Sempre tive dificuldades em expressar-me.
Quando criança era muito tímida e reservada. Escrevia cartas como forma de
exprimir meus sentimentos e guardava-as em uma caixa secreta. De tão
sentimental, fiz da caixa de cartas e dos diários os meus melhores amigos, meus
únicos confidentes. Gostava de brincar com pedras e colecionava insetos e
pequenos animais já sem vida. Era fascinada por fósseis e pela morte por trás
deles.
Aliás, meu nome é Diedri, tenho 26
anos e sou gaúcha. Cultivo uma imensa paixão pela dança e estou escrevendo este
texto, na tentativa de contar-lhes como esta arte entrou na minha vida.
Na adolescência, ainda um pouco
tímida, comecei a desenvolver um grande interesse pela arte e pelo oculto,
assim como me vi estritamente ligada à Natureza e seus mistérios.
Tornei-me mística, meio bruxa...
Tornei-me mística, meio bruxa...
Escrevia, desenhava e pintava. Criava poções e inventava
símbolos, amuletos... Sentia uma ligação muito forte com as músicas mais densas
e pesadas. Vi-me perdidamente apaixona pelo metal, com suas notas e melodias
obscuras.
Durante esse ciclo de mudanças e de
formação da personalidade (típico da idade) entrei em contato com uma das
minhas mais antigas facetas. Um monstro, uma alma errante, um animal faminto, a
quem chamei carinhosamente de Hölle Carogne.
Carogne, ao contrário de mim, tem
mais de mil anos e não possui raízes. Até hoje tenho dúvida quanto às suas
reais origens. Ela é a criatura mais terrena que já conheci. Cheia de pernas,
de braços, de mãos, de garras. Cheia de urgências, de apetites, de vontades.
Repleta de cores, cheiros e gostos. Faminta, cruel. Entupida de teias, de
contradições e pecados. Lábios vermelhos. Vermelho na carne. Sorrisos
escancarados.
Desde que começou a habitar-me, essa
bruxa sempre exigiu muito de mim. Sempre foi muito afoita e sempre quis tudo ao
mesmo tempo. Escreveu muito do que sentia, pintou o passado, revelou-me
histórias. Passeou comigo por lugares até então esquecidos. Trouxe-me
lembranças.
Mas chegou um tempo, em que Hölle
estava abarrotada, transbordando arte, e somente a escrita não podia saciá-la.
Ela queria mais! Então começou a ensinar-me danças antigas. Modelou meu corpo
com novas curvas e compassos. Ensinou-me ritmos. Começou com passos tímidos,
meio desequilibrados, inseguros, mas que aos poucos tomaram proporções de alma,
de universo, e se misturaram às fibras da minha carne.
Eu, Diedri, tinha feito balé por
pouco tempo e de forma bem amadora, quando criança, e já tinha a certeza que
gostava de dançar.
Mas aquele encontro, entre Hölle e
eu, à meia luz, em casa, sozinhas, com véus e incensos, proporcionou-me uma
sensação de algo já sentido antes. Trouxe-me à mente cenas, histórias, rituais
antigos. Iniciou-se assim, uma nova saga na minha vida, desta vez dentro do
mundo da dança.
Meus primeiros flertes se deram de
forma bem amadora e autodidata, tendo como companheira a minha amiga Paula
Knecht, que assim como eu, entrava em contato com a dança na mesma época.
Em 2007, iniciei um curso de dança do
ventre com a professora e amiga Fernanda Nuray, com quem aprendi as bases em
danças árabes e muito do conteúdo musical e didático.
Logo depois, entre 2008 e 2009, tive
aulas de dança do ventre com a professora Ana Mariela Gottlieb, que me ensinou
muito sobre autoestima e me apresentou de forma elogiosa a Dança Tribal, ao
falar que minha movimentação e jeito lembravam uma bailarina deste estilo de
dança.
Ao ver um vídeo deste estilo, me
emocionei muito e à partir deste momento comecei uma grande pesquisa na área,
pois infelizmente não tinha como praticar aulas por falta de professores.
