Mostrando postagens com marcador Joline Andrade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joline Andrade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de setembro de 2015

ENTREVISTAS - JOLINE ANDRADE

Foto: Marcelo Cunha
Hibridismos de Joline Andrade Foto: Marcelo Cunha
Matéria do site - Mulheres na Dança de 2013

Dançarinas tribais subvertem estereótipos, na medida em que fazem recortes de diversos estilos de dança, assim como em uma “Collage” e criam suas danças a partir de sua própria vivência. Joline Andrade é bailarina especializada nesse estilo de dança, pós graduada em Estudos Contemporâneos sobre Dança pela Universidade Federal da Bahia e reconhecida internacionalmente pela qualidade de seu trabalho. Em março de 2013 esteve presente no The Massive- Las Vegas, dançando no evento mais importante das estudiosas dessa arte. Joline, essa talentosa e inteligente artista, gentilmente nos conta aqui a respeito de seus processos híbridos de criação.

O que é dança de fusão, dança Tribal e a sua especialidade, Tribal Fusion? Numa tentativa de acompanhar a liquidez das informações no mundo contemporâneo, a dança tribal, popularmente chamada de dança étnica de “fusão”, surge como proposta de agregar diferentes manifestações de danças étnicas das mais variadas regiões do mundo, e busca mesclar referências e matrizes de danças tradicionais e transpô-las numa estética contemporânea atualizada. É uma linguagem que, tendo como referência a dança do ventre, mescla conceitos e movimentos de danças étnicas como o flamenco, a dança indiana, danças do Hiphop, ou seja, danças de diferentes culturas e regiões do mundo bem como o(a) yoga. É relativamente recente no mundo da dança (surgiu em torno da década de 60, na Califórnia, durante os movimentos contraculturais do Woodstock), mas bebe na fonte de diversas culturas antigas e mistura tudo numa alquimia contemporânea.

A partir dos estudos em sua monografia “Processos de hibridação na Dança Tribal: Estratégias de transgressões em tempos de globalização contra hegemônica”, pensando em recortes de danças étnicas e processos de hibridação em dança, você acredita ser necessário haver um cuidado ético, no sentido de apropriação de movimentos, criação de métodos e principalmente em tentativas de fazer exigências nos estudos de bailarinas e alunas de tais métodos? Certamente. A dança tribal tem um sistema de códigos específicos baseados em matrizes da dança do ventre, indiana, flamenca e danças do hiphop (popping, locking, ticking, strobe, etc.). Por ser uma dança híbrida nós, artistas e agentes criadores, temos a possibilidade de expressá-la com perspectivas tradicionalistas (ATS, ITS) – que prezam pela manutenção de uma forma/estética, um sistema de códigos – e com perspectivas contemporâneas (Fusões, performances inspiradas na linguagem) – que se propõe a uma desestabilização do sistema em função da adesão de novos códigos e possibilidade de complexificação através novas pesquisas de movimento por experimentação combinatória. O Tribal Fusion está no “intermezzo” entre essas duas perspectivas, se apropriando de ambas. Para identificar algo como tribal, é preciso haver um entendimento de mistura entre basicamente as 4 matrizes que citei logo no início. O modo de organizar estas 4 linguagens é bem particular, porém deve ser afastada a ideia de sobreposição ou somatização de linguagens, pois de fato se trata de uma imbricação de signos.

Como você pensa o fazer em dança, a partir de reflexões/estudos contemporâneos e como acredita estar construindo seu trabalho como bailarina na prática? Acredito na capacidade de cada um desenvolver suas próprias misturas dentro do sistema de códigos da dança tribal. Acho complicado pensar em bases e fundamentalismos – uma essência tribal – pois já li uma vasta bibliografia acadêmica que desconstrói esse modo de pensar (estão conectados a um conservadorismo atrelado a estratégias de mercado). Os categorias/estilos/subestilos criados, para mim, não servem para diagnosticar uma potência artística e criativa. Eu procuro transitar por eles e me preocupo principalmente com o processo criativo, não com o produto de criação. Vejo muitas pessoas repetirem o discurso de que é preciso estudar isto para fazer aquilo, sem ao menos refletir os perigos que ele carrega. Eu a cada dia mais acredito na ampliação das possibilidades e não me reduzo a qualquer categoria. O que quero mesmo é desestabilizá-las, pois me parece mais artístico!

