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quarta-feira, 8 de junho de 2016

domingo, 20 de setembro de 2015

Tribal Bellydancer - artigo traduzido

Utilizando o Google Translator: https://translate.google.com.br/

A Dança do ventre tem em torno de milhares de anos, mas foi só recentemente que o termo "dança do ventre tribal" foi introduzido. A dança Tribal é um estilo de dança do ventre que muitos acreditam que se originou na Califórnia na década de 1960 com Jamila Salimpour e sua trupe Bal Anat. Elas usam o vocabulário clássico de movimentos de dança do ventre e música de dança do ventre tradicional do Oriente Médio. O figurino é uma mistura eclética de roupas que incorporava influências folclóricas do Oriente Médio, Índia, Ásia Central e Norte da África. (Para obter descrições dos movimentos bellydance clássicos - clique aqui)

Na década de 1980, Carolena Nericcio desenvolveu o estilo de dança do ventre de Jamila com uma coreografia improvisada de grupo, e através do FatChanceBellyDance popularizou o termo "dança do ventre tribal" (ou "dança do ventre tribal americano"). Um elemento definidor de dança do ventre tribal americano é que é quase sempre executada como um grupo ou trupe, não em solos.

Na década de 1960, quando um grande número de mulheres norte-americanas Dança do ventre começou a praticar nos Estados Unidos, a maioria das pessoas simplesmente chamou de ... dança do ventre. Naquela época, a maioria dos bellydancing foi modelado após os artistas da dança do Oriente Médio o que trouxe para discotecas deste país e foi também influenciou por filmes de Hollywood e programas de TV.

Como o passar do tempo, mais bellydancers e professores americanos impressa individualmente Suas interpretações sobre sua forma de arte improvisada e desenvolvido novos estilos. No entanto, o estilo de dança do ventre mais reconhecido, então e agora, é chamado de 'cabaret' (ou 'cabaret americana', 'boate' ou 'clássica') bellydance. Como dança do ventre tribal, dança do ventre cabaré é baseado na dança do ventre tradicional vocabulário movimento e música, mas o figurino é chamativo geralmente mais do que folclórica, ea dança é na maioria das vezes (mas nem sempre Certamente) Executado somente. (Para obter descrições dos principais estilos de dança do ventre)

Hoje, bellydance continua a evoluir e alguns estilos modernos estão se tornando tão fundido com Movimentos e elementos de outras formas de dança (dança de fusão), que eles não são mais bellydancing autêntico, mas algo completamente novo. Este é, naturalmente, a evolução que experimentar todas as formas de arte ao longo do tempo, eo tempo dirá Qual destes novos estilos que vai florescer e vai desaparecer.


O que tem resistido ao teste do tempo é bellydance clássico. Todos os estilos autênticos de dança do ventre são baseadas no vocabulário dos Movimentos bellydancing tradicionais, e apesar das variações de figurino, música e coreografia, autêntico Tenha mais semelhanças do que diferenças Bellydancers. Se cabaret, tribal, Oriente Médio, ou estilo americano, verdadeiros bellydancers todos pertencem à mesma tribo - uma tribo que celebra a vida e comunidade Através da nossa linguagem compartilhada de movimentos bellydance clássicos.



Tribal Bellydancer
Bellydancing has been around for thousands of years, but it was only recently that the term ‘tribal bellydance’ was introduced.  Tribal bellydance is a style of bellydancing that many believe originated in California in the 1960’s with Jamila Salimpour and her belly dance troupe Bal Anat.  This bellydance style uses the classic movement vocabulary and music of traditional Middle Eastern bellydance. The costuming is an eclectic mix of folkloric clothing that incorporates influences from the Middle East, India, Central Asia and North Africa. (For descriptions of classic bellydance moves)

In the 1980’s, Carolena Nericcio further developed Jamila’s belly dance style with a cue-and-follow type of improvised group choreography, and it is her troupe FatChanceBellydance that popularized the term ‘tribal bellydance’ (or ‘American tribal bellydance’).  A defining element of American tribal bellydance is that it’s almost always performed as a group or troupe, not as a solo.

In the 1960’s, when large numbers of American women first started practicing bellydancing in the United States, most people simply called it…bellydance.  At that time, most bellydancing was modeled after the Middle Eastern entertainers who brought the dance to this country’s nightclubs and it was also influenced by Hollywood movies and TV shows.

As time went on, more American bellydancers and teachers imprinted their individual interpretations on this improvised art form and new styles developed.  However, the most recognized belly dance style, then and now, is called ‘cabaret’ (or ‘American cabaret’, ‘nightclub’ or ‘classic’) bellydance.  Like tribal bellydance, cabaret bellydance is based on the traditional belly dance movement vocabulary and music, but the costuming is usually more glitzy than folkloric, and the dance is most often (but certainly not always) performed solo. (For descriptions of the major styles of bellydance)

Today, bellydance continues to evolve and some modern styles are becoming so fused with movements and elements from other dance forms (fusion dance) that they’re no longer authentic bellydancing, but something completely new.  This is the natural evolution that all art forms experience over time, and time will tell which of these new styles will flourish and which will fade away.

What has stood the test of time is classic bellydance.  All authentic styles of bellydance are based on the vocabulary of traditional bellydancing movements, and despite the variations of costuming, music, and choreography, authentic bellydancers have more similarities than differences. Whether cabaret, tribal, Middle Eastern, or American style, all true bellydancers belong to the same tribe – a tribe that celebrates life and community through our shared language of classic bellydance moves.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O QUE AFINAL É ESTA DANÇA?

Não é dança do ventre, nem tampouco pode ser considerado folclore. Também não é etnicamente tradicional. Estilo Tribal divide gostos e opiniões, e deixa uma dúvida: o que é afinal esta dança?

Para quem ainda não conhece, Estilo Tribal é uma modalidade de dança que, tendo como base a dança do ventre, funde arquétipos, conceitos e movimentos de danças étnicas das mais variadas regiões, como o Flamenco, a Dança Indiana e danças folclóricas de diversas partes do Oriente, desde as tradicionais manifestações folclóricas já bem conhecidas pelas bailarinas de dança do ventre às danças tribais da África Central, chegando até mesmo às longínquas tradições das populações islâmicas do Tajisquitão.

Para usar uma terminologia apropriada que não cause dúvida, espanto ou revolta nas defensoras da tradição, chamamos esta modalidade de Estilo Tribal Folclórico Interpretativo

Este estilo surgiu nos EUA, nos idos dos anos 70, quando a bailarina Jamila Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos tribais daquela região. De volta à América, Jamila resolveu inovar e mesclar à dança do ventre as demais manifestações culturais que havia conhecido em sua viagem.

Com sua trupe Bal Anat, Jamila passou a desenvolver coreografias que aliavam acessórios das danças folclóricas aos passos característicos da dança do ventre, baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dança-teatro, acrescentando à isso um figurino mais condizente com o vestuário tradicional das verdadeiras mulheres orientais, abandonando então as lantejoulas e miçangas características dos trajes bedleh.
 Um exemplo que temos desta nova forma de dança é a tão popular Dança da Cimitarra (espada). Segundo Jamila, a primeira bailarina que comprovadamente apresentou esta dança, várias lendas sobre o uso da espada pelas mulheres do Oriente, em forma de dança, existem, mas nenhuma delas pode ser tida como real, já que o próprio povo daquela região não aceita esta dança como parte de suas lembranças culturais.

Uma forte característica trazida para o Estilo Tribal das danças tribais é a coletividade. 

Não há performances solos no Estilo Tribal. As bailarinas, como numa tribo, celebram a vida e a dança em grupo. Dentre as várias disposições cênicas do Estilo Tribal estão a roda e a meia lua. No grande círculo, as bailarinas têm a oportunidade de se comunicarem visualmente, de dançarem umas para as outras, de manterem o vínculo que as une como trupe. Da meia lua, surgem duetos, trios, quartetos, pequenos grupos que se destacam para levar até o público esta interatividade.

Nos anos 80, novas trupes já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de Jamila, ensina a sua aluna Carolena Nericcio as técnicas do Estilo Tribal, criadas por Jamila pra obter um melhor desempenho de suas bailarinas. 

Esta técnica baseia-se nos trabalhos de repetição e condicionamento muscular (e mental) do Ballet Clássico, adaptados aos movimentos das danças étnicas. Incentivada pelas diferenciações do novo estilo, Carolena forma sua própria trupe, que dará novos contornos à história do Estilo Tribal.

O figurino utilizado por Jamila e sua trupe cobria o torso da bailarina, sendo composto (ainda hoje mantido por esta trupe) basicamente por batas do tipo djellaba ou galabias. Isso tirava, segundo Carolena, um pouco da intenção e visualização do movimento. 

Surge então um novo visual ao Estilo, que até os dias de hoje continua predominando no cenário Tribal: saia longa e larga, sem abertura nas laterais ou calça pantalona ou salwar (bombacha indiana), choli (blusa curta de manga longa ou semi, que é tradicionalmente utilizada pelas mulheres indianas embaixo do sari), sutiã por cima da choli, xales, cintos, adereços, moedas, borlas, para incrementar o traje, dar maior visualização aos giros e tremidos etc.

Além deste novo figurino, Carolena e sua trupe FatChance Belly Dance trouxeram ao Estilo Tribal a complementação com movimentos oriundos da Dança Indiana e Flamenca, e a característica mais forte atualmente no Estilo Tribal: a improvisação coordenada. 
Esta improvisação parece uma brincadeira de "siga o líder", e baseia-se numa série de códigos e sinais corporais que as bailarinas aprendem, trupe a trupe, que indicam qual será o próximo movimento a realizar, quando haverá transições, trocas de liderança etc. Para a audiência, ficará a impressão de que aquela trupe está desenvolvendo uma coreografia diversas vezes ensaiada, mas ao contrário, elas estão improvisando todas as seqüências na hora, sem que com isso percam o sincronismo e a simetria em cena.

Ainda falando das inovações trazidas por Carolena, a nova postura desenvolvida por suas bailarinas e as posições corporais diferenciadas na execução dos passos dão amplitude aos movimentos, sendo então melhor visualizados pelo público.

Nos anos 90, o Estilo Tribal, passou a demonstrar com mais força a presença da Dança Indiana e ainda mais danças folclóricas foram adaptadas ao Estilo, tudo representado de uma forma simbólica e interpretativa, sem com isso querer traduzir a realidade destas danças, já que estão totalmente fora de seu contexto original.
 (Texto de Shaide Halim - 2008

Nota do Blog:

Em 1987 se dá a criação do FatChance Bellydance, e do ATS. Na década de 90, Jill Parker deixa o FCBD para criar seu próprio grupo - Ultra Gypsy - iniciando o movimento do Tribal Fusion.

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Do Blog da Aerith - Bailarinas do mesmo Ventre

BAILARINAS DO MESMO VENTRE
Texto extraído do blog - Aerith Tribal Fusion | Texto completo:

Falar sobre o que é o Tribal Fusion requer sair da "zona de conforto", sem indagações e contestações, para colocar nossas mentes para refletir e tentar raciocinar diante do tema, que não é tão simples assim, principalmente no Brasil. Primeiro, porque não moramos nos Estados Unidos, particularmente, na Califórnia, que foi o berço da dança. Conhecer o local, entrar em contato com sua cultura e “respirar o mesmo ar” é importante para começar a entender todo esse processo. Há de se pensar também no processo histórico, político, sócio-cultural para entender tudo isso. Ou seja, é bem mais complicado para entendermos do que as norte-americanas. Talvez, isso esteja na mesma proporção delas entenderem o samba e todo o processo que este também possui na nossa cultura. Segundo, como já dito anteriormente, a dança entrou faltando peças, aqui no Brasil. Faltou explicarem sobre o ATS® e que este era a base do Tribal Fusion. Ou seja, faltou uma parte bem grande a ser explicada. Quando conseguiram encaixar essa peça na cena, a dança já estava enraizada e, com ela, seus vícios, suas disfunções e carências. Mas houveram bailarinas engajadas em recuperar tudo isso e reconstruir  tudo isso. A dança tribal ainda é recente no país e, por mais que o acesso as informações e professores tenha sido aumentada, a comunidade de dança do ventre ainda não entende o que é o Tribal. Tudo isso eu já disse em um post anterior, que você pode ler aqui, caso tenha interesse.

Na minha opinião, o Tribal Fusion faz parte do grupo de danças do ventre. Danças essa que não é só a dança do ventre com “glamour” ocidentalizada que estamos acostumados a ver em cima dos palcos. Pensar em Tribal Fusion é  pensar no que é a própria Dança do Ventre. É tentar sistematizar as idéias para que essas tenham coerência entre si.  De forma bem simples (resumida), conhecemos a Dança do Ventre:
  • Tradicional - libanesa, egípcia, etc; 
  • Clássica - bases no ballet clássico, como giros, postura elegante, meia-ponta,etc;
  • Moderna - tem um visual mais flexível, músicas mais parecidas com ocidentais, mantendo-se os ritmos árabes, etc;
  • Folclore Árabe - Ghawazee, Khaleege, Hagalla, Fellahi, Núbia,etc;
  • Fusão - fusão da base de passos da dança do ventre com outras danças, como indiana, flamenca, africana, etc. 
Todos esse conjunto de dança faz parte das danças “do ventre”. Claro, muitas delas fazem referência à dança ligado originalmente ao arquétipo feminino, à celebrações cotidianas ou estacionais das diferentes épocas do ano, da fertilidade, gestação e maternidade. Essas danças tem em comum muito gingado, movimentos acentuados nos quadris, ondulações e vibrações abdominais. Sim, existem as danças árabes que são masculinas, mas estamos entrando apenas no mundo feminino, pois é o enfoque em questão. 

As danças folclóricas árabes são de diferentes lugares do Oriente Médio ( “um termo que se refere a uma área geográfica à volta das partes leste e sul do mar Mediterrâneo. É um território que se estende desde o leste do Mediterrâneo até ao golfo Pérsico.” ) e Norte da ÁfricaEu aprendi que estudar dança do ventre requer deixar a preguiça de lado e olhar todo o contexto em si. Então, para nos situarmos, temos que procurar um mapa geográfico e visualizar os países que fazem parte do:

 - Oriente Médio (Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Chipre, Egito, Emirados Árabes Unidos, Lémen, Israel, Irã, Iraque, Jordânia, Kuwat, Líbano, Líbia, Omã, Palestina, Qatar, Síria, Sudão e Turquia);

- Norte da África (alguns países que são da região do Oriente Médio também fazem parte do Norte da África, como Egito, Líbia e Sudão; os demais países são Argélia, Marrocos e Tunísia).

Ouled Nail
A partir daí, temos que conectar às danças folclóricas que conhecemos. Por exemplo, o Hagalla é uma dança beduína, encontrada no Egito e Líbia. Dança Núbia é originária da Núbia, região entre o  Egito e Sudão ao longo do Rio Nilo. Fellahi é no Egito, uma dança de agricultores. Khaleege é uma dança do Golfo Pérsico (Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Quatar, Bahrein, Kuwait, Iraque, e Irã). As ghawazee são denominadas ciganas egípcias que, provavelmente, imigraram do Norte da Índia. Na Argélia temos as Ouled Nail. Enfim, essas são algumas danças típicas e suas regiões de origem.


Agora vamos nos voltar para a dança tribal. Sabemos que o Tribal tem três principais bailarinas que participaram do seu desenvolvimento: Jamila Salimpour, Masha Archer e Carolena Nericcio. A partir disso, podemos pensar em cada uma delas separadamente para depois juntá-las.

Pensei primeiro: “O quê é Jamila Salimpour?” Quais suas inspirações, influências? Como foi criado o Bal Anat? Eu não vou desenvolver tudo isso, pois isso daria outro enorme post. Então, de uma forma sucinta vou tentar colocar as respostas e esquematizar aqui. 

1) Anteriormente, Jamila foi dona de uma casa noturna, Bagdad Cabaret, no Broadway. E isso é um fator importante no contexto da dança tribal por dois motivos, na minha opinião: 
  • por ela ter estado em contato com diferentes bailarinas do Oriente Médio, conhecendo diferentes passos e catalogando os movimentos, criando um rico repertório de passos; 
  • para a construção de uma dança de entretenimento, uma dança performática.
2) Na década de  60, Bal Anat nasceu no contexto do Renaissance Faire, sendo um grupo bem circense, devido a sua bagagem como acrobata, havendo  apresentações acrobáticas, show de mágica, música ao vivo e representação de  fusão com danças  folclóricas do Egito, Marrocos, Argélia e Turquia de forma teatral e através de licença criativa/poética alteravam tais danças, ao introduzir alguns movimentos modernos, porém, de forma a aparentar que eram representativos ao arquétipo antigo para o público. Logo, a primeira geração tribal nasceu da fusão entre as danças folclóricas de tais regiões. O figurino do Bal Anat era baseado no Norte de África e do Mediterrâneo Oriental, assuit escuros, uso de máscaras, cobras e espada (sim, Jamila também foi a criadora da dança com a espada e com a cobra na dança do ventre). Assim, este tipo de tribal é chamado como Tribal Folclórico, termo que John Compton utilizava para descrever seu próprio grupo, Hahbi ' Ru, que é uma linha bem forte do Bal Anat.
  
Hahbi ' Ru

Nosso segundo pilar foi Masha Archer, aluna de Jamila e professora de Carolena Nericcio. Masha tinha uma óptica diferente da dança do ventre, ela queria valorizá-la, trazendo-a para cima dos palcos, tirando-a da marginalidade que ela vinha sendo tratada em bares e restaurantes. Masha formou, nos anos 70, o San Francisco Classic Dance Troupe, cujo estilo era denominado “Tribal Art Nouveau”, pois ela utilizava figurinos em tons pastéis, joalherias pesadas de tribos e peças antigas tanto do Oriente Médio quanto da Europa, fazendo alusão a Arte Européia; além do uso de outras músicas além das tradicionais folclóricas, mas músicas clássicas e óperas, o que compunha todo uma visão de uma dança que lembrasse pinturas européia.

O terceiro pilar e o fomentador do estilo Tribal, é Carolena Nericcio. No final da década de 80, ela cria o seu grupo, o FatChance BellyDance (FCBD). Carolena teve muita bagagem herdada por Masha, mas a distribuição das bailarinas no palco teve influência de Jamila: forma de coro em meia-lua, havendo momentos de destaque entre um pequeno grupo de duas ou três bailarinas que depois retornavam ao coro principal. No figurino há o uso de calças bufantes, xales, cholis , sutiã de moedas e uso de adornos étnicos e flores e muitas jóias étnicas. Ao figurino foi acrescentado turbantes, saia rodada, bindis e cinturões com pom-pons, além de ser um figurino mais sério, com mais uso do preto e cores vivas. Carolena resgata as raízes folclóricas do Norte da África e do Oriente Médio, acrescentando a postura, projeção do tórax, braços e alguns passos da dança flamenca, e o Kathak, dança do Norte da Índia, também foi acrescentando, através de giros e outros movimentos adaptados deste. Assim, houve a formatação dos passos mais utilizados a partir da necessidade de apresentá-lo em diferentes espaços (pequenos ou muito grandes), por meio da improvisação coordenada.

OBS: Lembrando que o ATS® não é a fusão aleatória da dança do ventre, indiana e flamenca! É uma dança formatada, que possui características próprias e independentes das danças anteriores mas que usou recursos das mesmas para criar sua própria identidade. Eu não vou me alongar nesse ponto, pois já dei a minha opinião sobre isso nos textos anteriores, quem se interessar, leia aqui.

Nesses três exemplos vemos o uso do termo “estilo tribal americano”. O termo “estilo tribal” pela tentativa de representar tribos e seus arquétipos de antiguidade. Contudo esse estilo não era genuíno, não era verdadeiramente étnico, pois eles não representavam fielmente seus folclores, modificando passos e figurinos; o termo “americano” é empregado para esclarecer que é uma adaptação americana, ou sob a óptica, “sensibilidade” dos norte-americanos em recriar aquele folclore e trazê-lo para nossa atualidade/realidade. Os americanos são muito performáticos, sempre elevando a arte em proporções de espetáculos e isso pode ter sido visto desde Jamila e seu show circense, visando a diversão e o entretenimento dos espectadores de forma impactante, inusitada e hipnotizante, através de uma série de atos entre  dança, malabarismos e magia. Esse lado circense é muito característico até hoje no Tribal Americano.
De uma forma bem simples, poderia ser um “Neo-folclore”, se esse termo fosse permitido, mas deixo claro que o emprego dele é incorreto, estou utilizando apenas para ilustrar este processo, porque folclore se trata de tradição, e isso é consolidado também através do tempo, passados através de gerações.

Bom, agora depois de traçar todo esse panorama sobre nossa dança, eu vou dar o meu ponto de vista. 

Na minha opinião a dança tribal é um tipo de dança do ventre. Não a dança do ventre que conhecemos, mas sim uma dança do ventre “modificada”. Vou dar um exemplo bem simples: médico x médico veterinário. Ambos são médicos, porém, um é de humanos e outro de animais. Geralmente o médico tem mais prestígio que um médico veterinário (= dança do ventre é mais famosa que a dança tribal). Contudo, o veterinário estuda não apenas  a base da medicina comum as duas, mas outras espécies de animais (= estuda diferentes fusões, como dança indiana, flamenca, street dance, etc), ele tem outras áreas de atuação além da clínica e laboratório, mas atua no campo, tecnologia de alimentos, etc . Eu vejo a mesma coisa com relação ao caso Dança do Ventre X Dança Tribal.

Outro ponto a demonstrar que o tribal é uma dança do ventre é que esta veio de bailarinas do ventre. Percebe-se que a maioria das bailarinas que já tem a base de dança do ventre consegue aprender o tribal sozinho (e esse foi o processo inicial que aconteceu no Brasil quando a informação ainda era escassa. Não vamos esquecer do processo que a dança se desenvolveu por aqui). Fazendo um parênteses: eu não estou dizendo que é para todo mundo deixar de fazer aulas de tribal porque você pode aprender sozinho. Não é essa a questão. Isso foi dado a “circunstâncias de sobrevivência” e adaptação de um estilo! As bailarinas tinham que se virar com as únicas informações escassas que conseguiam ter acesso para estudar. E logo depois tivemos o início de workshops internacionais que foram alicerçando melhor o estudo das bailarinas nacionais. Então, voltando ao assunto, imagine pegar uma bailarina que só dançou dança flamenca ou só dança indiana e nunca fez dança do ventre. Será que elas teriam a mesma facilidade que as bailarinas de dança do ventre? Eu acredito que não, apenas dominariam aquilo que diz respeito a sua dança, portanto, elas teriam que aprender os movimentos básicos da dança do ventre, como maias, shimmies etc, pois a maior base do tribal veio da dança do ventre. Imagine a dança tribal como uma árvore genealógica, quando vamos olhando as gerações vemos que o “sangue da dança do ventre” é o que mais se mantém. O cruzamento da dança do ventre com outras danças étnicas se deu com mais força a partir da Carolena Nericcio e sua trupe.

