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terça-feira, 5 de abril de 2016

Pilares do Sul - Gabriela de Lima (Trajetória)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.

Depois de passar pelas danças de salão gaúchas e danças de salão (2001 à 2005), no ano de 2005 passei para as danças individuais, começando pela Dança do Ventre.

Paralelamente, tive ainda aulas de dança indianastreet dancejazz, workshop de composição coreográfica, acessoria pedagógica e dança contemporânea.

Lembro que conheci a Dança Tribal através de um DVD das Bellydance Superstars no ano de 2007. Era um estilo realmente encantador, que me cativou profunda e instantaneamente.

Em junho deste mesmo ano, fiz um workshop de Introdução ao Tribal em POA com Karina Iman. Foi encantador.

Também em 2007, na Hayet Escola de Danças montamos uma coreografia de Tribal, que nos rendeu o 3º lugar no 6º São Leopoldo em Dança no ano seguinte. 

Começamos a estudar para saber mais sobre esta dança, mas era muito difícil.

As informações passadas pela internet ainda eram muito confusas e tudo tornava-se muito abstrato na minha cabeça e de todos que tentavam, de alguma maneira estudar e aprender um pouco sobre o estilo. Algumas colegas conseguiram fazer o workshop com Sharon Kihara em 2007, em sua primeira vinda ao Brasil e o entusiasmo cresceu ainda mais.

Em junho de 2008 fiz um workshop com Ansuya (EUA), que tenho um estilo bem peculiar de Dança Oriental e Barbara Kale (POA) que conseguiu nos dar uma pequena noção sobre o que era o ATS , que só conhecíamos de uma forma bem fantasiosa.

Neste mesmo ano, para interiorizar a Dança Tribal e tentar compreende-la, fui em busca de suas bases. Como já fazia aulas de Dança do Ventre iniciei aulas de Dança Indiana Clássica estilo Barathanathyan e fiz alguns workshop de Dança Flamenca.

Em 2009, fui convidada a assumir a turma de Dança Tribal na Hayet, devido ao meu empenho em estuda-la e busca constante, onde desenvolvi meus primeiros trabalhos para palco, ainda muito parecidos com o que eu tinha visto com Karina Iman: mais Étnico Ritualístico

Como era difícil o material para pesquisa em português, acompanhei muito os blogs Divagações Tribais e Afins da Mariana Quadros e Tribal Mind, da Ana Harff, além de artigos sobre Shaide Halim e Nadja el Balady

Isso sem falar que o Facebook ainda não era muito popular no Brasil... vivíamos em tempos de Orkut, onde pude conhecer Aquarius Tribal Fusion e a primeira formação da Cia Shaman ainda sob a direção de Ellen Paes

Através destas, também cheguei ao trabalho de Kilma Farias e Cia Lunay, que já estavam nos jornais do nordeste brasileiro.

Em 2010 fundei o Estilo Tribal Espaço Cultural, com meu esposo Marcos Vinicicus Cardoso, com o objetivo de aprimorar e propagar a dança, em especial a Dança Tribal. Continuei participando de cursos e workshop em diferentes modalidades de dança para construir meu corpo dançante.

Em 2011 participei do curso Extensivo em Dança Tribal ( POA) – coordenado e desenvolvido pelo Grupo Masala, composto por Daiane RibeiroBruna Gomes e Fernanda Razi. 

O curso foi de março a dezembro e teve como resultado o espetáculo Movie-mento, que em 2012 eu trouxe para uma reprise em Caxias do Sul, na tentativa de tornar a Dança Tribal mais popular.

Em 2012, participei do workshop “Grandes nomes da dança tribal”, com Bruna Gomes (POA) e comecei  a frequentar suas aulas regulares de dança tribal , mas tornou-se inviável devido ao alto custo e tempo. 