Você participou do The Tribal Massive – Las Vegas, ao lado de Zoe Jakes e outras importantes bailarinas de Tribal Fusion, quais são suas impressões sobre esse encontro? Alegria que se transborda! O Tribal Massive™ foi uma experiência memorável! Conheci professoras que me fizeram borbulhar com novos conhecimentos, novas ideias. Conheci pessoas adoráveis que me fascinaram com tamanha receptividade, amenidade e conhecimento. O que poderia ocorrer se não um completo fascínio pela diversidade desta Tribo? Milhões de descobertas, de dentro pra fora e de fora pra dentro. Intensas partilhas do sensível!!! Foram, somando a primeira e segunda semana de aulas, 85 horas de compartilhamentos profundos e intensos com professoras extremamente dedicadas e atenciosas. Fiquei felicíssima ao perceber que todas elas me chamaram pelo nome, como a maioria das minhas colegas o fizeram. Uma honra já ter este reconhecimento no grupo.

O ambiente intimista do evento permite relações super sinceras. Todas as professoras possuem a cultura de, após o espetáculo, ir conversar com cada dançarina que se apresentou para parabenizar os trabalhos levados ao palco. Eu fiquei felicíssima ao ter o reconhecimento da Zoe, que correu atrás de mim nos corredores do hotel para perguntar mais sobre a minha carreira e comentar sobre o meu solo. Após este dia, Zoe me pediu para ficar na frente da sala e ajudá-la como guia para desenvolvimento de suas propostas de estudo técnico e coreográfico. Fiquei muito tímida com o pedido, pois é uma grande responsabilidade estar à frente de uma sala de aula com colegas bem experientes, mas tudo é sempre aprendizado… A Sharon Kihara, como sempre muito amável e merecedora de admiração, me chamou após a apresentação para falar que me acompanha desde a primeira visita dela ao Brasil e que estava muito orgulhosa das minhas conquistas.

Você vai ministrar um curso de formação de Tribal Fusion, em São Paulo, conte um pouco em como está planejando realizar as aulas relacionando com estratégias de ensino “contra hegemônicas” possibilitando gerar novas artistas/criadoras/dançarinas. A ideia principal é dar autonomia de estudos, e isso pra mim é formar. Preparei textos, encaminhei uma lista de indicação de referências bibliográficas, como também escrevi um projeto apresentando qual a proposta do curso, a justificativa, os objetivos e o conteúdo programático de cada módulo que iremos trabalhar. Serão ao todo 8 módulos, de 2h30 cada, com temas específicos a serem desenvolvidos em cada um, que tratarão desde o estudo anatômico e cinesiológico do corpo até os processos criativos, filosóficos, os estudos musicais e a proposta de laboratórios teatrais.

Foto: Marcelo Cunha
Como movimento cultural e instrumento artístico-educacional um projeto de formação arquitetado em torno desta linguagem de dança, se engaja na ampliação das possibilidades de experimentação de outro repertório de movimentos e propõe o contato com as pesquisas de dança mais recentes desenvolvidas pelas tribalbellydancers mais comentadas na atualidade. Serão compartilhados todos os temas adquiridos no Tribal Massive™, como também serão esclarecidas as especificidades e diferentes abordagens de assuntos relacionados ao universo tribal.A mistura das culturas árabe, espanhola, indiana, norte-americana, brasileira, etc., na dança étnica contemporânea traz a possibilidade de fomentar os interesses para cada cultura distinta como também provocar questionamentos sobre o modo como cada artista manipula este sistema híbrido de informações em suas experimentações combinatórias podendo, desse modo, estimular os processos de criação dos inúmeros dançarinos que estão se especializando na dança tribal e promover a sua autonomia.
Neste sentido, é possível dizer que a proposição deste curso tem o objetivo de disseminar a dança tribal por meio da emancipação dos agentes criadores participantes das oficinas. No Brasil os poucos grupos de dança tribal atuam particularmente, por meio de mostras isoladas, sem um real entrosamento e efetivos recursos que visem o aprofundamento de estudos e formação de plateia. Com a execução deste curso de formação, o número de agentes da dança tribal poderá ser ampliado e este será o ponto de partida para a complexificação das redes entre artistas de diversas regiões do país.

