segunda-feira, 24 de agosto de 2015

MÚSICA - DOWNLOAD - BEATS ANTIQUE

Baseada na coluna de Geisiane de Araújo para o Aerith Tribal Fusion Blog, na sessão World Fusion, vamos publicar links para download de música dos grupos sugeridos em sua postagem.


BEATS ANTIQUEÉ uma banda americana de experimental world fusion e de electronic music. Formada em 2007, em conjunto com o produtor Miles Copeland, o grupo tornou-se conhecido por sua mistura de diferentes gêneros, bem como seus shows ao vivo que mistura amostras e percussões pesadas ​​com dança a Tribal Fusion e arte performática.Tendo a participações de Zoe Jakese várias outras dançarinas importantes em suas performances.



Aqui neste link você pode baixar várias músicas - Beats Antique

Aqui neste link você pode baixar vários cds completos - Beats Antique
http://anne-tribalfusion.blogspot.com.br/search/label/Beats%20Antique

 

Fontes

O NASCIMENTO DO BAL ANAT...

e outras aventuras por Aziza!
Texto extraíto do blog Gilded Serpent - http://www.gildedserpent.com/articles14/aziza9BirthofBalAnat.htm

Em 1968, Jamila faz frutificar o plano que há muito estava latente em sua mente. Ela foi convidada para fazer uma palestra na Universidade de Sao Francisco, e decidiu apresentar uma cronologia da Deusa Mãe e dança correspondente através dos tempos. 

Para sua apresentação, ela alinhou uma série de bailarinas, dando grande enfoque aos trajes, danças, etc, acompanhando sua palestra. Por exemplo, ela fez para Amina um grande e lindo colar, e uma saia estilo egípcio, e queria que ela fosse de topless para parecer realmente autêntico, mas Amina não quis, então ela usou um collant cor da pele, ao invés disto. Eu era o final da apresnetação, a dançarina de cabaré moderno. Um dia antes do dia da apresentação, Bobby Kennedy foi assassinado, por isso adiamos nosso show por algumas semanas. 

A partir desta palestra / demostração teve início o famoso Bal Anat.





Jamila então formou uma Trupe e Show mais organizado levou-o para o Reinassence Pleasure Faire todos os anos. Bal Anat tinha um monte de performances inusitadas em apresentações de curta duração. Havia garotas que dançavam em copos de água, as meninas que dançavam com cobras ou espadas, e as meninas que equilibraram as coisas em suas cabeças, desde jarros simples a bandejas completas com serviço de chá. 

Na verdade, eu não deveria dizer apenas meninas, havia alguns homens que se juntaram à trupe de tempos em tempos, e que sempre foram muito populares com o público. 

Pela primeira vez Jamila apresentava um verdadeiro show planejado, ao contrário das bailarinas de "espírito livre" que iam ao Reinassence Pleasure Faire  e dançavam por todos os lugares (sem algo definido). A Feira se localizava em Marin County, CA, mas depois foi relocada definitivamente para  Black Point.
 
Jamila e o Bal Anat continuaram a se apresentar lá, até que ela e os Pattersons (organizadores) tiveram muitas divergências e Jamila deixou de se apresentar com sua trupe. O Bal Anat foi sucedido na Northern Faire por John Compton e sua trupe  Hahbi 'Ru, assim como e a trupe de Suhaila Salimpour.


Jamila queria que parecesse ao público que eles estavam assistindo a um verdadeiro show do Oriente Médio, e por isso queria um alto grau de autenticidade nos figurinos (pelo menos aparente). No início, quando fazíamos o final  (eu, alternando com Galya), usávamos um traje mais ou menos padrão cabaret, embora, com certeza, eram moedas e cores suaves. Mais tarde, quando voltei a trupe por algumas performances, e eu tinha que usar assiut com minhas moedas e estar bastante coberta, com exceção de minha barriga. A música sempre foi um fator. Claro, não poderíamos usar qualquer coisa enlatada ou amplificada, por isso precisávamos de músicos ao vivo, que poderiam tocar alguma coisa num volume alto o suficiente para ser ouvido sem amplificadores. O oud não era alto o suficiente, nem o santour nem Kanoun, mas Jamila logo descobriu que ela precisava de um mizmar, acompanhado por uma variedade de dumbeks e uma beladi tabl, assim como os gritos e zaghareets dos bailarinos. Era um algazarra, e sempre atraiu uma grande multidão. Enquanto a  filha de Jamila crescia e se desenvolvia,  ela se juntou a trupe e sendo uma linda menininha que sabia dançar, Suhaila sempre foi um grande para atração para o público.
Surgiram a partir dessas raízes, muitas trupes mais ou menos étnicas, muitas das quais, se apresentavam em pequenas produções do tipo Reinassence Pleasure Faire, em todo o país. Nenhum deles que eu já vi (exceto talvez Hahbi 'Ru) tem o escopo e refinamento do Bal Anat

Fatchance Bellydance levou  a dança étnica de aparência em uma direção diferente, e formou uma apresentação suave e perfeita, muito admirada, mas nunca alcançada por seus muitos clones. Todo o movimento tornou-se conhecido pelo termo genérico de dança tribal americana. No entanto, em geral, não se originam em qualquer cultura em particular, mas é uma fusão de muitas. (Não me refiro, aqui, às danças específicas Ouled Nail, Ghawazi, etc) Até o figurino é uma fusão, incorporando elementos da cultura indiana, cigana, beduína e assim por diante - incluindo alguns cabaret - em sua mistura. É uma linda e sedutora mistura. 

A cereja deste bolo multi-camadas é a proliferação de tatuagens em todas e quaisquer partes de corpos dos dançarinos. Eu acho que as meninas lindamente tatuadas do Fatchance Bellydance foram o verdadeiro início da tendência, que encorajou bailarinos irem além de suas tatuagens tribais temporárias e de henna para decoração de corpo inteiro.
Para o texto completo: 

(Traduzido livremente por Carine Würch do site

PILARES DO TRIBAL - JOHN COMPTON

JOHN COMPTON - HABI'RU - Ele dançou primeiro como solista de destaque no grupo de Jamila Salimpour, o Bal Anat, em 1973. Sua especialidade eram os címbalos sírios e o "balançar" das bandejas. Ele se tornou uma estrela dentro do repertório Bal Anat Troupe, em seguida, em grupo folk de dança de Patti Farber, BabaGanooj


Dentro do grupo, John preferiu dançar sozinho e lembra de ter sido influenciado por cartões postais de homens marroquinos dançando com uma bandeja em suas cabeças.



Depois de Bal Anat, veio Las Vegas e depois de vários anos em Finnochio na Broadway em North Beach, San Francisco. Seu contrato de seis anos apresentou-o aos turistas, artistas de circo, travestis e transexuais, e muitas celebridades como Bette Davis e comediante Martha Ray.


Em 1976, ele formou seu próprio show --- um espetáculo de abertura para a exposição do Rei Tut no Museu De Young , em San Francisco. Ele foi o co-fundador e co-diretor de Hahbi'Ru Eastern Dance Ensemble. Ele divide esta posição com Rita , também conhecida como Rebaba

Hahbi'ru é um termo antigo dado ás tribos de beduínos que vagavam pelos desertos árabes enriquecendo e tirando o que os agradavam dos muitos países que atravessaram. 

O foco da Troupe colorida Hahbi'Ru é o estilo do "Velho Mundo Folclórico", bem diferente do estilo Cabaret ou estilo Tribal Americano que a maioria das pessoas lembra quando pensa em dança do oriente ou dança do ventre. Suas danças são baseadas na tradição, com um pouco de talento criativo e colorido.


John Compton faleceu em Outubro de 2012, mas deixa um legado inegável para o mundo da dança.