 Além disso, além da base de movimentação ser principalmente de dança do ventre, vemos os ritmos árabes sendo trabalhados com o uso de snujs e derbakes, eu nunca vi , por exemplo, o uso de percussão indiana nas apresentações de Tribal. O uso de elementos cênicos utilizados por bailarinas do ventre, como véus, cestos, jarros e espadas. As bailarinas de tribal no exterior sempre participam de eventos de dança do ventre e não somente os especializados na fusão tribal. Todas as bailarinas famosas, assim como grupos  utilizam o termo “bellydance”: FatChanceBellyDance, Black Sheep BellyDance, WildCard BellyDance, etc.
A dança tribal é étnica contemporânea  no sentido de remeter às tribos, seus folclores e culturas, mas contemporâneo por ser atual e fusionar com danças modernas, como o street dance e a dança contemporânea, por exemplo, misturando músicas eletrônicas, rock, metal, etc; usar figurinos mais leves, sem tantos adornos, ou que valorizem o corpo e a execução de seus movimentos. Eu não gosto muito de usar esse termo, ainda não me sinto confortável o suficiente por ter receio dele ser usado erroneamente (e já vi muitos equívocos e por isso estou comentando), de achar que a base da dança tribal é a dança contemporânea. Essa é um conceito equivocado! Todo o processo da dança tribal veio com a dança do ventre. A dança contemporânea foi introduzida depois, com bailarinas como Tjarda e Heather Stants, por exemplo. Nesses últimos 3 anos é que ela vem ganhando mais enfoque dentro da comunidade Tribal. 
Quando penso nos principais ícones do Tribal Fusion (apenas citarei a Rachel Brice e Zoe Jakes para não me estender ainda mais nesse post) vejo que as duas convergem em suas ideologias, mas usam as bases do tribal de forma diferente. Rachel tem muita influência do estilo Bal Anat, de Carolena Nericcio e Masha Archer; mesmo nunca ter tido aulas ou contato com esta, sinto muito a força de Masha em Rachel, que sempre usa um estilo mais vintage e a Art Nouveau em suas danças, isso foi muito bem visto no The Indigo e agora no Datura vemos as três linhagens bem características em sua dança. Eu acho que ela consegue passar um pouco das três bailarinas bases da Dança Tribal. Vejo Rachel usar a dança de forma ritualística, mas lembrando muito a cultura do Oriente Médio e suas mulheres, a força que um grupo feminino pode causar ao dançar juntas. No caso da Zoe eu sinto essa mistura meio diferente. A Zoe é muito mais performática e teatral na minha opinião, talvez seja toda a bagagem que ela vem tendo ao longo dos grupos de dança e musicais que fez parte. Zoe primeiramente fez parte do grupo Aywah de Katarina Burda, que estudou com Jamila e fez parte do Bal Anat; lembrando que a Zoe já fez parte do Suhaila Dance Company em 2001; também saiu em turnê com The Yard Dogs Road Show que tinha várias performances variadas desde tribal fusion quanto burlesco e afins. Na questão tribal dela, vejo muito o uso da raiz indiana que é a fusão que ela mais utiliza movimentos e aparenta gostar de interpretar seu cerne ritualístico.
No Brasil ainda não nos identificamos como bailarinas do ventre e nem as bailarinas de dança do ventre nos reconhecem como tal. Talvez pela forma que a dança entrou, como poucas informações, havendo “seqüelas” para comunidade de dança do ventre que ainda vê a Dança Tribal como algo estranho. Talvez para dar destaque e status, permitindo que seja uma dança independente e não vinculada à Dança do Ventre. Talvez por preconceito de ser uma dança alternativa, com muitas pessoas tatuadas, com piercings, cabelos coloridos que podem chocar um público acostumado com bailarinas padronizadas. Enfim.
A dança tribal, na minha opinião, é uma dança do ventre principalmente no sentido original da palavra, por ser uma dança feminina, ritualística, de valorização do corpo feminino, do parto, da maternidade e fertilidade. Por ser uma dança cujo ventre é o alicerce de toda dança. E sinceramente, essa rusticidade e sua ancestralidade, a força que ela emana vêm da forte consanguinidade entre suas principais danças que as compõem: indiana, dança do ventre e flamenca. Onde as três convergem em sua linha genética? As três tem a dança cigana como seu ascendente. E acho que isso é determinante para que o Tribal tenha nascido com esse espírito cigano, livre, indomável, ousado, sensual, alegre e festivo, cujas mulheres dançam entre si, resgatando sua feminilidade e ancestralidade nos dias atuais. Talvez essa seja a essência, a magia, o espírito da dança que precisamos alimentar nosso corpo nos dias de hoje, que sempre oxidam com o estilo de vida criado pelo homem industrializado, computadorizado e robotizado em sua rotina cotidiana.


** Negritos e destaques feitos pela autora deste blog, que achou pertinente ressaltar as questões que Aerith traz a tona **
Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O NASCIMENTO DO BAL ANAT...

e outras aventuras por Aziza!
Texto extraíto do blog Gilded Serpent - http://www.gildedserpent.com/articles14/aziza9BirthofBalAnat.htm

Em 1968, Jamila faz frutificar o plano que há muito estava latente em sua mente. Ela foi convidada para fazer uma palestra na Universidade de Sao Francisco, e decidiu apresentar uma cronologia da Deusa Mãe e dança correspondente através dos tempos. 

Para sua apresentação, ela alinhou uma série de bailarinas, dando grande enfoque aos trajes, danças, etc, acompanhando sua palestra. Por exemplo, ela fez para Amina um grande e lindo colar, e uma saia estilo egípcio, e queria que ela fosse de topless para parecer realmente autêntico, mas Amina não quis, então ela usou um collant cor da pele, ao invés disto. Eu era o final da apresnetação, a dançarina de cabaré moderno. Um dia antes do dia da apresentação, Bobby Kennedy foi assassinado, por isso adiamos nosso show por algumas semanas. 