Hölle, de tão entusiasmada e
eufórica, faltava me saltar pela boca, extirpar-me as vísceras. Era algo muito
familiar para ela. Ela reconhecia alguns trejeitos, alguns passos, se
identificava com as expressões. Ela balbuciou durante dias a fio que era isto
que procurávamos. Que era este o caminho que devíamos seguir. E eu, mais uma
vez, segui a intuição dela.
Em 2010 fiz aulas de danças árabes
com a professora Egnes Gawasy, que me ensinou muito sobre minha forma
sinestésica de aprendizado e com quem tive meus primeiros aprendizados em Dança
Tribal.
Entre 2011 e 2013, fiz aulas e
workshops de Dança Tribal com a bailarina Bruna Gomes e tornei-me aluna da
Escola Al-málgama, onde obtive todas as principais bases deste estilo,
aprofundei meus conhecimentos na área e iniciei minha carreira como bailarina,
participando de festivais produzidos pelo próprio grupo, e também, do Festival
de Dança de Joinville (nos palcos abertos).
No início deste ano, fiz aulas
particulares de tribal e obtive orientações coreográficas com a bailarina
Fernanda Zahira Razi, que contribuiu muito para a minha evolução.
Há pouco tempo, comecei a dar aulas
particulares como forma de experenciar e vivenciar melhor a dança. E tem sido
maravilhoso compartilhar o meu conhecimento e um pouquinho da minha alma.
Este ano, iniciei meu primeiro
trabalho coreográfico em parceria com a bailarina Michelle Loeffler. Foi uma
experiência mágica, pois juntas trocamos diversos conhecimentos e aprendemos
uma com a outra, além de termos arquitetado um trabalho lindo e cheio do nosso
sentimento e da nossa aura.
Também este ano, participei de outro
trabalho coreográfico, juntamente com a bailarina Mayara Ahlam e a coreógrafa
Jade Corrêa. Idealizamos um trabalho de fusão de tribal com jazz, que ganhou 2º
lugar no Festival Vem Dançar 2013. Com esse trabalho, aprendi muito sobre
técnica de dança e respeito entre bailarinas. Além de ter conseguido trabalhar,
com a ajuda dessas duas profissionais, a minha segurança no palco.
Atualmente, minha vida na dança
consiste, principalmente, em aprender! Aprender com novos professores, com
novas parcerias, com a minha aluna, com as minhas pesquisas, mas também, comigo
mesma e com as minhas faces mais obscuras, que aos poucos, venho resgatando.
Entrar em contato com a minha própria forma de dançar é meu maior objetivo. Não
busco técnica em primeiro lugar, busco uma forma sincera de expressão. Busco um
contato carnal com a terra, já que a minha boca não sabe suplicar. A minha
dança vem do ventre e sobe pela coluna. O que busco é o seu ápice, o momento em
que ela explodirá em emoção e transcenderá meu corpo físico. O momento em que ela
entrará em contato direto com o Universo.
Aliás, eu sou a Diedri e venho
dividir um pouco da minha história com vocês.
E esta é a Hölle, Hölle Carogne, a
alma por trás de toda essa história. Quem me impulsiona, quem me inspira, quem
mais me ensina. Ela é anciã, é jovem, é criança. É homem, mulher, bicho. É
corpo, alma e vísceras. É dança, poesia, pintura, música e magia. É ancestral,
terrena, etérea. É Tribal!
Aqui estão alguns dos seus vídeos:
Aqui o link para coreografia CHRONUS
Diedri, também possui uma página no Facebook - Hölle Carogne - com muitas publicações do seu BLOG. E atualmente escreve uma coluna para o Aerith Tribal Fusion {Blog} - Venenum Saltationes
** Material enviado por Hölle Carogne para este Blog para publicação e divulgação.
Dando ao Blog Nossa Tribo & Nossa Dança o direito de divulgar sua imagem, escritos e vídeos. **
Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança





