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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Pilares do Sul - Karine Neves (Cursos)

Pesquisa sobre o Tribal no RS | Conte sua trajetória dentro do Tribal.
Trajetória - Inspirações - Cursos - Cenário - Linha de Trabalho - Definição
Respostas enviadas durante o ano de 2015.
Para agregar e ajudar a construir a minha dança, além das aulas e workshops de Tribal, também procurei fazer cursos em outras áreas. 

Fiz curso Intensivo de Dança Indiana com Supriya, curso intensivo de dança moderna com Tânia Bauman, aulas regulares de Yoga com Nihar Sarkar, fora alguns workshops de reeducação do movimento com Ivaldo BertazzoZambra com Ali Kaliflamenco com Andréa Franco, e aulas regulares de Pilates, que faço até os dias de hoje.
Fonte: texto enviado por Karine Neves para o Blog

Fotos: arquivo pessoal de Karine Neves no Facebook

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 4

Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 04 - Visão do Estilo Tribal no Brasil hoje


Sobre como anda o tribal hoje, penso algumas coisas, todas boas. 

Primeiro que percebi que, desde o desaparecimento da Halim, o estilo se popularizou um bocado pra baixo do Equador (como diz uma música). Mas não tive a oportunidade de ver mais que fotografias e vídeos curtos na internet. 

Tenho contato com algumas bailarinas, vejo algumas publicações com trechos de apresentações de Rebeca Piñero, com peças interessantíssimas de Maria Badulaques, e isso me faz sorrir por dentro, e faz vontade de voltar. 

Vontade, não. Muita vontade!

Tenho a impressão de que o fato de o Brasil ter um público, interessados em dançar, e um mercado para dança do ventre muito grande, muito expressivo, pode favorecer muito o surgimento de novos e bons trabalhos para tribal, ou, como chamamos Shaide e eu desde a época da Cia Halim, dança étnica contemporânea, ou simplesmente fusion (sem deixar de tratar por tribal).

Tenho bastante material nos papéis e no computador. E este material ainda vai criar pele, curvas, movimentos sinuosos, cores, pintas e traços tribais. Na hora certa.

(Maria pergunta) Conta como foi ver a expansão do tribal no Brasil. Você acha que deu uma guinada exponencial após o curso que deu para Kilma na Paraíba?

Gosto desta pergunta, também. Há dois pontos sobre a minha relação pessoal com o quanto o tribal cresceu no Brasil. Um é de uma certa boa surpresa, porque quando a Cia Halim era ativa e eu dela participava, era a única (pelo menos que tenhamos tido notícias à época) companhia de Tribal, ou de danças étnicas contemporâneas fusion

Shaide participou muito mais do processo de ministração das aulas, por muitos motivos. Custava um pouco caro a produção de workshops, com nós dois em estados distantes, e eu ainda estava ligado a um trabalho de uma empresa de cinema em São Paulo, que não permitia ausências prolongadas. Então, fui algumas vezes ao Rio de Janeiro, a Brasília e a Porto Alegre (me roendo um pouquinho por dentro por não ter podido ir à Paraíba).


Mas, mesmo as notícias que me chegavam à distância, e sobre os relatórios que a própria Shaide me passava dos trabalhos fora de São Paulo, me traziam a impressão de que Kilma seria uma das principais, senão a principal representante do Estilo Tribal em toda a sua região. As fotografias a que tive acesso depois me trouxeram outra boa impressão. 

Era para mim possível, mesmo em imagens estáticas, reconhecer a alma da composição de um trabalho para Tribal. Dali em diante, tanto Shaide Halim quanto Fernando Reis não puderam mais pensar em Estilo Tribal da metade do território nacional para cima sem que o primeiro nome que nos viesse à mente fosse Kilma Farias.

Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007). 

Para saber mais sobre Shaide Halim ou Cia Halim, clique nos links.

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 3

Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 03 - Criação do Nome e Término

Irma Mariotti se transformou em Shaide Halim

Esta parte foi assim. Ela estava empolgada com o projeto (que no começo era mais só dela), e eu dava um ou outro pitaco, sem grandes envolvimentos. Um dos pitacos foi (acho que nem foi tanto ideia minha. Capaz de ela ter pensado nisso porque muitas bailarinas de danças orientais têm nomes artísticos orientais, e Irma é um nome forte, mas super europeu italianão, e poderia combinar mais pra ballet (o que hoje nem enxergo com esta restrição toda) a adoção de um nome artístico. 

Me lembrei de que tive uma colega num colégio e ela se chamava Shaide. Era filha de libaneses, acho. Só falei este nome pra ela uma vez. Os olhos brilharam e ela quase nunca mais, a partir dali, foi chamada de Irma (acho que só a família chama). Ah! E era para ser só Shaide e Halim era o nome da companhia. Um dia alguém se referiu a ela como Shaide Halim, porque acho que o nome da companhia fosse o sobrenome dela, e ficou.


O trabalho da Cia Halim, desde a primeira reunião, foi sempre realizado na pequena sala da casa em que morávamos, na Vila Mariana. Produzimos piso de madeira suspenso do chão, espelho do tamanho de uma parede inteira e procurávamos manter os muitos gatos da casa longe dos trabalhos. 

Então, a Halim era, sim, respondendo à sua pergunta, nossa companhia. 

Mas eu não me sentia patrão de ninguém (o que não quer dizer que quem aceitasse participar da companhia não tivesse que ter consciência de que teria compromissos a cumprir, e que os compromissos representariam cobranças de resultados. Nunca tivemos condições de pagar cachês ou salários, porque nunca tivemos patrocínio ou lucro com bilheterias. Mas não cobrávamos mais que dedicação de quem quisesse e pudesse participar, e que ajudassem no que pudessem (com figurino, com transporte de qualquer coisa pra quem tinha carro...).

