sábado, 6 de junho de 2015

FLAMENCO - RITMOS

Ritmos - O Flamenco é composto de muitos "bailes" distintos, cada um dos quais com características e intenções próprias. Estes diferentes bailes foram surgindo através da contribuição das diversas cidades e regiões andaluzas e incorporando os elementos de diversas culturas que habitaram a Península Ibérica durante séculos, além das influências trazidas pelos espanhóis do continente americano. 

Soleá - ritmo-mãe do flamenco. A palavra Soleá é uma abreviatura cigana para Soledad - solidão. Seus acordes melancólicos traduzem o lamento, a dor da perda.

Alegría - tem o ritmo idêntico ao do soleá, porém mais vibrante, alegre de acordes animados.

Bulería - ritmo que possui variantes na dança. Transformam espontaneamente o ritmo festivo do Flamenco em paixão, hipnotizando a platéia. A palavra Bulería, vem de burlar, enganar.

Sevillanas - As populares sevillanas andaluzas têm um ritmo contagiante e alegre. São geralmente dançadas em duplas de homens, mulheres e crianças. Desdobram-se em quatro partes, quando acontecem as mudanças dos pares.

Farruca - A sóbria e viril farruca é comumente dançada por homens. Mas hoje em dia, as melhores bailarinas flamencas também exibem a destreza de seus passos na farruca, como a famosa Sara Baras. O próprio nome farruca significa valente.

Mallaguenha - A província de Mallaga desenvolveu seu próprio ritmo flamenco e criaram seu próprio canto apropriado a um estado de espírito cujas letras acompanham as mais profundas emoções humanas. 

Seguiriyas - Ritmo de grande descarga emocional, é o mais cigano do flamenco. Seus acordes e sapateados soam como desabafos e reclamações pelo amor perdido, pela falta de liberdade, pelo ódio ou revolta, exigindo do bailarino e do guitarrista muita vibração emocional.



TEXTO DO SITE CENTRO DE ARTE FLAMENCA

Esta seção busca comentar pouco a pouco cada um destes ritmos ou "bailes", sem uma preocupação didática, mas sim querendo compartilhar idéias e sentimentos sobre cada um deles. 

SEVILLANAS - As Sevillanas correspondem, como diz o nome, a um ritmo originário de Sevilha, extremamente popular em toda Andaluzia, sendo derivado das antigas "Seguidillas Manchegas de Castilla", aclimatadas à região de Sevilha. Suas formas "bailáveis", que incluem Sevillanas "Boleras", "Corraleras", "Rocieras", entre outras, constituem um dos fenômenos de maior popularização de todo o cante andaluz.

As Sevillanas são muito vivas e tão populares que sofrem constantemente adaptações para novos estilos - que diferem não só pela letra, mas também pela acentuação, linha melódica e harmônica. Ainda que possa ter uma interpretação flamenca, tanto no cante como no acompanhamento musical, a Sevillana não constitui propriamente um ritmo flamenco, sendo principalmente um ritmo folclórico e popular da Andaluzia, que alimenta eventos populares como a famosa "Feria de Abril". TEXTO COMPLETO AQUI - http://www.centrodearteflamenca.com.br/ritmos.html
GUAJIRAS - A Guajira flamenca pertence a um conjunto de ritmos denominados genericamente como "Cantes de Ida y Vuelta", que agrupam ritmos que se "aflamencaram" a partir de gêneros hispano-americanos. Entretanto, não devemos nos enganar com esta classificação genérica, pois a influência da América (e em particular de Cuba) na música flamenca é bastante notável para querermos reduzi-la aos denominados "Cantes de Ida y Vuelta". Como já comentamos anteriormente quando falamos dos Tangos Flamencos, muitos outros ritmos poderiam ser considerados como 'de ida e volta".

As Guajiras se originaram a partir de um gênero cubano denominado "punto", ou "Punto de La Habana", como era chamada na Espanha. O "aflamencamento" desses elementos cubanos acabaram por cristalizar, a meados do século XIX, num tipo de composição musical que se passou a chamar de Guajira. O primeiro registro de uma possível versão flamenca que se tem data de 1860 quando se apresenta num teatro de Jerez a canção "Guajira". O gênero gozou de grande popularidade a partir do fim do século XIX, entrando numa certa decadência a partir da segunda metade do século XX. Ainda assim foi incluída no repertório dos principais guitarristas no século XX com Miguel Borrul e Ramón Montoya e na década de 30 o cantaor Pepe Marchena evoluiu a Guajira até chegar a um cante mais flamenco, não apropriado para baile.


Atualmente são conhecidas mais de 30 tipos de interpretações diferentes de Guajiras. A Guajira flamenca é cantada numa "décima", 'copla" de dez versos de oito sílabas e a temática das suas letras está freqüentemente relacionada a qualquer tema relacionado com Cuba. Com relação ou ritmo, as Guajiras usam combinações de compassos 6/8 ou 3/4 semelhante a Alegrias ou Cantinhas. 
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TANGOS - Os Tangos, como hoje são conhecidos no Flamenco, se originaram do chamado “tango americano" ritmo originário em Cuba com forte influência dos ritmos africanos e que chega aos portos da andaluzia no meio do século XIX. Do ritmo americano original se originaram os tangos de Cadiz (depois Tanguillos) e os tangos americanos que incorporaram elementos flamencos e deram origem aos Tangos flamencos, como hoje os conhecemos.

Na época da chegada do tango americano à andaluzia, muitos elementos musicais do flamenco se encontravam em estado de cristalização e os intérpretes tiveram neste ritmo uma forma interessante de representar elementos flamencos sobre compassos binários, numa divisão de dois ou quatro tempos, que representava uma novidade com relação aos demais ritmos que utilizavam predominantemente compassos de doze ou três tempos. Desta forma, o Tango Flamenco propriamente dito surgiu na virada do século como o resultado de se adaptar alguns elementos de “jaleos" andaluzes de compasso ternário, e introduzi-los ao compasso quaternário do tango americano.

O Tangos constituem um ritmo bastante rico e versátil, existindo muitas variações em suas interpretações nas diversas regiões por toda andaluzia. Como regra comum o compasso quaternário bem marcado o cante usualmente alegre e festeiro. 
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FARRUCA - Como os Tangos, os Tientos e o Garrotin, a Farruca também pertence à família de ritmos originados do tango americano, que durante o século XIX trouxe à andaluzia a influência africana dos compassos binários e quaternários. O nome Farruca, segundo alguns autores, procede do termo "farruco" como são chamados na andaluzia e em Cuba aos galegos e aos asturianos recém saídos da sua terra. Entretanto, os elementos musicais que constituem a Farruca pertencem na sua maioria ao grupo de ritmos dos tangos. Considerando, porém, as relações entre este ritmo e a Galícia, inclusive em algumas "coplas" em que se faz alusão a esta terra, não podemos deixar de considerar a Farruca como um ritmo flamenco um pouco "agalegado".

Deixando a história de lado, a Farruca se caracteriza por um ritmo construído sobre um compasso quaternário ou binário, com sua harmonia construída sobre tonalidade menor. O acompanhamento da guitarra é entrecortado ao estilo do tango argentino ou do pasodoble espanhol.

Dentre as várias manifestações do flamenco a Farruca se destaca como baile e como solo de guitarra. No baile se destaca o sapateado com uma grande profusão de contratempos e figuras rítmicas de grande virtuosismo que convertem este gênero em prova definitiva para muitos bailaores.

A Farruca apresenta múltiplas facetas: é um baile predominantemente para homens, tendo sido imortalizada por bailaores como Antonio Gades (http://www.youtube.com/watch?v=8_sWifNf_1s), entretanto vem ganhando força entre as mulheres como pode ser constatado no repertório de bailaoras como Sara Baras (http://www.youtube.com/watch?v=y5triYK92IA). 
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ALEGRIAS - As Alegrias pertencem à família das “Cantiñas" nome genérico com o qual se denomina um grupo de gêneros do Flamenco originários da província de Cádiz. 

Se diz que as Alegrias são o gênero flamenco que mais fortemente define a forma de sentir da província de Cadiz. Como diz seu nome, elas constituem um cante alegre e forte, tendo representado durante o século XIX a função de cante de festa, que seria durante o século XX ocupado pelos Tangos e, principalmente, pelas Bulerias.

Ainda que sendo um cante de festa, uma exteriorização da alegria interior de maneira profunda e completa, as Alegrias apresentam em si um elemento mais profundo, oculto entre seus compassos mas claramente perceptível nas interpretações dos grandes cantaores. Este toque de sofrimento e tristeza, jogado a segundo plano pela explosão da alma que se recusa a ser triste poderia ser definido como a alegria de quem conhece a dor, por isto mesmo muito mais forte e profunda. 
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TANGUILLOS - Os Tanguillos na sua concepção mais tradicional se destacaram inicialmente como sendo um dos diferentes estilos musicais usados pelos “gaditanos" (como se denomina aos que nascem em Cádiz) para expressar seus versos de carnaval. As melodias carnavalescas de Cadiz executadas no mais puro ambiente flamenco provocaram a cristalização do Tanguillo tradicional como gênero musical.

Sobre sua origem musical, podemos dizer que o Tanguillo, também chamado por alguns “Tango de Cadiz" pertence à mesma raiz dos Tangos Flamencos, dos Tientos e de outros ritmos semelhantes, todos eles derivados do tango andaluz primitivo ou “tango americano" cuja origem remonta à Cuba e que aportou na andalucia no século XIX. 
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