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sábado, 14 de novembro de 2015

FILMES - O Último Dançarino de Mao


Aos 11 anos, Li Cunxin foi tirado de uma pobre aldeia chinesa para estudar balé na escola de dança de Madame Mao, em Pequim. Em 1979, ele consegue entrar para a Companhia Houston Ballet durante um intercâmbio cultural no Texas, onde começa uma vida nova e livre. Os oficiais chineses tentam levá-lo de volta à China, mas manobras legais e o casamento com uma bailarina americana conseguem mantê-lo nos EUA. Para lutar pelos seus sonhos, porém, ele terá de abandonar para sempre sua família. 

Baseado na autobiografia* do bailarino chinês Li Cunxin,
*CUNXIN, Li. Adeus, China. Paraná: Fundamento, 2007. 400 p.

sábado, 15 de agosto de 2015

PILARES DO TRIBAL - RACHEL BRICE

Rachel Brice - A maioria das pessoas concorda que a garota-propaganda de Tribal Fusion é Rachel Brice no entanto, ela mesma escreve: "Os verdadeiro heróis da dança, criaram e alimentaram minha linhagem de dançal: Jamila Salimpour que ensinou John Compton e Masha Archer, que ensinou Carolena Nericcio , que ensinou Jill Parker, que ensinou Heather Stants, que ensinou Mardi Love, que tudo me ensinou." 

Rachel Brice é realmente um assombro como dançarina. Ela encanta ao mesmo tempo em que choca com seus movimentos sinuosos e a sua postura provocante, no estilo que hoje é conhecido como dança tribal. Rachel iniciou seus estudos em dança do ventre e yoga aos 17 anos. Em 1996, ela começou a dar aulas de Yoga, no mesmo ano ela se certificou em massoterapia. Seu encantamento com a dança do ventre veio assistindo ao grupo de dança Hahbi'Ru e a dançarina Suhaila Salimpour. Entretanto, Rachel abandonou poucos anos depois a dança, para se dedicar à Massoterapia e à Yoga.

Quatro anos após sua saída, ela descobriu uma comunidade artística perto de sua casa, em Santa Cruz, na Califórnia, que acabou a influenciando a voltar a dançar. Seu interesse foi tão fortemente renovado, que ela entrou para o curso de Etnologia na Dança na Universidade de São Francisco, onde ela pode ter contato com a própria Suhaila Salimpour. Durante este período em São Francisco, Rachel Brice ministrou aulas de Yoga e dança do ventre para os estúdios da Pixar, a 7th Heaven Yoga e estudou no grupo Fat Chance Belly Dance.

Atualmente, Rachel Brice está concluindo o bacharelado em Etnologia na Dança por esta universidade, onde ela teve acesso a diversas influências como o Kathak (Dança clássica do norte da Índia), Flamenco, Dança Afro-haitiana, as técnicas de Dunham, dança moderna e coreografia. Ela também está em turnê com os membros do grupo Indigoe do Bellydance Superstars, além de ministrar aulas de yoga em São Francisco.






Nascida em São Francisco, Califórnia, no início dos anos 70, Rachel Brice é hoje talvez a mais conhecida dançarina de dança do ventre em todo o mundo. Mas sua formação principal vem da yoga, prática que estudou e lecionou enquanto, paralelamente, trabalhava como quiropata. Sua aproximação com a dança oriental se deu em 1998 quando assistiu a um grupo que se apresentou na Califórnia. A partir daí, começou a aprender alguns passos por conta própria assistindo vídeos da mítica bailarina Suhaila Salimpour. Filmava-se para saber dos andamentos da experiência. Chegou ainda a ingressar num programa universitário de Dança Étnica e, em seguida, foi tomar aulas. Mas os acasos a levaram a prosseguir com a carreira terapêutica, o que a afastou de seu incipiente talento por quatro anos. Brice foi descoberta em 2003 pelo polêmico empresário Miles Copeland - este constantemente acusado de ter transformado sua companhia de dança do ventre num negócio dos mais lucrativos, todo moldado como uma Las Vegas itinerante que conta até mesmo com seu próprio DVD de reality show. Ela passaria a integrar a mega companhia Belly Dance Superstars de Copeland e, no mesmo ano, monta sua própria companhia, a Indigo Belly Dance Company - que teve seu primeiro show de longa duração, a tournée Le Serpent Rouge, produzido em 2007, sob a batuta do mesmo empresário. Através de seus precisos movimentos de serpente, Rachel Brice faz emergir uma atmosfera misteriosa onde a mulher está representada hermética, mergulhada em segredos próprios que certamente dizem respeito a um poder dominador e ele é revelado aos poucos numa sedução de força, ritmo e elasticidade. São segredos que a vida cotidiana quase faz esquecer, mas que estão lá resguardados na imemória das mulheres de todas as culturas.

Texto completo - AQUI - escrito por Priscilla Santos.


- Jamila Salimpour - BAL ANAT
- John Compton - HABI'RU 
- Masha Archer - SAN FRANCISCO DANCE TROUPE
- Carolena Nericcio - FAT CHANCE BELLYDANCE
- Jill Parker - ULTRAGYPSY
- Heather Stants - URBAN TRIBAL DANCE COMPANY
- Mardi Love - THE INDIGO










"Nossos folhetos informavam ao público que nós vínhamos de muitas tribos. Talvez fosse essa a expressão da origem “dança tribal”." Jamila Salimpour


"Most people can agree that the poster girl of Tribal Fusion Belly Dance is Rachel Brice. Yet she herself writes, 'The real dance heroes that created and fed my personal dance lineage: Jamila Salimpour taught John Compton and Masha Archer, who taught Carolena Nericcio, who taught Jill Parker, who taught Heather Stants, who taught Mardi Love, who all taught me.' (http://en.wikipedia.org/wiki/Tribal_Fusion)


Mais fotos no nosso ALBUM COMPLETO - AQUI

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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

BIOGRAFIA - RACHEL BRICE NO BRASIL

** ESTAMOS REPOSTANDO OS ARTIGOS ESCRITOS EM MARÇO DE 2014, QUANDO RACHEL BRICE ESTEVE NO BRASIL, DURANTE O SHAMAM´S FEST. **

"Há um tempo atrás li um artigo escrito pela Rachel Brice. Devo dizer que uma das características que mais me marcam nessa bailarina é a humildade. Rachel nos deixa um claro exemplo de como não é preciso passar encima de ninguém, nem se dar os créditos por algo, para se transformar em uma inspiração. Grande professora, mestra e ser humano.


O Tribal Fusion Belly Dance (ou Oriental Amargo, como eu tenho gostado de chamá-lo), é uma elétrica forma de dança que inclui uma multidão de influências, Dança do Ventre, Flamenco, Hip Hop, Jazz, Clássica e outras formas podem ser incluídas no vocabulário estilístico. Cada grupo, até cada bailarina é uma expressão única do estilo. A essa altura não existe um vocabulário base, mas eu penso que é seguro dizer que toda dançarina de tribal é influenciada pelos vocabulários combinados de Carolena Nericcio e o Fat Chance Belly Dance, os criadores do American Tribal Style (ATS), e Jamila Salimpour (professora da professora da Carolena), mesmo sabendo disso ou não.



O estilo é erroneamente creditado à vocês através de Rachel Brice, quem apenas popularizou a versão através dos anos pelas intensas turnês com o Bellydance Superstars e o coletivo, The Indigo Belly Dance. Os verdadeiros dançarinos heróis que criaram e alimentaram minha linhagem pessoal na dança: Jamilia Salimpour ensinou John Compton e Masha Archer, que ensinou Carolena Nericcio, que ensinou Jill Parker, que ensinou Heather Stants, que ensinou Mardi Love que me ensinou. Também fundamental ao estilo esta Suhaila Salimpour, filha da Jamila Salimpour, quem construíram a aproximação à Dança do Ventre, responsável pela técnica da maior parte das dançarinas de Tribal.



Existem poucas regras no Tribal Fusion, mas na minha humilde opinião a que é constante é que a bailarina ou grupo é experimentado em ATS como ensinou Carolena Nericcio. Sua aproximação estilística ao vocabulário existente, a aproximação ao figurino teatral, e a incrível invenção da improvisação em grupo, já permitido infinitas variações onde todas têm alguma coisa em comum: uma poderosa apresentação. A força que o ATS comunica através da postura, braços e figurinos foi uma revelação para mim como feminista. Sem o Fat Chance, eu honestamente poderia dizer que não estaria dançando nos dias de hoje.


Há uma lista enorme de outros artistas: figurinistas, musicistas, atores, fotógrafos, etc. que hão influenciado o estilo, e eu procuro incluir a maior parte deles. Se eu posso tomar crédito por alguma coisa seria por amor ao ensino e ao aprendizado, e obsessão com colagges. Heather Stants credita a mim como a “mãe adotiva” da forma, na qual, adotada por milhares, continua a crescer e a mudar, e cada ano traz um novo nível de criatividade, excitação e beleza a nossa comunidade.