A Cia Halim começou a esfriar por duas causas, que acho que só me ocorreram agora por ter que responder a vocês. Uma parte do trabalho estava vinculada a mim, às minhas condições pessoais, e até à minha relação com Shaide. Eu estava envolvido com várias tarefas diferentes, um pouco cansado, um bocado contaminado por meus próprios maus-hábitos, e decidido a me mudar de casa. 

Shaide, por outro lado, embora nunca tenha deixado de se incomodar, naturalmente, com o meu tumulto interior que respingava sobre casa e companhia de dança, tinha sempre o foco voltado para a produção de dança e seus projetos. Se não fossem para tribal, seriam para o que pudesse e gostasse de fazer. E assim, acabou-se a Cia Halim, Shaide deu início a projetos novos e eu fiquei um bocado sem produzir dança (a não ser nos papéis, por enquanto).



Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007). 

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 2

Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 02- Formação e Estruturação

Irma sempre teve muita, mas muita mesmo, aptidão e facilidade para dançar qualquer coisa, ainda que jamais tenha tido peso e massa corporal dentro dos padrões para os bailarinos profissionais. Ela sempre foi gordinha, mesmo.

:) Embora eu não ache que isso deva acontecer com a naturalidade de quem se relaciona a partir de um passeio no parque, pela primeira vez eu me peguei em um relacionamento com colega ou aluna. Era aluna e era a Irma. Irma ficou grávida e nós nos casamos.

A vida seguiu comigo sendo programador de filmes para cinema na distribuidora Pandora Filmes e Irma estudando relações públicas e ajudando o pai em tarefas administrativas de seus cursos (os do pai. Ele é consultor para empresas e professor em institutos de filosofia). Eu já não tinha condições de praticar ballet como antes, mas fazia umas aulinhas de flamenco aqui e ali, com Jussara Correa, a turma do Raies... 

Um dia, Irma, que sempre teve um bocado mais de possibilidades relacionadas a investimentos econômicos que eu, por causa da família, teve a  oportunidade de conhecer o trabalho de Carolena Nericcio e a FatChance BellyDance. Ficou absolutamente encantada! 

Mais que isto! Ela própria reunia impressionantes condições para fazer um excelente tribal (eu não digo isto só porque fomos casados. Digo porque é verdade). E, tendo em casa um sujeito que vinha da dança também, que conhecia flamenco (que podia ser muito útil no trabalho), ela (ainda Irma) não parou um minuto de elaborar e produzir. 

E eu fui ajudando com o que podia e com o que achava que tinha que fazer (me metia mesmo. Estava virando diretor da coisa sem perceber). Um dia a Cia Halim estava formada, com as aludas de dança do ventre que Shaide já tinha, as que se interessaram em participar. 

Nem todas eram muito boas, mas a gente tirava a alma delas pelo umbigo, sabe? Nunca com brutalidade. Eu era firme com o que era preciso, Shaide coreografava, dava aulas, limpava técnica, eu ajudava com coreografias, limpava umas coisas, desenhava cenas, fazíamos (muito mais Shaide) os figurinos, e um dia estreamos "Saluq" (não por acaso, nome de um vento que sopra do oriente pro ocidente), no teatro Sergio Cardoso (não me lembro data), com todo o cuidado que cabia no nosso pobre orçamento. As meninas ficaram nervosas e emocionadas, e a platéia aplaudiu nada burocraticamente. Gostaram mesmo.

O trabalho seguiu, fizemos outras coisas, Shaide tocou muito mais que eu o trabalho, mas continuei dirigindo enquanto a Cia Halim existiu em enquanto o casamento durou. O trabalho com a Halim fez com que Lulu (que à época era Sabongi) me confiasse a direção técnica e a criação da cena de abertura do show de vinte anos de sua carreira.

Eu me separei de Shaide, a Halim já havia morrido e morei na cidade do Porto um tempo (em outro casamento que também já acabou). Passei dias difíceis em internações e sobre uma cadeira-de-rodas, porque sofri a síndrome de Wrnicke-Korsakov, em decorrência de alcoolismo (já estou curado da causa e das conseqüências).

Estou de volta a São Paulo e com os papéis cheios de planos. Não posso dizer muito sobre eles, por enquanto, mas são para o bem e são para dança :)


Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007). 

Relato de Fernando Reis sobre o início do Estilo Tribal no Brasil - Parte 1


Material enviado por Fernando Reis em fevereiro de 2016 para Carine Würch e Maria Badulaques. Através deste relato, conta como foi a formação do Estilo Tribal aqui no Brasil, através da Cia HalimFernando foi fundador da Cia Halim junto com Shaide Halim. A companhia foi fundada em 2002 e durou cerca de 08 anos.

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PARTE 01 - História de Vida

Vou procurar colocar aqui o máximo do que eu puder me lembrar da história da Cia Halim, da minha história e do quanto procuramos colaborar para a formação do Estilo Tribal nessa nossa terra.

Meu nome é Fernando Reis (é o nome que uso geralmente, para apresentações profissionais, artísticas, em geral), sou Fernando Mendes dos Reis, nos registros. Tenho 41 anos, nasci na cidade de Esplanada-BA, mas sou um bocadinho aculturado da cultura e identidade do povo baiano, porque minha família mudou-se para São Paulo em 1978 (eu tinha quatro anos).

