Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

PLAYLIST - Tribal and fusion bellydance - a student's archive




Tribal and fusion bellydance - a student's archive

  • Lamia Barbara
  • 59 vídeos
  • 7.232 visualizações
  • Última atualização em 23 de dez de 2016


The Fusion dancer's Guide to the Galaxy: past, present, future. A look into Tribal Style roots and moden fusions. Featuring videos of FCBD, Bal-Anat, Indigo, Unmata, Urban Tribal and more.

terça-feira, 28 de julho de 2015

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.
Texto de Joline Andrade

Numa tentativa de acompanhar a liquidez das informações no mundo contemporâneo, a dança tribal, popularmente chamada de dança étnica de “fusão”, surge como proposta de agregar diferentes manifestações de danças étnicas das mais variadas regiões do mundo, e busca mesclar referências e matrizes de danças tradicionais e transpô-las numa estética contemporânea atualizada.

É uma linguagem que, tendo como referência a dança do ventre, mescla conceitos e movimentos de danças étnicas como o flamenco, a dança indiana, danças do HipHop, ou seja, danças de diferentes culturas e regiões do mundo bem como o(a) yoga. É relativamente recente no mundo da dança (surgiu em torno da década de 60, na Califórnia, durante os movimentos contraculturais do Woodstock), mas bebe na fonte de diversas culturas antigas e mistura tudo numa alquimia contemporânea.
Diante da vasta difusão da dança tribal, por meio de recursos tecnológico-comunicacionais, seus processos de hibridação foram intensificados pelos movimentos de globalização e ganharam complexidade, aumentando o teor das tensões e estabelecendo relações entre elementos dos mais variados.

Para compreender melhor os processos de hibridação na dança tribal, pode ser útil começar descrevendo, distinguindo e discutindo as categorias desta linguagem e os seus mecanismos de contaminação. Seus primeiros registros são da década de 1970 (SALIMPOUR, 1990), quando a dançarina Jamila Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos tribais. De volta à América, Jamila resolve mesclar as diversas manifestações culturais que havia conhecido, realizando uma espécie de tradução cultural.

Com sua trupe Bal Anat, em 1969, passou a desenvolver coreografias que utilizavam acessórios das danças de matrizes étnicas e passos característicos da dança oriental ancestral, baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dança-teatro, acrescentando a isso um figurino inspirado no vestuário típico das mulheres orientais.

Nos anos 1980, novos grupos já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de Jamila, ensina a Carolena Nericcio a técnica criada por Jamila para obter um melhor desempenho de suas dançarinas. Carolena fomentou uma fusão de estilos de danças do Médio Oriente e Norte da África, utilizando as danças de tradições etnográficas.

Tomando o que ela própria tinha aprendido a partir de dançarinos nativos do Marrocos, Argélia, Turquia, Egito, Síria e Líbano que estavam dançando nos Estados Unidos, começou a catalogar os movimentos de dança do ventre tribal (Tribal Bellydance), criando um repertório de terminologias básicas. Incentivada pelas diferenciações do novo estilo, Carolena forma seu próprio grupo, o Fat Chance Belly Dance, e desenvolve o ATS (American Tribal Style) ou estilo tribal americano (PHOENIX, 2008).

Nos anos 1990, passou a demonstrar com mais força a presença da dança indiana, do flamenco e mesmo das técnicas de dança moderna e do jazz dance, nascendo então o Tribal Fusion. O estilo tribal hoje representa a mistura de antigas técnicas de dança do norte da Índia, do Oriente Médio e da África, explorando as danças étnicas tradicionais como bhangra, bharata natyam e flamenco, e danças como o moderno, jazz, dança-teatro, danças do Hiphop (popping, locking, waving, ticking, strobbing) e, claro, a dança do ventre.

Na medida em que a dança é difundida em várias partes do mundo, os encontros e contaminações culturais possibilitam transformações mais complexas à mistura que já existe. Um exemplo é a proposta de mesclar as danças afro-brasileiras, tango ou dança moderna aos elementos da dança tribal.

As numerosas produções artísticas no entorno da dança tribal já contextualizam a ideia de pluralidade, pois são produtos da interação entre as informações de corpo e de mundo particulares a cada performer. A existência de danças tribais com maior influência africana, indiana, brasileira, norte-americana, etc, varia em forma e grau de acordo com uma relação tempo-espacial.

Hoje em dia a formação de um dançarino é constituída por diversas correntes, além de participar de projetos pontuais não apresentando uma referência corporal constitutiva. Ao se tratar do sistema dança tribal, estaremos falando de uma estética baseada na adesão de novas informações a todo instante. Sistema este de membrana extremamente permeável no que diz respeito às fronteiras entre as danças étnicas envolvidas, resultando em crises consecutivas em função das perturbações causadas pelo imprevisível, pelos ruídos deste contato.

Com a premissa que os envolvidos com a dança fazem parte de uma tribo onde todos compartilham sua singularidade em meio à diversidade, podendo atingir uma política de criação igualitária, as(os) dançarinas(os) tribais surgem agenciando uma espécie de, como afirma Boaventura, globalização contra hegemônica pós-colonial que se alimenta de um cosmopolitanismo subalterno ou insurgente.

A dança tribal, sendo composta por símbolos de cada cultura envolvida, selecionados através da familiaridade organizacional dos mesmos, permite a mistura de quaisquer outras informações culturais por meio de experimentações combinatórias. Desse modo, os agentes da dança tribal, em uma iniciativa transgressora, fizeram emergir mais uma categoria na dança tribal: “a dança de fusão".

O formato americano é uma das formas de traduzir o conceito de tribal. Dançarinos tribais podem e devem criar seus próprios meios, apresentar seus próprios olhares e fazer suas próprias associações para manter a dança VIVA, sem estagnações ou métodos e aprisionamentos de como se deve fazer. Traz autonomia artística e renovação estética à linguagem. Se pensarmos bem, essa estratégia de fusionar culturas do mundo é tão antiga na arte que nem posso citar todas as obras de música, teatro, cinema, artes visuais e dança que experimentaram/experimentam encontros interculturais com referências em culturas diversas. Isto quer dizer que fusão tribal não é moda da década de 60 pra cá. Aproximar a tradição do contemporâneo sempre foi uma fórmula incrível para todos os segmentos artísticos.