A partir desta palestra / demostração teve início o famoso Bal Anat.





Jamila então formou uma Trupe e Show mais organizado levou-o para o Reinassence Pleasure Faire todos os anos. Bal Anat tinha um monte de performances inusitadas em apresentações de curta duração. Havia garotas que dançavam em copos de água, as meninas que dançavam com cobras ou espadas, e as meninas que equilibraram as coisas em suas cabeças, desde jarros simples a bandejas completas com serviço de chá. 

Na verdade, eu não deveria dizer apenas meninas, havia alguns homens que se juntaram à trupe de tempos em tempos, e que sempre foram muito populares com o público. 

Pela primeira vez Jamila apresentava um verdadeiro show planejado, ao contrário das bailarinas de "espírito livre" que iam ao Reinassence Pleasure Faire  e dançavam por todos os lugares (sem algo definido). A Feira se localizava em Marin County, CA, mas depois foi relocada definitivamente para  Black Point.
 
Jamila e o Bal Anat continuaram a se apresentar lá, até que ela e os Pattersons (organizadores) tiveram muitas divergências e Jamila deixou de se apresentar com sua trupe. O Bal Anat foi sucedido na Northern Faire por John Compton e sua trupe  Hahbi 'Ru, assim como e a trupe de Suhaila Salimpour.


Jamila queria que parecesse ao público que eles estavam assistindo a um verdadeiro show do Oriente Médio, e por isso queria um alto grau de autenticidade nos figurinos (pelo menos aparente). No início, quando fazíamos o final  (eu, alternando com Galya), usávamos um traje mais ou menos padrão cabaret, embora, com certeza, eram moedas e cores suaves. Mais tarde, quando voltei a trupe por algumas performances, e eu tinha que usar assiut com minhas moedas e estar bastante coberta, com exceção de minha barriga. A música sempre foi um fator. Claro, não poderíamos usar qualquer coisa enlatada ou amplificada, por isso precisávamos de músicos ao vivo, que poderiam tocar alguma coisa num volume alto o suficiente para ser ouvido sem amplificadores. O oud não era alto o suficiente, nem o santour nem Kanoun, mas Jamila logo descobriu que ela precisava de um mizmar, acompanhado por uma variedade de dumbeks e uma beladi tabl, assim como os gritos e zaghareets dos bailarinos. Era um algazarra, e sempre atraiu uma grande multidão. Enquanto a  filha de Jamila crescia e se desenvolvia,  ela se juntou a trupe e sendo uma linda menininha que sabia dançar, Suhaila sempre foi um grande para atração para o público.
Surgiram a partir dessas raízes, muitas trupes mais ou menos étnicas, muitas das quais, se apresentavam em pequenas produções do tipo Reinassence Pleasure Faire, em todo o país. Nenhum deles que eu já vi (exceto talvez Hahbi 'Ru) tem o escopo e refinamento do Bal Anat

Fatchance Bellydance levou  a dança étnica de aparência em uma direção diferente, e formou uma apresentação suave e perfeita, muito admirada, mas nunca alcançada por seus muitos clones. Todo o movimento tornou-se conhecido pelo termo genérico de dança tribal americana. No entanto, em geral, não se originam em qualquer cultura em particular, mas é uma fusão de muitas. (Não me refiro, aqui, às danças específicas Ouled Nail, Ghawazi, etc) Até o figurino é uma fusão, incorporando elementos da cultura indiana, cigana, beduína e assim por diante - incluindo alguns cabaret - em sua mistura. É uma linda e sedutora mistura. 

A cereja deste bolo multi-camadas é a proliferação de tatuagens em todas e quaisquer partes de corpos dos dançarinos. Eu acho que as meninas lindamente tatuadas do Fatchance Bellydance foram o verdadeiro início da tendência, que encorajou bailarinos irem além de suas tatuagens tribais temporárias e de henna para decoração de corpo inteiro.
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(Traduzido livremente por Carine Würch do site