Sempre fomos de uma família um bocado pobre, e, embora isto tenha sido bastante ruim para a vida em geral, teve uma contribuição para saldo positivo (embora eu não seja apoiador de trabalho para menores). Eu vim a ter possibilidades de trabalhos para colaborar na renda doméstica, apoiado primeiro pelo meu irmão Léo Mendes, que trabalha com cinema há uns trinta anos, e depois com o irmão Moacir Mendes, que é publicitário e artista gráfico. 

Durante a minha adolescência vim a saber, entre os colegas da escola (pública), que um rapaz estava reunindo interessados em tomarem parte em um curso de interpretação para teatro. A turma de colegas que me apresentou aquela informação estava mais animada pela possibilidade de os trabalhos resultarem em beijocas nas garotas (para as cenas) que em qualquer ilusão de desenvolverem algum potencial para atuação. Me interessei, mesmo sendo muito tímido (e nem foi tanto pelas beijocas (que jamais aconteceram)).

O professor Edson Araújo Lima, que é um dos meus melhores e mais importantes amigos até hoje (fiz uma arte prum projeto dele esses dias), se mostrou muito bom professor. Junto com os meus irmãos (no cinema, na publicidade e nas artes gráficas), foi um dos maiores responsáveis pelo desenvolvimento de meu interesse e alguma aptidão para interpretação (fizemos um curta-metragem até. Dez anos depois). E naquela época eu, que estava bastante entusiasmado com as aulas de teatro, ouvi falar (ou intuí) que aulas de dança eram muito boas para a complementação da formação de atores. Tomei coragem e me matriculei em um curso de jazz.

As aulas de jazz eram um bocado fracas, mas eu não fiquei propriamente frustrado ou incomodado (afinal aquela não era a única escola e nem a única modalidade de dança). Vi flamenco pelo trabalho com cinema, dentro dos filmes de Carlos Saura, e me apaixonei! Chegou um tempo em que eu já não estava mais estudando teatro e nem só estudando dança por causa do teatro. Eu queria ser mais bailarino que ator.

Nunca foi nada fácil. Eu pobre, sem carro, trabalhando oito a dez horas por dia, com vontades de fazer coisas da vida social, mini-baladinhas de pobre... 

Comecei a fazer aulas de ballet clássico com uns vinte anos, depois de já ter feito um pouco de jazz, por achar que o clássico prepara melhor para tudo o que exija técnica e força. Não era propriamente para ser bailarino clássico... mas fui ganhando bolsas em todas as escolas das quais me aproximei. Os professores me viam com uma certa (alguns, bastante) boa impressão, porque eu era longilíneo, tenho os pés com uma ponta pouco comum, sou bastante en-dehors, e fui fazendo minhas aulinhas dentro da vidinha capenga. Entrei em cursos de dança flamenca, daqueles de pequeníssimas escolas (acho que o André Tiani, que foi meu primeiro professor, nem dá aulas mais) e me apaixonei por flamenco.

Da paixão por flamenco pra começar a dar aulas pra iniciantes na mesma academia em que tive minhas primeiras aulas de dança (jazz) na vida (!!!) foi um pulo.

Uma das minhas primeiras alunas foi Irma Mariotti (guarde isto, porque é importante).



* Renata Lopes enviou as fotos que são do DVD comemorativo dos cinco anos de companhia (2007). 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ENTREVISTAS - ALESSANDRA TUBBS

Alessandra Tubbs entrevistada pelo Olho Vivo - Cláudio Alcântara.

Alessandra Tubbs divulga a cultura e danças ciganas na região, o objetivo da bailarina é diminuir cada vez mais a visão deturpada que algumas pessoas têm dos ciganos.