Existem questões éticas que devem ser sempre pensadas, principalmente quando se trata da apropriação de culturas em tempos de globalização, onde tudo é de todo mundo e isto só beneficia as grandes indústrias culturais que se apropriam, registram, comercializam o exótico e mantém à margem as culturas que serviram de sumo para o seu mercado. Chamar a dança de “tribal” já traz um tom colonizador pois, para o senso comum, este conceito vai estar sempre relacionado a algo selvagem, marginal, racialmente inferior, desprovido de racionalidade e civilidade.

Para expandir o conceito de tribal, sem dicotomias, vale pensar nas novas discussões sobre hibridação e identidades fragmentadas, plurais e singulares. Vale incluir todas as culturas no centro e destruir as margens, sem querer homogeneizá-las pois deve-se respeitar as fronteiras de diferenças entre elas. Entendo como tribais todas as manifestações artísticas chinesas, norte-americanas, brasileiras, russas, etc.

Afirmar as diferenças culturais de modo horizontal e “rizomático”, tendo sempre em vista o reconhecimento das matrizes e das origens de cada cultura para depois tomá-las como referência para fusões artísticas, me parece ser de tamanha grandeza. Transnacional seria um bom título para a dança, porém não teria força na indústria cultural que projeta a linguagem economicamente.

Penso que a "dança de fusão", ou a "fusão tribal", pode ser uma estratégia para burlar a mundialização dos interesses de um grupo de poder diante desta linguagem, pois possibilitam uma ecologia do saber, ou seja, uma descentralização na produção de arte, de conhecimentos. Instigada pela necessidade de diversidade, a ecologia do saber vem para validar o real, o lugar no qual essa manifestação está sendo projetada.

Se instauraria, de fato, a auto autorização das próprias possibilidades criativas das performers do estilo que legitimam outro modo de se fazer dança: estabelecendo critérios comuns de criação. Assim a desestabilização dos padrões pode ampliar o campo das possibilidades e garantir a continuidade de um sistema que se torna mais aberto às diferentes conexões culturais.

Peter Pál Pelbart, filósofo e ensaísta, aponta a investida contemporânea em corpos deformados e inacabados ao repensar o corpo do informe (sem forma, verdade e julgamentos), que recusa a modelagem do corpo moderno (adestrado e disciplinado), num processo de libertação das posturas rígidas e adquiridas através do reconhecimento das impotências do corpo. O corpo pós-orgânico, sem órgãos, amplia as possibilidades de experimentações diversas que permitem a invenção de novas conexões e libertação de novas potências, isto é, a capacidade da variação das formas (PELBART, 2003). É neste contexto que se instaura o pensamento contemporâneo nas novas produções artística da dança tribal.

TribaLX 2014 | Lisboa - Portugalhttp://www.tribalxfest.com/Data: 8 de MarçoLocal: Auditorio Orlando RibeiroElenco: Mardi Love, Elizabeth Strong, Jolien Andrade, Alexis Southall, Silvia Vasconcelos, Piny Orchidaceae Urban Tribal e muito mais.Solo: The Dark Balance por Joline AndradeMúsica: ArureFigurino: Jacqueline TeixeiraContato: (71)8796-3669 | joline_teixeira@hotmail.comRELEASE THE DARK BALANCEO solo "The Dark Balance" foi concebido por Joline Andrade por meio da analogia entre extremos opostos e toda instabilidade e hibridez conceitual que dela pôde surgir. O (des)EQUILÍBRIO entre o preto/branco, o feio/belo, o antigo/contemporâneo, o yin/yang e toda a dualidade que existe no universo estimularam, nesta nova coreografia, a reflexão sobre a plasticidade das fronteiras e a variação do sentido das coisas.
Posted by Joline Andrade on Quarta, 9 de abril de 2014

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A HISTÓRIA DA DANÇA DO VENTRE NOS ESTADOS UNIDOS

Uma declaração pessoal de Jamila Salimpour por Jamila Salimpour


O primeiro clube de sucesso a abrir em Los Angeles, que tinha um toque oriental, foi a Greek Village na Hollywood Boulevard. Foi por volta do início dos anos 1950, uma época em que atrizes italianas dominavam a tela do cinema americano... Sylvia Mangano, Anna Magnani, Gina Lollobrigida... decote generoso transbordando sutiãs acolchoados. Todas usavam blusas com os ombros de fora, o tanto-quanto a nudez era permitida naqueles dias. 

Mostrar o umbigo era considerado "arriscado" e ainda um não-não

Então, quando meus músicos foram contratados pela Greek Village, e eles perguntaram aos proprietários se eu poderia me juntar a eles, a resposta foi não. Eles não queriam uma dançarina em um traje curto! 

Os donos do restaurante tinham uma filha que era um belo atrativo. Eu acho que eles eram gregos da Costa Leste, ouvindo muito música turca. A esposa era a anfitriã, e cantava em grego, turco e um pouco de árabe. A filha, que parecia com Jane Russell, usavam blusas reveladoras de ombros de fora. Ela tocava atabaque, e o comprimento da blusa era um pouco abaixo do busto. 

Em uma época de inocência, era uma grande atração e tema de conversa entre muitos dos clientes, predominantemente do sexo masculino. Assim, eu ia ao Greek Village como um cliente, ocasionalmente levantando-me para dançar por insistência dos meus músicos, mas sem ainda nenhuma oferta de emprego.



Originalmente, o Greek Village foi dividido em duas partes, a parte traseira era fechada quando o negócio ainda era novo. Como os negócios aumentaram, a divisória ia sendo movida cada vez mais para trás, até que toda a loja mostrou-se como um grande retângulo. A mensagem se espalhou pelos marinheiros gregos sobre o Greek Villagee quando seus navios chegavam ao porto, eram apresentados com algumas das melhores dança grega que já vi. No início, o palco era de centro-frente, mas como a nova audiência de clientes-artistas cresceu, o palco foi transferido para o meio do retângulo no lado da mão direita. 

Uma lâmpada nua pendurada diretamente sobre o palco e tornou-se um concurso semanal internacional para ver qual dançarina poderia chutar alto o suficiente para bater a lâmpada. A dança de exibição favorita era Zabek. O Ouzo (bebida grega) fluia livremente, como uma águia, um após o outro abria as asas na dança ritual. Homens gregos gostam de dançar. De vez em quando uma mulher se levantar e fazer um recatado Cifte Telli*. Ainda nenhuma oferta de emprego para mim. Os negócios, no entanto, estava começando a crescer.

* O Tsifteteli (em grego: τσιφτετέλι; turco: çiftetelli), é um ritmo e dança da Anatólia e dos Balcãs com um padrão rítmico de 2/4 [1] Em turco, a palavra significa "dupla de cordas", tirada do estilo de jogo de violino. que é praticada neste tipo de música. Há sugestões de que a dança já existia na Grécia antiga, conhecida como a dança de Aristófanes Cordax. [2] No entanto, é muito comum na Grécia e na Turquia, mas também em toda a região antigo Império Otomano.

Meus músicos foram substituídos por músicos profissionais importados diretamente da Grécia. O primeiro contingente incluiu a escandalosa Betty Daskalakis, cantora, sedutora, e designer de vestidos estranhos, com fendas em todos os lugares errados, os quais geraram muita fofoca entre as "pessoas morais", despertando a curiosidade de toda Los Angeles. Assim como na Feira Mundial de Chicago, em 1893, quando os dançarinos, ofenderam a sensibilidade do que era considerado a "moral", os clientes do Greek Villagevinham em grande número para ver o ofensor em primeira mão, a fim de passar de forma mais eficaz seu julgamento. A caixa registadora mostrava os lucros, os manifestantes ficavam a maior parte da noite para assistir Bettye verificar se a fofoca era realmente verdadeira. Ela nunca os decepcionou.

Jamila, dancer, Adel Sirhan, oud player, Lemmy Pasha, Kanoun, Yousef, violin - 12 Adler Place


Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança

quarta-feira, 10 de junho de 2015

A HISTÓRIA DA DANÇA DO VENTRE - FEIRA MUNDIAL DE CHICAGO E LITTLE EGYPT

A lenda e a tradição da Dança do Ventre no continente americano provavelmente começou na Feira Mundial de ChicagoIllinois, em 1893, a primeira feira mundial nos Estados Unidos

Essa feira, também chamada de  Exposição Mundial Colombiana, celebrou os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo no novo mundo em 1492. 

A feira teve um profundo impacto sobre a arquitetura e as artes. 

Nesta feira, foi apresentada ao mundo a primeira roda-gigante (desenhada por George Ferris), os shows de bang-bang de Buffalo Bill, as luzes de néon, os chicletes com sabor de frutas, o hambúrguer, os cartões postais, o chocolate Hershey, o zíper, os experimentos com eletricidade de Tesla e as populares dançarinas do ventre, que se apresentavam nas “Ruas do Cairo” durante os cinco meses dessa longa feira.

A principal atração para os visitantes parece ter sido a Midway Plaisance, uma rua principal, turbulenta, lotada com passeios e uma atmosfera de carnaval que levou para a “cidade branca”, de imaculada arquitetura de beau-arts, as principais atrações. 


A Midway foi preenchida com representações de culturas e países de todo o mundo. Entre essas “pequenas cidades”, havia uma série de representantes do oriente médio incluindo Egito, Marrocos, Síria, Tunísia, Argélia, Turquia e outros. 

Mas em uma delas havia um entretenimento que se tornou o assunto da cidade, um programa chamado As Ruas do Cairo, produzido por Gaston Akoun, que trazia desconhecidos mas atraentes instrumentos exóticos, passeios de camelo e encantadores de serpentes. 

Little Egypt era o nome artístico de três dançarinas do ventre, que eram muito populares. Elas tiveram tantas imitadoras, que seu nome se tornou sinônimo, geralmente, para dançarinas do ventre.

Fahreda Mazar Spyropoulos, (nascida em 1871, falecida 05 de abril de 1937), também se apresentando sob o nome artístico de Fátima, apareceu na "Ruas do Cairo"  durante a Exposição Mundial Columbiana na Feira Mundial de Chicago, em 1893. Em 1898, Mark Twain quase teve um ataque caríaco, assistindo Farida fazendo seus passos.

Ashea Wabe (nascida Catherine Devine (em 1871, falecida 03 de janeiro de 1908). Dançou no banquete Seeley em Nova York em 1896, desfrutando de uma fugaz succès de scandale.

Fátima Djemille (morreu 14 de março de 1921) apareceu na Feira Mundial de Chicago de 1893.

Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança

terça-feira, 19 de maio de 2015

O "AUSCHWITZ ERLASS" (AUSCHWITZ DECRETO)

Em 16 de dezembro de 1942, Heinrich Himmler deu a diretiva que todos os "ciganos" que ainda viviam no "Reich alemão" deviam ser deportados para Auschwitz

O "Decreto Auschwitz" foi a revelação final de um plano que existia de fato desde 1938 e que já tinha sido parcialmente realizado, ou seja, a extinção completa de "Ciganos". 

Ordem de deportação de Himmler foi dirigida contra todos os "mestiços ciganos, Rom-ciganos e os ciganos dos Balcãs", a "meia raça" não sendo mais de importância. Com exceção de um pequeno grupo de "ciganos racialmente puros", que eram usados como "peças de museu", no museu ao ar livre de Himmler, que só existia no papel.

No chamado "campo de família cigana" de Auschwitz, haviam mais de 20.000 ciganos, que vinha, na grande maioria da "coleta de campos" na Alemanha, ÁustriaPolôniaBoêmia e Morávia, e foram empoleirados juntos no menor dos lugares. 

Trinta e duas barracas de madeira, cada uma das quais deve ter sido originalmente usada por 52 cavalos, foram usados como alojamento. Até 600 ciganos foram colocados em um desses quarteis. Assim as circunstâncias sanitárias eram desastrosas. Já depois de alguns meses centenas de Roma havia morrido de desnutrição, as epidemias e trabalho forçado.

Roma foram utilizados para o mais difícil argila e construção de trabalho dentro do campo. A epidemia de fome "Noma" se alastrou entre as crianças. Além disso, o sistema de campos foi marcado por estruturas de poder internas. 

Internados políticos, na extremidade superior, judeus e ciganos na extremidade inferior da hierarquia. Estereótipos e preconceitos foram assumidos pela comunidade acampamento. As identificações estabelecidas pela SS fazia um rápido reconhecimento. Roma usava um triângulo marrom ou preto, o número preso precedido por um "Z" (para "Zigeuner") foi tatuado no antebraço.

De todos os campos, Auschwitz, o "acampamento cigano" teve a maior taxa de mortalidade. 

19.300 pessoas perderam suas vidas lá.
5.600 foram gaseados, 13.700 morreram de fome, doenças, epidemias e experimentos médicos. Os últimos foram utilizados a fim de provar a influência decisiva de "raça" e hereditariedade. 