Foi também em 2012 que participei do Gothla Brasil, em junho de 2012, no RJ e pude acrescentar ao meu currículo nomes de peso no cenário tribal, além do conhecimento que pude absorver. Tive workshops com Ariellah Afalo (EUA), Morgana Gilbert (ESP), Iman Najla (ARG), Kilma Farias (BRA), Karina Leiro (BRA), Paula Bras Cibele Souza (BRA) e Bety Dambalah (BRA). Foi um overdose!!!

Com tudo que tinha visto, achei um desperdício esse conhecimento não ser propagado no sul do país, ainda muito iniciante em sua visão sobre o tribal. 

Foi então, que em uma parceria com Mônica Brollo, idealizei o Encontro Etnocultural, que tem por objetivo trazer conhecimento de dança para o sul do Brasil, visto que é muito difícil irmos nos atualizar nos grandes centros (professoras e bailarinas).

Nossa primeira edição foi mais regional, trouxemos: Bruna GomesFernanda RaziKristian Galvão e Michele Pletch, em dezembro de 2012.

Participei do Bento em Dança neste ano e montei a primeira formação do grupo Akina. Levamos uma coreografia de tribal grupo, com a qual obtivemos o 3º lugar e um solo que nos rendeu o 2º lugar na categoria folclore de projeção.

Ainda em 2012 ministrei aulas de Dança Tribal na escola Maria Gitana e construí, novamente em parceria com Mônica Brollo (Studio Yalla), meu primeiro espetáculo de dança, TUM DUM – Tramas de um Momento, que teve uma ótima repercussão.

Em 2013 consegui ampliar meu espaço e sai da salinha da minha casa para uma sala comercial no centro de Caxias do Sul.

Grupo Akina de Dança Tribal ganha novas integrantes e conquista premiação com quatro dos cinco trabalhos levados ao Sul em Dança neste ano, sendo: 1 solo - 2º lugar, 2 trabalhos de grupo - 2º lugar (os dois) e 01 trabalho de grupo - 3º lugar, na categoria folclore de projeção adulto e adulto avançado.

Realizamos a 2ª edição do Encontro Etnocultural, em maio de 2013, desta vez um pouco maior, trazendo Suelem Morimoto (SP) e Joline Andrade (BA).

Em 2014, antes do que o esperado, precisei novamente ampliar as instalações da escola. Muito trabalho duro! Vamos lá!

Tivemos a 3ª edição do Encontro Etnocultural, com Lilian KawatokoMichele Pletch (Bento Gonçalves), Daniel Corrêa (Garibaldi) e Julio Cesar Santos (POA).

Participamos da Semana da Dança em abril de 2014 e do Caxias em Movimento em 2012, 2013 e 2014. Em dezembro fizemos a pré estreia do espetáculo “Sensórios“, de dança e arte.

Atualmente estudo uma nova formação para o Grupo Akina e desenvolvi o primeiro Curso Extensivo em Dança Tribal de Caxias do Sul e o primeiro da região utilizando profissionais de diferentes modalidades de dança em um mesmo curso, para suprir as necessidades da construção  do corpo em dança.

Também estou em construção do espetáculo “Sensórios”, de arte e dança e namorando algumas atualizações, além de estar programando a IV Edição do Econtro Etnocultural juntamente com Mônica Brollo. 
 ** aguardamos fotos atualizadas dos eventos **

Fonte: texto enviado por Gabriela de Lima para o Blog
Fotos: arquivo pessoal de Gabriela de Lima no Facebook


 Cronologia baseada nos dados enviados e pesquisas na internet.

2001 - Gabriela de Lima inicia seus estudos nas Danças gaúchas e Dança de Salão.

2005 – Gabriela de Lima inicia seus estudos na Dança do Ventre.

2007 – Passa a conhecer a Dança Tribal por meio do DVD Bellydance Superstars.
Workshop de Introdução ao Tribal em Porto Alegre ministrado por Karina Iman.
- Coreografia de Tribal na Hayet Escola de Danças

2008 – Escola Hayet conquista o 3º lugar no 6º São Leopoldo em Dança com coreografia Tribal.
- Workshop com Ansuya em Porto Alegre.
Workshop com Barbara Kale sobre ATS em Porto Alegre.
-Gabriela de Lima inicia seus estudos na Dança Indiana e faz alguns workshops de Dança Flamenca.