"Eu e a dança somos um único ser, é missão terrena; quando danço me liberto das amarras terrenas e fico livre para criar." 
Ela é professora de ciências e biologia. Durante as manhãs, leciona no Ceja (Centro de Educação de Jovens e Adultos). Mas é na dança que Alessandra Tubbs se transmuta. A magia dos movimentos preciosos conquista e encanta. Descendente dos ciganos Romnichals (Reino Unido), dança desde os 4 anos. Aos 20, começou a trabalhar com a dança no Rio de Janeiro e em 2007 mudou-se para Volta Redonda. Dois anos depois, iniciou os trabalhos com a dança e cultura cigana. Hoje tem um grupo (Companhia de Dança Cigana Al-Andalus), com 16 alunas/bailarinas) e é bailarina integrante do grupo de Danças Étnicas Al-dabarãn e do Grupo Tribal Bellydance Serpente do Deserto
É difícil viver da dança aqui na região? Em que está trabalhando atualmente? É complicado viver de dança no Brasil, no meu caso, se torna mais difícil, pelo fato de ensinar uma dança tão cercada de preconceitos. Leciono ciências no colégio e à noite dou aula de dança e cultura dos diversos clãs ciganos no Studio Daiane Marques. 
Como é a sua preparação (física, alimentação, cuidados estéticos) para a dança? A dança cigana requer um bom preparo físico. No meu caso, faço flamenco e tribal fusion uma vez por semana e mantenho uma alimentação saudável (não como carne, doces e frituras). 
Ainda existe preconceito com quem se dedica à arte de dançar, ou isso é coisa do passado? Não digo preconceito, mas sim uma falta de valorização, pois nós profissionais da dança gastamos com cursos, especializações, figurinos, ensaios e não temos a devida valorização, como em outras profissões. 
Geralmente onde são suas apresentações? Já se apresentou em que cidades da região? Dançou em outros estados? Países? 
Geralmente minhas apresentações de dança são em festas, eventos ou mostras de dança. Já dancei em São Paulo, em quase todo o Rio de Janeiro e Niterói. Na região, já dancei em Vassouras, Barra do Piraí, Pinheiral, Barra Mansa e Angra dos Reis. 
Você procura estar sempre se atualizando? Onde busca essas atualizações? Quais dançarinos influenciaram no seu processo criativo? Sempre estou me atualizando, pois a dança é mutável e as novas gerações reinventam a dança. Minhas especializações são, na maioria das vezes, com ciganas de vários clãs ou centros onde trabalham a cultura cigana, como o Centro de Danças Étnicas Al-Dabarãn e o Leshjae. Tenho algumas bailarinas no Brasil que admiro e com quem já estudei e trabalhei, como Anne Kellen (dança cigana russa), Wlavira TurczineK (dança cigana), Clara Sussekind - que ainda reside na Turquia (dança cigana turca), Safira - São Paulo (dança cigana banjari, kalbelia e romena). Também admiro o trabalho da bailarina Simona Jovic - República Tcheca. 
Em sua trajetória, quais os trabalhos você destaca, aqueles que foram mais gratificantes e prazerosos? Todos os trabalhos são prazerosos, a dança é o alimento da minha alma, mas destaco o trabalho que faço nas praças de Volta Redonda e no Zoológico Municipal, dar aula de dança cigana ao ar livre gratuitamente para a população que não conhece a cultura é muito gratificante.
Gostou da participação na "Quinta Cult"? Acha uma boa ideia as boates abrirem espaço para os dançarinos em suas festas semanais, como fazem com os cantores e bandas? Adorei, amei dançar na "Quinta Cult"! É uma excelente ideia, valoriza os artistas da região, dando oportunidade para a divulgação de seus trabalhos. 
A dança cigana tem uma função que vai além da artística em sua vida?  Eu e a dança somos um único ser, é missão terrena! Quando danço me liberto das amarras terrenas e fico livre para criar. A cultura cigana está em meu sangue, dançando eu honro meus ancestrais. 
Projetos. O que vem por aí? Sim tenho alguns projetos, que, por enquanto, não posso falar. O que posso adiantar é que todos envolvem uma melhor divulgação da cultura e danças ciganas, e com isso diminuir cada vez mais a visão deturpada que as pessoas têm em relação aos ciganos. 
Alessandra Tubbs - Contatos profissionais: (24) 9-9232-7623, blogFacebook, e-mail:(companhiaalandalus@gmail.com). Aulas: Studio Daiane Marques, Rua 558, nº 70, sala 105, Aterrado (prédio em cima do restaurante Spoleto).

FONTE: 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

SOBRE O TRIBAL BRASIL por Kilma Farias

Tribal Brasil - Minhas impressões e expressões por Kilma Farias



Quando me encantei pelo Tribal em 2003 e decidi que iria estudá-lo esbarrei no meu primeiro obstáculo: a inexistência de professores no estilo. 

Até então só havia um grupo em todo o Brasil chamado Cia Halim, na época, dirigido pela Shaide e Fernando Reis, e sediado em São Paulo capital. O grupo experimentava a fusão do vocabulário indiano e flamenco com a dança do ventre, trazendo uma semelhança de vestuário com o ATS, porém mantendo características mais particulares. Falava-se em Tribal Brasileiro, devido às adaptações que o estilo trazia do que chamamos Tribal Americano (American Tribal Style). 

Em 2005 convidei a Shaide e o Fernando a ministrarem workshop em minha cidade, João Pessoa, e isso atraiu praticantes autodidatas e curiosos de todas as áreas de dança do Nordeste. No workshop, os professores frisaram a importância de se estudar o flamenco e a dança indiana, além da dança do ventre, por serem esses os pilares do Estilo Tribal Americano, uma vez que não tínhamos no Brasil professores de ATS. Eles também abordaram o assunto do Tribal estar focado nas danças étnicas e que um estudo das danças brasileiras cairia bem ao estilo. Isso acendeu uma luz na minha caminhada.

Em 2003 eu estudava Dança do Ventre com uma professora, chamada Ismália Sales, que nos trazia movimentos das Danças dos Orixás e chegamos até a montar um espetáculo fusionando movimentos da dança de Iansã, Iemanjá, Oxum aos nossos conhecidos movimentos orientais. 

O estilo era chamado por ela de Dança do Ventre Experimental, mas para mim ainda faltava algo que fizesse a liga, que unisse as duas formas de expressão Afro-Ventre em algo com uma só leitura, e que ao mesmo tempo trouxesse uma linguagem múltipla.

Iniciei uma pesquisa comparativa de ritmos e danças Orientais e Ocidentais, juntamente com os músico Magno Job e Victor Ramalho, observando a cadência, tempos, acentuações de diversos ritmos. Estudei as danças brasileiras em foco comparativo e extraí pontos convergentes entre as nossas danças e as danças do Oriente Médio. Dessa pesquisa, resultou meu livro Dança do Ventre, Da Energia ao Movimento, publicada pela Editora Universitária da Paraíba em 2004. No livro em questão, descrevi a trajetória de cerca de 200 movimentos com algumas ilustrações no intuito de que eu pudesse ir comparando depois com as danças afro-brasileiras e populares. A edição desse livro está esgotada desde 2007

Nesse processo, conheci o músico João Cassiano que passou a fazer parceria nessa pesquisa e juntos estabelecemos as correlações entre, por exemplo, Malfuf e Coco de Embolada, Soudi e Baião, Karatchi e Ijexá, Bambi e Samba Reggae. Surgiu como resultado dessa busca o termo Tribal Brasil para denominar os movimentos que eu passava a fusionar. 

Aulas de Afro tornaram-se necessárias e a professora Luiza Regina se agregou ao projeto. Os encontros aconteciam aos sábados durante os ensaios da Lunay, grupo que fundei em 2003 e que desde sua fundação abordou a Dança do Ventre em um caráter regional, utilizando músicas nordestinas em seu repertório, buscando uma maior identidade com nosso público e entendendo a semelhança cultural devido às heranças do Oriente deixadas aqui por nossos colonizadores.

Por estarmos tão envolvidos pela pesquisa rítmica, sentimos a necessidade de estruturarmos o primeiro espetáculo de Tribal Brasil da Lunay com música ao vivo. Chamou-se De Corpo e Alma, sendo a música a alma condutora de toda a movimentação. Para tanto, o grupo passou a ter aulas de percussão com João Cassiano e  Veronica Alves, que também passou a integrar o corpo de dança da Lunay na época. Além de termos Roberto Sansão também integrando como músico. Em 2006 pudemos apresentar nosso primeiro resultado desses estudos, ainda com forte peso do ATS/ITS, trabalhando com base no improviso dirigido através de sinais sonoros e gestuais, com uma música totalmente orgânica que em momentos era pré-estabelecida, em outros, totalmente improvisada.

O resultado foi muito bem aceito na época e logo os primeiros admiradores do estilo começaram a surgir, querendo saber do que se tratava, de como também poderiam trabalhar de modo semelhante. Assim, os primeiros convites para workshops começaram a surgir e, em 2006, fui convidada a levar o Tribal Brasil para a Argentina, através de Rita Andriossi. Lá, ministrei duas aulas para professores que até então haviam ouvido falar muito pouco do Tribal. Conheci Osvaldo Brandan, grande maestro da musicalidade Árabe, no qual pude falar sobre a pesquisa comparativa que realizava e através dele consegui muito mais embasamento para o que buscava estruturar. Retornei ao Brasil após um mês, com muitas respostas sobre o que estava buscando e definitivamente decidi estruturar o Tribal Brasil e ser uma divulgadora do estilo.

Em 2007 outros músicos se somaram ao projeto, Victor Alfonso e Mariana. Na época, o Magno estava de mudança para Natal por ter entrado para a Orquestra Sinfônica dessa cidade e tivemos de fazer diversas adaptações. Nessa experimentação, montamos novo espetáculo Ventre e Tribal como resultado da comparação dos ritmos Orientais e Ocidentais. A partir de então começamos a perceber que nosso repertório de movimentos começava a ficar escasso, acabávamos nos repetindo. Algumas dessas repetições foram batizadas com nomes de movimentos que usamos até hoje na Lunay e as utilizamos principalmente para improvisos, algo na linha Combo Based, combos já pré-estabelecidos que podemos utilizar em ritmos 4/4, por exemplo.

Mas esse repetir-se gerava uma angústia, uma vontade de fazer diferente. E dessa necessidade surgiu o Cultura em Movimento, em 2008. Esse projeto visa trazer diversas Danças Étnicas ao nosso repertório. De dois em dois meses convidamos um professor de uma modalidade diferente para nos trazer algo novo e assim já pudemos estudar Popping, Odissi, Flamenco, Cavalo Marinho, Afro, Cigana, Havaiana, Coco de Roda e de Umbigada, Kuduro, Capoeira, Maracatu, Frevo, Tango e tantas outras danças que nos servem de base até hoje. Entendendo, construindo e desconstruindo para surgir o novo; esse é meu pensamento primordial. Como ser tão natural dançando? Teríamos de trazer para nossa cena as danças que fizeram e fazem parte da nossa construção cultural, que estão no nosso padrão físico e colorem nosso imaginário. E trouxemos!

Em 2008 montamos Troupiniquim, e por hora me satisfiz com a linguagem estabelecida. Brasilidade na música, no corpo, no figurino e na cenografia: xita, céu azul, xilogravura, coco, maracatu, frevo, pífano, zabumba, cestos de vime, luz de candeeiro, aromas de cravo e canela e a naturalidade bela da mulher nordestina que encanta só de se ver passar. Tudo isso fusionado com o chamado estilo Tribal. Esse experimento nos rendeu o primeiro lugar em Dança na Mostra Estadual de Teatro e Dança da PB, e representamos nosso Estado no Fenart. Nessa época eu já ministrava workshops no estilo em todo o Brasil, despertando a curiosidade em unir a admiração pelo que vem de fora, como por exemplo o Tribal Fusion, com o que está tão perto de nós como as danças afro brasileiras e populares.

A falta de professores regulares de Tribal sempre me angustiou e, na falta, passei a fazer aulas regulares de Flamenco com Beatriz Betcher, de Dança de Rua com Vant Vaz e Percussão com Eli Porto. Processar o conhecimento e adequar à minha forma de pensar a arte se tornou meu prazer predileto. Aos poucos fui percebendo que essa ausência de professor regular de Tribal me fez criar e gerar um estilo totalmente novo, com uma abordagem única, unindo a corporeidade de diversas danças com o ATS/ITS e o Tribal Fusion, mas de um modo autêntico. 

Em 2010 tive a oportunidade de gravar um DVD de vídeo aula de Tribal Fusion e Brasil, pois nesse ano eu já não conseguia dar vazão aos convites para ministrar aulas em outros estados. O vídeo me pareceu uma excelente opção. Convidei o DJ Chico Correa e o músico João Cassiano para integrarem o projeto e tivemos um excelente resultado. O DVD esgotou no mesmo ano e novos horizontes foram surgindo. Até que recebi o convite para ministrar workshops de Tribal Brasil na Flórida, no Spirit of The Tribes, evento produzido por Maja Nile e que, no ano em questão, comemorava os 10 anos de existência do estilo Tribal Fusion no mundo. 

A receptividade no evento foi acima do que eu esperava. Tive entrevista de página dupla na revista Yallah Magazine, contei com a participação de Anasma em minha aula, que se apaixonou pelo estilo, recebi os comentários mais carinhosos da Ariellah Aflalo ainda nas coxias assim que saí do palco, o que, para mim, foi uma das maiores recompensas do meu trabalho. 

Admiro demais a Ariellah e estudei muito sua dança, minha eterna inspiração... e de repente ela estava ali me dizendo que tinha viajado na minha dança, no meu estilo, que era forte e original, que eu era uma grande dançarina... eu não queria mais nada. 

Pra mim já estava perfeito. Até que apareceu ainda John Compton elogiando o Tribal Brasil, minha performance em cena, e daí não aguentei de emoção. O Hahbi'ru foi o primeiro grupo de Tribal que assisti na vida, e creio que no mínimo umas 80 vezes assisti o mesmo DVD que guardo carinhosamente até hoje. Ganhei suas aulas gratuitamente e lá estava eu, estudando, trocando informação com meus mestres que pareciam tão distantes, querendo me ouvir falar das Danças do Brasil, das semelhanças e diferenças. 

Inesquecível. Mas para completar ainda fui convidada a dar entrevista para uma TV local, para ser jurada da mostra competitiva de Tribal e para improvisar ao som da banda californiana Danyavaad. O público recebeu com muito entusiasmo, ministrei duas aulas de Tribal Brasil, uma delas com percussão ao vivo, abordando a pesquisa comparativa de ritmos e suas possíveis utilizações no Tribal.

Hoje, a informação nos chega com maior facilidade, assim como a produção de workshops com bailarinas internacionais acontecem com maior intensidade, chegando muitas vezes a ser difícil de escolher com quem estudar. Já trouxe, em parceria com a BeleFusco, a Sharon Kihara (US) para João Pessoa, onde a mesma ministrou 10 horas de aula; e já pude participar de diversos eventos estudando com nomes como Mira Betz, Ariellah, Mardi Love, Tjarda, Unmata, John Compton, Moria, Kami, Anasma, Lady Fred, Dalia Carella, Megha Gavin, Jill Parker, entre outros. E isso só nos dá mais base para podermos construir e desconstruir com mais propriedade, com segurança do que deve ser adaptado ou não, até onde podemos ter a licença poética para recriarmos, reescrevermos deixando nossa marca.

O Tribal Brasil prosperou tanto que diversos grupos e solistas passaram a experimentar o estilo, dentro e fora do Brasil, acrescentando suas personalidades e agregando valores diversos. Dessa observação, surgiu o projeto Caravana Tribal Nordeste, idealizado por mim e Bela Saffe e que hoje se encontra no seu terceiro ano de execução. Em 2010 e 2011 contemplou os estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. Trazendo inclusive nomes internacionais como Sharon Kihara, Mira Betz e este ano Emine Di Cosmo em João Pessoa e Anasma em Salvador. A Caravana é uma forte divulgadora e fomentadora do estilo Tribal Brasil, pelas oficinas que proporciona de danças populares e afro-brasileiras, assim como a mostra de dança com as produções desenvolvidas. Paralelamente a Lunay continuou a desenvolver o estilo através da montagem de mais dois espetáculos, Caravana e Tribal Brasil, sendo contemplada com os mesmos nos Editais da Prefeitura Municipal de João Pessoa e Governo do Estado da Paraíba em projetos como Circuito Cultural das Praças, Festival de Artes de Areia, Fundo Municipal de Cultura.

Em LimaPeru, o Tribal Brasil abriu uma nova possibilidade criativa – fez com que as bailarinas de lá se animassem a desenvolver o estilo Tribal Peru. E me senti honrada em fomentar esse desejo e orientar como que elas poderiam aprofundar esse estudo. O Tribal Brasil serviu realmente de ponto de partida, de diretriz para que elas desenvolvessem lá algo com a identidade delas. Auxiliei na primeira composição coreográfica de Tribal Perú, na Escuela Luna Dance, onde as bailarinas foram me mostrando movimentos de danças peruanas, assim como músicas, e juntas, fomos esboçando o que poderiam adaptar até elas entenderem como realizo isso com o Tribal Brasil.

As inquietações são sempre presentes, creio que um estilo nunca se apresente como pronto, pois assim sendo penso que ele já nasceu morto. A vida exige evolução, transformação sempre. E acreditando assim, convidei Guilherme Schulze, professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba e Doutor em Estudos da Dança pela Universidade de SurreyInglaterra para desenvolver um trabalho junto à Lunay. Bailarino e coreógrafo, Guilherme trabalha, entre outros métodos, com Laban, compreendendo o movimento através de seus quatro fatores - força, tempo, espaço e fluência. Sua aplicação aos processos coreográficos que vem sendo desenvolvidos pela Lunay tem como objetivo contribuir para a ampliação dos horizontes criativos e, consequentemente, das possibilidades expressivas do estilo Tribal Brasil. Já estamos em parceria desde janeiro desse ano e os primeiros resultados já começam a aparecer, caminhando para um fazer Tribal mais significativo e com maior naturalidade e propriedade do movimento. 

Vivo o Tribal Brasil em total comunhão com minha vida pessoal. Não sei dizer onde um começa e o outro termina porque para mim é comum ver dança em tudo que faço, de uma roupa que lavo no tanque a um giro a pé pela cidade, subindo uma ladeira do Centro Histórico ou estudando uma sequencia de movimento para ser apresentada no palco. É tudo dança, mesmo que não tenha intenção de ser. Sou uma eterna curiosa do movimento, das sensações que ele nos pode trazer, das sensações que motivam o movimento e ainda das impressões e sensações que causam a quem vê. O Tribal Brasil que desenvolvo segue uma estrutura, uma linha de movimento que abrange o vocabulário do ATS/ITS, do Tribal Fusion, das danças do Oriente Médio, Flamenco, Indiana, Afro-brasileiras e Populares, Popping e Contemporânea

Para ser Tribal Brasil precisa ter essa “liga” esse “amálgama” com o que é nosso e isso deve perpassar pela dança, musicalidade e figurino. Não se trata de ufanismo, xenofobia, bairrismo ou simples aversão ao que vem de fora. Pelo contrário. Queremos incluir, somar, agregar. Os movimentos por nós estruturados também trazem os traços dessa união na nomenclatura como, por exemplo, Samba Fusion, Maraca’turn, Iemanjá walk, Forró Shimmie, Frevo Jump #1, Frevo Jump #2.

sábado, 6 de junho de 2015

FLAMENCO - RITMOS

Ritmos - O Flamenco é composto de muitos "bailes" distintos, cada um dos quais com características e intenções próprias. Estes diferentes bailes foram surgindo através da contribuição das diversas cidades e regiões andaluzas e incorporando os elementos de diversas culturas que habitaram a Península Ibérica durante séculos, além das influências trazidas pelos espanhóis do continente americano. 

Soleá - ritmo-mãe do flamenco. A palavra Soleá é uma abreviatura cigana para Soledad - solidão. Seus acordes melancólicos traduzem o lamento, a dor da perda.

Alegría - tem o ritmo idêntico ao do soleá, porém mais vibrante, alegre de acordes animados.

Bulería - ritmo que possui variantes na dança. Transformam espontaneamente o ritmo festivo do Flamenco em paixão, hipnotizando a platéia. A palavra Bulería, vem de burlar, enganar.

Sevillanas - As populares sevillanas andaluzas têm um ritmo contagiante e alegre. São geralmente dançadas em duplas de homens, mulheres e crianças. Desdobram-se em quatro partes, quando acontecem as mudanças dos pares.

Farruca - A sóbria e viril farruca é comumente dançada por homens. Mas hoje em dia, as melhores bailarinas flamencas também exibem a destreza de seus passos na farruca, como a famosa Sara Baras. O próprio nome farruca significa valente.

Mallaguenha - A província de Mallaga desenvolveu seu próprio ritmo flamenco e criaram seu próprio canto apropriado a um estado de espírito cujas letras acompanham as mais profundas emoções humanas. 

Seguiriyas - Ritmo de grande descarga emocional, é o mais cigano do flamenco. Seus acordes e sapateados soam como desabafos e reclamações pelo amor perdido, pela falta de liberdade, pelo ódio ou revolta, exigindo do bailarino e do guitarrista muita vibração emocional.



TEXTO DO SITE CENTRO DE ARTE FLAMENCA

Esta seção busca comentar pouco a pouco cada um destes ritmos ou "bailes", sem uma preocupação didática, mas sim querendo compartilhar idéias e sentimentos sobre cada um deles. 

SEVILLANAS - As Sevillanas correspondem, como diz o nome, a um ritmo originário de Sevilha, extremamente popular em toda Andaluzia, sendo derivado das antigas "Seguidillas Manchegas de Castilla", aclimatadas à região de Sevilha. Suas formas "bailáveis", que incluem Sevillanas "Boleras", "Corraleras", "Rocieras", entre outras, constituem um dos fenômenos de maior popularização de todo o cante andaluz.

As Sevillanas são muito vivas e tão populares que sofrem constantemente adaptações para novos estilos - que diferem não só pela letra, mas também pela acentuação, linha melódica e harmônica. Ainda que possa ter uma interpretação flamenca, tanto no cante como no acompanhamento musical, a Sevillana não constitui propriamente um ritmo flamenco, sendo principalmente um ritmo folclórico e popular da Andaluzia, que alimenta eventos populares como a famosa "Feria de Abril". TEXTO COMPLETO AQUI - http://www.centrodearteflamenca.com.br/ritmos.html
GUAJIRAS - A Guajira flamenca pertence a um conjunto de ritmos denominados genericamente como "Cantes de Ida y Vuelta", que agrupam ritmos que se "aflamencaram" a partir de gêneros hispano-americanos. Entretanto, não devemos nos enganar com esta classificação genérica, pois a influência da América (e em particular de Cuba) na música flamenca é bastante notável para querermos reduzi-la aos denominados "Cantes de Ida y Vuelta". Como já comentamos anteriormente quando falamos dos Tangos Flamencos, muitos outros ritmos poderiam ser considerados como 'de ida e volta".