A imaginação dos médicos encarregados desta tarefa, principalmente Josef Mengele, não conhecia limites. Roma foram injetados com soluções salinas e bacilo de tifo, os médicos tentaram a pigmentos de cor e injeções no coração, a fim de examinar os olhos dos gêmeos. Desta maneira, os médicos, os membros da SS e do exército difundiram um sentimento de ciência na população em geral.

Auschwitz é apenas um dos muitos campos de concentração em que a Roma foram assassinados, parcialmente antes e sistematicamente após o "Decreto Auschwitz". 

Além disso, o segundo componente da política de extinção foi realizado, ou seja, a esterilização forçada, tanto dentro dos campos e fora dos hospitais. Milhares de Roma, em sua maioria mulheres e meninas, sofreram esta operação, muitas vezes sem anestesia. Muitos morreram durante a operação.

O pintor austríaco, Karl Stojka, era um menino de 12 anos quando ele foi deportado para Auschwitz-Birkenau com sua família em 1943. Ele lembra a morte de seu irmão mais novo.:
"Meu irmão mais novo Ossi morreu de fome. Ele estava na cama acima, sete anos de idade, e tivemos que ir para o trabalho e ele estava sozinho! E quando os outros deram-lhe mais pão, em seguida, os mais velhos roubou o pão e o chá e sopa dele. E assim ele morreu de fome, ele morreu. Onde estava Deus? " (A partir de Cech / Fennesz-Juhasz / Heinschink 1999, p. 117)

VÍTIMAS
Ainda não se sabe quantos Roma foram vítima da perseguição nazista. 

Roma nem sempre foram registradas como tal, e chegavam nas estatísticas de vítimas como membros da maioria da população, como "outros". 

Documentos dos campos e listas de deportação foram perdidos, estão espalhados em diversos arquivos ou ainda não foram analisados. Os registros sobreviventes das forças armadas e da SS ("Schutzstaffel", esquadrão de proteção), que alternadamente assassinados por trás da frente oriental, muitas vezes a seu próprio critério, são incompletos e, particularmente com referência à Roma, com defeito.

Incontáveis assassinatos de vítimas, em execuções em massa, como as câmaras de gás, não foram documentados. A pesquisa tem que confiar em estimativas; qualquer que seja o seu testemunho, um número de pelo menos 250 mil vítimas é considerado altamente provável.

A discussão pública do tema que, muitas vezes é mais baseada em motivos mais pessoais, do que fatos. Por um lado, as organizações ciganas, tendem a estimar o número de vítimas em números muito altos. Por exemplo, os ativistas de minorias eram da opinião que o genocídio tinha 500 mil ou mesmo 750 mil vítimas - números que não são confirmadas pelos pesquisadores. 

Por outro lado, os historiadores questionam as motivações raciais nas pesquisas sobre o tema e, conseqüentemente, o genocídio da própria Roma. 

Além disso, a pesquisa histórica séria também tende a negar a perseguição Roma e seu caráter racista. A razão para isso é muitas vezes o motivo para dar justiça ao destino dos judeus em sua singularidade trágica.

Uma coisa é clara: 

Como a população judaica, os ciganos foram privados de seus direitos, internado e assassinado no Reich alemão. O processo documentado da perseguição e do número de crimes documentados por si só pode levam a outra conclusão, que assassinatos em massa eram "racialmente" motivados. 
"Suas almas estão doentes" - O austríaco Romni Ceija Stojka da Lovara Group, sobrevivente do campo de Auschwitz e um conhecido escritor e pintor, descreve como os filhos dos sobreviventes sofreram com o trauma do Holocausto, também:

"Quando saímos, estávamos mal, completamente! O coração foi ferido, a nossa mente, as nossas almas estavam doentes. E naquele tempo o Estado - e não Roma ou os mortais normais, mas o Estado, deveria ter tido o discernimento para permitir, como é permitido hoje, iluminação e falar sobre o que seria necessário ser feito. Essas pessoas todas deveriam ter sido tratadas. Eles não deveriam ter tido filhos, talvez por cinco, seis anos. Poucas pessoas que saíram, que estiveram lá, que tiveram força suficiente para serem saudáveis, capazes de rir de novo, se sentiram bem o suficiente para ver que o mundo não é ruim e até ousaram trazer crianças saudáveis a este mundo. Naquela época, a natureza seguiu seu curso: o mundo é bonito, as flores estão chegando. E não há amor no mundo, a natureza fez com que. Mas os nossos filhos - que é bastante normal, e eu acredito que cada pessoa que pensa um pouco vai dizer o mesmo, que essas crianças são extremamente sensíveis, tudo dentro deles, seus coração treme, chora imediatamente. Porque o seu coração, também, as suas almas, estão doentes. E nós colocamos esta doença dentro deles. Este medo, sempre o medo. As crianças cresceram com ele. E é por isso que eles sempre olham e se viram quando andam pelas ruas, você entende, eles se viram. Só uma pessoa que tem medo vira! Quando alguém fica doente no acampamento, e sua cabeça dói, sua alma sangra por um pai, uma irmã, um irmão que ficou lá, essa pessoa só podem ter filhos que também estão feridos em sua alma. Ele vem a este mundo, você pode ver como é doce, como é bonito, você o levanta, você o ama e o beija, abraça. Ele cresce, mas este medo que estava em você, você transfere para ele, com o leite da mãe. " Ill. 13 (a partir de Cech / Fennesz-Juhasz / Heinschink 1999, p. 77)

Os sobreviventes - Após a guerra, os sobreviventes Roma foram confrontados com os mesmos preconceitos que tiveram de suportar já antes de 1933 em toda a Europa. Depois de 1945, não havia interesse público em sua sorte. Foi só no final de 1970 que a maioria da população desenvolveu um sentimento de injustiça. Preconceitos contínuos tiveram efeitos com as chamadas "reparações". Apenas uma minoria de sobreviventes Roma e Sinti alemães e austríacos foram capazes de fazer valer as suas reivindicações. Os culpados austríacos e alemães em sua maioria fugiu sem prisão ou foram anistiados após um curto período de tempo. Os poucos Roma que não cederam à pressão e fizeram acusações, foram, em muitos casos desacreditados novamente e tidos como mentirosos.