Mais fotos no nosso ALBUM COMPLETO - AQUI
Texto original:
** Tradução livre - Carine Würch **


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domingo, 23 de agosto de 2015

DE MUITAS TRIBOS - JAMILA SALIMPOUR (Parte II)

Por: Jamila Salimpour | Tradução: Ana Harff 

Texto copiado do site Tribal Mind | Link original e muito mais informações e artigos: http://tribalmind.blogspot.com.br/2010/10/de-muitas-tribos-origem-do-bal-anat_18.html

COBRAS - Em 1969, eu acidentalmente usei cobras. Eu digo acidentalmente porque tínhamos um mágico que usava uma cobra de duas cabeças como parte de seu ato. Ele queria mostrar para o público uma frigideira vazia na qual ele colocava fogo, e depois de girá-la umas quantas vezes no ar colocava a cobra dentro. 

Percebi a reação da platéia, que foi de repulsa e desgosto enquanto ele colocava o animal semi-inconsciente em um saco até o próximo show. Como o tratamento dele com animais faltava compaixão, e pensava que a cobra poderia ser morta acidentalmente (ou não), insisti que ele me desse o bicho. Quando ele me deu, eu simplesmente comecei a encarar a cobra. O que faria com ela? O que ela faria comigo se tivesse a chance? 

Pronto. Aprendi que nem todas as cobras são venenosas, e que na maioria do tempo elas ficam permanecem quietas, até terem fome. Ninguém da troupe queria segurar a tal cobra. Quando eu sugeri adicionar variedade e “besteiras”, uma das respostas que eu recebi foi: “Eu não quero ser uma aberração”. 

Então eu fiz de tudo. Cantei, dancei com copos de água enquanto eu segurava a cobra na minha mão e tocava percussão no meio. Eu nunca havia trabalhado com uma bailarina do Oriente Médio que usasse cobras. Só conhecia os fakirs da Índia, que as usavam, mas eles não dançavam com elas. A dança com cobra foi invenção minha, uma culminação de tentativas e erros depois daquela primeira vez com o animal. Nunca sugeri em uma das minhas perfomances que isso era feito tradicionalmente por bailarinas no Oriente Médio

FIGURINOFoi difícil no começo fazer com que as meninas usassem figurinos tradicionais, que usualmente as cobriam da cabeça aos pés, porque elas queriam mostrar suas formas. Então eu me cobri e as acompanhei nos seus solos. 

COREOGRAFIAS - Nas minhas primeiras aulas em Berkeley, mesmo sabendo que eu tinha alimentado os alunos com passos e explicado as fases da dança cabaret profissional, eu descobri que quando pediam a eles para fazerem solos, a maioria se bloqueava, ou fazia todos os passos em dois minutos e olhavam desesperados pedindo ajuda para o resto da dança. Introduzi uma coreografia para ajudá-los a se sentirem confortáveis sem ter que pensar quais passos eles iriam usar. Seguros, sabendo o que ia vir depois, afortunadamente eles foram capazes de se projetar. Isso funcionou bem, e os alunos entendiam mais rápido quais passos usar para a entrada, e o que fazer durante um taqsim, etc. 

Na Feira da Renascença, cada garota sentia que era diferente em sua projeção, mas eu percebi que as repetições eram exageradas, enquanto uma performance atrás da outra consistia em uma dança de três partes, e depois a reverência: entrada, taqsim e final. As caras mudavam, mas a dança era a mesma.
Decidi que no próximo ano, uma variedade de danças seria a peça chave. 

Com a idade de 3 anos, Suhaila abriu o show. 

Aderi à dança das taças de água, que eu havia ensinado em aula. Nós tínhamos também um dançarino da Algéria. A dança karsilama era uma réplica da dança popular turca, a qual muitas bailarinas de cabaret rumavam como parte final da dança para fazê-la ficar excitante. Uma máscara Deusa Mãe foi colocada mais tarde como abertura de um número, minha expressão das origens primitivas da dança. Anos antes eu havia visto uma pintura de Gerome de uma dançarina de espadas durante a Ocupação Turca. Em 1971, eu tive uma estudante que tinha um verdadeiro sabre turco, balançando na cabeça, imitando a pintura. Para o final, ela curvou as costas pra trás e cravou a espada no palco de madeira em uma posição vertical para abrir espaço para a próxima dança. Eu acredito que essa foi a primeira vez que a dança com espadas foi vista nos EUA. Em 1971, eu comecei a fazer coreografias em grupo, e mais tarde eu coreografei um grupo com espadas. 
No mesmo ano eu coreografei minha primeira dança do “vaso”, na qual três garotas balançavam largas cuias em suas cabeças e dançavam em pé no palco. Fui inspirada por uma cena em um palácio Tunisiano no filme Justine, baseado no livro de Lawrence Durrel. Umas trinta mulheres beduínas dançavam ao redor de cinco tocadores de mizmar e um de tabla beledi. Nessa altura, eu adicionei a dança indiana katak. Um excelente dançarino de katak, Chitras Das, havia chegado aos EUA, e estava ensinando na Escola de Música Ali Akbar. Quando eu vi uma de suas performances, eu decidi que fora o respeito que teria pela sua genialidade, eu nunca tentaria presenciar outra dança katak, enquanto seu talento e treinamento estivessem disponíveis.  
        Em 1973 eu terminei minha pesquisa no papel do homem na dança do Oriente Médio, e o primeiro dançarino de bandeja marroquino nos EUA foi mostrado no nosso show. A dança era inspirada por histórias. Esse ano, algumas das minhas alunas estavam inspiradas a mostrar seus próprios talentos coreográficos. A karsilama turca, a dança abdominal, e a dança da espada foram feitas por Rebaba, Khanza e Meta, respectivamente. Foi um momento excitante para mim quando fui capaz de apreciar os trabalhos de minhas alunas. Muitas delas eventualmente deixaram a troupe para formar suas próprias padronizadas após o Bal Anat

Eu soube de algumas depois: West Coast Tribal, East Coast Tribal e American Tribal Fantasy. Eu também escutei da “polícia étnica”, uma expressão que achei bem engraçada. Eu não me ponho contra nada desde que sirva para entreter. A tradição não é estática. Cada geração se vê influenciada pela passada. Evoluída dos salões e performances de rua, até os clubes noturnos e music halls, onde há beledi, cabaret ou folclore, a dança Oriental irá durar. (Jamila Salimpour)

DE MUITAS TRIBOS - JAMILA SALIMPOUR - Parte I - AQUI


Texto original - AQUI 
(Links no texto traduzido, adicionados por Carine Würch)

sábado, 22 de agosto de 2015

DE MUITAS TRIBOS - JAMILA SALIMPOUR

Texto copiado do site Tribal Mind | Link original e muito mais informações e artigos:  http://tribalmind.blogspot.com.br/2010/10/de-muitas-tribos-origem-do-bal-anat.html

Por: Jamila Salimpour | Tradução: Ana Harff
Quando eu me mudei para Berkeley, Califórnia em 1967, a cidade estava cheia de estudantes que, estimuladas pela música Indiana de Ravi Shankar, estavam prontas para escutar e olhar para outra importante importação do Meio Oriente. A reação pela minha dança foi encorajadora, e eu via enquanto as alunas absorviam os movimentos e transições, e começaram a responder à música. À medida que minhas técnicas de ensino foram se tornando mais refinadas devido a ensinar em quatro aulas por semana, as alunas começaram a aprender mais rápido. Três das minhas estudantes adolescentes que estavam na Berkeley High (ensino médio de Berkeley) na época falaram sobre o que haviam aprendido a todas suas amigas. O seguinte resultado foi espontâneo, sim, técnico, não – mas ninguém parecia se importar! Eu fui informada que elas foram perguntadas e fizeram performances para seus amigos, mas de maneira alguma elas estavam “prontas” para dançar publicamente.

Muitos das minhas alunas estavam desaparecendo das minhas aulas de sábado. Como profissional eu fiquei em choque quando uma delas me convidou para o que elas chamavam de Feira da Renascença (Renaissance Pleasure Faire), a qual elas estavam indo aos sábados. Eles me explicaram que era uma feira de arte, como um imenso circo ao ar livre baseado no século XVI. Continha comida e entretenimento daquela época, juntamente com aparições da “nossa majestade” Rainha Elizabeth, que dava um prêmio ao melhor artesão em exposição da Feira. Malabaristas, mágicos, mímicos, qualquer tipo de entretenimento era encorajado. Uma tentação era que qualquer um que viesse com uma fantasia de época ou qualquer coisa, podia entrar sem pagar. Eu entrei grátis porque estava coberta dos pés à cabeça em um figurino de beduína, o que se mostrou ser uma fantasia para o pessoal da Feira.


Toda Berkeley estava lá, e claramente todas as ninfetas do colegial e suas amigas estavam lá com suas fantasias de dança do ventre. A cena com a qual me deparei na Feira da Renascença foi além das minhas crenças. Eu tentei ir do meu jeito, mesmo me arrastando num ritmo de tartaruga ou ficando completamente imobilizada, porque a cada cinco passos uma multidão se reunia ao redor de uma noviça balançando-se, completamente abandonados em sua interpretação. Uma de minhas alunas me reconheceu, e me puxou para conhecer a coordenadora do entretenimento, uma exausta, esgotada mulher que atendia pelo nome de Carol Le Fleur. Seu cumprimento foi zangado, “Então você é a professora de Dança do Ventre responsável por tudo isso!” Ela tentou um meio sorriso enquanto fazia uma massagem em todas as partes. “Escute”, ela disse desesperadamente, “Você tem que fazer alguma coisa a respeito. Eu digo, não é que eu não goste de Dança do Ventre ou coisa parecida. Mas são muitas delas. Estão por toda Feira, parando o tráfego, nas estradas, nos palcos, caindo de árvores... Elas estão por toda parte!!!” Ela continuou a usar o sorriso, mas estava realmente desesperada. “Não podemos ter isso próximo ano. Tem que ser organizado: somente nos palcos, limitado em trinta minutos. Já é o suficiente!” Eu assegurei a ela que iria explicar isso as minhas alunas, e que íamos cooperar. Eu desejei a ela boas vibrações, e continuei adiante, preferindo, devo dizer, tentar abrir caminho através da Feira para ver por mim mesma o que estava acontecendo.
           
Naquela época o entretenimento não estava organizado. Havia diversos pequenos palcos ao longo da Feira, e um grande palco no qual todas as pessoas dos concursos tomavam lugar. Qualquer um, apresentador ou não, podia ir ao palco e fazer o que queria. O pessoal da Feira disse “nada moderno”, mas algum Blue Grass e Jazz podiam ser escutados ao longo do caminho até que um guarda chegasse e tivesse que explicar que o ato deveria ser de “época”.
           
Onde a Dança do Ventre se encaixa em tudo isso? Quem sabia e quem se importava! Foi um deleite para a platéia, e eu penso que mais do que qualquer coisa que havia ali, aparte, os figurinos eram atrativos. O número de alunas que se apresentaram era acima da média, e eu chamei algumas das minhas avançadas para fazerem parte comigo da Feira.

Foi em setembro de 1968 que a idéia da troupe nasceu na minha cabeça. Mesmo não tendo nenhum músico aquele ano, eu batuquei durante um show de meia hora, tocando os tempos necessários de cada aluna, acompanhada por uma bailarina de folk que recentemente havia adquirido a darbouka e se dedicado a aprender para tocar nos palcos. Que bagunça! Que triste apresentação! Mas ninguém sabia a diferença além de mim. Eu sorri e apoiei cada uma delas, e o público adorou. Eu torci por um show de verdade no próximo ano.

Desse modesto começo, o núcleo da minha troupe estava formado. Na busca de um nome, eu queria honrar a Deusa Mãe, Anat. Eu antepus seu nome com bal, a palavra francesa para dança. Então, Bal Anat, a Dança da Deusa Mãe.