As Guajiras se originaram a partir de um gênero cubano denominado "punto", ou "Punto de La Habana", como era chamada na Espanha. O "aflamencamento" desses elementos cubanos acabaram por cristalizar, a meados do século XIX, num tipo de composição musical que se passou a chamar de Guajira. O primeiro registro de uma possível versão flamenca que se tem data de 1860 quando se apresenta num teatro de Jerez a canção "Guajira". O gênero gozou de grande popularidade a partir do fim do século XIX, entrando numa certa decadência a partir da segunda metade do século XX. Ainda assim foi incluída no repertório dos principais guitarristas no século XX com Miguel Borrul e Ramón Montoya e na década de 30 o cantaor Pepe Marchena evoluiu a Guajira até chegar a um cante mais flamenco, não apropriado para baile.


Atualmente são conhecidas mais de 30 tipos de interpretações diferentes de Guajiras. A Guajira flamenca é cantada numa "décima", 'copla" de dez versos de oito sílabas e a temática das suas letras está freqüentemente relacionada a qualquer tema relacionado com Cuba. Com relação ou ritmo, as Guajiras usam combinações de compassos 6/8 ou 3/4 semelhante a Alegrias ou Cantinhas. 
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TANGOS - Os Tangos, como hoje são conhecidos no Flamenco, se originaram do chamado “tango americano" ritmo originário em Cuba com forte influência dos ritmos africanos e que chega aos portos da andaluzia no meio do século XIX. Do ritmo americano original se originaram os tangos de Cadiz (depois Tanguillos) e os tangos americanos que incorporaram elementos flamencos e deram origem aos Tangos flamencos, como hoje os conhecemos.

Na época da chegada do tango americano à andaluzia, muitos elementos musicais do flamenco se encontravam em estado de cristalização e os intérpretes tiveram neste ritmo uma forma interessante de representar elementos flamencos sobre compassos binários, numa divisão de dois ou quatro tempos, que representava uma novidade com relação aos demais ritmos que utilizavam predominantemente compassos de doze ou três tempos. Desta forma, o Tango Flamenco propriamente dito surgiu na virada do século como o resultado de se adaptar alguns elementos de “jaleos" andaluzes de compasso ternário, e introduzi-los ao compasso quaternário do tango americano.

O Tangos constituem um ritmo bastante rico e versátil, existindo muitas variações em suas interpretações nas diversas regiões por toda andaluzia. Como regra comum o compasso quaternário bem marcado o cante usualmente alegre e festeiro. 
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FARRUCA - Como os Tangos, os Tientos e o Garrotin, a Farruca também pertence à família de ritmos originados do tango americano, que durante o século XIX trouxe à andaluzia a influência africana dos compassos binários e quaternários. O nome Farruca, segundo alguns autores, procede do termo "farruco" como são chamados na andaluzia e em Cuba aos galegos e aos asturianos recém saídos da sua terra. Entretanto, os elementos musicais que constituem a Farruca pertencem na sua maioria ao grupo de ritmos dos tangos. Considerando, porém, as relações entre este ritmo e a Galícia, inclusive em algumas "coplas" em que se faz alusão a esta terra, não podemos deixar de considerar a Farruca como um ritmo flamenco um pouco "agalegado".

Deixando a história de lado, a Farruca se caracteriza por um ritmo construído sobre um compasso quaternário ou binário, com sua harmonia construída sobre tonalidade menor. O acompanhamento da guitarra é entrecortado ao estilo do tango argentino ou do pasodoble espanhol.

Dentre as várias manifestações do flamenco a Farruca se destaca como baile e como solo de guitarra. No baile se destaca o sapateado com uma grande profusão de contratempos e figuras rítmicas de grande virtuosismo que convertem este gênero em prova definitiva para muitos bailaores.

A Farruca apresenta múltiplas facetas: é um baile predominantemente para homens, tendo sido imortalizada por bailaores como Antonio Gades (http://www.youtube.com/watch?v=8_sWifNf_1s), entretanto vem ganhando força entre as mulheres como pode ser constatado no repertório de bailaoras como Sara Baras (http://www.youtube.com/watch?v=y5triYK92IA). 
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ALEGRIAS - As Alegrias pertencem à família das “Cantiñas" nome genérico com o qual se denomina um grupo de gêneros do Flamenco originários da província de Cádiz. 

Se diz que as Alegrias são o gênero flamenco que mais fortemente define a forma de sentir da província de Cadiz. Como diz seu nome, elas constituem um cante alegre e forte, tendo representado durante o século XIX a função de cante de festa, que seria durante o século XX ocupado pelos Tangos e, principalmente, pelas Bulerias.

Ainda que sendo um cante de festa, uma exteriorização da alegria interior de maneira profunda e completa, as Alegrias apresentam em si um elemento mais profundo, oculto entre seus compassos mas claramente perceptível nas interpretações dos grandes cantaores. Este toque de sofrimento e tristeza, jogado a segundo plano pela explosão da alma que se recusa a ser triste poderia ser definido como a alegria de quem conhece a dor, por isto mesmo muito mais forte e profunda. 
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TANGUILLOS - Os Tanguillos na sua concepção mais tradicional se destacaram inicialmente como sendo um dos diferentes estilos musicais usados pelos “gaditanos" (como se denomina aos que nascem em Cádiz) para expressar seus versos de carnaval. As melodias carnavalescas de Cadiz executadas no mais puro ambiente flamenco provocaram a cristalização do Tanguillo tradicional como gênero musical.

Sobre sua origem musical, podemos dizer que o Tanguillo, também chamado por alguns “Tango de Cadiz" pertence à mesma raiz dos Tangos Flamencos, dos Tientos e de outros ritmos semelhantes, todos eles derivados do tango andaluz primitivo ou “tango americano" cuja origem remonta à Cuba e que aportou na andalucia no século XIX. 
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