sexta-feira, 28 de março de 2014

BAILARINA - HÖLLE CAROGNE


Sempre tive dificuldades em expressar-me. Quando criança era muito tímida e reservada. Escrevia cartas como forma de exprimir meus sentimentos e guardava-as em uma caixa secreta. De tão sentimental, fiz da caixa de cartas e dos diários os meus melhores amigos, meus únicos confidentes. Gostava de brincar com pedras e colecionava insetos e pequenos animais já sem vida. Era fascinada por fósseis e pela morte por trás deles.

Aliás, meu nome é Diedri, tenho 26 anos e sou gaúcha. Cultivo uma imensa paixão pela dança e estou escrevendo este texto, na tentativa de contar-lhes como esta arte entrou na minha vida.

Na adolescência, ainda um pouco tímida, comecei a desenvolver um grande interesse pela arte e pelo oculto, assim como me vi estritamente ligada à Natureza e seus mistérios. 

Tornei-me mística, meio bruxa... 

Escrevia, desenhava e pintava. Criava poções e inventava símbolos, amuletos... Sentia uma ligação muito forte com as músicas mais densas e pesadas. Vi-me perdidamente apaixona pelo metal, com suas notas e melodias obscuras.
Durante esse ciclo de mudanças e de formação da personalidade (típico da idade) entrei em contato com uma das minhas mais antigas facetas. Um monstro, uma alma errante, um animal faminto, a quem chamei carinhosamente de Hölle Carogne.

Carogne, ao contrário de mim, tem mais de mil anos e não possui raízes. Até hoje tenho dúvida quanto às suas reais origens. Ela é a criatura mais terrena que já conheci. Cheia de pernas, de braços, de mãos, de garras. Cheia de urgências, de apetites, de vontades. Repleta de cores, cheiros e gostos. Faminta, cruel. Entupida de teias, de contradições e pecados. Lábios vermelhos. Vermelho na carne. Sorrisos escancarados.

Desde que começou a habitar-me, essa bruxa sempre exigiu muito de mim. Sempre foi muito afoita e sempre quis tudo ao mesmo tempo. Escreveu muito do que sentia, pintou o passado, revelou-me histórias. Passeou comigo por lugares até então esquecidos. Trouxe-me lembranças.

Mas chegou um tempo, em que Hölle estava abarrotada, transbordando arte, e somente a escrita não podia saciá-la. Ela queria mais! Então começou a ensinar-me danças antigas. Modelou meu corpo com novas curvas e compassos. Ensinou-me ritmos. Começou com passos tímidos, meio desequilibrados, inseguros, mas que aos poucos tomaram proporções de alma, de universo, e se misturaram às fibras da minha carne.
Eu, Diedri, tinha feito balé por pouco tempo e de forma bem amadora, quando criança, e já tinha a certeza que gostava de dançar.
Mas aquele encontro, entre Hölle e eu, à meia luz, em casa, sozinhas, com véus e incensos, proporcionou-me uma sensação de algo já sentido antes. Trouxe-me à mente cenas, histórias, rituais antigos. Iniciou-se assim, uma nova saga na minha vida, desta vez dentro do mundo da dança.

Meus primeiros flertes se deram de forma bem amadora e autodidata, tendo como companheira a minha amiga Paula Knecht, que assim como eu, entrava em contato com a dança na mesma época.

Em 2007, iniciei um curso de dança do ventre com a professora e amiga Fernanda Nuray, com quem aprendi as bases em danças árabes e muito do conteúdo musical e didático.

Logo depois, entre 2008 e 2009, tive aulas de dança do ventre com a professora Ana Mariela Gottlieb, que me ensinou muito sobre autoestima e me apresentou de forma elogiosa a Dança Tribal, ao falar que minha movimentação e jeito lembravam uma bailarina deste estilo de dança.

Ao ver um vídeo deste estilo, me emocionei muito e à partir deste momento comecei uma grande pesquisa na área, pois infelizmente não tinha como praticar aulas por falta de professores.