Texto postado com permissão de Sayonara Linhares, Professora e Pesquisadora da Dança e Cultura Cigana, terá seus textos repostados aqui no nosso espaço para podermos aprender cada vez mais sobre esta cultura tão rica.
Sayonara Linhares

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O HOLOCAUSTO CIGANO

Quando se ouve falar em campos de concentração nazistas, pensa-se logo em judeus sendo martirizados, em Auschwiss, Dachau e outros campos. 

Isso porque os arautos do Sionismo, além de cuidar para que aquela barbárie não seja esquecida, apresentam-na de um tal modo que parece ter sido apenas o "povo eleito" o alvo da sanha hitlerista. 

Mas houve outras vítimas. E, dentre elas, os ciganos.

Desde 1933, a imprensa nazista começou a acentuar que os ciganos e os judeus eram raças estrangeiras, inferiores, e que teriam contaminado a Europa como um corpo estranho. Valendo-se de uma desconfiança histórica em relação aos ciganos, foi possível justificar um conjunto de medidas duras contra esse povo, inclusive uma política de extermínio.

O primeiro grito de alarme oficial para o mundo cigano se fez ouvir a 17 de outubro de 1939, quando Heydrich(1), proibiu-os de abandonar seus acampamentos e iniciou sua transferência para a Polônia. A maioria dos transferidos acabou no campo de Dachau, enquadrada como "elementos associais".

Em novembro de 1941 ecoou na Europa o slogan: "Depois dos judeus, os ciganos!" e, em 24 de dezembro de 1941, uma ordem reservada a todas as SS, afirmava que os ciganos eram duplamente perigosos, tanto pelas doenças de que são portadores como pela sua deficiência mental. A ordem concluía que os ciganos deveriam ser tratados com o mesmo rigor aplicado aos judeus.

Em um boletim policial, datado de 25 de agosto de 1942, lê-se, entre outras coisas relativas aos ciganos, que "é pois indispensável exterminar esse bando integralmente, sem hesitar."

Mas desde 1941, quando se criaram os Einsatzgruppen (pelotões de execução), as deportações e extermínio de ciganos já estavam sendo praticadas. Em outubro de 1941, chegaram a Lodz (Polônia), 5 mil ciganos, entre os quais mais de 2.600 crianças. Foram todos internados por grupos de famílias. 

Os testemunhos nos dizem que as janelas das barracas estavam quebradas, enquanto o inverno era extremamente duro. No campo não havia medidas higiênicas, nem assistência médica. Duas semanas depois de sua chegada, irrompeu uma epidemia de tifo, que matou mais de 600 adultos e crianças. 

Entre março e abril de 1942, os sobreviventes foram deportados para Chelmo, e ali assassinados nas câmaras de gás.

Desde então, até 1945, multiplicam-se os testemunhos: massacres coletivos, mortes individuais, tortura de todo o tipo, experimentos químicos e médicos dos mais cruéis. E todas essas crueldades ocorriam nos diversos campos de concentração: Auschwitz, Birkenau, Mauthausen, Rabensbruch, Buchenwald, Chelmo, Lodz, Dachau, Lackenbach e Sachsenhausen.

Para Auschwitz foram enviados ciganos de toda a parte, até soldados alemães em licença da frente militar, alguns deles condecorados por bravura em combate, cujo único delito era terem "sangue cigano" nas veias.

Particularmente impressionantes são os depoimento sobre a transferência de crianças do campo de Buchenwald para o de Auschwitz. Eram crianças ciganas da Boêmia, dos Cárpatos, da Croácia, do Nordeste da França, da Polônia meridional e da Rutênia.

Bárbara Richter, menina cigana, assim depõe:

"Até os prisioneiros mais afeitos a esses horrores sentiram enorme tristeza quando perceberam que os SS iam tirar um por um os pequenos judeus e ciganos, reunindo-os em um só rebanho. Os meninos choravam e gritavam, tentavam freneticamente voltar para os braços dos pais ou dos protetores que tinham encontrado entre os prisioneiros, mas envolvidos por um círculo de fuzis e metralhadoras, foram levados para fora do campo e enviado para Auschwitz, onde morreriam nas câmaras de gás."


Devido aos maus tratos e péssimas condições sanitárias, "a pele das crianças se enchia de feridas infecciosas. Elas sofriam de estomatite cancrenosa... parecia lepra... seus corpinhos iam se desfazendo, bocas espantosas se abriam nas faces, e lá dentro se podia observar a lenta putrefação da carne viva."
Só em Auschwitz, os ciganos regularmente matriculados foram 20.933, incluindo 360 crianças nascidas no campo de concentração, e que viveram o bastante para receberem número de matrícula. A estes se devem somar mais de 1.700 ciganos mandados para a câmara de gás, assim que chegaram, em março de 1943, e que nem tinham recebido ainda o número de matrícula. Em um único dia (29 de maio de 1943), 102 ciganos foram arrastados para fora de suas instalações e levados para a câmara de gás.

Esses testemunhos narram também a matança de quatro mil ciganos, no começo de agosto de 1944:


"A sirena anunciou um princípio de um rigoroso toque de recolher. Os caminhões chegaram por volta das 20h. Os ciganos tinham previsto o que estava para acontecer, mas os alemães fizeram de tudo para confundir as idéias: ao saírem dos acampamentos, os ciganos recebiam uma ração de pão e salame, e muitos assim acreditaram que se trataria simplesmente de transferência para outro campo. Então, um pelotão das SS, armado e auxiliados por cães, irrompeu no acampamento e lançou-se contra mulheres, crianças e anciãos. Um garoto tcheco, suplicou aos gritos: ´Eu lhe peço, senhor SS, me deixe viver!`. A única resposta que teve foram os golpes de cassetete. Por fim, foram todos jogados, em montes, no caminhão e levados ao crematório." (Kraus e Kulka).


"Houve cenas de cortar o coração: mulheres e crianças se ajoelharam diante de Mengele (2) e Borger (3), gritando: ´Piedade! Tenha piedade de nós!´ Em vão. Foram abatidas a coronhadas, pisadas, arrastadas ao caminhão, levadas à força. Foi uma noite horrível, alucinante. Na carroceria foram jogados os que também já tinham morrido sob os golpes da clava. Os caminhões chegaram ao bloco dos órgãos por volta de 22h30min e ao isolamento por volta de 23h. Os SS e quatro prisioneiros levaram para fora os enfermos, mas também 25 mulheres em perfeita saúde, isoladas com os respectivos filhos" (Aldesberger, p.112-13).

"Por volta de 23h chegaram outros caminhões diante do hospital, num só caminhão colocaram cerca de 50 a 60 presos e foi assim que chegaram até a câmara de gás. Ouvi os gritos até altas horas da madrugada, e compreendi que alguns tentavam opor resistência. Os ciganos protestavam, gritando e lutando até a madrugada... Tentavam vender a vida a um alto preço". (Dromonski, no processo por Auscwitz).

"Depois, Gober e outros percorreram os quartos um por um tirando dali as crianças que tinham se escondido. Os menores foram arrastados até os pés de Boger, que os agarrava pela perna e os jogava contra a parede... Vi esse gesto se repetindo-se umas cinco, seis e sete vezes" (Langhein).

As estimativas mais próximas falam em meio milhão de ciganos mortos, mas sabe-se que esses dados são inferiores às cifras reais, pois muitos foram mortos antes mesmo de serem matriculados.

Em seu livro "Alemanha e Genocídio", o historiador Joseph Billig distingue três tipos de genocídio: por eliminação da capacidade de procriar, por deportação e por extermínio. No hospital de Dusseldorf-Lierenfeld foram esterilizadas ciganas casadas com não-ciganos, algumas das quais morreram por estarem grávidas. Em Ravensbruck os médicos da SS esterilizaram 120 meninas ciganas. Um exemplo do segundo tipo de genocídio foi a deportação de 5 mil ciganos da Alemanha para o gueto de Lodz, na Polônia. As condições de vida eram ali tão desumanas que ninguém sobreviveu.

Povo antigo, porém prolífico e cheio de vitalidade, os ciganos tentaram resistir à morte, mas a crueldade e o poderio de seus inimigos prevaleceram à sua coragem. O amor à música serviu-lhes por vezes de consolo no martírio. 

Famintos e cobertos de piolhos, eles se juntavam diante dos hediondos barracões de Auschwitz para tocar música, encorajando as crianças a dançar. Há testemunhas da coragem dos ciganos que militaram na Resistência polonesa, na região de Nieswiez. Segundo elas, os combatentes ciganos se lançavam sobre o inimigo fortemente armado empunhando apenas uma faca.

Como diz Myriam Novitch, diretora do Museu dos Combatentes dos Guetos, "são decorridos muitos anos desde o genocídio dos ciganos. Já é tempo de denunciar esse crime abominável."

Notas:

(1) - Reinhard Tristan Eugen Heydrich, Sicherheitsdienst da SD - Serviço de Segurança das SS, Protektor da Boêmia e Morávia (ex-Checoslováquia), onde recebeu o cognome de "Carniceiro de Praga".
(2) - Josef Mengele, médico chefe da principal enfermaria do campo de Birkenau, que era parte do complexo Auschwitz-Birkenau, ficou conhecido como "Todesengel" (o Anjo da Morte).
(3) - Wilhelm Boger, SS- Oberscharfuhrer.


Fontes:

* Myriam Novitch - Os ciganos e o terror nazista
* Ota Kraus e Erich Kulka - The death factory: documents on Auschwitz - 1946.
* Lucie Adelsberger - Auschwitz: A Doctor'S Story - Boston, Northeastern University Press. 2006. ISBN: 9781555536596


TEXTO retirado de:

sábado, 16 de maio de 2015

CRONOLOGIA ROMANI - PARTE V por SAYONARA LINHARES

HISTÓRIA DA CRONOLOGIA ROMANI - PARTE V
  • 1800 - Aconteceu a "caça Gypsy" (Heidenjachten) nome que foi dado ao processo de expulsão e rejeição ao Povo Cigano considerado comum e popular na Alemanha.
  • 1802 - O prefeito do departamento de Baixos Pirineus, na França emite uma ordem "para limpar o país dos ciganos".
  • 1803 - Napoleão Bonaparte proíbe residência de Roma, na França. As crianças, as mulheres e os idosos são condenados à casa pobre. Os jovens são dados a sua escolha de se juntar a marinha ou ao exército. Homens adultos são enviados para trabalhos forçados.
  • 1807 - Conde Orlov da Rússia libera os artistas de seu coro Romani e tornam-se o primeiro coro profissional na Rússia. O grupo inclui o famoso Stepanida Soldatova.
  • 1811 - Trindade Cooper, uma menina cigana com idade aproximada de treze anos, pede para ser deixada em uma escola de caridade para "crianças esfarrapadas" em Clapham, perto de Londres, com seus dois irmãos. 
  • 1816 - John Hoyland, um Quaker, escreve o primeiro livro sério (link para o livro em inglês - AQUI), chamado: Para um melhor Tratamento para os Ciganos, na Inglaterra. Vários projetos de caridade em a seguir, mas muitos ciganos são transportados como criminosos para a Austrália.
  • 1822 - No Reino Unido, a Lei Turnpike é introduzida. Ciganos que são encontrados acampandos na beira da estrada são multados.
  • 1830 - Primeiro vurdón coberto (vagões) de madeira, puxados por cavalos para os ciganos são desenvolvidos na Inglaterra.
  • 1830 - Autoridades em Nordhausen, Alemanha retiram crianças ciganas de suas famílias para conviverem com os não-ciganos.
  • 1834 - Um governante da Valáquia, Alexander Ghica, liberta todos os escravos do Estado.
  • 1837 - George Borrow traduz o Evangelho de São Lucas para Romani.
  • 1842 - O senhor da Moldavia, Mihail Sturdza, emancipa todos os escravos do Estado, no entanto, na Valáquia e Moldávia ainda está legalmente permitido a posse de escravos ciganos.
  • 1844 - A Igreja de Moldávia liberta seus escravos ciganos.
  • 1847 - A Igreja de Valáquia liberta seus escravos ciganos.
  • 1848 - Emancipação dos servos (incluindo Roma) na Transilvânia.
  • 1855 - Gobineau publica seu livro Essai sur l'inégalité des races humaines, que argumenta que os seres humanos se dividem em raças superiores e inferiores, com o branco - raça "ariana", e particularmente os povos nórdicos, ficando no topo. Isso teve um impacto particular sobre o pensamento filosófico e político alemão.
  • Um decreto emitido no Ducado de Baden adverte os cidadãos que "nos últimos tempos, os ciganos, especialmente da Alsácia, têm frequentemente voltado a entrar e viajar com suas famílias, supostamente para se dedicar ao comércio, mas principalmente para os efeitos de mendicidade ou outro atividades ilegais."
  • 1856 - A Slobuzenja - Abolição da escravatura na Roménia, emigrações em larga escala de Roma para a Europa Ocidental e América começam.
  • 1864 - Liberdade jurídica completa para Roma nos Estados Balcânicos Unidos é concedido pelo príncipe Alexandru Ioan Couza.
  • 1868 - Na Holanda, a obra de Richard Liebich em Roma apresenta a frase "vidas indignas de vida", com referência específica a eles, e mais tarde utilizado como uma categoria racial contra os ciganos na Alemanha nazista.
  • 1870 - O imperial chanceler Otto von Bismarck circula uma carta datada de 18 novembro, exigindo a "proibição total dos ciganos estrangeiros que atravessam a fronteira com a Alemanha", e que "eles serão transportados por via mais próxima ao seu país de origem." Ele também afirma que os ciganos na Alemanha devem ser convidado a apresentar prova documental da cidadania, e que, se isso não acontecer, a eles será negado viajar com passe livre.
  • 1874 - Aos muçulmanos Roma são dados direitos iguais aos outros muçulmanos no Império Otomano.
Continua...
Texto postado com permissão de Sayonara Linhares, Professora e Pesquisadora da Dança e Cultura Cigana, terá seus textos repostados aqui no nosso espaço para podermos aprender cada vez mais sobre esta cultura tão rica.
Sayonara Linhares

quinta-feira, 14 de maio de 2015

CRONOLOGIA ROMANI - PARTE IV por SAYONARA LINHARES

CRONOLOGIA DA HISTÓRIA ROMANI - PARTE IV

No início do século 17, a legislação espanhola torna-se mais dura, proibindo Gitanos de lidar em cavalos. A população local é dada permissão para formar grupos armados para perseguir Gitanos.
  • 1606 - Roma são proibidas por Henrique IV da França de fazer qualquer reunião com mais de três ou quatro. Roma são punidos como "vagabundos e malfeitores".
  • 1611 - Ordens da legislação espanhola que todas as ocupações Gitanas devem ser ligadas à terra.
  • 1619 - Filipe III declara que todos os Gitanos devem ser banidos do reino de Espanha dentro de seis meses, ou se estabelecer em uma localidade com mais de 1.000 habitantes. O vestido, o nome e a língua dos ciganos é proibida. A punição é a morte.
  • 1637 - A primeira lei anti-cigana na Suécia é promulgada. Todos Roma deve ser expulso do país em um ano. Se alguma Roma for encontrado na Suécia após essa data, os homens serão enforcados e as mulheres e crianças serão expulsos do país.
  • 1646 - Uma portaria aprovada em Berna dá a ninguém o direito "pessoalmente para matar ou espancar por pauladas, ou armas de fogo Roma ou Heiden (pagãos) malfeitores."
  • 1647 - Roma são punidos pela regência de Luís XIV da França por ser "Bohemians". A punição é as galeras.
  • 1652 - Matiasz Korolewicz é conferido o título de "Rei dos Ciganos" pela Chancelaria Real Polonesa.
  • Década de 1650 - Ultima execução por serem ciganos, em Suffolk, Inglaterra. Outros estão banidos para a América.
  • 1660 - Roma ficam proibidos de ter residência na França por Louis XIV. A punição é o banimento. A segunda infração resulta nas cozinhas ou punição corporal.
  • 1660 - 1800 - A identidade do English Gypsy Romanichal Group foi formado. Eles sobrevivem trabalhando para a população local que os conhecem.
  • 1661 - Johann Georg II, da Saxônia, impõe a pena de morte para qualquer Roma pego em seu território.
  • 1666 - Punidos por Luís XIV da França por serem boêmios, homens são enviados para Gales, mulheres e meninas são açoitadas, marcadas e banidas.
  • 1682 - Louis XIV reitera sua política anterior: castigo por ser "Bohemian". Homens são condenados a passar sua vida em Gales, na primeira ofensa. Cabeças das mulheres são raspadas e as crianças são enviadas para a casa pobre. Para uma segunda infração, as mulheres são marcadas e banidas.
  • 1685 - Portugal deporta Roma para o Brasil, e faz com que seja um crime para falar Romani.
  • 1686 - Frederico Guilherme, eleitor de Brandemburgo, decreta que Roma não estão a ser permitido o comércio ou abrigo.
  • Há uma mudança súbita e radical na atitude da Igreja Luterana sueca. Roma agora são aceitas e seus filhos pode ser batizado.
  • 1700 - 1716 e 1720 - 1722 - Em Lorena, Roma são punidos por mendicância e vadiagem em geral. A punição é o banimento. A segunda infração resulta em coleiras de ferro, marcação e banimento.
  • 1710 - Em Praga, D. José I emite um decreto que todos os homens adultos ciganos serão enforcados sem julgamento e que os meninos e as mulheres sejam mutiladas. Na Boêmia, a orelha esquerda deve ser cortada. Na Morávia orelha direita deve ser cortada. Alojamento ou não ajudando Roma é punível com até seis meses de trabalho forçado.
  • Príncipe Adolfo Frederico de Mecklenburg-Strelitz emite ordens para que todos os ciganos podem ser açoitado, marcados e expulsos ou executados se voltarem. Crianças com menos de dez devem ser removidos e criados por famílias cristãs.
  • 1711 - Frederico Augusto I da Saxônia autoriza filmagens de Roma se resistir à prisão.
  • 1711-1772 - Cinka Panna é um dos músicos mais populares na Eslováquia e na Europa Oriental. Um maestro violinista, ele excursiona com seu próprio conjunto musical Romani.
  • 1714 - Comerciantes e colonos ingleses se aplica ao Conselho Privado para enviar ciganos para o Caribe, declaradamente a ser usados como escravos.
  • Em Mainz, todos os ciganos devem ser executados sem julgamento, alegando que seu modo de vida é ilegal.
  • Bandas de música Romani são registradas para viajar na corte austro-húngaro de Esterháza. Eles acompanham a dança de soldados jogando verbunkos, em esforços de recrutamento para as operações militares.
  • 1715 - Dez ciganos na Escócia são registrados e deportados para Virginia nas Américas.
  • 1717 - Quarenta e uma localidades constam na Espanha como locais de residência para Gitanos.
  • 1719 - Na França, a condenação por ser Roma é alterada, a deportação antes para Gales, agora as colônias francesas.
  • 1721 - Imperador Carlos VI do império Austro-Húngaro ordena o extermínio de Roma em todo o seu domínio.
  • 1723 - Roma estão proibidos de fazer residência em Lorena, ou se reunindo na floresta ou estradas principais. A punição é o banimento. Comunidades são incentivados "para reunir, marchar em formação e abrir fogo sobre eles."
  • 1724 - Todos os vagabundos e vadios são proibidas por Luís XV de França, de residência e de nomadismo e reunião de mais de quatro adultos em uma casa. Homens adultos são condenados a Gales por cinco anos. Todos os outros são açoitados e enviado para a casa pobre.
  • 1725 - Frederick William I condena qualquer Roma com mais de dezoito anos a ser preso em sua território, homem ou mulher, deve ser enforcado sem julgamento.
  • 1726 - Gitanos na Espanha são proibidos de recurso contra as sentenças dos tribunais.
  • Charles VI aprova uma lei em que qualquer Rom encontrados no país será morto instantaneamente. Mulheres e crianças ciganas devem ter suas orelhas cortadas e ser chicoteados por todo o caminho até a fronteira.
  • 1727 - Berna - Decreto no.13 reitera que os ciganos são proibidos de ficar. "Os homens ciganos e mulheres de mais de 15 anos de idade têm uma orelha cortada na primeira vez que for pego... mas se forem apanhados a segunda vez, que eles devem ser condenados à morte."
  • 1728 - A Câmara Municipal de Aachen passa uma portaria condenando Roma a morte. "Ciganos Capturado, se eles resistem ou não, deverão ser condenados à morte imediatamente. No entanto, aqueles que não lutarem, será concedido mais meia hora para ajoelhar-se, se assim o desejarem, pedir a Deus todo-poderoso para perdoar seus pecados e se preparar para a morte."
  • 1733 - Imperatriz Anna Ioannovna da Rússia decreta Roma estão proibidos de viajar e deve estabelecer-se como servos da terra.
  • 1734 - Frederick William I decreta que qualquer Roma pego em seu território, homem ou mulher, será enforcado sem julgamento. Uma recompensa é oferecida.
  • 1740 - A Associação de Serralheiros em Miskolc, na Hungria, consegue com sucesso, uma ordem para parar Roma de fazer qualquer metalurgia fora de suas tendas.
  • Charles VI emite um decreto que quem for pego ajudando Roma será punido.
  • 1745 - Gitanos na Espanha devem se estabelecer em lugares atribuídos no prazo de duas semanas. A punição para o fracasso é a execução. "É legal disparar contra eles para tirar sua vida." As Igrejas não fornecem asilo. Tropas armadas são ordenados para revistar o campo.
  • 1748 - Todas as leis suecas em matéria de ciganos são integrados em uma lei, com a intenção de evitar uma maior imigração e forçar Roma a resolver.
  • 1749 - O ano do "Big Gypsy Round-up" na Espanha. Gitanos são separados entre "o mau e o bom" através de inquéritos e relatórios de testemunhas. Para o "mau", a punição é obras públicas forçadas. Fugitivos são enforcados. Meninas sem mãe são enviados para as casas pobres ou em serviço para as pessoas "honestas". Meninas e mulheres dos homens condenados com crianças menores de sete anos, são "educados na doutrina cristã e o santo temor de Deus" e enviados para as fábricas.
  • 1753-1754 - Stephan Valyi, um estudante húngaro na Universidade de Leyden, descobre a Panjabi - raiz da língua Romani - e compara mil palavras faladas por três estudantes universitários de Malabar à Roma de Raab perto de sua cidade natal.
  • 1759 - Roma estão proibidos em São Petersburgo, na Rússia.
  • 1761 - Maria Teresa, imperatriz da Hungria, passa as primeiras leis na Europa tentando resolver e reformar, ou assimilar, Roma, chamando-os "Novos húngaros".
  • 1763 - No império austro-húngaro, Székely Von Doba primeiro traz as descobertas de Pastor Stephan Valyi sobre as origens indianas dos Roma, a atenção acadêmica, na edição de 06 de novembro de A Gazeta Viena.
  • 1764 - Todos os vagabundos e vadios são negados residência na França com a legislação renovada. Homens adultos são condenados a Gales por três anos. Todos os outros estão confinados à casa pobre por três anos, e, em seguida, é dada uma escolha de domicílio e um comércio. Reincidência por homens resultará em permanecer em Gales por nove anos, e em nova reincidência, em perpetuidade.
  • 1764-1827 - János Bihari, compositor e líder de banda Rom, populariza a  "dança húngara" e música.
  • 1773 - Em dezembro, Maria Teresa, imperatriz da Hungria, ordena todas as crianças ciganas com mais de cinco anos, no Palatinado de Pressburg e no Fahlendorf, a serem tomadas de seus pais. Eles são transportados para aldeias distantes e atribuídos aos camponeses em troca de uma bolsa de 12-18 florins por ano. A maioria das crianças foge de volta às suas famílias, que se refugiam nas montanhas ou desaparecem nas planícies.
  • 1776 - Constantin, Príncipe da Moldavia, proíbe casamentos com Roma.
  • 1780 - Leis anti-ciganos ingleses estão gradualmente revogadas, embora não totalmente, a partir desta data.
  • 1782 - Joseph II da Hungria, filho da imperatriz Maria Theresa, emite um decreto 59 pontos reiterando sua política: a escolaridade das crianças e frequência obrigatória em serviços religiosos, língua Romani, roupas e música são proibidos.
  • Na Hungria, duzentos Roma são acusados de canibalismo.
  • 1783 - Legislação espanhola reitera pedidos anteriores. Gitano vestido, modo de vida, a linguagem é proibido, e liquidação é obrigatória no prazo de noventa dias. É proibido o nome Gitano e deve ser removido de todos os documentos oficiais. Restrições ao comércio e local de residência dos Gitanos é levantado. Punição por não respeitar as restrições é marcação. As reincidências são condenados à "morte, sem apelação."
  • Heinrich Grellman, da Universidade de Göttingen, escreve Die Zigeuner. Com base nas obras de escritores anteriores, ele liga a Índia como a pátria original dos ciganos através de sua língua.
  • No final do século 18 - Conde Orlov da Rússia organiza o primeiro refrão Romani, liderado por Ivan Sokolov. Os membros do coro são selecionados a partir de seus servos Romani.

Texto postado com permissão de Sayonara Linhares, Professora e Pesquisadora da Dança e Cultura Cigana, terá seus textos repostados aqui no nosso espaço para podermos aprender cada vez mais sobre esta cultura tão rica.
Sayonara Linhares