Joline Andrade e Zoe Jakes“Por já ter acessado um grande material sobre dança e contemporaneidade considero que o que importa mesmo é a obra, suas estratégias de composição e sua potência enquanto sistema de signos. Para mim já não é mais necessário rotular em que categoria ela se encaixa ou, menos ainda, determinar qual a trajetória linear de formação que uma dançarina(o) deve ter.” 
Acredito que estamos num momento de “crise” onde é bastante complicado definir e categorizar sistemas de dança. O hábito de conceituar e apontar uma verdade absoluta sobre algo é um resquício de uma necessidade moderna geralmente limitada “ao que é e ao que não é”, abandonando uma gama de possibilidades do ser… Hora ou outra caímos no conflito de apontar o feio/bonito, o profissional/não profissional, o que é tribal/o que não é tribal. Outro equívoco enorme é determinar uma lógica unidimensional de aprendizado ao ditar a obrigatoriedade de estudar uma categoria primeiro que a outra.

Por já ter acessado um grande material sobre dança e contemporaneidade considero que o que importa mesmo é a obra, suas estratégias de composição e sua potência enquanto sistema de signos. Para mim já não é mais necessário rotular em que categoria ela se encaixa ou, menos ainda, determinar qual a trajetória linear de formação que uma dançarina(o) deve ter. Desde a Modernidade, temos essa tendência separatista/dualista/dicotômica em querer discriminar as coisas e esquecemos que, na maioria das vezes, as informações estão tão imbrincadas que é preciso enxergar o que há além de uma coisa ou de outra. Digo isso principalmente por estarmos falando da dança tribal em que o princípio organizativo é a hibridação de códigos.

Para dissertar teoricamente sobre dança tribal na universidade estudei amplamente as macro-categorias (aponto como macro, pois reconheço a permeabilidade de suas fronteiras) mais populares da linguagem e conheço o sistema organizacional de cada uma delas: ATS/ITS, Tribal Fusion e Fusões. Resumindo esta resposta apontarei a seguinte ideia: Minhas perspectivas com a dança tribal não são tradicionalistas (conservadoras, modernas), são contemporâneas. Existem formas diferentes de pensar a dança tribal e a forma tradicional, para mim, não traz significados. O tradicional pode trazer significados para uma dançarina, e isto é ótimo! Há de se haver diversidade de pensamentos, compreensão mútua e diálogo para evoluirmos enquanto pessoas, artístas e críticos de dança. Haverá mil formas de justificar o pensar de um ou de outro modo, então é preciso discorrer de maneira impessoal e madura a este respeito, afinal não estamos falando de fulano ou sicrano e sim de concepções artísticas que precisam de crítica para serem refinadas. Isso já acontece com cinema, teatro e outras danças… Por que não falar com ética e inteligibilidade sobre a dança tribal?

Pude ter contato direto com o trabalho de algumas professoras que eu ainda não conhecia pessoalmente e que me decepcionaram um pouco pelos seus conservadorismos como também por ensinar de maneira incorreta conceitos de famosos estudiosos de dança e teatro em que já pude ter acesso na universidade. Fiquei muito contente por ver no discurso de outras uma reflexão mais contemporânea sobre as questões que apontei nas respostas a cima. Sobre o Massive Spectacular™ eu confesso que fiquei extremamente nervosa com a pressão que todo o evento provoca para realização da performance de palco. Ufa! Até então não tenho certeza se fui bem. Estou bastante ansiosa para ver o vídeo e somente após vê-lo irei dizer: “Fui bem!” ou “Poderia ter sido melhor!”. Avante!

Fonte: 

terça-feira, 28 de julho de 2015

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.
Texto de Joline Andrade

Numa tentativa de acompanhar a liquidez das informações no mundo contemporâneo, a dança tribal, popularmente chamada de dança étnica de “fusão”, surge como proposta de agregar diferentes manifestações de danças étnicas das mais variadas regiões do mundo, e busca mesclar referências e matrizes de danças tradicionais e transpô-las numa estética contemporânea atualizada.

É uma linguagem que, tendo como referência a dança do ventre, mescla conceitos e movimentos de danças étnicas como o flamenco, a dança indiana, danças do HipHop, ou seja, danças de diferentes culturas e regiões do mundo bem como o(a) yoga. É relativamente recente no mundo da dança (surgiu em torno da década de 60, na Califórnia, durante os movimentos contraculturais do Woodstock), mas bebe na fonte de diversas culturas antigas e mistura tudo numa alquimia contemporânea.
Diante da vasta difusão da dança tribal, por meio de recursos tecnológico-comunicacionais, seus processos de hibridação foram intensificados pelos movimentos de globalização e ganharam complexidade, aumentando o teor das tensões e estabelecendo relações entre elementos dos mais variados.

Para compreender melhor os processos de hibridação na dança tribal, pode ser útil começar descrevendo, distinguindo e discutindo as categorias desta linguagem e os seus mecanismos de contaminação. Seus primeiros registros são da década de 1970 (SALIMPOUR, 1990), quando a dançarina Jamila Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos tribais. De volta à América, Jamila resolve mesclar as diversas manifestações culturais que havia conhecido, realizando uma espécie de tradução cultural.

Com sua trupe Bal Anat, em 1969, passou a desenvolver coreografias que utilizavam acessórios das danças de matrizes étnicas e passos característicos da dança oriental ancestral, baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dança-teatro, acrescentando a isso um figurino inspirado no vestuário típico das mulheres orientais.

Nos anos 1980, novos grupos já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de Jamila, ensina a Carolena Nericcio a técnica criada por Jamila para obter um melhor desempenho de suas dançarinas. Carolena fomentou uma fusão de estilos de danças do Médio Oriente e Norte da África, utilizando as danças de tradições etnográficas.

Tomando o que ela própria tinha aprendido a partir de dançarinos nativos do Marrocos, Argélia, Turquia, Egito, Síria e Líbano que estavam dançando nos Estados Unidos, começou a catalogar os movimentos de dança do ventre tribal (Tribal Bellydance), criando um repertório de terminologias básicas. Incentivada pelas diferenciações do novo estilo, Carolena forma seu próprio grupo, o Fat Chance Belly Dance, e desenvolve o ATS (American Tribal Style) ou estilo tribal americano (PHOENIX, 2008).

Nos anos 1990, passou a demonstrar com mais força a presença da dança indiana, do flamenco e mesmo das técnicas de dança moderna e do jazz dance, nascendo então o Tribal Fusion. O estilo tribal hoje representa a mistura de antigas técnicas de dança do norte da Índia, do Oriente Médio e da África, explorando as danças étnicas tradicionais como bhangra, bharata natyam e flamenco, e danças como o moderno, jazz, dança-teatro, danças do Hiphop (popping, locking, waving, ticking, strobbing) e, claro, a dança do ventre.

Na medida em que a dança é difundida em várias partes do mundo, os encontros e contaminações culturais possibilitam transformações mais complexas à mistura que já existe. Um exemplo é a proposta de mesclar as danças afro-brasileiras, tango ou dança moderna aos elementos da dança tribal.

As numerosas produções artísticas no entorno da dança tribal já contextualizam a ideia de pluralidade, pois são produtos da interação entre as informações de corpo e de mundo particulares a cada performer. A existência de danças tribais com maior influência africana, indiana, brasileira, norte-americana, etc, varia em forma e grau de acordo com uma relação tempo-espacial.