Hölle, de tão entusiasmada e eufórica, faltava me saltar pela boca, extirpar-me as vísceras. Era algo muito familiar para ela. Ela reconhecia alguns trejeitos, alguns passos, se identificava com as expressões. Ela balbuciou durante dias a fio que era isto que procurávamos. Que era este o caminho que devíamos seguir. E eu, mais uma vez, segui a intuição dela.

Em 2010 fiz aulas de danças árabes com a professora Egnes Gawasy, que me ensinou muito sobre minha forma sinestésica de aprendizado e com quem tive meus primeiros aprendizados em Dança Tribal.

Entre 2011 e 2013, fiz aulas e workshops de Dança Tribal com a bailarina Bruna Gomes e tornei-me aluna da Escola Al-málgama, onde obtive todas as principais bases deste estilo, aprofundei meus conhecimentos na área e iniciei minha carreira como bailarina, participando de festivais produzidos pelo próprio grupo, e também, do Festival de Dança de Joinville (nos palcos abertos).

No início deste ano, fiz aulas particulares de tribal e obtive orientações coreográficas com a bailarina Fernanda Zahira Razi, que contribuiu muito para a minha evolução.

Em setembro deste ano saí do Grupo Al-málgama.

Há pouco tempo, comecei a dar aulas particulares como forma de experenciar e vivenciar melhor a dança. E tem sido maravilhoso compartilhar o meu conhecimento e um pouquinho da minha alma.
Este ano, iniciei meu primeiro trabalho coreográfico em parceria com a bailarina Michelle Loeffler. Foi uma experiência mágica, pois juntas trocamos diversos conhecimentos e aprendemos uma com a outra, além de termos arquitetado um trabalho lindo e cheio do nosso sentimento e da nossa aura.
Também este ano, participei de outro trabalho coreográfico, juntamente com a bailarina Mayara Ahlam e a coreógrafa Jade Corrêa. Idealizamos um trabalho de fusão de tribal com jazz, que ganhou 2º lugar no Festival Vem Dançar 2013. Com esse trabalho, aprendi muito sobre técnica de dança e respeito entre bailarinas. Além de ter conseguido trabalhar, com a ajuda dessas duas profissionais, a minha segurança no palco.


Atualmente, minha vida na dança consiste, principalmente, em aprender! Aprender com novos professores, com novas parcerias, com a minha aluna, com as minhas pesquisas, mas também, comigo mesma e com as minhas faces mais obscuras, que aos poucos, venho resgatando. Entrar em contato com a minha própria forma de dançar é meu maior objetivo. Não busco técnica em primeiro lugar, busco uma forma sincera de expressão. Busco um contato carnal com a terra, já que a minha boca não sabe suplicar. A minha dança vem do ventre e sobe pela coluna. O que busco é o seu ápice, o momento em que ela explodirá em emoção e transcenderá meu corpo físico. O momento em que ela entrará em contato direto com o Universo.

Aliás, eu sou a Diedri e venho dividir um pouco da minha história com vocês.
E esta é a Hölle, Hölle Carogne, a alma por trás de toda essa história. Quem me impulsiona, quem me inspira, quem mais me ensina. Ela é anciã, é jovem, é criança. É homem, mulher, bicho. É corpo, alma e vísceras. É dança, poesia, pintura, música e magia. É ancestral, terrena, etérea. É Tribal!
Aqui estão alguns dos seus vídeos:


Aqui o link para coreografia CHRONUS

Diedri, também possui uma página no Facebook - Hölle Carogne - com muitas publicações do seu BLOGE atualmente escreve uma coluna para o Aerith Tribal Fusion {Blog}Venenum Saltationes

** Material enviado por Hölle Carogne para este Blog para publicação e divulgação. 
Dando ao Blog Nossa Tribo & Nossa Dança o direito de divulgar sua imagem, escritos e vídeos. **
Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança