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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Pilares do Sul - Karine Neves (Inspirações)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.

Acredito que minhas maiores inspirações foram essencialmente as minhas professoras Karina Iman e Daiane Ribeiro, que trabalhavam bastante o estilo ritualístico, com a qual sempre me identifiquei muito. Admiro muito não só a técnica delas, mas principalmente a sua entrega à dança. 

Bruna Gomes também foi referência pra mim pela sua expressão, presença de palco e criatividade. 

Assim como a Zahira Razi pela sua dança simples e ao mesmo tempo tão intensa e hipnotizante.

Atualmente as bailarinas e grupos do Nordeste me chamam muito a atenção. 

Poderia citar também outras referências, mas acredito que a Cia Lunay e o Grupo Shaman são meus preferidos, pois me identifico muito com a sua estética, os figurinos, as músicas escolhidas, as coreografias sempre tão ricas, etc.

Já no exterior, a bailarina argentina Ivana Caffaratti, de dança oriental contemporânea/fusões, certamente é uma inspiração pra mim, não apenas pela técnica impecável, sua postura e a precisão de seus movimentos, mas principalmente pela expressão corporal e a intenção e o sentimento que ficam nítidos na sua dança.

Fonte: texto enviado por Karine Neves para o Blog
Fotos: arquivo pessoal de Karine Neves no Facebook

segunda-feira, 6 de julho de 2015

SOBRE O TRIBAL BRASIL por Kilma Farias

Tribal Brasil - Minhas impressões e expressões por Kilma Farias



Quando me encantei pelo Tribal em 2003 e decidi que iria estudá-lo esbarrei no meu primeiro obstáculo: a inexistência de professores no estilo. 

Até então só havia um grupo em todo o Brasil chamado Cia Halim, na época, dirigido pela Shaide e Fernando Reis, e sediado em São Paulo capital. O grupo experimentava a fusão do vocabulário indiano e flamenco com a dança do ventre, trazendo uma semelhança de vestuário com o ATS, porém mantendo características mais particulares. Falava-se em Tribal Brasileiro, devido às adaptações que o estilo trazia do que chamamos Tribal Americano (American Tribal Style). 

Em 2005 convidei a Shaide e o Fernando a ministrarem workshop em minha cidade, João Pessoa, e isso atraiu praticantes autodidatas e curiosos de todas as áreas de dança do Nordeste. No workshop, os professores frisaram a importância de se estudar o flamenco e a dança indiana, além da dança do ventre, por serem esses os pilares do Estilo Tribal Americano, uma vez que não tínhamos no Brasil professores de ATS. Eles também abordaram o assunto do Tribal estar focado nas danças étnicas e que um estudo das danças brasileiras cairia bem ao estilo. Isso acendeu uma luz na minha caminhada.

Em 2003 eu estudava Dança do Ventre com uma professora, chamada Ismália Sales, que nos trazia movimentos das Danças dos Orixás e chegamos até a montar um espetáculo fusionando movimentos da dança de Iansã, Iemanjá, Oxum aos nossos conhecidos movimentos orientais. 

O estilo era chamado por ela de Dança do Ventre Experimental, mas para mim ainda faltava algo que fizesse a liga, que unisse as duas formas de expressão Afro-Ventre em algo com uma só leitura, e que ao mesmo tempo trouxesse uma linguagem múltipla.

Iniciei uma pesquisa comparativa de ritmos e danças Orientais e Ocidentais, juntamente com os músico Magno Job e Victor Ramalho, observando a cadência, tempos, acentuações de diversos ritmos. Estudei as danças brasileiras em foco comparativo e extraí pontos convergentes entre as nossas danças e as danças do Oriente Médio. Dessa pesquisa, resultou meu livro Dança do Ventre, Da Energia ao Movimento, publicada pela Editora Universitária da Paraíba em 2004. No livro em questão, descrevi a trajetória de cerca de 200 movimentos com algumas ilustrações no intuito de que eu pudesse ir comparando depois com as danças afro-brasileiras e populares. A edição desse livro está esgotada desde 2007

Nesse processo, conheci o músico João Cassiano que passou a fazer parceria nessa pesquisa e juntos estabelecemos as correlações entre, por exemplo, Malfuf e Coco de Embolada, Soudi e Baião, Karatchi e Ijexá, Bambi e Samba Reggae. Surgiu como resultado dessa busca o termo Tribal Brasil para denominar os movimentos que eu passava a fusionar. 

Aulas de Afro tornaram-se necessárias e a professora Luiza Regina se agregou ao projeto. Os encontros aconteciam aos sábados durante os ensaios da Lunay, grupo que fundei em 2003 e que desde sua fundação abordou a Dança do Ventre em um caráter regional, utilizando músicas nordestinas em seu repertório, buscando uma maior identidade com nosso público e entendendo a semelhança cultural devido às heranças do Oriente deixadas aqui por nossos colonizadores.

Por estarmos tão envolvidos pela pesquisa rítmica, sentimos a necessidade de estruturarmos o primeiro espetáculo de Tribal Brasil da Lunay com música ao vivo. Chamou-se De Corpo e Alma, sendo a música a alma condutora de toda a movimentação. Para tanto, o grupo passou a ter aulas de percussão com João Cassiano e  Veronica Alves, que também passou a integrar o corpo de dança da Lunay na época. Além de termos Roberto Sansão também integrando como músico. Em 2006 pudemos apresentar nosso primeiro resultado desses estudos, ainda com forte peso do ATS/ITS, trabalhando com base no improviso dirigido através de sinais sonoros e gestuais, com uma música totalmente orgânica que em momentos era pré-estabelecida, em outros, totalmente improvisada.

O resultado foi muito bem aceito na época e logo os primeiros admiradores do estilo começaram a surgir, querendo saber do que se tratava, de como também poderiam trabalhar de modo semelhante. Assim, os primeiros convites para workshops começaram a surgir e, em 2006, fui convidada a levar o Tribal Brasil para a Argentina, através de Rita Andriossi. Lá, ministrei duas aulas para professores que até então haviam ouvido falar muito pouco do Tribal. Conheci Osvaldo Brandan, grande maestro da musicalidade Árabe, no qual pude falar sobre a pesquisa comparativa que realizava e através dele consegui muito mais embasamento para o que buscava estruturar. Retornei ao Brasil após um mês, com muitas respostas sobre o que estava buscando e definitivamente decidi estruturar o Tribal Brasil e ser uma divulgadora do estilo.

Em 2007 outros músicos se somaram ao projeto, Victor Alfonso e Mariana. Na época, o Magno estava de mudança para Natal por ter entrado para a Orquestra Sinfônica dessa cidade e tivemos de fazer diversas adaptações. Nessa experimentação, montamos novo espetáculo Ventre e Tribal como resultado da comparação dos ritmos Orientais e Ocidentais. A partir de então começamos a perceber que nosso repertório de movimentos começava a ficar escasso, acabávamos nos repetindo. Algumas dessas repetições foram batizadas com nomes de movimentos que usamos até hoje na Lunay e as utilizamos principalmente para improvisos, algo na linha Combo Based, combos já pré-estabelecidos que podemos utilizar em ritmos 4/4, por exemplo.

Mas esse repetir-se gerava uma angústia, uma vontade de fazer diferente. E dessa necessidade surgiu o Cultura em Movimento, em 2008. Esse projeto visa trazer diversas Danças Étnicas ao nosso repertório. De dois em dois meses convidamos um professor de uma modalidade diferente para nos trazer algo novo e assim já pudemos estudar Popping, Odissi, Flamenco, Cavalo Marinho, Afro, Cigana, Havaiana, Coco de Roda e de Umbigada, Kuduro, Capoeira, Maracatu, Frevo, Tango e tantas outras danças que nos servem de base até hoje. Entendendo, construindo e desconstruindo para surgir o novo; esse é meu pensamento primordial. Como ser tão natural dançando? Teríamos de trazer para nossa cena as danças que fizeram e fazem parte da nossa construção cultural, que estão no nosso padrão físico e colorem nosso imaginário. E trouxemos!

Em 2008 montamos Troupiniquim, e por hora me satisfiz com a linguagem estabelecida. Brasilidade na música, no corpo, no figurino e na cenografia: xita, céu azul, xilogravura, coco, maracatu, frevo, pífano, zabumba, cestos de vime, luz de candeeiro, aromas de cravo e canela e a naturalidade bela da mulher nordestina que encanta só de se ver passar. Tudo isso fusionado com o chamado estilo Tribal. Esse experimento nos rendeu o primeiro lugar em Dança na Mostra Estadual de Teatro e Dança da PB, e representamos nosso Estado no Fenart. Nessa época eu já ministrava workshops no estilo em todo o Brasil, despertando a curiosidade em unir a admiração pelo que vem de fora, como por exemplo o Tribal Fusion, com o que está tão perto de nós como as danças afro brasileiras e populares.

A falta de professores regulares de Tribal sempre me angustiou e, na falta, passei a fazer aulas regulares de Flamenco com Beatriz Betcher, de Dança de Rua com Vant Vaz e Percussão com Eli Porto. Processar o conhecimento e adequar à minha forma de pensar a arte se tornou meu prazer predileto. Aos poucos fui percebendo que essa ausência de professor regular de Tribal me fez criar e gerar um estilo totalmente novo, com uma abordagem única, unindo a corporeidade de diversas danças com o ATS/ITS e o Tribal Fusion, mas de um modo autêntico. 

Em 2010 tive a oportunidade de gravar um DVD de vídeo aula de Tribal Fusion e Brasil, pois nesse ano eu já não conseguia dar vazão aos convites para ministrar aulas em outros estados. O vídeo me pareceu uma excelente opção. Convidei o DJ Chico Correa e o músico João Cassiano para integrarem o projeto e tivemos um excelente resultado. O DVD esgotou no mesmo ano e novos horizontes foram surgindo. Até que recebi o convite para ministrar workshops de Tribal Brasil na Flórida, no Spirit of The Tribes, evento produzido por Maja Nile e que, no ano em questão, comemorava os 10 anos de existência do estilo Tribal Fusion no mundo. 

A receptividade no evento foi acima do que eu esperava. Tive entrevista de página dupla na revista Yallah Magazine, contei com a participação de Anasma em minha aula, que se apaixonou pelo estilo, recebi os comentários mais carinhosos da Ariellah Aflalo ainda nas coxias assim que saí do palco, o que, para mim, foi uma das maiores recompensas do meu trabalho. 

Admiro demais a Ariellah e estudei muito sua dança, minha eterna inspiração... e de repente ela estava ali me dizendo que tinha viajado na minha dança, no meu estilo, que era forte e original, que eu era uma grande dançarina... eu não queria mais nada. 

Pra mim já estava perfeito. Até que apareceu ainda John Compton elogiando o Tribal Brasil, minha performance em cena, e daí não aguentei de emoção. O Hahbi'ru foi o primeiro grupo de Tribal que assisti na vida, e creio que no mínimo umas 80 vezes assisti o mesmo DVD que guardo carinhosamente até hoje. Ganhei suas aulas gratuitamente e lá estava eu, estudando, trocando informação com meus mestres que pareciam tão distantes, querendo me ouvir falar das Danças do Brasil, das semelhanças e diferenças. 

Inesquecível. Mas para completar ainda fui convidada a dar entrevista para uma TV local, para ser jurada da mostra competitiva de Tribal e para improvisar ao som da banda californiana Danyavaad. O público recebeu com muito entusiasmo, ministrei duas aulas de Tribal Brasil, uma delas com percussão ao vivo, abordando a pesquisa comparativa de ritmos e suas possíveis utilizações no Tribal.

Hoje, a informação nos chega com maior facilidade, assim como a produção de workshops com bailarinas internacionais acontecem com maior intensidade, chegando muitas vezes a ser difícil de escolher com quem estudar. Já trouxe, em parceria com a BeleFusco, a Sharon Kihara (US) para João Pessoa, onde a mesma ministrou 10 horas de aula; e já pude participar de diversos eventos estudando com nomes como Mira Betz, Ariellah, Mardi Love, Tjarda, Unmata, John Compton, Moria, Kami, Anasma, Lady Fred, Dalia Carella, Megha Gavin, Jill Parker, entre outros. E isso só nos dá mais base para podermos construir e desconstruir com mais propriedade, com segurança do que deve ser adaptado ou não, até onde podemos ter a licença poética para recriarmos, reescrevermos deixando nossa marca.

O Tribal Brasil prosperou tanto que diversos grupos e solistas passaram a experimentar o estilo, dentro e fora do Brasil, acrescentando suas personalidades e agregando valores diversos. Dessa observação, surgiu o projeto Caravana Tribal Nordeste, idealizado por mim e Bela Saffe e que hoje se encontra no seu terceiro ano de execução. Em 2010 e 2011 contemplou os estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. Trazendo inclusive nomes internacionais como Sharon Kihara, Mira Betz e este ano Emine Di Cosmo em João Pessoa e Anasma em Salvador. A Caravana é uma forte divulgadora e fomentadora do estilo Tribal Brasil, pelas oficinas que proporciona de danças populares e afro-brasileiras, assim como a mostra de dança com as produções desenvolvidas. Paralelamente a Lunay continuou a desenvolver o estilo através da montagem de mais dois espetáculos, Caravana e Tribal Brasil, sendo contemplada com os mesmos nos Editais da Prefeitura Municipal de João Pessoa e Governo do Estado da Paraíba em projetos como Circuito Cultural das Praças, Festival de Artes de Areia, Fundo Municipal de Cultura.

Em LimaPeru, o Tribal Brasil abriu uma nova possibilidade criativa – fez com que as bailarinas de lá se animassem a desenvolver o estilo Tribal Peru. E me senti honrada em fomentar esse desejo e orientar como que elas poderiam aprofundar esse estudo. O Tribal Brasil serviu realmente de ponto de partida, de diretriz para que elas desenvolvessem lá algo com a identidade delas. Auxiliei na primeira composição coreográfica de Tribal Perú, na Escuela Luna Dance, onde as bailarinas foram me mostrando movimentos de danças peruanas, assim como músicas, e juntas, fomos esboçando o que poderiam adaptar até elas entenderem como realizo isso com o Tribal Brasil.

As inquietações são sempre presentes, creio que um estilo nunca se apresente como pronto, pois assim sendo penso que ele já nasceu morto. A vida exige evolução, transformação sempre. E acreditando assim, convidei Guilherme Schulze, professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba e Doutor em Estudos da Dança pela Universidade de SurreyInglaterra para desenvolver um trabalho junto à Lunay. Bailarino e coreógrafo, Guilherme trabalha, entre outros métodos, com Laban, compreendendo o movimento através de seus quatro fatores - força, tempo, espaço e fluência. Sua aplicação aos processos coreográficos que vem sendo desenvolvidos pela Lunay tem como objetivo contribuir para a ampliação dos horizontes criativos e, consequentemente, das possibilidades expressivas do estilo Tribal Brasil. Já estamos em parceria desde janeiro desse ano e os primeiros resultados já começam a aparecer, caminhando para um fazer Tribal mais significativo e com maior naturalidade e propriedade do movimento. 

Vivo o Tribal Brasil em total comunhão com minha vida pessoal. Não sei dizer onde um começa e o outro termina porque para mim é comum ver dança em tudo que faço, de uma roupa que lavo no tanque a um giro a pé pela cidade, subindo uma ladeira do Centro Histórico ou estudando uma sequencia de movimento para ser apresentada no palco. É tudo dança, mesmo que não tenha intenção de ser. Sou uma eterna curiosa do movimento, das sensações que ele nos pode trazer, das sensações que motivam o movimento e ainda das impressões e sensações que causam a quem vê. O Tribal Brasil que desenvolvo segue uma estrutura, uma linha de movimento que abrange o vocabulário do ATS/ITS, do Tribal Fusion, das danças do Oriente Médio, Flamenco, Indiana, Afro-brasileiras e Populares, Popping e Contemporânea

Para ser Tribal Brasil precisa ter essa “liga” esse “amálgama” com o que é nosso e isso deve perpassar pela dança, musicalidade e figurino. Não se trata de ufanismo, xenofobia, bairrismo ou simples aversão ao que vem de fora. Pelo contrário. Queremos incluir, somar, agregar. Os movimentos por nós estruturados também trazem os traços dessa união na nomenclatura como, por exemplo, Samba Fusion, Maraca’turn, Iemanjá walk, Forró Shimmie, Frevo Jump #1, Frevo Jump #2.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

VÍDEOS - FESTIVAL ETNOTRIBES

Eu estava ansiosa por estes vídeos, já que achei alguns pipocando por aí, quero compartilhá-lhos! 
Aqui tem as fotos:
Show de Gala SIMBIOSE | EtnoTribes Festival 2014 - 1º de agosto (sexta-feira) Teatro ISBA
Foto: Andréa Magnoni Fotógrafa
 — com Joline Andrade e Joline Andrade.

TEASER:

VÍDEOS:


Tribal Bells por Priscila Sodré | Show de Gala | EtnoTribes Festival


SHOW Gala EtnoTribes Festival & Grupo Musical Pedra Branca


Kilma Farias - EtnoTribes Festival

Cia Lunay - EtnoTribes Festival


Marcelo Justino - EtnoTribes Festival

Valkirias - EtnoTribes Festival

Diana Magnavita - Musical Fusion EtnoTribes Festival


Tribal Fusion - EtnoTribes Festival - Camila Middea


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terça-feira, 20 de maio de 2014

O TRIBAL NO BRASIL - MARCELO JUSTINO

MARCELO JUSTINO
O TRIBAL NO BRASIL - MARCELO JUSTINO

Conheci o estilo Tribal Brasil com a nossa querida Kilma Farias e a Cia. Lunay aqui mesmo, no Campo das Tribos. Foi uma experiência apaixonante.
Participei de diversas oficinas de danças populares brasileiras antes de ter a oportunidade de conhecer o trabalho de Kilma, mas, essas oficinas nunca me encantaram. Sempre achava tudo muito simplista, apenas uma grande festa, como a maioria das nossas danças populares.
O trabalho da Cia. Lunay conseguiu finalmente me fascinar. Encontrei a fusão de movimentos que eu gostava de dançar com os ritmos brasileiros e, muitos deles difíceis e desafiadores. Me lembro como me senti quando aprendi pela primeira vez o “samba fusionado”… nossa! Me senti um completo desleixo.
Sai do workshop maravilhado e ao mesmo tempo me sentindo incapaz. Passei horas, dias treinando para conseguir executar aquele desafiador “samba fusionado” e até hoje o uso em meus trabalhos.
Trabalhar com nossa própria cultura pra mim é complicado, porque o acesso às nossas tradições é muito difícil, principalmente em São Paulo onde quase não se tem resgate da cultura popular e o mais louco ainda, sou do interior. Consegui ter acesso a cultura popular brasileira na capital onde se encontra a maioria dos grupos que desenvolvem esse tipo de trabalho.
Depois desse primeiro contato com a Cia. Lunay, participei de diversas oficinas de dança em São Paulo e pude conhecer o bailarino e professor, Deca Madureira. Foi na oficina de Deca que recebi o convite para fazer parte de sua companhia, Cia. BrasílicaDeca Madureira desenvolve um trabalho que foi nomeado pelo mesmo de Dança Brasílica que, na minha visão simplista, são as danças populares modernizadas com preparação para serem trabalhadas em palcos. Meu grande aprendizado de danças populares foi com esse mestre, que me deu o embasamento para desenvolver meu trabalho de pesquisa dentro do estilo Tribal Brasil.
Kilma Farias definiu de forma clara o que é o estilo Tribal Brasil em um dos workshops que participei com a mesma:  “…não basta usar uma musica brasileira em seu trabalho e chamá-lo de Tribal Brasil, é necessário ter elementos das nossas danças, das nossas origens dentro da sua fusão…” Essa definição ficou muito clara pra mim e levo como verdade no meu trabalho, que consiste em usar música, dança e artesanato brasileiro para compor qualquer coreografia e figurino.
Acredito que alguns não aprovam o estilo e creio ser por desconhecimento da nossa própria cultura e que nem todos gostam e até desdenham o título Tribal Brasil. Já passei por situações de preconceito e aprovação aqui e fora do Brasil.
Dois exemplos de situações que já passei:
  1. Em Lisboa, quando estava com meu figurino de Iemanjá, uma portuguesinha linda chegou pra mim e perguntou:
    - Você vai dançar Iemanjá?
    Aquilo me pegou de surpresa e me deixou muito feliz! Estar em outro país e uma desconhecida reconhecer o que eu pretendia retratar, foi uma satisfação pessoal enorme.
  2. Por outro lado, em um outro país, com um outro trabalho, um jurado disse que o que eu estava dançando não tinha nada a ver com a música (até hoje me pergunto se ele fala e entende tão bem o português, já que não estava em um país de língua portuguesa), que o figurino não tinha nada a ver, que ele não tinha entendido nada, que ele simplesmente não tinha gostado.Não espero e nunca esperei agradar a todos, mas coloco esses dois pontos apenas para ilustrar que o estilo Tribal Brasil é algo ainda mais novo do que o próprio Tribal Fusion. Tenho os meus conceitos, que levo como verdade e sei o que quero como fundamento dos meus trabalhos. Estou em constante busca do meu próprio estilo. Não estou livre de erros, como qualquer outro profissional, mas estarei sempre estudando, pesquisando e desenvolvendo aquilo que eu acredito e que gosto como fusão dentro do Tribal e que tenho muito orgulho de chamar de Tribal Brasil.
Texto extraído do blog Campo das Tribos, postado em outubro de 2013: 