Hoje em dia a formação de um dançarino é constituída por diversas correntes, além de participar de projetos pontuais não apresentando uma referência corporal constitutiva. Ao se tratar do sistema dança tribal, estaremos falando de uma estética baseada na adesão de novas informações a todo instante. Sistema este de membrana extremamente permeável no que diz respeito às fronteiras entre as danças étnicas envolvidas, resultando em crises consecutivas em função das perturbações causadas pelo imprevisível, pelos ruídos deste contato.

Com a premissa que os envolvidos com a dança fazem parte de uma tribo onde todos compartilham sua singularidade em meio à diversidade, podendo atingir uma política de criação igualitária, as(os) dançarinas(os) tribais surgem agenciando uma espécie de, como afirma Boaventura, globalização contra hegemônica pós-colonial que se alimenta de um cosmopolitanismo subalterno ou insurgente.

A dança tribal, sendo composta por símbolos de cada cultura envolvida, selecionados através da familiaridade organizacional dos mesmos, permite a mistura de quaisquer outras informações culturais por meio de experimentações combinatórias. Desse modo, os agentes da dança tribal, em uma iniciativa transgressora, fizeram emergir mais uma categoria na dança tribal: “a dança de fusão".

O formato americano é uma das formas de traduzir o conceito de tribal. Dançarinos tribais podem e devem criar seus próprios meios, apresentar seus próprios olhares e fazer suas próprias associações para manter a dança VIVA, sem estagnações ou métodos e aprisionamentos de como se deve fazer. Traz autonomia artística e renovação estética à linguagem. Se pensarmos bem, essa estratégia de fusionar culturas do mundo é tão antiga na arte que nem posso citar todas as obras de música, teatro, cinema, artes visuais e dança que experimentaram/experimentam encontros interculturais com referências em culturas diversas. Isto quer dizer que fusão tribal não é moda da década de 60 pra cá. Aproximar a tradição do contemporâneo sempre foi uma fórmula incrível para todos os segmentos artísticos.

Existem questões éticas que devem ser sempre pensadas, principalmente quando se trata da apropriação de culturas em tempos de globalização, onde tudo é de todo mundo e isto só beneficia as grandes indústrias culturais que se apropriam, registram, comercializam o exótico e mantém à margem as culturas que serviram de sumo para o seu mercado. Chamar a dança de “tribal” já traz um tom colonizador pois, para o senso comum, este conceito vai estar sempre relacionado a algo selvagem, marginal, racialmente inferior, desprovido de racionalidade e civilidade.

Para expandir o conceito de tribal, sem dicotomias, vale pensar nas novas discussões sobre hibridação e identidades fragmentadas, plurais e singulares. Vale incluir todas as culturas no centro e destruir as margens, sem querer homogeneizá-las pois deve-se respeitar as fronteiras de diferenças entre elas. Entendo como tribais todas as manifestações artísticas chinesas, norte-americanas, brasileiras, russas, etc.

Afirmar as diferenças culturais de modo horizontal e “rizomático”, tendo sempre em vista o reconhecimento das matrizes e das origens de cada cultura para depois tomá-las como referência para fusões artísticas, me parece ser de tamanha grandeza. Transnacional seria um bom título para a dança, porém não teria força na indústria cultural que projeta a linguagem economicamente.

Penso que a "dança de fusão", ou a "fusão tribal", pode ser uma estratégia para burlar a mundialização dos interesses de um grupo de poder diante desta linguagem, pois possibilitam uma ecologia do saber, ou seja, uma descentralização na produção de arte, de conhecimentos. Instigada pela necessidade de diversidade, a ecologia do saber vem para validar o real, o lugar no qual essa manifestação está sendo projetada.

Se instauraria, de fato, a auto autorização das próprias possibilidades criativas das performers do estilo que legitimam outro modo de se fazer dança: estabelecendo critérios comuns de criação. Assim a desestabilização dos padrões pode ampliar o campo das possibilidades e garantir a continuidade de um sistema que se torna mais aberto às diferentes conexões culturais.

Peter Pál Pelbart, filósofo e ensaísta, aponta a investida contemporânea em corpos deformados e inacabados ao repensar o corpo do informe (sem forma, verdade e julgamentos), que recusa a modelagem do corpo moderno (adestrado e disciplinado), num processo de libertação das posturas rígidas e adquiridas através do reconhecimento das impotências do corpo. O corpo pós-orgânico, sem órgãos, amplia as possibilidades de experimentações diversas que permitem a invenção de novas conexões e libertação de novas potências, isto é, a capacidade da variação das formas (PELBART, 2003). É neste contexto que se instaura o pensamento contemporâneo nas novas produções artística da dança tribal.

TribaLX 2014 | Lisboa - Portugalhttp://www.tribalxfest.com/Data: 8 de MarçoLocal: Auditorio Orlando RibeiroElenco: Mardi Love, Elizabeth Strong, Jolien Andrade, Alexis Southall, Silvia Vasconcelos, Piny Orchidaceae Urban Tribal e muito mais.Solo: The Dark Balance por Joline AndradeMúsica: ArureFigurino: Jacqueline TeixeiraContato: (71)8796-3669 | joline_teixeira@hotmail.comRELEASE THE DARK BALANCEO solo "The Dark Balance" foi concebido por Joline Andrade por meio da analogia entre extremos opostos e toda instabilidade e hibridez conceitual que dela pôde surgir. O (des)EQUILÍBRIO entre o preto/branco, o feio/belo, o antigo/contemporâneo, o yin/yang e toda a dualidade que existe no universo estimularam, nesta nova coreografia, a reflexão sobre a plasticidade das fronteiras e a variação do sentido das coisas.
Posted by Joline Andrade on Quarta, 9 de abril de 2014

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ENTREVISTA - JOLINE ANDRADE

 ANA HARFF ENTREVISTA JOLINE ANDRADE
Texto do Blog Tribal Mind em Outubro 2012

O que você gosta de ver nas pessoas que trabalham no meio artístico?
Gosto do artista consciente dos pensamentos contemporâneos na arte e procuro me relacionar com aqueles que têm conhecimento das produções além do seu campo artístico. Que se alimenta de peças, filmes, performances, livros... Gosto de ver maturidade em discussões sobre obras e processos artísticos e admiro aqueles que têm um pensamento formado individualmente, sem influências, sem se proteger/esconder nas ideias do outro. Gosto de ver artistas independentes, ou seja, que escrevem sua própria trajetória sem se moldar nas estruturas de um outro artista, grupo ou instituição. Aprecio artistas livres de paradoxos.


ENTREVISTA COMPLETA:
http://tribalmind.blogspot.com.ar/2012/10/interview-joline-andrade-bra.html

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

VÍDEOS - FESTIVAL ETNOTRIBES

Eu estava ansiosa por estes vídeos, já que achei alguns pipocando por aí, quero compartilhá-lhos! 
Aqui tem as fotos:
Show de Gala SIMBIOSE | EtnoTribes Festival 2014 - 1º de agosto (sexta-feira) Teatro ISBA
Foto: Andréa Magnoni Fotógrafa
 — com Joline Andrade e Joline Andrade.

TEASER:

VÍDEOS:


Tribal Bells por Priscila Sodré | Show de Gala | EtnoTribes Festival


SHOW Gala EtnoTribes Festival & Grupo Musical Pedra Branca


Kilma Farias - EtnoTribes Festival

Cia Lunay - EtnoTribes Festival


Marcelo Justino - EtnoTribes Festival

Valkirias - EtnoTribes Festival

Diana Magnavita - Musical Fusion EtnoTribes Festival


Tribal Fusion - EtnoTribes Festival - Camila Middea


Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança

quinta-feira, 24 de abril de 2014

ARTE - Marta Motti

"Colors dance with me" | Dancer: Rachel Brice

Adicionando novos seguidores na sessão "Inspirações - Seguidores & Seguidoras" da nossa FanPage, me deparei com o belíssimo trabalho de Marta Motti.

Posto aqui algumas de suas imagens, o álbum completo você pode ver na página da artista - Marta Motti art page - que é maravilhosa!!!
Womanhood — com Joline Andrade e Joline Andrade. 
 Marta Motti art page - Colors of dance — com Joline Andrade.
 Marta Motti art page - The Imajaghan | My favorite tribal group — com Moona KhilanāLouna DanseAlhazar Danza del VientreIllan RiviereYssence Yss e Francesca Gigante.
"Holi" — com Colleena Shakti. 
 Marta Motti art page - "Angels speaks through the silence of emotions"

Inspiration from the heaven of Illan Riviere at T&BDA 14 in Milan — comThemis AthanassiadouIllan RiviereRossana De MarcoMicol Alibrandi,Francesca GiganteOmira Moira Simonelli e Alice Sahaya Sodi.




Aqui, postei apenas alguns dos seus trabalhos com bailarinas como Inspiração, mas ela tem um trabalho mais lindo que o outro. Visitem sua página!

Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança

sexta-feira, 18 de abril de 2014

ETNOTRIBES FESTIVAL - BAHIA

ETNOTRIBES FESTIVAL Dança e Música Étnica Contemporânea An Avant-Garde Fusion Experience 

O EtnoTribes Festival 2014 ocorrerá no período de 31 de julho à 4 de agosto na cidade de Salvador-BA.

Foi contemplado pelo Edital Setorial de Dança promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia e tem o patrocínio do Fundo de Cultura. Dirigido por Joline Andrade (BA), este festival tem como foco central criar um espaço de reconhecimento e produção de conhecimentos em torno do que representa o labor da dança e música étnica contemporânea e suas misturas interculturais. O projeto visa a formação artística/cultural de artistas de diversas cidades brasileiras através de oficinas e workshops de dança e música como também de debates, por meio da promoção de 27 horas de atividades formativas (sendo 21 horas GRATUITAS) com profissionais dos Estados Unidos, São Paulo, Belo Horizonte, João Pessoa e Salvador. Além de propor os cursos de formação, o evento contará com a produção do espetáculo intitulado Simbiose e do Pocket Show

Serão 4 oficinas com 3 horas de duração, 4 oficinas com 2 horas de duração, 1 debate com 1 hora de duração e 1 workshop internacional com 6 horas de duração. O Pocket Show acolherá os estudantes de dança inscritos e será realizado no Espaço Xisto no dia 31/07, às 20h00. 

O Espetáculo Simbiose será apresentado na sexta, dia 01/08 às 20h00, no Teatro ISBA. As demais atividades ocorrerão ao longo de todo o festival, nas salas da Escola Contemporânea de Dança. Os artistas convidados para o EtnoTribes Festival participarão do espetáculo e/ou irão propor os atividades formativas. São eles: Joline Andrade (BA), NagaSita (EUA), Kilma Farias (PB), Priscila Patta CM (MG), Fernanda Guerreiro (BA), Govinda Vallabha (BA), Vera Passos (BA), Lucimar Cerqueira (BA), Aline Goes (BA) e o grupo Pedra Branca (SP) representados por Luciano Sallun, Aquiles Ghirelli, Ricardo Mingardi e Laíz Latenek. O espetáculo irá fundir dança, música e culturas distintas numa simbiose tribal. Será divido em duas partes: no primeiro ato o grupo Pedra Branca irá apresentar seu repertório musical em parceria com as dançarinas Lais Latenek e Joline Andrade; no segundo ato os demais artistas, grupos e dançarinos convidados de todo o Brasil apresentarão seus trabalhos coreográficos junto a convidade internacional NagaSita (EUA). 

 Joline Andrade Direção Geral 
 Priscila Sodré Produção Executiva