em 6 de nov de 2014
Um novo estilo de dança surge na cidade de Rio Branco, capital do Acre. O Tribal Fusion é um misto de diversas danças étnicas, entre elas o Flamenco, a dança clássica indiana, sem esquecer da dança do ventre como base principal. O estilo surgiu na década de 70, com a bailarina Jamila Salimpour, e foi destaque no Zappeando deste sábado (25).

A precursora da dança no estado é Janis Goldbard, pós-graduada em História da Arte, dançarina do projeto “Expressões Contemporâneas” e professora de Tribal em Rio Branco. Janis revela que o grande objetivo da dança é agregar o valor de coletivo. Integrar pessoas de diferentes idades e estilos.

(Confira no vídeo ao lado)
“Todas as pessoas podem participar. Podem manifestar-se dentro desse movimento. Geralmente, pessoas que estão em busca de redescobrimento interior são as que mais nos procuram”, afirma Janis. Para quem quer participar, Janis ministra oficinas em Rio Branco e deixa convite no Zappeando aos interessados no Tribal Fusion.

A atriz Maíra Mansoa aderiu à dança por intermédio de Janis. Ela conta que o Tribal Fusion desperta um lado que, talvez, você ainda não conheça. “O Tribal representa mais do que uma dança. Ele representa um estilo de vida. Então, a partir do momento que você conhece e gosta, te transforma de uma maneira”.

Por Camila Seixas

terça-feira, 13 de outubro de 2015

ENTREVISTAS - DINA DO CAIRO


Dina: Uma nova estrela no céu do Egito

No período pós revolução, quando o primeiro presidente eleito - após 30 anos de ditadura, fala ao seu povo, que reconhece o princípio de liberdade real, ele tem lugar no festival anual de dança do ventre da capital Ahlan Wa Sahlan, onde o broche de ouro é uma dançarina que já atingiu a glória, mas cuja conexão íntima com o público pudesse definir o tom para os tempos vindouros.
por Romina Azocar

Poucas coisas conseguem unir as pessoas mais do que música e dança. E talvez nada é mais apropriado neste momento no Cairo para celebrar o início de uma nova etapa com a versão de 2012 da Ahlan Wa Sahlan Festival ("bem-vindo"), que tem lugar no histórico hotel de 5 estrelas Mena House Oberoi, localizado na pé das antigas pirâmides de Gizé.

Nesta ocasião, a cada ano, reúnem-se dançarinos mais importantes do país e do mundo, e os estudantes mais dedicados também, porque é uma oportunidade única para aprender mais sobre a dança árabe, do muito melhor.

O festival começou em 27 de junho com uma abertura de gala apresentado no palco para bailarinos locais e estrangeiras que fazem parte da crème de la crème do mundo da dança oriental. Então são mais sete dias, onde professores dão aulas e competição tomam lugar, para o qual um júri experiente, que escolhe bailarinas que ganharão vários prêmios como uma coroa, jóias, roupas e acessórios de dança leva.

Além disso, eles são exibidos, em um grande bazar, todos os tipos de produtos; algo como o paraíso para todo o dançarino, onde trajes são oferecidos para tripudiar, véus de todas as cores e tipos, caderines com projetos inovadores, jóias, música, asas Isis, snujs, galabeyas, etc. Impossível não apreciar ou perder o brilho que chama a atenção e a inegável beleza das criações árabes, pode até ser interessante para alguém que não está familiarizado com o tema.

Mas nem o bazar e da concorrência são a principal atração deste evento. A estrela é chamada Dina Talaat Sayed Mohammad, de 47 anos, nascida em Roma, mas uma cidadã egípcia, é a mais famosa dançarina e atriz do momento.

A diva, dona do trono e de qualquer cenário que passo. Mas o que o torna tão especial? Como faz grandes somas nas suas apresentações e  suas aulas são as mais lotadas no festival, deixando eufóricas meninas, mesmo após uma fila para tirar uma foto eterna com ela?

Não, Dina não tem uma boa reputação. Nomeado "a última dançarina egípcia" pela revista Newsweek em 2009, muitas coisas são ditas sobre ela; que é distante e tem um temperamento ruim, não dá prioridade aos estudantes interessados que querem aprender seu estilo, e que ela teria vazado vídeo de sexo com seu terceiro marido com mais de 15 minutos em uma situação comprometedora e escandalosa que, naturalmente, aumentou sua fama.

Depois que seu primeiro casamento terminou em divórcio, ela teve um filho durante seu segundo casamento com o diretor Sameh El Bagoury, que morreu de um tumor no cérebro, depois se casou secretamente pela terceira vez, para finalmente se separar e casar  novamente com o empresário Wael Abo Hussein.

Diz-se que, aos 16 anos tentou o suicídio, depois que seu noivo se suicidou. Seu pai teria forçado a graduação em Filosofia na Universidade Ain Shams, mas já na década de 70, ela dava seus primeiros passos como dançarina no Reda Dance Troupe.

Se tornou uma solista, na década de 80, começando a dançar em hotéis internacionais conhecidos, na década de 90, o que causou polêmica com suas roupas modernas, desafiando trajes de dança clássica. Considere que no Egito dança do ventre ainda é praticada em privado, nas casas, e a profissão de bailarina ainda é socialmente condenada pela grande maioria.

Em 2011 publicou sua autobiografia intitulada "Minha liberdade na dança" (Link para o livro aqui), que não vendeu bem no Egito, possivelmente devido à revolução nacional que teve lugar ao longo do ano, embora chamou a atenção em países como a França.

No final de sua apresentação, me dá 15 minutos, enquanto um charuto é fumado e cumprimenta duas crianças que se aproximam dela, "habibi", diz (meu amor) e beijos. Quem sabe, talvez só por hoje, Dina está entretendo a todos, mesmo por pouco tempo.





O principal característica acho que deve ser um grande dançarino? Muitos ... mas o mais importante, um bom dançarino acredita que não é tão bom, pensa que não é suficiente. Se você acha que internamente você é um bom dançarino.

É o talento mais importante, ou esforço e disciplina? Acho que a coisa crucial é o encanto que vem de Deus, que faz com que ninguém seja como você. Há certas pessoas que andam pela rua e as pessoas vão olhar para ela, nenhuma razão aparente; é porque eles têm algo, energia talvez ... também acho que a beleza do corpo da bailarina, é muito importante cultivar um físico que não mostre a idade, que de olhar para uma pessoa e não saber quantos anos ela tem, ela é muito atraente . Eu também acredito no esforço, treinar o tempo todo, eu fico na frente do espelho todos os dias e eu treino, eu tento criar coisas novas, nunca é suficiente. Se o dia foi suficiente chega, é o fim, você está acabado.

Muitas canções árabes são sobre o amor, qual é a importância do amor em sua vida? Na verdade eu acho que ambas as coisas tristes gostam de coisas bonitas, ambos fazem seu ofício e fazer você humano. Se você está triste você pode dançar muito bem e se você estiver muito feliz também.

Como você pode lidar com as emoções negativas? Algo bonito que me acontece no palco é que eu esqueço todo o mundo. Como dançarina, deixo as pessoas gostam porque esta é a minha carreira e quero ser muito bom, então eu não penso em nada ou ninguém, nem no que aconteceu hoje ou ontem.

Nem mesmo em o que vai acontecer amanhã?  Exatamente, eu me despreocupo o que vai acontecer amanhã.

Dina agradece com sua característica voz rouca, dando a entender que não há mais a ser dito. Entrevista termina com um homem cordialmente pedindo-lhe para gravar uma saudação com a câmera do telefone. Talvez o que se destaca do resto de Dina não é o seu talento ou treinamento, mas o "não sei", certamente transmitida ao dançar, mas também quando se fala de pessoas e gesticula enquanto estiver usando as mãos para explicar, como se colocasse um monte de intenção em tudo que ele diz.

De qualquer forma, a sua capacidade de transmitir emoção e entrega no palco poderia ser apenas o que o povo egípcio precisa agora; uma reconexão com os sentimentos, de olhar com olhos novos a terra dos faraós, berço da dança oriental e palco de grandes enigmas, onde só a cidade de Luxor traz menos que 35% dos monumentos reconhecidos no mundo.

Assim, o período ruim para o Egito não será repetido, ficando para trás, porque alguém como Dina, não acontece duas vezes.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

ENTREVISTAS - MARIA BADULAQUES

Aqui vocês poderão ler um pouco mais do trabalho de Maria Badulaques, entrevistada por Hellen Karolyne Labrino Vlattas, link para o site da autora no final da página.
O QUE É TRIBAL ATS E QUEM O CRIOU??
O ATS® é a sigla para American Tribal Style, foi criado em 1987, Carolena Nericcio-Bolhman, crescendo junto com o FatChanceBellyDance® onde Carolena experimentou e construiu tudo que hoje utilizamos para dançar o estilo e que os bailarinos de Tribal Fusion utilizam como base de suas fusões. A maior característica do ATS® é a improvisação coordenada, permitindo que possamos dançar sem maiores preocupações, visto que não há coreografia, é como prolongar a descontração da sala de aula e leva-la ao palco. Essa improvisação é feita com base em movimentos estabelecidos por Carolena ou que ela aprovou, cada qual com seu nome, intenção e variantes, há ainda os dialetos de cada trupe de ATS®, mas para dançar o necessário é conhecer os combos que pertencem ao General Skills. Dançamos em duplas, trios ou quartetos e com snujs sendo tocados durante toda música rápida, essa formação chamamos de feature e as bailarinas que acompanham logo atrás é o chorus, com movimentos harmonizados ao feature e mais simples. Durante a apresentação os membros do feature vão assumindo a posição no chorus e vice versa possibilitando que todos desfrutem da sensação de liderar e ser liderado. Há ainda os movimentos lentos que utilizamos antes da música rápida, geralmente é esta dinâmica de uma apresentação de ATS®. Lembrando que o ATS® é uma marca registrada, por isso o ® assim sendo pra dançar e chamar de ATS® tem que seguir as regras do jogo.

QUAIS AS BASES (TIPOS) DE DANÇA EM QUE O ATS SE SUSTENTA?
O ATS® tem como referência muito forte o flamenco, com aqueles braços cheios de intenção e giros, a dança clássica indiana, havendo inclusive passos com clara inspiração, como o Sunanda e o Resham-Ka (criações de Megha) e o bellydance.

COMO É VISTO O ATS POR VC? VISTO QUE O MESMO TAMBÉM NÃO DEIXA DE SER UMA FUSÃO?
O ATS® é para mim uma forma de libertação! Demorou muito desde que comecei a estuda-lo até colocar pra fora dançando publicamente, quis entender tudo, encaixar as peças do quebra-cabeças no lugar e me sentir livre com o apoderamento da técnica. E a sensação de subir ao palco pela primeira vez foi: u-huuuu, liberdade!!!

Sim, ele é em si uma fusão! Quando entendi isso me joguei no flamenco que já praticava e fui conhecer as danças clássicas indianas, mais especificamente o Odissi, que pratiquei por um período. Muito importante conhecer as bases dessa dança, lhe possibilita uma movimentação mais consciente e harmônica.

Vejo o ATS® como uma forma de dançar com o espírito livre, me conectando com as irmãs em roda... magia!!!

PARA SER CHAMADO DE TRIBAL, SEGUNDO BAILARINAS DE NOME, SE FAZ NECESSÁRIO TER MOVIMENTOS DE ATS. COM BASE NISSO, MUITAS FIZERAM O PROCESSO DE DESCONSTRUÇÃO DE MOVIMENTOS. VOCE CONCORDA COM TAL PENSAMENTO? LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO AS ABERRAÇÕES NO MUNDO DA DANÇA POR FALTA DO SABER (PESQUISAS, CONHECIMENTO, ESTUDO COM PROFESSORA DO RAMO E TALZ)?
Bem, recentemente, estudando com Kilma Farias escutei uma versão sobre o Tribal Fusion que me intrigou e passei a meditar sobre isso. Antes, pra mim, Tribal Fusion era fusão de ATS® + outro estilo de dança, e aquilo que vinha de uma fusão de dois estilos que não envolvia o ATS®, eu interpretava como FUSÃO. Hoje, pensando no assunto creio que depende do seu ângulo de visão, de como interpreta a dança, sua estética, e se realmente precisamos rotular tudo. O que é isso? É dança, curta! Não pense, aproveite! Há uma gama de profissionais que construíram seu tribal com origens distintas do ATS®...um outro secto, com outras referências. Pelo fato de não usarem ATS® será que deveríamos chamar de Fusão simplesmente? E se fossemos chamar de Fusão, qual o problema? Rachel Brice foi categórica no curso que fiz com ela, o Tribal Fusion tem como mãe o ATS®, contudo Rachel foi aluna de Carolena, portanto vem deste segmento que o usa como referência e base.

Hoje, penso que tudo é dança!!! Se interpreta o Tribal Fusion como filhote do ATS®, ótimo... use (sem abusar) da referência principal e fomente um trabalho limpo com a solidez de duas técnicas (a de base e a outra). Se interpreta o Tribal Fusion sem referências ao ATS®, utilizando a estética de Dalia Carella, ótimo... crie seu trabalho tecnicamente com bases claras no que será sua referência.

Para quem usa o ATS® como base em sua fusão é natural sua desconstrução, afinal se não fosse assim não seria fusão, seria o ATS® in natura, mas em determinadas ocasiões me sinto confusa se a pessoa não sabe a técnica ou se desconstruiu tudo, e aquilo que mostra é intencional, o bom-senso deve estar presente para não causar essa estranheza no público... aliás bom-senso nunca é demais.

O AMERICAN TRIBAL STYLLE TEM QUANTOS ANOS???
Bem, como nasceu na década de 80 tem quase três décadas! U-huuuuuuuu

O IMPROVISON TRIBAL STYLLE (ITS) TAMBÉM É TRIBAL, QUAL A DIFERENÇA DO MESMO PARA O ATS???? E QUEM O CRIOU???
O ATS® tem regras bem claras e estabelecidas, formações, movimentos não cabe criar nada, a criação fica no campo das fusões... então não tocou snuj, não tá na formação estabelecida, não usa os movimentos (combos) do estilo, não é ATS®!!! É mais fácil, quando olhamos uma dança e queremos diagnostica-la analisar assim: é ATS®? Não, não é! Daí, pode ser uma variedade de estilos, inclusive o ITS. Unmata pratica ITS, as Wildcard bellydance também e veja que são estilos totalmente distintos mas que tem como base IMPROVISO COORDENADO, que tipo de improviso? Aquele que a trupe desejar trabalhar, então pode ser visualmente muitoooo próximo ao ATS® ou muiiiito distante.

O CERTIFICADO DA CAROLENA NERICCIO, É UM OURO E UMA GRANDE PORTA DE ENTRADA, VISTO QUE A MESMA É A MÃE DO TRIBAL PRIMITIVO, ME FALE UM POUCO SOBRE AS ETAPAS PARA CONSEGUIR O CERTIFICADO, A TUA EXPERIÊNCIA DE AULA COM ELA FOI DE QUANTO TEMPO???
Nossa, mudou minha vida! Arrepia tudo quando lembro da sua entrada na sala de aula, poder total!!! 

As etapas são concluir todo General Skills (Clássico e Moderno) e então se submeter ao Teacher Trainning, após se escreve um e-mail para Carolena que aprovando seu pedido lhe classifica com o Sister Studio, mas hoje em dia há várias nomenclaturas que Carolena nos estimula a usar profissionalmente, como o ATS® Certified, para quem realizou todo processo e não fez o TT.

Fiz 20h de aulas com Carolena divididas em 4 dias power, esta vivência fez toda diferença na minha dança. Escutar dela como ela idealizou, quais foram suas referências e motivação para o ATS® foi o que colocou todo quebra-cabeças no lugar. Além disso, tive alguns momentos conversando com ela que foram muito especiais pra mim!!!

Minha expectativa é que estudar com Carolena seja somente o ponta pé inicial e que possibilite mais estudo, aprofundamento, afinal o título não significa NADA se o estudo não se perpetua. Somos todos INICIANTES nesta dança, manter o ego controlado e a visão no horizonte.

A DANÇA QUE TEM O IMPROVISO COORDENADO, POR LÍDERES, TAMBÉM CHAMADA DE "SIGA OS PASSAROS". ME FALE UM POUCO.
Flock of birds eis a chave da nossa conexão! Seguimos o líder que se altera conforme a troca, conforme o turn (giro). Dentro deste conceito o que me fascina é que a dança não é sobre o ser individual, mas sobre o coletivo. A sua dança, sua técnica deve se conectar ao da amiga ao lado e devemos ter sempre em mente puxar movimentos dentro da possibilidade do mais inexperiente, afinal não é sobre como você é hábil e sim sobre como o grupo é coeso.

Amo quando entramos no círculo, que me remete as Danças Circulares, e foi numa dança de roda que Carolena desfrutou da liberdade de dançar sem amarras, a partir desta sensação e com ela em mente começou a surgir o que conhecemos como ATS®.

A DEMONSTRAÇÃO DE ATS PODE SER CHAMADO DE SOLO???? VISTO QUE O ATS FOI CRIADO PARA SE DANÇAR VARIOS BAILARINOS NO PALCO.
Sim, se você dança ATS® com uma parceira é um dueto, este é o mínimo para chamarmos de ATS®. Se pretende dançar tudo e mais um pouco sozinha, ainda que usando passos de ATS® chamamos de SOLO, simplesmente solo. No ATS® não há danças individuais porque o conceito e sua estética nos remete ao coletivo.

EXISTE POR CAROLENA UMA QUANTIDADE DE MOVIMENTOS NA SUA TOTALIZAÇÃO???
Não sei se entendi a pergunta, mas se você se refere se os movimentos tem uma quantidade final (ex: x movimentos de ATS®)... se for isso, bem. Temos os passos do clássico, que são aqueles e estes não mudam e não são acrescidos de novos, existe o moderno que já foi a absorção de tudo que estava rolando na ocasião e agora há os dialetos que são criações das trupes. Ou seja, o ATS® evoluiu e continua crescendo ☺

PARA SE ADQUIRIR O CERTIFICADO QUANTO TEMPO SE FAZ NECESSARIO???
Sabe o bom senso? É ele que vai dosar isso! Porque não há uma prova, assim sendo não há reprova, se você se matricular no TT certamente vai ter seu certificado ao termino, basta não perder as aulas, o que pode demorar é a aprovação de Carolena pra lhe nomenclar como uma sister, mas uma vez terminado o TT, certamente se transformará em sister studio uma hora ou outra. 

Então, antes de buscar o título, busque o estudo, respeite suas antecessoras, doe-se, dedique-se... não se trata de TER o título, mas SER merecedora dele. 

O merecimento vem com muiiiiiiiiito, mas muito investimento em aulas particulares, em grupo, estudo solitário em casa é isso que torna orgânica a técnica. Entenda a filosofia da dança, a motivação do DRESS CODE, não só se apoderar da técnica, afinal o ATS® para muitas é um estilo de vida.

A NOVA GERAÇÃO AINDA PROCURA O ATS DE FORMA A DAR CONTINUIDADE??? OU SEJA VC OBSERVOU ISSO ENQUANTO TEVE AULA , OU PELO MENOS DURANTE O TEMPO EM QUE VC CONVIVEU LÁ NA CALIFORNIA???
Eu vou pra Califórnia em 2016, participar de uma rotina puxada de workshops durante o Homecoming e aulas avançadas antes do evento com Carolena e Kristine, mas aqui no Brasil o ATS® tem se expandido muito, o que é ótimo. Há turmas novas e alunas ávidas por dançar tilintando os snujs, coisa de louco quando eles tocam... tudo muda! 

Vejo um futuro promissor sim, seja aqui seja na Califórnia... em qualquer lugar do planeta.

QUAL A VISÃO DA CAROLENA COM RELAÇÃO AS FUSÕES, E A DIFUSÃO DO TRIBAL CRIADO POR ELA, POIS JÁ FOI OBSERVADO QUE MUITOS ADMIRAM O SE TRABALHO A SUA ARTE, MAS, NÃO POSSUEM CERTIFICADO.
Então, ela nos disse que se você olha os passos e movimentos de ATS® e eles fazem sentido para você, então você é uma dançarina de ATS®, mas se tem vontade de mexer aqui, se movimentar diferente ali, então seu caminho é a fusão. Não há melhor ou pior caminho é uma questão de escolha e cada um seguir sua verdade.

Acredito que quanto ao certificado seja também uma questão de investimento, que é bem alto ou talvez uma questão de necessidade, será que o certificado é importante para todos? Depende do que caminho quer trilhar.

QUAL A NECESSIDADE DE SE ESTUDAR POR INICIO O ATS?????
Bem, ele nos dá uma base muito sólida e rica de trabalho! Sabendo e se apropriando da técnica você tem infinitas possibilidades de criação. Há muitos solos de tribal fusion repletos de ATS®, as vezes a bailarina até desconhece que aquele passo é original do ATS®, por isso ser tão importante conhecer realmente as bases de sua fusão, se for o caso.

SUA VISÃO SOBRE AS RAMIFICAÇÕES DO TRIBAL FUSION (DARK, VINTAGE, PIRATE, BURLESCO, BRASIL, INDUSTRIAL, GIPSY ETC)?
Sabe, essa multiplicidade de nomenclaturas me deixam tão confusa!!! Tirando uma ou outra, como por ex: Tribal Brasil que encaro ser mais do que usar música nacional, mas realmente estudar as danças populares brasileiras, entender nossa cultura, coloca-la claramente na proposta e ver o que fica harmonioso na hora da fusão, geralmente olho e penso é dança, ponto final!!! Além do que, tem pessoas que caracterizam sua dança de uma forma e o público interpreta e enxerga de outro. Para que tanta sub-divisão? Chama de tribal, chama de fusão... acho confuso!!! Chama de dança!!!!

Vi Kilma explicando lindamente o que ela entende como Dark Fusion, vejo pessoas chamando de Dark Fusion, uma interpretação bem Gótica, há margem para várias interpretações... acredito que isso é fruto do crescimento, estamos experimentando, reconhecendo o terreno... nos arriscando. O processo é esse, anos na frente é possível que todas essas sub-divisões sejam chamadas simplesmente de Tribal.

DEIXE UMA MENSAGEM SOBRE TUDO O QUE VC APRENDEU NA DANÇA ATS, E COMO ELA TE TROUXE BENEFÍCIOS.
O ATS® mudou minha vida!

Sou advogada de formação, mas sempre dancei, com vários hiatos no percurso, contudo sempre voltando e procurando a dança que moveria minha alma. A libertação, o sentimento de TOU LIVRE, veio com a Dança Circular Sagrada, onde a única prioridade é ser feliz, se conectar com a pessoa ao lado, por isso decidi que o ATS® somente seria apresentado em público quando me sentisse LIVRE e assim foi, estava feliz... tranquila quando me apresentei pela primeira vez, acredito que a única ocasião que senti um certo nervoso em dança-lo foi quando levei minha primeira aluna para sua apresentação inaugural, fiquei mega tensa, mas só até tudo começar... depois é como injeção de adrenalina no corpo, me jogo... e não penso em nada... só me liberto. 

Mudei meu estilo de vida, minha rotina, meu humor (já não chego a noite do trabalho no fórum querendo matar ninguém, porque corro pra alguma aula, ensaio e tudo volta a me harmonizar), minha família maravilhosa mudou também, todos dançam, minha filha, minha mãe (com quem estudo Dança Circular), meu marido e filho apoiam demais, então inequivocamente dançam com os olhos. 

Eu tinha compulsão por sapatos, cheguei a ter centenas e mais centenas de pares, hoje vejo como minhas prioridades mudaram, há meses (várioooos) não compro um par novo, quando meu marido me pergunta o que quer de aniversário, respondo: tal curso de ATS®. E de Natal? Viajar pra tal lugar pra estudar ATS®... enfim, minha vida gira em torno de estudar o ATS®!!! 

E agora invisto no 1º Festival Internacional do blog que criei, o Pilares do Tribal, com Kae Montgomery presente. U-huuuuu

Meu objetivo? Estudar e aproveitar a trajetória. Todas danças que pratico (Dança Circular, flamenco... bata de cola) são formas de estruturar meu corpo e mente para o ATS® e em 2016 junto a uma parceira querida, a Natalia, estarei representando o Brasil no ATS® Homecoming, em San Francisco-CA, um festival destinado ao ATS®. Estaremos levando um dueto com música nacional (Asa Branca do Gonzagão) e vestidas da mais bela chita e crochê, ou seja o ATS® pode ser a cara da nossa cultura, se respeitarmos seu estilo. 

Haja coração, dançar pra Carolena, Masha... com uma música que diz tanto das minhas origens e com um figurino crochetado por minha mãe... estarei levando toca minha ancestralidade e coração em cena, com uma única preocupação na mente: ser perfeita nas imperfeições e feliz com todo meu coração pulsando.

Um forte xero no pulsante cravejado de ATS®.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

ENTREVISTAS - BIA VASCONCELOS

Entrevista concedida ao jornal Tribuna Feirense em março de 2014.
Texto completo - aqui.

Há quanto tempo a dança faz parte de sua vida e como descobriu a dança tribal? Iniciei meus estudos em dança em 1997 com aulas regulares de Balé Clássico pelo método da Royal Academy of Dancing na Escola de Dança Elisângela Gomes em Feira de Santana. Sempre fui uma criança e adolescente ativa. Também participava de peças na escola e seguia com o Ballet Clássico, importante para me dar as noções fundamentais e os princípios norteadores da dança. 

Ao entrar na faculdade de Direito (formei em 2007 na Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus), dei uma pausa para aprofundar meus estudos acadêmicos. No entanto, não consegui ficar muito tempo longe e dessa vez comecei a treinar a Dança do Ventre por sugestão de meu namorado na época.Me apaixonei pela dança oriental e em pouquíssimo tempo tive a oportunidade de monitorar as aulas de minhas professoras, Soraya Loureiro (PE), Kátia Jade (BA) e Rosane Araújo (BA). A experiência do clássico facilitou bastante a assimilação dos movimentos e da técnica oriental. Naquele momento soube que seguiria lecionando e investi, de fato, numa carreira profissional.
Estudando e pesquisando bastante a dança do ventre, descobri um estilo até então recente no mundo inteiro: o “American Tribal Style’’ e ‘Tribal Fusion Bellydance’’. Naquela época não existiam professoras deste estilo na minha cidade e tão pouco em outros estados do Brasil, com raríssimas exceções.Parti então para um estudo autoditada mesmo, porém com bastante disciplina. Comprava DVDs internacionais de aula (já que não havia material produzido no Brasil até então) e treinava todos os dias. Só em 2007 fiz meu 1º workshop presencialmente com uma professora de tribal, a Bela Saffe, em Salvador/ BA.  Felizmente, o início de minha trajetória no Tribal coincidiu com o período de crescimento do estilo no País. Este crescimento e procura acentuados oportunizou a vinda das bailarinas estrangeiras, precursoras da modalidade. Investi nas aulas e pelo País afora fiz workshops com inúmeras bailarinas nacionais e estrangeiras, dentre elas a Samantha Emmanuel (UK), Anasma (FR), Sharon Kihara, Mardi Love, Kami Liddle, Mira Betz, Lady Fred e Rachel Brice (EUA), dentre outras.
Como você define a dança tribal? O Tribal é um estilo que foi desenvolvido e sistematizado nos Estados Unidos no final dos anos 80 e que utiliza a dança do ventre como base estrutural, mas mescla outros gêneros como a dança indiana, flamenca e folclóricas de várias ''tribos'' do mundo. Há 2 vertentes principais: o  ATS (American Tribal Style) e o Tribal Fusion. O primeiro, desenvolvido pela bailarina Carolena Nericcio em São Francisco/CA, caracteriza-se pela improvisação coordenada de gestos, um repertório comum firmemente estabelecido e dogmatizado, trajes folclóricos ricamente adornados, músicas folclóricas e uma postura altiva, típica do flamenco. Já o Tribal Fusion é, como a tradução sugere, uma fusão do ATS (necessariamente) com alguma outra influência que vai da dança contemporânea, break dance até a dança dos Balkans (leste europeu) e Vaudeville. Como se pode notar, o Tribal Fusion acrescentou um leque de possibilidades ao estilo original e trouxe consigo a simplificação dos trajes, o uso de coreografias e a utilização de músicas ocidentais modernas.

Existe alguma ligação do Tribal com as danças folclóricas aqui no Brasil? O Tribal permite a  fusão do ATS com elementos de danças étnicas de várias partes do mundo, dentre elas as danças populares brasileiras. Desta forma, vários grupos passaram a fusionar o tribal com danças folclóricas nacionais, surgindo então o Tribal Brasil. Elementos das principais danças regionais do país são utilizados para compor a modalidade, dando uma nova roupagem e enriquecendo o estilo que é desenvolvido aqui.

Você é a pioneira desse estilo em Feira. Como tem sido a aceitação? Comecei a ministrar a dança tribal em 2008, até então inexistente na cidade, no meu próprio espaço de danças. O trabalho que fui realizando gerou o interesse por um número cada vez maior de alunos o que oportunizou a migração das minhas aulas para o Centro Universitário de Cultura e Arte da UEFS em 2009.Desde então as oficinas de tribal funcionam com as turmas sempre cheias e a Instituição se tornou a principal referência no que concerne as aulas de tribal em Feira. O CUCA também é o principal parceiro e realiza junto comigo o Oriental Fair: Festival de Dança Bahia/ Brasil que movimenta há 4 anos o cenário da dança tribal da região. Também passei a ministrar as oficinas de Tribal em outro importante Centro Cultural, o Maestro Miro, que oferece as aulas gratuitamente para toda a cidade ampliando ainda mais o acesso de público ao estilo que ministro.

Desta forma, a aceitação tem sido super positiva uma vez que as aulas estão sempre cheias e foi possível realizar desde 2011 o Festival Oriental Fair que se solidificou a ponto de fazer parte do calendário oficial dos eventos mais importantes do País, trazendo bailarinos de todos os estados que além de ministrarem cursos, se apresentam no Show Oficial que é gratuito para toda a comunidade.

O Oriental Fair é um evento que têm ganhado bastante repercussão. A que você deve este sucesso? O sucesso do Oriental Fair só é possível porque temos uma equipe comprometida com o evento durante todo o ano. O elenco do evento é formado pelas alunas dedicadas dos espaços culturais onde ministro aulas e de convidados vindos de fora. Durante essas 3 edições do evento já passaram por Feira de Santana bailarinos profissionais da Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal além de todo interior do estado da Bahia e capital havendo um grande intercâmbio e troca de informações entre todos os envolvidos. Para os alunos é uma experiência enriquecedora dançar num grande palco com toda a estrutura que é o do OF e ao lado dos maiores bailarinos do estilo no País. Além de funcionar como um incentivo a permanecer nas aulas, sinto que a cada ano os alunos se aperfeiçoam fazendo com que o evento ganhe contornos cada vez mais profissionais. Ademais, um diferencial importante do OF é que ele é temático, ou seja, a cada ano as coreografias, músicas e cenário dizem respeito a um tema importante, geralmente histórico, tornando-o muito mais didático e atraente a todos os públicos, não só os da dança. Não posso deixar de citar as importantes parcerias que o evento mantém, sem as quais seria impossível viabilizar um evento do porte do Oriental Fair mantendo workshops com preços populares e shows gratuitos.

Como você se sente ao representar a cidade de Feira de Santana pelo País afora? Sinto muito orgulho de minha cidade, que abrigou e enaltece o meu trabalho desde o início. Representar Feira de Santana em todos esses eventos pelo País é motivo de grande orgulho. Hoje Feira já é lembrada por sediar um número considerável de alunos da dança tribal. Nosso grande público e alunos interessados ganharam destaque nos festivais nacionais uma vez que muitos bailarinos de fora fazem questão de vir dar aula e se apresentar em nossa cidade.

Como foi a experiência de participar mais uma vez do Shaman´s Fest? O diferencial deste evento é que contou com a presença da bailarina americana Rachel Brice, uma das fundadoras do Tribal Fusion e a fonte de grande inspiração para a maioria dos praticantes do estilo no mundo inteiro. Tive a oportunidade de fazer o curso profissional restrito a apenas 30 bailarinos selecionados da América Latina, além de ter me apresentado no Show de Gala. Representei não só minha cidade, mas também o meu estado no curso profissional e no grande show que já é considerado o maior encontro de Dança Tribal da América Latina.

O que você está trazendo para Feira de Santana, a partir dessa experiência? Acreditando que a principal característica da dança é a partilha de conhecimentos entre os envolvidos, trarei para a cidade uma série de workshops onde apresentarei as vivências e técnicas ministradas pela Rachel Brice durante o Curso Profissional. Desta forma, mesmo as pessoas que não puderam estar presentes no evento terão a oportunidade de se reciclar a partir desses cursos que lecionarei na cidade. Serão 4 módulos e o a primeira aula está agendada para o início de abril em comemoração ao mês que é dedicado à dança. Nos cursos serão abordados as principais técnicas, as sequências coreográficas e seleção musical adotada pela norte-americana.

Como você avalia a realidade deste estilo na cidade? O Tribal é uma dança recente no mundo inteiro e em nossa cidade apenas começou em 2008. Apesar de todo o avanço que foi conquistado ano a ano, sinto que ainda há muito trabalho a ser feito no que concerne a divulgação do estilo (pois muita gente ainda não o conhece), aprimoramento da técnica que observo em muitos praticantes e profissionalização/ aperfeiçoamento dos grupos que se apresentam. É preciso também muito estudo e bom senso, pois nem tudo que é fusionado pode ser chamado de Tribal. Porém, o mais importante é que haja união e entendimento por partes de todos que se propõem a dançar o Tribal, pois como o nome já diz, somos membros de uma mesma ''tribo'' onde elementos como respeito, solidariedade, gratidão e humildade devem estar sempre presentes.

Quais os planos para 2014? Além dos workshops especiais, o ano de 2014 promete muitas surpresas boas! Vem aí a 3ª edição do Festival Belly Fest que será realizado entre maio e junho e a 4ª edição do Oriental Fair: Festival de Dança Bahia/ Brasil que será realizado em novembro. Já estão confirmadas atrações vindas de São Paulo, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Serão mais de 12 horas de aulas e shows gratuitos durante 3 dias de atividades relacionadas as danças orientais. Em todas as edições do evento houve sucesso de público e grande repercussão nacional. Não será diferente nesta 4ª edição que promete surpreender a todos e se tornar um evento inesquecível mais uma vez! Desde já estão todos convidados a fazer parte desta tribo!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

ENTREVISTAS - JOLINE ANDRADE

Foto: Marcelo Cunha
Hibridismos de Joline Andrade Foto: Marcelo Cunha
Matéria do site - Mulheres na Dança de 2013

Dançarinas tribais subvertem estereótipos, na medida em que fazem recortes de diversos estilos de dança, assim como em uma “Collage” e criam suas danças a partir de sua própria vivência. Joline Andrade é bailarina especializada nesse estilo de dança, pós graduada em Estudos Contemporâneos sobre Dança pela Universidade Federal da Bahia e reconhecida internacionalmente pela qualidade de seu trabalho. Em março de 2013 esteve presente no The Massive- Las Vegas, dançando no evento mais importante das estudiosas dessa arte. Joline, essa talentosa e inteligente artista, gentilmente nos conta aqui a respeito de seus processos híbridos de criação.

O que é dança de fusão, dança Tribal e a sua especialidade, Tribal Fusion? Numa tentativa de acompanhar a liquidez das informações no mundo contemporâneo, a dança tribal, popularmente chamada de dança étnica de “fusão”, surge como proposta de agregar diferentes manifestações de danças étnicas das mais variadas regiões do mundo, e busca mesclar referências e matrizes de danças tradicionais e transpô-las numa estética contemporânea atualizada. É uma linguagem que, tendo como referência a dança do ventre, mescla conceitos e movimentos de danças étnicas como o flamenco, a dança indiana, danças do Hiphop, ou seja, danças de diferentes culturas e regiões do mundo bem como o(a) yoga. É relativamente recente no mundo da dança (surgiu em torno da década de 60, na Califórnia, durante os movimentos contraculturais do Woodstock), mas bebe na fonte de diversas culturas antigas e mistura tudo numa alquimia contemporânea.

A partir dos estudos em sua monografia “Processos de hibridação na Dança Tribal: Estratégias de transgressões em tempos de globalização contra hegemônica”, pensando em recortes de danças étnicas e processos de hibridação em dança, você acredita ser necessário haver um cuidado ético, no sentido de apropriação de movimentos, criação de métodos e principalmente em tentativas de fazer exigências nos estudos de bailarinas e alunas de tais métodos? Certamente. A dança tribal tem um sistema de códigos específicos baseados em matrizes da dança do ventre, indiana, flamenca e danças do hiphop (popping, locking, ticking, strobe, etc.). Por ser uma dança híbrida nós, artistas e agentes criadores, temos a possibilidade de expressá-la com perspectivas tradicionalistas (ATS, ITS) – que prezam pela manutenção de uma forma/estética, um sistema de códigos – e com perspectivas contemporâneas (Fusões, performances inspiradas na linguagem) – que se propõe a uma desestabilização do sistema em função da adesão de novos códigos e possibilidade de complexificação através novas pesquisas de movimento por experimentação combinatória. O Tribal Fusion está no “intermezzo” entre essas duas perspectivas, se apropriando de ambas. Para identificar algo como tribal, é preciso haver um entendimento de mistura entre basicamente as 4 matrizes que citei logo no início. O modo de organizar estas 4 linguagens é bem particular, porém deve ser afastada a ideia de sobreposição ou somatização de linguagens, pois de fato se trata de uma imbricação de signos.

Como você pensa o fazer em dança, a partir de reflexões/estudos contemporâneos e como acredita estar construindo seu trabalho como bailarina na prática? Acredito na capacidade de cada um desenvolver suas próprias misturas dentro do sistema de códigos da dança tribal. Acho complicado pensar em bases e fundamentalismos – uma essência tribal – pois já li uma vasta bibliografia acadêmica que desconstrói esse modo de pensar (estão conectados a um conservadorismo atrelado a estratégias de mercado). Os categorias/estilos/subestilos criados, para mim, não servem para diagnosticar uma potência artística e criativa. Eu procuro transitar por eles e me preocupo principalmente com o processo criativo, não com o produto de criação. Vejo muitas pessoas repetirem o discurso de que é preciso estudar isto para fazer aquilo, sem ao menos refletir os perigos que ele carrega. Eu a cada dia mais acredito na ampliação das possibilidades e não me reduzo a qualquer categoria. O que quero mesmo é desestabilizá-las, pois me parece mais artístico!

Você participou do The Tribal Massive – Las Vegas, ao lado de Zoe Jakes e outras importantes bailarinas de Tribal Fusion, quais são suas impressões sobre esse encontro? Alegria que se transborda! O Tribal Massive™ foi uma experiência memorável! Conheci professoras que me fizeram borbulhar com novos conhecimentos, novas ideias. Conheci pessoas adoráveis que me fascinaram com tamanha receptividade, amenidade e conhecimento. O que poderia ocorrer se não um completo fascínio pela diversidade desta Tribo? Milhões de descobertas, de dentro pra fora e de fora pra dentro. Intensas partilhas do sensível!!! Foram, somando a primeira e segunda semana de aulas, 85 horas de compartilhamentos profundos e intensos com professoras extremamente dedicadas e atenciosas. Fiquei felicíssima ao perceber que todas elas me chamaram pelo nome, como a maioria das minhas colegas o fizeram. Uma honra já ter este reconhecimento no grupo.

O ambiente intimista do evento permite relações super sinceras. Todas as professoras possuem a cultura de, após o espetáculo, ir conversar com cada dançarina que se apresentou para parabenizar os trabalhos levados ao palco. Eu fiquei felicíssima ao ter o reconhecimento da Zoe, que correu atrás de mim nos corredores do hotel para perguntar mais sobre a minha carreira e comentar sobre o meu solo. Após este dia, Zoe me pediu para ficar na frente da sala e ajudá-la como guia para desenvolvimento de suas propostas de estudo técnico e coreográfico. Fiquei muito tímida com o pedido, pois é uma grande responsabilidade estar à frente de uma sala de aula com colegas bem experientes, mas tudo é sempre aprendizado… A Sharon Kihara, como sempre muito amável e merecedora de admiração, me chamou após a apresentação para falar que me acompanha desde a primeira visita dela ao Brasil e que estava muito orgulhosa das minhas conquistas.

Você vai ministrar um curso de formação de Tribal Fusion, em São Paulo, conte um pouco em como está planejando realizar as aulas relacionando com estratégias de ensino “contra hegemônicas” possibilitando gerar novas artistas/criadoras/dançarinas. A ideia principal é dar autonomia de estudos, e isso pra mim é formar. Preparei textos, encaminhei uma lista de indicação de referências bibliográficas, como também escrevi um projeto apresentando qual a proposta do curso, a justificativa, os objetivos e o conteúdo programático de cada módulo que iremos trabalhar. Serão ao todo 8 módulos, de 2h30 cada, com temas específicos a serem desenvolvidos em cada um, que tratarão desde o estudo anatômico e cinesiológico do corpo até os processos criativos, filosóficos, os estudos musicais e a proposta de laboratórios teatrais.

Foto: Marcelo Cunha
Como movimento cultural e instrumento artístico-educacional um projeto de formação arquitetado em torno desta linguagem de dança, se engaja na ampliação das possibilidades de experimentação de outro repertório de movimentos e propõe o contato com as pesquisas de dança mais recentes desenvolvidas pelas tribalbellydancers mais comentadas na atualidade. Serão compartilhados todos os temas adquiridos no Tribal Massive™, como também serão esclarecidas as especificidades e diferentes abordagens de assuntos relacionados ao universo tribal.A mistura das culturas árabe, espanhola, indiana, norte-americana, brasileira, etc., na dança étnica contemporânea traz a possibilidade de fomentar os interesses para cada cultura distinta como também provocar questionamentos sobre o modo como cada artista manipula este sistema híbrido de informações em suas experimentações combinatórias podendo, desse modo, estimular os processos de criação dos inúmeros dançarinos que estão se especializando na dança tribal e promover a sua autonomia.
Neste sentido, é possível dizer que a proposição deste curso tem o objetivo de disseminar a dança tribal por meio da emancipação dos agentes criadores participantes das oficinas. No Brasil os poucos grupos de dança tribal atuam particularmente, por meio de mostras isoladas, sem um real entrosamento e efetivos recursos que visem o aprofundamento de estudos e formação de plateia. Com a execução deste curso de formação, o número de agentes da dança tribal poderá ser ampliado e este será o ponto de partida para a complexificação das redes entre artistas de diversas regiões do país.

Joline Andrade e Zoe Jakes“Por já ter acessado um grande material sobre dança e contemporaneidade considero que o que importa mesmo é a obra, suas estratégias de composição e sua potência enquanto sistema de signos. Para mim já não é mais necessário rotular em que categoria ela se encaixa ou, menos ainda, determinar qual a trajetória linear de formação que uma dançarina(o) deve ter.” 
Acredito que estamos num momento de “crise” onde é bastante complicado definir e categorizar sistemas de dança. O hábito de conceituar e apontar uma verdade absoluta sobre algo é um resquício de uma necessidade moderna geralmente limitada “ao que é e ao que não é”, abandonando uma gama de possibilidades do ser… Hora ou outra caímos no conflito de apontar o feio/bonito, o profissional/não profissional, o que é tribal/o que não é tribal. Outro equívoco enorme é determinar uma lógica unidimensional de aprendizado ao ditar a obrigatoriedade de estudar uma categoria primeiro que a outra.

Por já ter acessado um grande material sobre dança e contemporaneidade considero que o que importa mesmo é a obra, suas estratégias de composição e sua potência enquanto sistema de signos. Para mim já não é mais necessário rotular em que categoria ela se encaixa ou, menos ainda, determinar qual a trajetória linear de formação que uma dançarina(o) deve ter. Desde a Modernidade, temos essa tendência separatista/dualista/dicotômica em querer discriminar as coisas e esquecemos que, na maioria das vezes, as informações estão tão imbrincadas que é preciso enxergar o que há além de uma coisa ou de outra. Digo isso principalmente por estarmos falando da dança tribal em que o princípio organizativo é a hibridação de códigos.

Para dissertar teoricamente sobre dança tribal na universidade estudei amplamente as macro-categorias (aponto como macro, pois reconheço a permeabilidade de suas fronteiras) mais populares da linguagem e conheço o sistema organizacional de cada uma delas: ATS/ITS, Tribal Fusion e Fusões. Resumindo esta resposta apontarei a seguinte ideia: Minhas perspectivas com a dança tribal não são tradicionalistas (conservadoras, modernas), são contemporâneas. Existem formas diferentes de pensar a dança tribal e a forma tradicional, para mim, não traz significados. O tradicional pode trazer significados para uma dançarina, e isto é ótimo! Há de se haver diversidade de pensamentos, compreensão mútua e diálogo para evoluirmos enquanto pessoas, artístas e críticos de dança. Haverá mil formas de justificar o pensar de um ou de outro modo, então é preciso discorrer de maneira impessoal e madura a este respeito, afinal não estamos falando de fulano ou sicrano e sim de concepções artísticas que precisam de crítica para serem refinadas. Isso já acontece com cinema, teatro e outras danças… Por que não falar com ética e inteligibilidade sobre a dança tribal?

Pude ter contato direto com o trabalho de algumas professoras que eu ainda não conhecia pessoalmente e que me decepcionaram um pouco pelos seus conservadorismos como também por ensinar de maneira incorreta conceitos de famosos estudiosos de dança e teatro em que já pude ter acesso na universidade. Fiquei muito contente por ver no discurso de outras uma reflexão mais contemporânea sobre as questões que apontei nas respostas a cima. Sobre o Massive Spectacular™ eu confesso que fiquei extremamente nervosa com a pressão que todo o evento provoca para realização da performance de palco. Ufa! Até então não tenho certeza se fui bem. Estou bastante ansiosa para ver o vídeo e somente após vê-lo irei dizer: “Fui bem!” ou “Poderia ter sido melhor!”. Avante!

Fonte: 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

ENTREVISTAS - RHADA MASCHPITZ

Texto publicado no Portal O Rio por Juliana Torres.
Descendente de ciganos russos, a dançarina, instrutora e coreógrafa Rhada Naschpitz se destaca em qualquer apresentação. De flamenco a hip hop, Naschiptz começou a movimentar seu corpo ainda quando criança, mas foi na adolescência que descobriu seu verdadeiro talento: a dança. Formada em Educação Física, Desenho Industrial e Comunicação Visual, a dançarina também é instrutora de Pilates e designer de jóias e gráfico. Há 18 anos na área, ela possui um currículo extenso de shows e works e já se apresentou em países como Argentina e Chile. O Portal O Rio conversou com Rhada Naschpitz para saber mais sobre seus trabalhos. 
Confira a entrevista exclusiva com a dançarina! 
Quais os tipos de dança você pratica? Sou dançarina profissional, instrutora e coreógrafa de Dança Étnica Contemporânea ou Tribal Fusion, como foi chamado nos EUA, estilo que faz fusão de diversas danças étnicas (como Belly Dance, Flamenco, Ciganas, Indianas, por exemplo) e danças modernas (como o Hip Hop e o Contemporâneo).

Já foi premiada? Nunca gostei de participar de concursos. Faço dança como arte e acho que cada dançarina tem sua peculiaridade, ainda mais dentro de um estilo de fusões étnicas como a Dança Étnica Contemporânea a qual pratico, que não existem padrões pré-estabelecidos e a identidade própria do artista é um dos pontos forte. Um dos maiores fascínios desse estilo de dança é a exclusividade artística.

Há quanto tempo dá aulas de dança? Onde? Desde 2005 em escolas de danças diversas. Atualmente estou na Equipe Asmahan e, desde 2010, na Escola de Artes Orientais do Rio de Janeiro, uma das mais conceituadas, é uma família. E este ano comecei na Lona Cultural Elza Osborne, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, e futuramente estarei em outros espaços da região.

Quais as modalidades que você ensina? Dança Étnica Contemporânea nos estilos: Tribal Fusion, Dark Arts, Rock´n´Fusion e Gypsy Fusion.

Além de aulas, você ministra palestras ou algo do gênero? Sim, workshops com temas diversos e atualmente desenvolvi o método Motus Cornicem – movimentos de corvo -, com movimentos corporais desenvolvidos por meio de pesquisa do comportamento e movimentação do corvo. Tenho ministrado no Rio e em São Paulo e já recebi convite no exterior.  

Fale sobre seus trabalhos… Dentro da Dança Étnica Contemporânea trabalho e me apresento com maior ênfase no que chamamos de Dark Arts – estilo de dança caracterizada por enfatizar uma estética expressionista, forte teatralidade e certa carga dramática, inspirada nas várias cenas da cultura dark/gothic (noir, industrial, burlesque, medieval, vitoriano) – e urbanas, como o rock`n`roll e o hip hop. E todo o universo alternativo e contemporâneo, indo também até o folclore do Brasil. Fusionando estas influências às danças orientais, étnicas e contemporâneas. Dentro dessa vertente de Dança Étnica Contemporânea, trabalho também com o estilo Gypsy Fusion e o Experimental Tribal Fusion que é meu projeto junto com o músico e produtor Ives Pierini, que se chama Duabus Artibus – Music and Dance Duet. Ambos unem suas artes no palco com músicas próprias compostas para essa parceria.

Fale sobre o Duabus Artibus – Music and Dance Duet… Consiste na parceria de dois profissionais das Duas Artes (Duabus Artibus, em latim), que é música e dança, de uma forma inovadora dentro do conceito da estética musical e da performance na dança. 
Surgiu da necessidade de explorar novos conceitos dentro das fusões sonoras entre ocidente e oriente, étnico e urbano, antigo e contemporâneo. E a capacidade dessas fusões criarem novos universos de inspiração, interpretação e estética na dança étnica contemporânea e suas vertentes. 
Além também da interação entre músico e dançarina, trazendo para o palco a teatralidade, conexão e fusão entre as duas artes. 
As músicas são compostas por Ives Pierini com exclusividade para Rhada Naschpitz.
Fonte:

terça-feira, 1 de setembro de 2015

ENTREVISTAS - BARBARA SUÊNIA

Aqui vocês poderão ler um pouco mais do trabalho de Bábara Suênia, entrevistada por Hellen Karolyne Labrino Vlattas, link para o site da autora no final da página.

Nossa primeira entrevista do ano, é com a bailarina Bábara Suênia, que nos conta sobre o seu trabalho com o Dark Fusion.

Hellen: Como você conheceu o Dark Fusion? Bem conheci o Dark Fusion em meados de 2009/2010, quando comecei após um período de depressão estudar a dança do ventre. Já estudava sobre a arte sombria dos cemitérios comecei a me dedicar com trabalhos monográficos relacionados ao conjunto de simbologias que compõem o mesmo. Mas, não conhecia pelo nome Tribal e sim arte gótica ou melancólica.

Hellen: Na sua visão como se define o Dark Fusion? O Dark Fusion é um estilo criado pela bailarina californiana Ariellah Aflalo, sendo uma mistura de movimentos da dança do ventre, movimentos de ATS (American Tribal Style), bem como movimentos da dança contemporânea e o principal de tudo a criação de um personagem, visto que, é uma apresentação teatral (Theatrical Bellydance), além de subjetiva, preza pelo obscuro do eu, o profundo da alma, sentimentalismo retraído, dentre outras características bem mais peculiares.

Hellen: O que te levou a estudar o Dark Fusion? Sempre tive um apego à arte cemiterial e sair um pouco dos estudos teóricos para o estudo prático. Devido à dança do ventre ingressei no tribal, pois descobri que o processo de criação no tribal é livre e vai além do que é proposto na dança do ventre, não esquecendo que a mesma é uma das três bases do tribal. Apesar das divergências que são ainda tidas como regras, como por exemplo, para ser a dança tribal é necessário movimento do tribal ou passa a ser não dança contemporânea, consequentemente há liberdade do corpo e da alma para expressar o eu mulher.

Comecei a assistir vídeos relacionados à “ARTE OBSCURA”, a frequentar locais afastados da cidade os chamados “interiores”, onde a religião, a cultura e a economia possuem uma força acima do normal principalmente impulsionado pelo poderio da igreja católica.

Hellen: O que é o Dark Fusion como expressam artística? Acredito que é um fator variante, levando em consideração que, dentro da dança tribal existem as suas ramificações, ou seja, tribal fusion considerado o pai das fusões digamos assim, dividido em várias vertentes, daí vem o Dark, Burlesco, Brasil, Urban, Balé, etc. Cada ramificação vem acompanhada de outra ramificação, por exemplo, o balé fusion, que além de ter em sua grande quantidade movimentos do balé tem movimentos de fusão ou mais propriamente que não são comuns ao balé, por exemplo, o breakdance, ou seja, a oscilação de movimentos clássicos com movimentos de dança de rua.

O dark em especial tem uma expressão artística diferenciada, por que tem de se levar em consideração em primeiro lugar a música, que geralmente é escrita com toque melancólico ou mesmo de suspense, músicas que convergem para um campo harmônico menor, isto musicalmente falando. Estas músicas trazem um misto de drama, suspense tragédia, dos quais são elementos usados diretamente no teatro, por este motivo que Dark busca em sua essência expressar à dor, o ódio, a agonia, em alguns casos cinismo por parte do personagem, dentre outros sentimentos que estejam atrelados ao subjetivismo humano, um sentimento de dentro para fora.

Claro que não posso deixar de ressaltar que esta ramificação do tribal (dark fusion) requer um auto estudo, em todos os aspectos sejam eles materiais e espirituais, pois não é tão simples incorporar um personagem, na realidade não se imita se VIVE, a bailarina precisa ter versatilidade de viver o tema, buscando um estudo aprofundado do que passar, expressão corpórea de todos esses sentimentos. O trabalho deve ser voltado para o estudo do corpo e da face, não existirá uma expressão do que se quer representar e sim uma imitação do que se quer fazer, desta maneira não pode ser chamado de expressão artística, e o dark é justamente a expressão, é a vertente do tribal que mais exige do eu tanto na técnica corporal quanto facial, na minha opinião.

Hellen: Você acha que existe algum preconceito em relação ao Dark? Sim. O tribal principalmente em cidades provinciais como João Pessoa chega a ser muito recriminado, o dark fusion mais ainda. Mas, vejo uma grande evolução do tribal de forma geral, principalmente de bailarinas do ventre, que antes viam com o olhar “sarcástico”, e agora enxergam o valor do mesmo com olhos críticos, de forma até pertinente na maioria dos casos.

O Dark para o mundo passa uma visão grosseira e ao mesmo tempo impenetrável, isso porque o sentimental, a estética da bailarina e personagens transmite uma atmosfera de medo, suspense, não digo repulsa, mas, do tipo “o que será que vai acontecer”, de certa forma causa um impacto visual.

Com o despertar do mundo contemporâneo, determinados tabus vão sendo deixados de lado, e a dança vai ganhando e adentrando vertentes, deixando o certo ou errado para aderir uma liberdade maior, pois a mesma não deixa de ser arte. Afinal o que seria arte?!
  
Mensagem:
Para quem pretende conhecer o tribal, é de verdade um caminho de muito aprendizado e claro muito trabalho, com recompensas inexplicáveis, com as ferramentas: corpo mente e alma.

Quando a bailarina se propõe a viver o tribal é justo e necessário, passar por várias vertentes do mesmo, pois além de ampliar a sua percepção corpórea, também amplia a sua visão de mundo.

O Dark Fusion, que, além de trabalhar as três ferramentas acima, tem ferramenta mais preciosa da dança a expressividade facial que é uma poderosa aliada à expressão do corpo.

Quando a bailarina se depara com o Dark Fusion, ela se depara com um mundo novo, um mundo que vai buscar trabalhar o seu eu interior mental, ou seja, responder perguntas como: Como eu poderia seria uma pessoa versátil? Como eu poderia trabalhar sentimentos de ódio com o corpo e a face? Trabalhar dor e emoção, o teatro é dança ou é apenas arte? Para aquelas que têm medo do estilo, nada mais é do que trabalhar o psicológico, colocar em prática os sentimentos mais obscuros, ocultos, passar a linguagem que muitos não conseguem perceber em si mesmo que é o medo, na arte da personificação se torna mais fácil, por que se atribui ao personagem o contexto que se deseja viver, nada mais nada menos do que realmente o ser vive, literalmente, muitos se encaminham na dança pra preencher lacunas depressivas.

Com a vivência de personagens, a bailarina se depara com a sua real personalidade, e descobre que no próprio eu existe um pouco de tudo e de todos, e que o ser humano enquanto ser pensante vive vários mundos distintos, vive personagens até então imaginários, mas, que realmente, nada tem de imaginário e sim fases da vida, por isso o tribal é uma filosofia de vida e não apenas uma montagem (dança - coreografia ou improviso) ou apenas uma arte refinada (figurino - corpo).

Bárbara Suênia, tem 27 anos, nos quais 6 são dança, especializada em Dança do Ventre e Tribal Dark Fusion.
Contatos: 0055 (83) 8770-0009 / (83) 3223-2050

FONTE:
TEXTO COM VÍDEOS - http://www.elenisymban.eu/p07.aspx