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

CIA LUNAY - PB/PE

Inspirações - GRUPOS Brasileiros: Kilma & Cia Lunay - Tribal Brasil


A Cia Lunay existe desde 2003, dirigida por Kilma Farias, onde a pesquisa e construção do Tribal Brasil é o principal objetivo de sua existência.

Integram o grupo Jaqueline Lima, Juliana Garcia, Fabiana Rodrigues, Jaqueline Mendonça, Luana Aires, Priscila de Carvalho, Guilherme Schulze, Ademilton Barros e Kilma Farias

As apresentações da Cia Lunay mesclam o Tribal Fusion - fusão da dança do ventre com flamenco, indiana, danças folclóricas do oriente - com danças Afrobrasileiras - maracatu, coco, caboclinho, Orixás. De 2003 para cá o grupo já montou os espetáculos: Da Energia ao Movimento/2004, sendo premiado em 2005 na Mostra Estadual de Teatro e Dança como melhor produção em dança, De Corpo e Alma/2006, Ventre e Tribal/2007, Troupiniquim/2009, sendo este premiado com o primeiro lugar em Dança na Mostra Estadual de Teatro e Dança da PB, representando o Estado no Fenarte 2010, Caravana/2010, Tribal Brasil/2011 e Axial/2012.

A Lunay hoje possui núcleos em João Pessoa-PB e Recife-PE. Em Recife, a direção fica ao cargo de Karina Leiro, e conta com os bailarinos Danilo Dantti, Tamyris Farias, Daniela Albuquerque e Harumi.
Juntos, produzem a Caravana Tribal Nordeste, um projeto que integra as produções Tribais do Nordeste com sede em João Pessoa e Recife, acontecendo duas vezes ao ano. Em Recife, a produção fica por conta do Aquarius Tribal Fusion. A Caravana já está no seu quarto ano de existência e já recebeu incentivo do Fundo Municipal de Cultura-FMC.