2009 – Gabriela de Lima começa a dar aulas de Dança Tribal na Hayet Escola de Danças.

2010 - Gabriela de Lima funda o Estilo Tribal Espaço Cultural em Caxias do Sul.

2011 - Gabriela de Lima participa do Curso Extensivo de Dança Tribal, em Porto Alegre.

2012 - Movie-mento, no teatro Hebraica (POA/RS).
Movie-mento, na Casa de Cultura (Caxias/RS).
– Participa do Workshop “Grandes Nomes da Dança Tribal” ministrado por Bruna Gomes em Porto Alegre.
1º Encontro Etnocultural organizado por Gabriela de Lima e Mônica Brollo em Caxias do Sul com Bruna GomesFernanda RaziKristian Galvão e Michele Pletch.
Participa do Gothla Brasil no Rio de Janeiro, onde faz workshops com Ariellah Afalo (EUA), Morgana Gilbert (ESP), Iman Najla (ARG), Kilma Farias (BRA), Karina Leiro (BRA), Paula Bras e Cibele Souza (BRA) e Bety Dambalah (BRA)
- Participação do Caxias em Movimento.
- Monta o Grupo Akina e participam do Bento em Dança, onde obtiveram o 3º lugar em grupo e 2º lugar em Solo na Categoria Folclore de Projeção.
- Ministra aulas de Dança Tribal na escola Maria Gitana, em Caxias do Sul.
Constrói em parceria com Mônica Brollo (Studio Yalla), primeiro espetáculo de dança, TUM DUM – Tramas de um Momento.

2013 – Estilo Tribal Espaço Cultural em nova sede, no centro de Caxias do Sul.
- Grupo Akina passa a ter novos integrantes.
- Participação no Sul em Dança, em São Leopoldo, conquista premiação com quatro dos cinco trabalhos levados, sendo: 1 solo - 2º lugar, 2 trabalhos de grupo - 2º lugar (os dois) e 01 trabalho de grupo - 3º lugar, na categoria folclore de projeção adulto e adulto avançado.
2º Encontro Etnocultural organizado por Gabriela de Lima e Mônica Brollo em Caxias do Sul com Suelem Morimoto (SP) e Joline Andrade (BA).
- Participação do Caxias em Movimento.

2014 – Estilo Tribal Espaço Cultural muda sua sede, para um espaço mais amplo, ainda no centro de Caxias do Sul.
3º Encontro Etnocultural organizado por Gabriela de Lima e Mônica Brollo em Caxias do Sul com Lilian Kawatoko, Michele Pletch (Bento Gonçalves), Daniel Corrêa (Garibaldi) e Julio Cesar Santos (POA).
- Participação do Semana da Dança, em Caxias do Sul..
- Participação do Caxias em Movimento.

2015 - 1º Curso Extensivo em Dança Tribal de Caxias do Sul organizado por Gabriela de Lima no Estilo Tribal Espaço Cultural.
- Espetáculo “Sensórios”.
- Organização  Encontro Etnocultural organizado por Gabriela de Lima e Mônica Brollo em Caxias do Sul

 ** aguardamos fotos atualizadas dos eventos **

Fonte: texto enviado por Gabriela de Lima para o Blog


Fotos: arquivo pessoal de Gabriela de Lima no Facebook

terça-feira, 28 de julho de 2015

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.
Texto de Joline Andrade

Numa tentativa de acompanhar a liquidez das informações no mundo contemporâneo, a dança tribal, popularmente chamada de dança étnica de “fusão”, surge como proposta de agregar diferentes manifestações de danças étnicas das mais variadas regiões do mundo, e busca mesclar referências e matrizes de danças tradicionais e transpô-las numa estética contemporânea atualizada.

É uma linguagem que, tendo como referência a dança do ventre, mescla conceitos e movimentos de danças étnicas como o flamenco, a dança indiana, danças do HipHop, ou seja, danças de diferentes culturas e regiões do mundo bem como o(a) yoga. É relativamente recente no mundo da dança (surgiu em torno da década de 60, na Califórnia, durante os movimentos contraculturais do Woodstock), mas bebe na fonte de diversas culturas antigas e mistura tudo numa alquimia contemporânea.
Diante da vasta difusão da dança tribal, por meio de recursos tecnológico-comunicacionais, seus processos de hibridação foram intensificados pelos movimentos de globalização e ganharam complexidade, aumentando o teor das tensões e estabelecendo relações entre elementos dos mais variados.

Para compreender melhor os processos de hibridação na dança tribal, pode ser útil começar descrevendo, distinguindo e discutindo as categorias desta linguagem e os seus mecanismos de contaminação. Seus primeiros registros são da década de 1970 (SALIMPOUR, 1990), quando a dançarina Jamila Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos tribais. De volta à América, Jamila resolve mesclar as diversas manifestações culturais que havia conhecido, realizando uma espécie de tradução cultural.

Com sua trupe Bal Anat, em 1969, passou a desenvolver coreografias que utilizavam acessórios das danças de matrizes étnicas e passos característicos da dança oriental ancestral, baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dança-teatro, acrescentando a isso um figurino inspirado no vestuário típico das mulheres orientais.

Nos anos 1980, novos grupos já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de Jamila, ensina a Carolena Nericcio a técnica criada por Jamila para obter um melhor desempenho de suas dançarinas. Carolena fomentou uma fusão de estilos de danças do Médio Oriente e Norte da África, utilizando as danças de tradições etnográficas.

Tomando o que ela própria tinha aprendido a partir de dançarinos nativos do Marrocos, Argélia, Turquia, Egito, Síria e Líbano que estavam dançando nos Estados Unidos, começou a catalogar os movimentos de dança do ventre tribal (Tribal Bellydance), criando um repertório de terminologias básicas. Incentivada pelas diferenciações do novo estilo, Carolena forma seu próprio grupo, o Fat Chance Belly Dance, e desenvolve o ATS (American Tribal Style) ou estilo tribal americano (PHOENIX, 2008).

Nos anos 1990, passou a demonstrar com mais força a presença da dança indiana, do flamenco e mesmo das técnicas de dança moderna e do jazz dance, nascendo então o Tribal Fusion. O estilo tribal hoje representa a mistura de antigas técnicas de dança do norte da Índia, do Oriente Médio e da África, explorando as danças étnicas tradicionais como bhangra, bharata natyam e flamenco, e danças como o moderno, jazz, dança-teatro, danças do Hiphop (popping, locking, waving, ticking, strobbing) e, claro, a dança do ventre.

Na medida em que a dança é difundida em várias partes do mundo, os encontros e contaminações culturais possibilitam transformações mais complexas à mistura que já existe. Um exemplo é a proposta de mesclar as danças afro-brasileiras, tango ou dança moderna aos elementos da dança tribal.

As numerosas produções artísticas no entorno da dança tribal já contextualizam a ideia de pluralidade, pois são produtos da interação entre as informações de corpo e de mundo particulares a cada performer. A existência de danças tribais com maior influência africana, indiana, brasileira, norte-americana, etc, varia em forma e grau de acordo com uma relação tempo-espacial.

Hoje em dia a formação de um dançarino é constituída por diversas correntes, além de participar de projetos pontuais não apresentando uma referência corporal constitutiva. Ao se tratar do sistema dança tribal, estaremos falando de uma estética baseada na adesão de novas informações a todo instante. Sistema este de membrana extremamente permeável no que diz respeito às fronteiras entre as danças étnicas envolvidas, resultando em crises consecutivas em função das perturbações causadas pelo imprevisível, pelos ruídos deste contato.

Com a premissa que os envolvidos com a dança fazem parte de uma tribo onde todos compartilham sua singularidade em meio à diversidade, podendo atingir uma política de criação igualitária, as(os) dançarinas(os) tribais surgem agenciando uma espécie de, como afirma Boaventura, globalização contra hegemônica pós-colonial que se alimenta de um cosmopolitanismo subalterno ou insurgente.

A dança tribal, sendo composta por símbolos de cada cultura envolvida, selecionados através da familiaridade organizacional dos mesmos, permite a mistura de quaisquer outras informações culturais por meio de experimentações combinatórias. Desse modo, os agentes da dança tribal, em uma iniciativa transgressora, fizeram emergir mais uma categoria na dança tribal: “a dança de fusão".

O formato americano é uma das formas de traduzir o conceito de tribal. Dançarinos tribais podem e devem criar seus próprios meios, apresentar seus próprios olhares e fazer suas próprias associações para manter a dança VIVA, sem estagnações ou métodos e aprisionamentos de como se deve fazer. Traz autonomia artística e renovação estética à linguagem. Se pensarmos bem, essa estratégia de fusionar culturas do mundo é tão antiga na arte que nem posso citar todas as obras de música, teatro, cinema, artes visuais e dança que experimentaram/experimentam encontros interculturais com referências em culturas diversas. Isto quer dizer que fusão tribal não é moda da década de 60 pra cá. Aproximar a tradição do contemporâneo sempre foi uma fórmula incrível para todos os segmentos artísticos.

Existem questões éticas que devem ser sempre pensadas, principalmente quando se trata da apropriação de culturas em tempos de globalização, onde tudo é de todo mundo e isto só beneficia as grandes indústrias culturais que se apropriam, registram, comercializam o exótico e mantém à margem as culturas que serviram de sumo para o seu mercado. Chamar a dança de “tribal” já traz um tom colonizador pois, para o senso comum, este conceito vai estar sempre relacionado a algo selvagem, marginal, racialmente inferior, desprovido de racionalidade e civilidade.

Para expandir o conceito de tribal, sem dicotomias, vale pensar nas novas discussões sobre hibridação e identidades fragmentadas, plurais e singulares. Vale incluir todas as culturas no centro e destruir as margens, sem querer homogeneizá-las pois deve-se respeitar as fronteiras de diferenças entre elas. Entendo como tribais todas as manifestações artísticas chinesas, norte-americanas, brasileiras, russas, etc.

Afirmar as diferenças culturais de modo horizontal e “rizomático”, tendo sempre em vista o reconhecimento das matrizes e das origens de cada cultura para depois tomá-las como referência para fusões artísticas, me parece ser de tamanha grandeza. Transnacional seria um bom título para a dança, porém não teria força na indústria cultural que projeta a linguagem economicamente.

Penso que a "dança de fusão", ou a "fusão tribal", pode ser uma estratégia para burlar a mundialização dos interesses de um grupo de poder diante desta linguagem, pois possibilitam uma ecologia do saber, ou seja, uma descentralização na produção de arte, de conhecimentos. Instigada pela necessidade de diversidade, a ecologia do saber vem para validar o real, o lugar no qual essa manifestação está sendo projetada.

Se instauraria, de fato, a auto autorização das próprias possibilidades criativas das performers do estilo que legitimam outro modo de se fazer dança: estabelecendo critérios comuns de criação. Assim a desestabilização dos padrões pode ampliar o campo das possibilidades e garantir a continuidade de um sistema que se torna mais aberto às diferentes conexões culturais.

Peter Pál Pelbart, filósofo e ensaísta, aponta a investida contemporânea em corpos deformados e inacabados ao repensar o corpo do informe (sem forma, verdade e julgamentos), que recusa a modelagem do corpo moderno (adestrado e disciplinado), num processo de libertação das posturas rígidas e adquiridas através do reconhecimento das impotências do corpo. O corpo pós-orgânico, sem órgãos, amplia as possibilidades de experimentações diversas que permitem a invenção de novas conexões e libertação de novas potências, isto é, a capacidade da variação das formas (PELBART, 2003). É neste contexto que se instaura o pensamento contemporâneo nas novas produções artística da dança tribal.

TribaLX 2014 | Lisboa - Portugalhttp://www.tribalxfest.com/Data: 8 de MarçoLocal: Auditorio Orlando RibeiroElenco: Mardi Love, Elizabeth Strong, Jolien Andrade, Alexis Southall, Silvia Vasconcelos, Piny Orchidaceae Urban Tribal e muito mais.Solo: The Dark Balance por Joline AndradeMúsica: ArureFigurino: Jacqueline TeixeiraContato: (71)8796-3669 | joline_teixeira@hotmail.comRELEASE THE DARK BALANCEO solo "The Dark Balance" foi concebido por Joline Andrade por meio da analogia entre extremos opostos e toda instabilidade e hibridez conceitual que dela pôde surgir. O (des)EQUILÍBRIO entre o preto/branco, o feio/belo, o antigo/contemporâneo, o yin/yang e toda a dualidade que existe no universo estimularam, nesta nova coreografia, a reflexão sobre a plasticidade das fronteiras e a variação do sentido das coisas.
Posted by Joline Andrade on Quarta, 9 de abril de 2014

sábado, 27 de junho de 2015

DOCUMENTÁRIO - CARMEM AMAYA

Bailado único de Carmen Amaya, em sua tenra idade, e como Ela mesmo dizia a todos: "Aprendi a Dançar Observando o Bailado das Ondas do Mar"...


Texto e pesquisa de Sayonara Linhares, publicado com sua permissão.

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sexta-feira, 26 de junho de 2015

FLAMENCO - CARMEN AMAYA

Carmen Amaya nasceu em Barcelona em 1913 e morreu em 19 de novembro de 1963. 

Ela era uma dançarina cigana que se tornaria uma das mais destacadas "bailaoras" (dançarinos de flamenco do sexo feminino) do século XX; ela também era uma das mais imitadas.

Seu estilo masculino difícil de dança, foi muitas vezes copiado, mas muitos acreditam que ela era inimitável e até hoje nunca houve uma dançarina para combinar com seu estilo feroz de dança. 

Seu rápido trabalho de pé tornou-se seu traço e diz-se que em várias ocasiões ela realmente colocou seu pé através do estágio durante a execução. 

Ela será lembrada como a dançarina, que usava o Traje corto, um traje apropriado apertado, que foi apenas normalmente sido usado por homens; seu estilo de dança estava longe de ser feminina.

Carmen Amaya criou um estilo muito pessoal de dança, que era tão individual e isso junto com sua imagem viril, e pernas de aço, tornou-se sua marca registrada. Ela revolucionou a dança flamenca feminina, e quebrou muitas das regras e tradições do antigo estilo de dança, e por causa disto, havia aqueles que criticaram seu estilo não-conformista.

Ela foi acusada principalmente de desfeminizante da dança flamenco feminina, que, até então concentrada mais no braço e os movimentos do tronco superior.

Mas a dança de Carmen passou por duas fases, e mais tarde em sua carreira, ela deixou muito de sua imagem viril, concentrada no estilo mais feminino.

Carmen Amaya dançou com a facilidade de fluxo de uma serpente, torcendo e arqueando seu corpo quando ela se virava com tal velocidade e perfeição, impulsionada pelo o que parecia ser um instinto quase animal. 

Ela foi descrita uma "Alma, alma pura", pelo jornal Mirador, em 1929, e sua lenda cresceu cada vez mais, onde quer que ela fosse.

Carmen Amaya nasceu no gypsy "barrio" (bairro) de Somorrostro e com a idade de quatro anos, começou a dançar em tavernas e bares.

Ela nasceu em uma longa linhagem de artistas de flamenco cigano, seu avô era um dançarino, Juan Amaya Jiménez, seu pai, El Chino foi um guitarrista e sua tia, La Faraona, outra dançarina de flamenco do distrito igualmente cigano de El Sacromonte em Granada. 

Foi com La Faraona que Carmen foi pela primeira vez a Paris e, mesmo com a idade de apenas dez anos, ela demonstrou que ela estava indo para mudar a tradição da dança flamenca.

Tornou-se conhecida como "La Capitana" (a capitã) e passou a dançar ao lado de lendas como Manuel Torre e La Niña de los Peines, excursionando Espanha em 1929 com Manuel Vallejo, vencedor da segunda chave de Ouro de flamenco.


No início da guerra civil, Carmen e sua grande família, foram para Portugal, onde foram dançaram por uma temporada. Pouco depois, chegaram em seu país vizinho, sem dinheiro e angustiados, se dirigiram para a América do Sul, se estabelecendo na Argentina, onde ela passou muitos anos vivendo em Buenos Aires.

Formou ali, sua própria trupe flamenco, formada principalmente por membros da família, que fez várias turnês se deslocam de cidade em cidade, como um enxame de insetos, conquistando a todos com sua beleza cigana e sua presença mágica. Ela se apresentou no Uruguai, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba e Venezuela.


Em toda a América Latina, Amaya fascinava o público com sua magia incrível e caráter contagiante e era tratada como uma rainha cigana onde quer que fosse.

Na verdade, se tornou um ícone para milhares de imitadores, que vestiam a roupa estilo masculino e tentavam copiar seus movimentos não ortodoxos e imagem viril.

Mas não foi apenas a dança que fez Carmen Amaya tão grande, mas também sua inteligência cigana afiada e personalidade, algo que só ela poderia fazer com sucesso, e isso ela fez, capturando os corações de todos que a viam.

Dizwm ter gasto dinheiro tão rápido quanto ela ganhou, supostamente não tendo nenhum interesse em coisas materiais, ela esbanjou amigos e familiares com presentes caros. Mas os muitos meses na estrada foram seu pedágio, e as brigas de família e dissidências a obrigaram a desmantelar sua trupe e voar para Cidade do México.


Foi lá que ela encontra o guitarrista Sabiacas, que tinha sido exilado no México desde o início da guerra civil na Espanha. Passou muitos anos dançando com Sabiacas, um homem com quem ela também havia se ligado amorosamente, embora isso seja algo que ela refira-se como apenas uma amizade profissional.

Em 1941, Carmen e Sabiacas foram para Nova York, onde ela continuava a ganhar hordas de fãs, incluindo o presidente Theodore Roosevelt que a convidou para tocar em uma festa na Casa Branca.

Depois de sua separação de Sabiacas ela casou-se com Juan Antonio Agüero, um guitarrista de Santander, que limpou seus problemas financeiros e familiares, e assumiu as rédeas de sua carreira para o resto de sua vida.

Carmen Amaya passou um tempo considerável em Hollywood aparecendo em muitos filmes que fazem dela uma artista de renome mundial.

Seu último filme foi La Historia de los Tarantos em que ela apareceu ao lado de outra lenda da dança flamenca, Antonio Gades.

Apesar de Carmen de filmar Los Tarantos, nunca viu o resultado final, tinha contraído uma doença renal que a impedia de dançar e após uma curta doença que ela morreu em sua casa em Bagur, Barcelona.

Carmen Amaya foi postumamente condecorada com a Medalha de Mérito Turístico de Barcelona e foi nomeada Hija Predilicto de Bagur, (filha favorita de Bagur). 

Ela também foi homenageada em Barcelona com um monumento que foi erguido no Parque Montuic, e uma fonte, que foi nomeado após ela no distrito de Somorrostro. Ela também foi lembrado em Buenos Aires, onde uma rua foi nomeado após ela.

Poucas personalidades do mundo do flamenco foram tão amplamente lamentada e assim muita falta, como tem Carmen Amaya.


Texto e pesquisa de Sayonara Linhares, publicado com sua permissão.




segunda-feira, 8 de junho de 2015

DANÇA CIGANA - GESTOS

No texto de Luciana do Rocio Mallon, sobre os gestos da dança flamenca que estão incorporados na Dança Cigana: Segredos Sobrenaturais da Dança Flamenca.

“O dicionário define flamenco como: dança cigana praticada, tradicionalmente, na Espanha, mas, sabemos que dança flamenca vai muito mais além do que esta simples definição.

Origens da Dança Flamenca: Um povo nômade saiu da Índia , passou por algumas regiões árabes e depois visitou a Europa . Estes nômades foram batizados de ciganos e eles absorveram a dança de cada região por onde passaram e desta mistura nasceu a dança Flamenca .

Significados de Alguns Gestos da Dança Flamenca: 

Movimentos Com os Braços 

Movimentos Circulares Com os Braços: Os movimentos suaves e circulares com os braços fazem nos lembrar das danças das deusas indianas, que com seus gestos ritmados com estes membros, davam a impressão de que tinham vários braços. Para estes povos os movimentos circulares dos braços significam: 

  • a feminilidade; 
  • a Busca dos elementais do ar; 
  • a força feminina que agradece os benefícios do ar; 
  • gratidão pelo oxigênio que respiramos; 
  • ritual de purificação de nossa aura e diálogo místico com outra dimensão.

- Braços Que Apontam Para o Céu e Para a Terra: Este movimento tem uma razão significativa, quer dizer que: a mesma força que está em cima, também permanece embaixo. É como diz o famoso mago Hermes Trimegisto: “a força que move em cima, também move embaixo”. 

Este gesto da dança Flamenca afirma que há uma energia superior celestial que comanda tudo que está na parte inferior. É um pedido de oração para as forças superiores. 

Mãos Que Se Abrem e Se Fecham: Significam a troca de energia entre o ar e o corpo da bailarina. Porque segundo a tradição dos ciganos, a mulher precisa absorver a energia do ar para se inspirar em seus trabalhos manuais.

Sapateado - Para o Flamenco sapatear é muito mais do que fazer ruídos com o calçado acompanhando o ritmo da musical. Sapatear é invocar os espíritos dos antepassados contra o preconceito e o desprezo, pois diante de uma injustiça é necessário bater os pés no chão exigindo os seus direitos perante a sociedade. Afinal, os ciganos foram um povo perseguido tanto por religiões, quanto por interesses políticos. Na Idade Média, vários ciganos morreram na fogueira, acusados injustamente de bruxaria. 







Bater Palmas: Bater palmas é um ato para saudar as alegrias da vida e chamar os espíritos dos antepassados, sempre com o ritmo da música.

Dobrar os Joelhos no Ar: É sinal de respeito com os elementais do ar e da terra através da graciosidade. Quando se dobra o joelho de uma perna no ar e esta perna volta para o chão, significa a ligação dos elementais do ar com os elementais da terra.”


Gestual – Dança Cigana

A dança cigana é altamente contagiosa. A alegria, a exuberância das cores, os gestos que trazem o feminino à tona. A sensualidade e o prazer de se entregar a um ritmo que une coração, alma e misticismo.

“Com a cabeça levantada demonstra o poder de sua raça, o bater dos pés na terra clama a força desse elemento para bailar, as mãos para o alto pedem licença para exaltar a natureza, com a força feminina entrega-se ao ritual da dança e banha de beleza e mistério o espetáculo cigano. O barulho das moedas e pedras também tocam música no ritmo do rodopiar da cigana, as palmas e ralhos envolvem e alimentam a força da cigana, que na sua oração saúda os presentes na comunhão do sagrado e da alegria.” de Sumaya Sarran.

“O ar, o fogo, a terra, a água, o éter (5º elemento para o povo cigano) e por fim, nós mesmos, como parte importante em toda essa energia!”

O convite a bailar fica irresistível. Descobrimos que o corpo conhece os mistérios dessa linda dança antiga, que une médiuns aos amigos espirituais da linha cigana.

“A dança cigana é uma dança solta, da alma. Dizem os antigos, que os ciganos dançam para atingir o êxtase do fluido energético que os levam de encontro com a verdadeira essência da Deusa ou do Deus interior e superior.

“Por isso, dificilmente, os ciganos fazem coreografias; dançam soltos e livres, colocando em cada movimento suas emoções.”

 Autor desconhecido