Eu sabia que o formato cabaret não seria apropriado para a Feira, e foi quando minha experiência no Ringling Brothers Circus (circo no qual Jamila fez parte) veio ao meu resgate. Eu padronizei o Bal Anat como um show de variedades circenses que qualquer um desejaria ver em um festival árabe. Eu criei um show de variedades que representa um meio-termo de estilos de danças antigas com o Oriente Médio.  Em acréscimo, tínhamos dois mágicos, Gilli Gilli do Egito, e Hassam do Marrocos. Nossas dançarinas-acrobatas egípcias eram tão flexíveis quanto seus predecessores. Nós inclusive tínhamos um professor grego de matemática da UC Berkeley (Universidade), que sabia como pegar uma mesa com os dentes, com Suhaila encima dela.

Foi um olhar com um formato que eventualmente foi imitado por todos os Estados Unidos, quem era profissional às vezes sabia, mas na maioria das vezes não, de onde isso havia surgido. De fato, muitas pessoas acharam que essa era a “dança real”, quando na verdade era metade real e metade besteira. Nossos folhetos informavam ao público que nós vínhamos de muitas tribos. Talvez fosse essa a expressão da origem “dança tribal”.


As batidinhas “tribais” do show começaram a crescer naturalmente a cada ano. Em 1969, nós lidamos com o problema da música. Eu sempre as havia reproduzido à portas fechadas, e as usado para amplificar instrumentos musicais. O problema em reproduzir em uma feira a céu aberto do século XVI era que eles queriam que fosse completamente autêntico, e isso significava nada de eletricidade, baterias, amplificadores portáteis, e nenhum truque acústico do século XX. Nós tivemos que voltar às noites prévias das músicas das tribos. Em ordem de projetar em um espaço aberto, eu acumulei tantos fazedores de barulho quanto possíveis, como snujs, sistrums (instrumentos de percussão), tamborins, batedores de madeira, derbakes, mijwiz (flauta de madeira originária da Síria), mesa de beledi (grande bumbo que tinha uma tira para segura-lo), edefs (parecido com tamborim). A troupe estava instruída a fazer o zagareet, a ululação que a sociedade do Oriente Médio utiliza (nosso famoso lilillilili).
Todos os profissionais de música com os quais trabalhei não estavam interessados em levantar cedo, iam por aí em lugares desertos, brincando com a poeira, e o pior de tudo, não sendo pagos ou ouvidos de uma forma decente. Somente Louis Habib, barbeiro em tempo integral e algumas vezes músico, se voluntariou para tocar para nós “apenas por diversão”. Não faz muito tempo que não era apenas por diversão para ele. O oud (cordofone em forma de meia pêra ou gota, similar ao alaúde) é um instrumento delicado, que é facilmente bloqueado pelo som das baterias. O mesmo com o mizmar (oboé egípcio). Depois de ensinar á música do mizmar por anos, eu finalmente comecei a colecionar alguns deles, e comecei a perguntar para os artesãos da Feira se eles não gostariam de colocá-los entre suas coisas. Nós sempre tínhamos artesãos perguntando para nós se eles podiam “se encaixar”. Eu queria alguma organização, mas estava ficando difícil de controlar. A primeira coisa boa, um som quase-Oriente-Médio de um tocador de mizmar que tínhamos era de um artesão/músico, Ernie Fishbach, quem se aventurou na música indiana, e tinha uma queda pelo Oriente Médio. Ele virou a espinha dorsal da nossa orquestra, ensinando entusiastas que estavam dispostos a inchar suas bochechas por trinta minutos, três vezes por semana. Os hipnóticos guinchos de várias mizmars, com beledis e derbakes,acompanhados de bailarinas, se tornou para muito de nossos fãs o som da Feira.
 
...continua - PARTE II


Texto original - AQUI 

(Links no texto traduzido, adicionados por Carine Würch)