Einstein brincou dizendo: “O segredo da criatividade é saber como esconder suas fontes.”. Bem, ainda, pra mim, o segredo da criatividade e de um coração feliz pode ser encontrada no trabalho duro, descobrindo novos artistas, dando crédito a suas fontes de inspiração, cultivando curiosidade, e um entusiasmo contagioso. Rachel Brice



MAIS FOTOS: Siga o painel THE INDIGO de Carine no Pinterest.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

BIOGRAFIA - RACHEL BRICE NO BRASIL

** ESTAMOS REPOSTANDO OS ARTIGOS ESCRITOS EM MARÇO DE 2014, QUANDO RACHEL BRICE ESTEVE NO BRASIL, DURANTE O SHAMAM´S FEST. **

Nascida em São Francisco, Califórnia, no início dos anos 70, Rachel Brice é hoje talvez a mais conhecida dançarina de dança do ventre em todo o mundo. Mas sua formação principal vem da yoga, prática que estudou e lecionou enquanto, paralelamente, trabalhava como quiropata. Sua aproximação com a dança oriental se deu em 1998 quando assistiu a um grupo que se apresentou na Califórnia. A partir daí, começou a aprender alguns passos por conta própria assistindo vídeos da mítica bailarina Suhaila Salimpour. Filmava-se para saber dos andamentos da experiência. Chegou ainda a ingressar num programa universitário de Dança Étnica e, em seguida, foi tomar aulas. Mas os acasos a levaram a prosseguir com a carreira terapêutica, o que a afastou de seu incipiente talento por quatro anos.


Brice foi descoberta em 2003 pelo polêmico empresário Miles Copeland - este constantemente acusado de ter transformado sua companhia de dança do ventre num negócio dos mais lucrativos, todo moldado como uma Las Vegas itinerante que conta até mesmo com seu próprio DVD de reality show. Ela passaria a integrar a mega companhia Belly Dance Superstars de Copeland e, no mesmo ano, monta sua própria companhia, a Indigo Belly Dance Company - que teve seu primeiro show de longa duração, a tournée Le Serpent Rouge, produzido em 2007, sob a batuta do mesmo empresário.



A profusão de adornos que fazem o lóbulo de sua orelha despencar sob o peso de duas imensas argolas já mostram que Rachel Brice em pouco se encaixa no estereótipo da dançarina de saias esvoaçantes e jóias douradas; também quase nunca sorri. Essa espécie de desconstrução é uma marca no estilo da dança tribal, talvez um trânsito para fora dos clichês que consagraram no Ocidente a dança egípcia da qual os árabes se apropriaram ao longo de séculos. As vestes de Rachel e suas parceiras de estilos compõem-se de inúmeras moedas de cor fosca, tecidos amarrados, cabelos dreadlock, flores nos cabelos, ossos trançados com couro... objetos aparentemente improváveis se complementam harmônicos. A tentativa de representação se aproxima da música, é um ajuntamento de elementos que remetem a um passado nômade primitivo onde os enfeites são adaptações de coisas encontradas na natureza e/ou retiradas do contato com outras comunidades mais "avançadas"; é assim no caso das moedas e dos espelhinhos, por exemplo. Enquanto isso, no som, as percussões árabes se tornam elétricas e se fundem com a noise music.


Através de seus precisos movimentos de serpente, Rachel Brice faz emergir uma atmosfera misteriosa onde a mulher está representada hermética, mergulhada em segredos próprios que certamente dizem respeito a um poder dominador e ele é revelado aos poucos numa sedução de força, ritmo e elasticidade. São segredos que a vida cotidiana quase faz esquecer, mas que estão lá resguardados na imemória das mulheres de todas as culturas.
Aqui você assiste ao impressionante vídeo da apresentação de Rachel Brice ao vivo de Paris, na tournée da companhia Belly Dance Superstars em 2005.


Material de junho de 2008 do site Obvious © obvious:

  


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

BIOGRAFIA - RACHEL BRICE

"Rachel Brice é realmente um assombro como dançarina. Ela encanta ao mesmo tempo em que choca com seus movimentos sinuosos e a sua postura provocante, no estilo que hoje é conhecido como dança tribal. Rachel iniciou seus estudos em dança do ventre e yoga aos 17 anos. Em 1996, ela começou a dar aulas de Yoga, no mesmo ano ela se certificou em massoterapia. Seu encantamento com a dança do ventre veio assistindo ao grupo de dança Hahbi'Ru e a dançarina Suhaila Salimpour. Entretanto, Rachel abandonou poucos anos depois a dança, para se dedicar à Massoterapia e à Yoga.


Quatro anos após sua saída, ela descobriu uma comunidade artística perto de sua casa, em Santa Cruz, na Califórnia, que acabou a influenciando a voltar a dançar. Seu interesse foi tão fortemente renovado, que ela entrou para o curso de Etnologia na Dança na Universidade de São Francisco, onde ela pode ter contato com a própria Suhaila Salimpour. Durante este período em São Francisco, Rachel Brice ministrou aulas de Yoga e dança do ventre para os estúdios da Pixar, a 7th Heaven Yoga e estudou no grupo Fat Chance Belly Dance.



Atualmente, Rachel Brice está concluindo o bacharelado em Etnologia na Dança por esta universidade, onde ela teve acesso a diversas influências como o Kathak (Dança clássica do norte da Índia), Flamenco, Dança Afro-haitiana, as técnicas de Dunham, dança moderna e coreografia. Ela também está em turnê com os membros do grupo Indigo e do Bellydance Superstars, além de ministrar aulas de yoga em São Francisco."

  
Texto escrito dia 07 de maio de 2009 no site Dança do Ventre Brasil
Leia mais: http://www.dancadoventrebrasil.com/2009/05/rachel-brice.html#ixzz2ukddL9YO


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segunda-feira, 6 de julho de 2015

SOBRE O TRIBAL BRASIL por Kilma Farias

Tribal Brasil - Minhas impressões e expressões por Kilma Farias



Quando me encantei pelo Tribal em 2003 e decidi que iria estudá-lo esbarrei no meu primeiro obstáculo: a inexistência de professores no estilo. 

Até então só havia um grupo em todo o Brasil chamado Cia Halim, na época, dirigido pela Shaide e Fernando Reis, e sediado em São Paulo capital. O grupo experimentava a fusão do vocabulário indiano e flamenco com a dança do ventre, trazendo uma semelhança de vestuário com o ATS, porém mantendo características mais particulares. Falava-se em Tribal Brasileiro, devido às adaptações que o estilo trazia do que chamamos Tribal Americano (American Tribal Style). 

Em 2005 convidei a Shaide e o Fernando a ministrarem workshop em minha cidade, João Pessoa, e isso atraiu praticantes autodidatas e curiosos de todas as áreas de dança do Nordeste. No workshop, os professores frisaram a importância de se estudar o flamenco e a dança indiana, além da dança do ventre, por serem esses os pilares do Estilo Tribal Americano, uma vez que não tínhamos no Brasil professores de ATS. Eles também abordaram o assunto do Tribal estar focado nas danças étnicas e que um estudo das danças brasileiras cairia bem ao estilo. Isso acendeu uma luz na minha caminhada.

Em 2003 eu estudava Dança do Ventre com uma professora, chamada Ismália Sales, que nos trazia movimentos das Danças dos Orixás e chegamos até a montar um espetáculo fusionando movimentos da dança de Iansã, Iemanjá, Oxum aos nossos conhecidos movimentos orientais. 

O estilo era chamado por ela de Dança do Ventre Experimental, mas para mim ainda faltava algo que fizesse a liga, que unisse as duas formas de expressão Afro-Ventre em algo com uma só leitura, e que ao mesmo tempo trouxesse uma linguagem múltipla.

Iniciei uma pesquisa comparativa de ritmos e danças Orientais e Ocidentais, juntamente com os músico Magno Job e Victor Ramalho, observando a cadência, tempos, acentuações de diversos ritmos. Estudei as danças brasileiras em foco comparativo e extraí pontos convergentes entre as nossas danças e as danças do Oriente Médio. Dessa pesquisa, resultou meu livro Dança do Ventre, Da Energia ao Movimento, publicada pela Editora Universitária da Paraíba em 2004. No livro em questão, descrevi a trajetória de cerca de 200 movimentos com algumas ilustrações no intuito de que eu pudesse ir comparando depois com as danças afro-brasileiras e populares. A edição desse livro está esgotada desde 2007

Nesse processo, conheci o músico João Cassiano que passou a fazer parceria nessa pesquisa e juntos estabelecemos as correlações entre, por exemplo, Malfuf e Coco de Embolada, Soudi e Baião, Karatchi e Ijexá, Bambi e Samba Reggae. Surgiu como resultado dessa busca o termo Tribal Brasil para denominar os movimentos que eu passava a fusionar. 

Aulas de Afro tornaram-se necessárias e a professora Luiza Regina se agregou ao projeto. Os encontros aconteciam aos sábados durante os ensaios da Lunay, grupo que fundei em 2003 e que desde sua fundação abordou a Dança do Ventre em um caráter regional, utilizando músicas nordestinas em seu repertório, buscando uma maior identidade com nosso público e entendendo a semelhança cultural devido às heranças do Oriente deixadas aqui por nossos colonizadores.

Por estarmos tão envolvidos pela pesquisa rítmica, sentimos a necessidade de estruturarmos o primeiro espetáculo de Tribal Brasil da Lunay com música ao vivo. Chamou-se De Corpo e Alma, sendo a música a alma condutora de toda a movimentação. Para tanto, o grupo passou a ter aulas de percussão com João Cassiano e  Veronica Alves, que também passou a integrar o corpo de dança da Lunay na época. Além de termos Roberto Sansão também integrando como músico. Em 2006 pudemos apresentar nosso primeiro resultado desses estudos, ainda com forte peso do ATS/ITS, trabalhando com base no improviso dirigido através de sinais sonoros e gestuais, com uma música totalmente orgânica que em momentos era pré-estabelecida, em outros, totalmente improvisada.

O resultado foi muito bem aceito na época e logo os primeiros admiradores do estilo começaram a surgir, querendo saber do que se tratava, de como também poderiam trabalhar de modo semelhante. Assim, os primeiros convites para workshops começaram a surgir e, em 2006, fui convidada a levar o Tribal Brasil para a Argentina, através de Rita Andriossi. Lá, ministrei duas aulas para professores que até então haviam ouvido falar muito pouco do Tribal. Conheci Osvaldo Brandan, grande maestro da musicalidade Árabe, no qual pude falar sobre a pesquisa comparativa que realizava e através dele consegui muito mais embasamento para o que buscava estruturar. Retornei ao Brasil após um mês, com muitas respostas sobre o que estava buscando e definitivamente decidi estruturar o Tribal Brasil e ser uma divulgadora do estilo.

Em 2007 outros músicos se somaram ao projeto, Victor Alfonso e Mariana. Na época, o Magno estava de mudança para Natal por ter entrado para a Orquestra Sinfônica dessa cidade e tivemos de fazer diversas adaptações. Nessa experimentação, montamos novo espetáculo Ventre e Tribal como resultado da comparação dos ritmos Orientais e Ocidentais. A partir de então começamos a perceber que nosso repertório de movimentos começava a ficar escasso, acabávamos nos repetindo. Algumas dessas repetições foram batizadas com nomes de movimentos que usamos até hoje na Lunay e as utilizamos principalmente para improvisos, algo na linha Combo Based, combos já pré-estabelecidos que podemos utilizar em ritmos 4/4, por exemplo.

Mas esse repetir-se gerava uma angústia, uma vontade de fazer diferente. E dessa necessidade surgiu o Cultura em Movimento, em 2008. Esse projeto visa trazer diversas Danças Étnicas ao nosso repertório. De dois em dois meses convidamos um professor de uma modalidade diferente para nos trazer algo novo e assim já pudemos estudar Popping, Odissi, Flamenco, Cavalo Marinho, Afro, Cigana, Havaiana, Coco de Roda e de Umbigada, Kuduro, Capoeira, Maracatu, Frevo, Tango e tantas outras danças que nos servem de base até hoje. Entendendo, construindo e desconstruindo para surgir o novo; esse é meu pensamento primordial. Como ser tão natural dançando? Teríamos de trazer para nossa cena as danças que fizeram e fazem parte da nossa construção cultural, que estão no nosso padrão físico e colorem nosso imaginário. E trouxemos!

Em 2008 montamos Troupiniquim, e por hora me satisfiz com a linguagem estabelecida. Brasilidade na música, no corpo, no figurino e na cenografia: xita, céu azul, xilogravura, coco, maracatu, frevo, pífano, zabumba, cestos de vime, luz de candeeiro, aromas de cravo e canela e a naturalidade bela da mulher nordestina que encanta só de se ver passar. Tudo isso fusionado com o chamado estilo Tribal. Esse experimento nos rendeu o primeiro lugar em Dança na Mostra Estadual de Teatro e Dança da PB, e representamos nosso Estado no Fenart. Nessa época eu já ministrava workshops no estilo em todo o Brasil, despertando a curiosidade em unir a admiração pelo que vem de fora, como por exemplo o Tribal Fusion, com o que está tão perto de nós como as danças afro brasileiras e populares.

A falta de professores regulares de Tribal sempre me angustiou e, na falta, passei a fazer aulas regulares de Flamenco com Beatriz Betcher, de Dança de Rua com Vant Vaz e Percussão com Eli Porto. Processar o conhecimento e adequar à minha forma de pensar a arte se tornou meu prazer predileto. Aos poucos fui percebendo que essa ausência de professor regular de Tribal me fez criar e gerar um estilo totalmente novo, com uma abordagem única, unindo a corporeidade de diversas danças com o ATS/ITS e o Tribal Fusion, mas de um modo autêntico. 

Em 2010 tive a oportunidade de gravar um DVD de vídeo aula de Tribal Fusion e Brasil, pois nesse ano eu já não conseguia dar vazão aos convites para ministrar aulas em outros estados. O vídeo me pareceu uma excelente opção. Convidei o DJ Chico Correa e o músico João Cassiano para integrarem o projeto e tivemos um excelente resultado. O DVD esgotou no mesmo ano e novos horizontes foram surgindo. Até que recebi o convite para ministrar workshops de Tribal Brasil na Flórida, no Spirit of The Tribes, evento produzido por Maja Nile e que, no ano em questão, comemorava os 10 anos de existência do estilo Tribal Fusion no mundo. 

A receptividade no evento foi acima do que eu esperava. Tive entrevista de página dupla na revista Yallah Magazine, contei com a participação de Anasma em minha aula, que se apaixonou pelo estilo, recebi os comentários mais carinhosos da Ariellah Aflalo ainda nas coxias assim que saí do palco, o que, para mim, foi uma das maiores recompensas do meu trabalho. 

Admiro demais a Ariellah e estudei muito sua dança, minha eterna inspiração... e de repente ela estava ali me dizendo que tinha viajado na minha dança, no meu estilo, que era forte e original, que eu era uma grande dançarina... eu não queria mais nada. 

Pra mim já estava perfeito. Até que apareceu ainda John Compton elogiando o Tribal Brasil, minha performance em cena, e daí não aguentei de emoção. O Hahbi'ru foi o primeiro grupo de Tribal que assisti na vida, e creio que no mínimo umas 80 vezes assisti o mesmo DVD que guardo carinhosamente até hoje. Ganhei suas aulas gratuitamente e lá estava eu, estudando, trocando informação com meus mestres que pareciam tão distantes, querendo me ouvir falar das Danças do Brasil, das semelhanças e diferenças. 

Inesquecível. Mas para completar ainda fui convidada a dar entrevista para uma TV local, para ser jurada da mostra competitiva de Tribal e para improvisar ao som da banda californiana Danyavaad. O público recebeu com muito entusiasmo, ministrei duas aulas de Tribal Brasil, uma delas com percussão ao vivo, abordando a pesquisa comparativa de ritmos e suas possíveis utilizações no Tribal.

Hoje, a informação nos chega com maior facilidade, assim como a produção de workshops com bailarinas internacionais acontecem com maior intensidade, chegando muitas vezes a ser difícil de escolher com quem estudar. Já trouxe, em parceria com a BeleFusco, a Sharon Kihara (US) para João Pessoa, onde a mesma ministrou 10 horas de aula; e já pude participar de diversos eventos estudando com nomes como Mira Betz, Ariellah, Mardi Love, Tjarda, Unmata, John Compton, Moria, Kami, Anasma, Lady Fred, Dalia Carella, Megha Gavin, Jill Parker, entre outros. E isso só nos dá mais base para podermos construir e desconstruir com mais propriedade, com segurança do que deve ser adaptado ou não, até onde podemos ter a licença poética para recriarmos, reescrevermos deixando nossa marca.

O Tribal Brasil prosperou tanto que diversos grupos e solistas passaram a experimentar o estilo, dentro e fora do Brasil, acrescentando suas personalidades e agregando valores diversos. Dessa observação, surgiu o projeto Caravana Tribal Nordeste, idealizado por mim e Bela Saffe e que hoje se encontra no seu terceiro ano de execução. Em 2010 e 2011 contemplou os estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. Trazendo inclusive nomes internacionais como Sharon Kihara, Mira Betz e este ano Emine Di Cosmo em João Pessoa e Anasma em Salvador. A Caravana é uma forte divulgadora e fomentadora do estilo Tribal Brasil, pelas oficinas que proporciona de danças populares e afro-brasileiras, assim como a mostra de dança com as produções desenvolvidas. Paralelamente a Lunay continuou a desenvolver o estilo através da montagem de mais dois espetáculos, Caravana e Tribal Brasil, sendo contemplada com os mesmos nos Editais da Prefeitura Municipal de João Pessoa e Governo do Estado da Paraíba em projetos como Circuito Cultural das Praças, Festival de Artes de Areia, Fundo Municipal de Cultura.

Em LimaPeru, o Tribal Brasil abriu uma nova possibilidade criativa – fez com que as bailarinas de lá se animassem a desenvolver o estilo Tribal Peru. E me senti honrada em fomentar esse desejo e orientar como que elas poderiam aprofundar esse estudo. O Tribal Brasil serviu realmente de ponto de partida, de diretriz para que elas desenvolvessem lá algo com a identidade delas. Auxiliei na primeira composição coreográfica de Tribal Perú, na Escuela Luna Dance, onde as bailarinas foram me mostrando movimentos de danças peruanas, assim como músicas, e juntas, fomos esboçando o que poderiam adaptar até elas entenderem como realizo isso com o Tribal Brasil.

As inquietações são sempre presentes, creio que um estilo nunca se apresente como pronto, pois assim sendo penso que ele já nasceu morto. A vida exige evolução, transformação sempre. E acreditando assim, convidei Guilherme Schulze, professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba e Doutor em Estudos da Dança pela Universidade de SurreyInglaterra para desenvolver um trabalho junto à Lunay. Bailarino e coreógrafo, Guilherme trabalha, entre outros métodos, com Laban, compreendendo o movimento através de seus quatro fatores - força, tempo, espaço e fluência. Sua aplicação aos processos coreográficos que vem sendo desenvolvidos pela Lunay tem como objetivo contribuir para a ampliação dos horizontes criativos e, consequentemente, das possibilidades expressivas do estilo Tribal Brasil. Já estamos em parceria desde janeiro desse ano e os primeiros resultados já começam a aparecer, caminhando para um fazer Tribal mais significativo e com maior naturalidade e propriedade do movimento. 

Vivo o Tribal Brasil em total comunhão com minha vida pessoal. Não sei dizer onde um começa e o outro termina porque para mim é comum ver dança em tudo que faço, de uma roupa que lavo no tanque a um giro a pé pela cidade, subindo uma ladeira do Centro Histórico ou estudando uma sequencia de movimento para ser apresentada no palco. É tudo dança, mesmo que não tenha intenção de ser. Sou uma eterna curiosa do movimento, das sensações que ele nos pode trazer, das sensações que motivam o movimento e ainda das impressões e sensações que causam a quem vê. O Tribal Brasil que desenvolvo segue uma estrutura, uma linha de movimento que abrange o vocabulário do ATS/ITS, do Tribal Fusion, das danças do Oriente Médio, Flamenco, Indiana, Afro-brasileiras e Populares, Popping e Contemporânea

Para ser Tribal Brasil precisa ter essa “liga” esse “amálgama” com o que é nosso e isso deve perpassar pela dança, musicalidade e figurino. Não se trata de ufanismo, xenofobia, bairrismo ou simples aversão ao que vem de fora. Pelo contrário. Queremos incluir, somar, agregar. Os movimentos por nós estruturados também trazem os traços dessa união na nomenclatura como, por exemplo, Samba Fusion, Maraca’turn, Iemanjá walk, Forró Shimmie, Frevo Jump #1, Frevo Jump #2.

sábado, 20 de junho de 2015

HISTÓRIA DA DANÇA DO VENTRE NOS EUA II (Jamila Salimpour)

Texto postado no Tribe Net, por Andre Khoury, pai de Isabella Salimpour (neta de Jamila Salimpour)

Quando chegou o dia para ver a famosa "Rosemarie", gravadores pesando uma tonelada, foram levados para o teatro. Naqueles dias, eram poucos os que poderiam se dar ao luxo de possuir um. Pegamos assentos no centro, de frente, bons lugares para um auditório, onde se sentam cerca de três mil. 

Fomos cedo e as luzes ainda estavam acessas, assim olhamos em volta para ver quem estava sentado onde, antes do show começar. Era quase a hora de começar e, exceto pelo nosso grupo, havia cerca de vinte pessoas no balcão do teatro. Lá embaixo, havia um punhado de pessoas, e havia chegado do show começar. Esperamos, esperamos e esperamos, percebendo que algo estava acontecendo, e que talvez poucas pessoas compareceriam. Quando se tornou evidente que não haveriam mais pessoas, os que estavam no balcão concordaram em ficar no andar de baixo, mais perto da música. 

Não me lembro muito sobre a dança de Rosemarie. Eu tinha mais ou menos 24 anos. Ela foi a primeira dançarina que vi em pessoa. Ela não tocava snujs. Tio Vahan disse que ela estava chateada quando ele gravou seu show, sem um acordo de antemão, e que precisaram negociar para que ele pudesse manter a fita. Zetrac a convidou para sua casa para uma noite musical, e fui apresentada a ela como uma aspirante a dançarina oriental

A seu pedido, dancei para ela. Ela foi gentil em suas críticas sobre a minha "coreografia" e fez sugestões sobre meus braços, atitude e etapas. A única coisa que ela me mostrou, e que eu não poderia fazer, era uma figura de um oito indo devagar até até o chão e todo o caminho para cima novamente. Perdemos seu paradeiro, exceto por um breve visão dela em um clube recém-inaugurado na Sunset Boulevard, chamado de "Mil e Uma Noites", onde ouvimos que ela estava trabalhando. Eu nunca a vi dançar novamente.

Houve outros programas Orientais de tempo em tempo. Um dos mais memoráveis foi de Shah Baroviano, um músico de tar, armênio persa, que se apresentou no Wilshire Ebell. Ainda posso ouvir sua bela versão de "Naz Bar". Parecia que todo o público cantava junto. Foi por volta de 1950 ou algo assim. De Fresno, Richard Hagopian, um jovem virtuoso no Oud, estava sendo comparado ao grande Oudi Harant. Passariam mais alguns anos até que eu dançasse com sua música em uma boate em Fresno.

O Town and Country Market em La Cienega abaixo Melrose, tinha um restaurante Oriente Médio que tinha música e dança popular nos fins de semana, mas não havia dançarinas do ventre. Nós fomos lá algumas vezes, e nos juntávamos ao dabke, entre as mesas. 

Haviam programas em que uma mulher chamada Khanza Omar, que fazia proezas, que precisávamos ver para crer. Dizia-se que além de ser uma grande dançarina, ela poderia fazer backbends maravilhosos e levantar cadeiras com seus dentes, levantando e continuando a dançar ao mesmo tempo, mantendo a cadeira entre os dentes. 

Vídeo de Princess Raja, cerca de 1904, mostrando a dança onde as dançarinas seguravam a cadeira com a boca.


Nos anos mais tarde, vi um documentário sobre bailarinos do Egito, que tinha uma sequência feita em uma tenda, do fora das pirâmides chamado The Balloon Café, ou algo parecido. Uma das dançarinas, vestida com Assuit da cabeça aos pés, e tocando enormes snujs, desceu até o chão em duplos shimmies, inclinou-se, ainda mantendo o tempo da música com seus snujs, e pegou uma mesa com os dentes, equilibrando-a alto no ar, enquanto dançava. Eu fui a uma apresentação da amada Khanza Omar. Para surpresa de todos, ela morreu no fim de semana antes de a comunidade árabe apresenta-la em um show chamado "ExtravaKhanza". Diziam que ela era uma princesa marroquina. Ocasionalmente, ela trabalhava como figurante em filmes. Outra dançarina Orientale chamado Delalah Mur, residia em algum lugar em Los Angeles, ensinava e tinha uma trupe. Nunca vi o ela dançando.

Tinha por volta de vinte e seis anos, quando eu decidi aprender a tocar Oud. Encontrar um professor, era história aparte, e novamente tenho que agradecer Anoosh, por encontrar o Sr. Levonian, que estava disposto a me ensinar a tocar Oud. Eu queria muito aprender estilo egípcio, mas Levonian tocava o estilo turco. Mas era ele ou nada. Lembro-me dele reclamando sobre uma dançarina chamada Karoon Tootikian, que queria que ele compusesse uma música para ela. Incomodava-lhe que ela queria que ele colocasse a harmonia em sua composição, e ele diria que a nossa música é inocente, que ela deve deixá-la em paz! 

Do que eu consegui reunir sobre sua dança, ela era uma dançarina folclórica armênia interpretativa. Ouvi que sua especialidade era um dervish rodopiante , o que era fácil para ela dançar, pois tinha uma doença ocular, que tirou sua visão. Uma vez, que ela calculou mal as dimensões do palco no Wilshire Ebell e, durante a apresentação de seu dervish, ela caiu no fosso da orquestra.

De Boston, vieram histórias de dois clubes, onde o negócio foi crescendo: Khayyam e Club Zarra, que tinha apresentações de música e dança do Oriente Médio.

Histórias da briga em curso entre a cantora libanesa Morrocos e a impetuosa dançarina argelina Bedeah eram relatados semanalmente pela imprensa, que estavam sempre incitando, na esperança de criar uma briga. 

Greek Village abriu em Hollywood Boulevard. Eles contrataram meus músicos, mas não queriam uma dançarina do ventre. Os proprietários eram da Costa Leste. A esposa do proprietário cantava e dançava um Cifte Telli em roupas de normais (não figurino). Tinham uma filha que se parecia com Sophia Loren. Ela usava blusas de corte baixo e acompanhava os músicos com um tambor de conga. Não importava se ela sabia tocar ou não. A visão dela, valia o preço da entrada.

Tradução livre por Carine Würch