A Cia Lunay já participou de eventos como Tribal y Fusion-SP, Tribal Show ABC-SP, Mujeres En Movimiento - MEM - Buenos Aires (Argentina), Fusiones em Lima-Perú, Spirit of the Tribes na Flórida (EUA), Gothla Rio, Campo das Tribos-SP, Caravana Tribal NE em BA, PE, RN e PB, produziu tantos outros a exemplo da Imersão com Sharon Kihara em João Pessoa-PB através da Bele Fusco e suas integrantes sempre estão se aperfeiçoando com grandes nomes internacionais a exemplo de Mardi Love, Ariellah, Anasma, Unmata, Jonh Compton, Tjarda, Sharon Kihara, Moria, Kami, Jill Parker, Mira Betz, Megha Gavin, entre outros.

O grupo também produz o Cultura em Movimento desde 2008, baterias de oficinas em danças étnicas que ajudam na construção do Tribal Brasil e já foram estudados diversos temas a exemplo de Coco de Roda, Dança dos Orixás, Afro (Danças de Trabalho), Popping, Havaiana, Cigana, Flamenco, Odissi, Cavalo Marinho, Kuduro, Frevo, entre outras.


Mais fotos no álbum: Inspirações - NORDESTE

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

ENTREVISTAS - KILMA FARIAS - PARTE 2

Aerith entrevista Kilma Farias
BLOG: O evento Caravana Tribal Nordeste(CTNE), sob direção e produção sua, de Bela Saffe, Cibelle Souza e Aquarius Tribal Fusion (ATF), é um dos eventos que se destaca no país, unindo quatro cidades nordestinas durante o ano. Conte-nos como surgiu a idéia do evento, sua proposta e objetivos, organização e elaboração deste,bem como a repercussão do mesmo para a comunidade tribal quanto para seu público no Nordeste Brasileiro. Vocês tem pretensão em ampliar o alcance dos estados do nordeste que se envolvem com o evento? 
Caravana veio com tudo em 2010, e o objetivo principal sempre foi difundir e fomentar a pesquisa do Tribal Brasil. Sendo um evento itinerante, a Caravana estava a cada dois meses em uma cidade diferente, entre João Pessoa, Natal, Salvador e Recife. Os eventos continham workshops de tribal, oficinas de danças populares e show.

A ideia surgiu quando estávamos eu e Bela conversando na recepção da Bele Fusco em São Paulo. Na ocasião eu estava ministrando um workshop de Tribal Fusion e antes de começar, troquei uma ideia com a Bela que me contou que também amava as fusões com danças afro-brasileiras. Daí então, pensamos na possibilidade de um festival onde pudéssemos convidar as pessoas a produzirem seus trabalhos nesse contexto. E de muitas conversas surgiu a Caravana Tribal Nordeste. Outro dia, em minha casa, em João Pessoa, a Alê Carvalho, do Aquarius, se propôs a escrever o projeto e daí com ele pronto colocamos em prática. Convidamos a Shaman, que aceitou o convite, e começamos a trabalhar.

O primeiro ano foi dureza porque fomos aprendendo com os erros e, mesmo assim, realizamos 4 edições e uma especial com a presença de Sharon Kihara e Bele Fusco. Também produzimos documentários para que as praticantes de outras regiões do Brasil tomassem conhecimento do que estávamos realizando aqui por essas bandas.


O segundo ano foi bem mais tranquilo, inclusive aqui em João Pessoa, consegui aprovar projeto pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC), o que possibilitou pagar excelente cachê a cada professor, ao documentarista, iluminador, arte e divulgação, etc.

Em 2012 tivemos uma mudança. A Shaman se despede da Caravana e passa a realizar o Shaman’s Fest. A Bela Saffe, em Salvador, também passou a trazer convidadas internacionais. Em Recife e João Pessoa continuamos com a mesma proposta de pesquisa do Tribal Brasil e sempre que possível participamos da edição de Salvador, a exemplo da edição com Mira Betz.

Todas as colaborações são muito bem-vindas. Ano passado a Nadja El Balady esteve na edição de Recife ministrando aulas e contribuindo com a pesquisa do Tribal Brasil. Ou seja, basta querer fazer parte :)

Não estamos buscando ampliar, envolver outros estados do Nordeste nem de outras regiões do Brasil. Mas se isso acontecer espontaneamente será muito bom. Em Fortaleza temos parceiras, no Maranhão também, mas não chegaram ainda a proporem sediar uma Caravana. Por enquanto seguimos sem pressa, curtindo os estudos e descobertas do caminho. 
BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog.
Dance, não como se fosse o seu último gesto no mundo, mas como se fosse sempre o primeiro. Buscando descobrir um caminho novo para o braço, para o quadril, escutando o que vem de dentro, percebendo suas reais possibilidades e transformando tudo isso em comunicação. Sinta com todo o corpo; sinta com os pés, com os seios, com as costas, com os cabelos e deixe que cada parte comunique ao todo sua verdade. A dança que me emociona é aquela que transcende a estética, transcende a matéria, porque começa primeiro na nossa alma. E esta, por sua vez, se comunica com o mundo exterior através do corpo que se utiliza, ou não, da técnica. Dancemos a vida!

ENTREVISTA COMPLETA COM FOTOS E VÍDEOS:
  
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domingo, 23 de junho de 2013

ENTREVISTA - KILMA FARIAS - PARTE 1

Aerith entrevista Kilma Farias
BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você? 
Meu primeiro contato com a dança foi na infância, aos 4 anos de idade, no pré-ballet e dança criativa; depois vieram a ginástica rítmica e a dança contemporânea, mas eu não tinha ainda o real desejo em viver para a dança. Praticava enquanto hobby.

Na adolescência também fiz teatro um longo tempo. E acabei largando tudo para me dedicar à faculdade de comunicação social. Vim me reencontrar com a dança já aos 21 anos, quando busquei a dança do ventre como uma forma de equilibrar corpo e mente, no final de 1999. Aqui mesmo em minha cidade encontrei uma professora, a Martha Farias, e logo me matriculei, mas também não tinha pretensão em trabalhar com dança.

Minha relação profissional com a dança veio de um processo natural. Em 2002 eu já estava bem desenvolvida nos estudos e buscava ainda outras professoras que pudessem me auxiliar na caminhada e logo surgiu a oportunidade de ministrar aulas. A partir de 2003 percebi que a dança do ventre tinha me escolhido e que eu deveria fazer escolhas, pois não dava para continuar com o jornalismo ao mesmo tempo. De lá pra cá foram muitas idas e vindas, me dividindo entre ser apenas professora e entre ser professora, bailarina e jornalista.

Em 2004 publiquei o livro Dança do Ventre da Energia ao Movimento pela Editora Universitária (UFPB) e já me dedicava ao estudo do Tribal e das Fusões com danças populares e afro-brasileiras. Desde então, do primeiro contato com o Tribal, me apaixonei fortemente e decidi tomar para mim a missão de divulgar o estilo e de também contribuir com uma formação de caráter mais brasileiro, contendo nossa identidade.
BLOG: Como é o cenário da dança tribal na Paraíba? Pontos positivos, negativos, apoio da cidade, repercussão por parte do público bem como pela comunidade de dança do ventre/tribal?
O Tribal tem tido excelente respaldo, tanto dentro da comunidade praticante do ventre quanto nos círculos de dança contemporânea. Esse ano a Prefeitura me contratou para coreografar a cena do Palácio de Herodes no evento da Paixão de Cristo, que aqui é bem tradicional. E o pedido foi o tribal. Foram feitas oficinas diversas, pois não trabalhei apenas com bailarinas da Lunay, havia integrantes de diversos grupos, inclusive bailarinos de dança contemporânea. Todos amaram!

Claro que ainda há muita desinformação e sempre que possível estamos nas TV, jornais, rádios, divulgando o estilo e divulgando nossos eventos. Também já realizamos uma campanha informativa, distribuindo fanzines que visavam esclarecer a dança tribal, dicas de onde pesquisar na internet, onde baixar músicas, onde fazer aulas em nossa cidade, sobre figurino e maquiagem, etc.

ENTREVISTA COMPLETA COM FOTOS E VÍDEOS:
  
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