terça-feira, 6 de outubro de 2015

ENTREVISTAS - MARIA BADULAQUES

Aqui vocês poderão ler um pouco mais do trabalho de Maria Badulaques, entrevistada por Hellen Karolyne Labrino Vlattas, link para o site da autora no final da página.
O QUE É TRIBAL ATS E QUEM O CRIOU??
O ATS® é a sigla para American Tribal Style, foi criado em 1987, Carolena Nericcio-Bolhman, crescendo junto com o FatChanceBellyDance® onde Carolena experimentou e construiu tudo que hoje utilizamos para dançar o estilo e que os bailarinos de Tribal Fusion utilizam como base de suas fusões. A maior característica do ATS® é a improvisação coordenada, permitindo que possamos dançar sem maiores preocupações, visto que não há coreografia, é como prolongar a descontração da sala de aula e leva-la ao palco. Essa improvisação é feita com base em movimentos estabelecidos por Carolena ou que ela aprovou, cada qual com seu nome, intenção e variantes, há ainda os dialetos de cada trupe de ATS®, mas para dançar o necessário é conhecer os combos que pertencem ao General Skills. Dançamos em duplas, trios ou quartetos e com snujs sendo tocados durante toda música rápida, essa formação chamamos de feature e as bailarinas que acompanham logo atrás é o chorus, com movimentos harmonizados ao feature e mais simples. Durante a apresentação os membros do feature vão assumindo a posição no chorus e vice versa possibilitando que todos desfrutem da sensação de liderar e ser liderado. Há ainda os movimentos lentos que utilizamos antes da música rápida, geralmente é esta dinâmica de uma apresentação de ATS®. Lembrando que o ATS® é uma marca registrada, por isso o ® assim sendo pra dançar e chamar de ATS® tem que seguir as regras do jogo.

QUAIS AS BASES (TIPOS) DE DANÇA EM QUE O ATS SE SUSTENTA?
O ATS® tem como referência muito forte o flamenco, com aqueles braços cheios de intenção e giros, a dança clássica indiana, havendo inclusive passos com clara inspiração, como o Sunanda e o Resham-Ka (criações de Megha) e o bellydance.

COMO É VISTO O ATS POR VC? VISTO QUE O MESMO TAMBÉM NÃO DEIXA DE SER UMA FUSÃO?
O ATS® é para mim uma forma de libertação! Demorou muito desde que comecei a estuda-lo até colocar pra fora dançando publicamente, quis entender tudo, encaixar as peças do quebra-cabeças no lugar e me sentir livre com o apoderamento da técnica. E a sensação de subir ao palco pela primeira vez foi: u-huuuu, liberdade!!!

Sim, ele é em si uma fusão! Quando entendi isso me joguei no flamenco que já praticava e fui conhecer as danças clássicas indianas, mais especificamente o Odissi, que pratiquei por um período. Muito importante conhecer as bases dessa dança, lhe possibilita uma movimentação mais consciente e harmônica.

Vejo o ATS® como uma forma de dançar com o espírito livre, me conectando com as irmãs em roda... magia!!!

PARA SER CHAMADO DE TRIBAL, SEGUNDO BAILARINAS DE NOME, SE FAZ NECESSÁRIO TER MOVIMENTOS DE ATS. COM BASE NISSO, MUITAS FIZERAM O PROCESSO DE DESCONSTRUÇÃO DE MOVIMENTOS. VOCE CONCORDA COM TAL PENSAMENTO? LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO AS ABERRAÇÕES NO MUNDO DA DANÇA POR FALTA DO SABER (PESQUISAS, CONHECIMENTO, ESTUDO COM PROFESSORA DO RAMO E TALZ)?
Bem, recentemente, estudando com Kilma Farias escutei uma versão sobre o Tribal Fusion que me intrigou e passei a meditar sobre isso. Antes, pra mim, Tribal Fusion era fusão de ATS® + outro estilo de dança, e aquilo que vinha de uma fusão de dois estilos que não envolvia o ATS®, eu interpretava como FUSÃO. Hoje, pensando no assunto creio que depende do seu ângulo de visão, de como interpreta a dança, sua estética, e se realmente precisamos rotular tudo. O que é isso? É dança, curta! Não pense, aproveite! Há uma gama de profissionais que construíram seu tribal com origens distintas do ATS®...um outro secto, com outras referências. Pelo fato de não usarem ATS® será que deveríamos chamar de Fusão simplesmente? E se fossemos chamar de Fusão, qual o problema? Rachel Brice foi categórica no curso que fiz com ela, o Tribal Fusion tem como mãe o ATS®, contudo Rachel foi aluna de Carolena, portanto vem deste segmento que o usa como referência e base.

Hoje, penso que tudo é dança!!! Se interpreta o Tribal Fusion como filhote do ATS®, ótimo... use (sem abusar) da referência principal e fomente um trabalho limpo com a solidez de duas técnicas (a de base e a outra). Se interpreta o Tribal Fusion sem referências ao ATS®, utilizando a estética de Dalia Carella, ótimo... crie seu trabalho tecnicamente com bases claras no que será sua referência.

Para quem usa o ATS® como base em sua fusão é natural sua desconstrução, afinal se não fosse assim não seria fusão, seria o ATS® in natura, mas em determinadas ocasiões me sinto confusa se a pessoa não sabe a técnica ou se desconstruiu tudo, e aquilo que mostra é intencional, o bom-senso deve estar presente para não causar essa estranheza no público... aliás bom-senso nunca é demais.

O AMERICAN TRIBAL STYLLE TEM QUANTOS ANOS???
Bem, como nasceu na década de 80 tem quase três décadas! U-huuuuuuuu

O IMPROVISON TRIBAL STYLLE (ITS) TAMBÉM É TRIBAL, QUAL A DIFERENÇA DO MESMO PARA O ATS???? E QUEM O CRIOU???
O ATS® tem regras bem claras e estabelecidas, formações, movimentos não cabe criar nada, a criação fica no campo das fusões... então não tocou snuj, não tá na formação estabelecida, não usa os movimentos (combos) do estilo, não é ATS®!!! É mais fácil, quando olhamos uma dança e queremos diagnostica-la analisar assim: é ATS®? Não, não é! Daí, pode ser uma variedade de estilos, inclusive o ITS. Unmata pratica ITS, as Wildcard bellydance também e veja que são estilos totalmente distintos mas que tem como base IMPROVISO COORDENADO, que tipo de improviso? Aquele que a trupe desejar trabalhar, então pode ser visualmente muitoooo próximo ao ATS® ou muiiiito distante.

O CERTIFICADO DA CAROLENA NERICCIO, É UM OURO E UMA GRANDE PORTA DE ENTRADA, VISTO QUE A MESMA É A MÃE DO TRIBAL PRIMITIVO, ME FALE UM POUCO SOBRE AS ETAPAS PARA CONSEGUIR O CERTIFICADO, A TUA EXPERIÊNCIA DE AULA COM ELA FOI DE QUANTO TEMPO???
Nossa, mudou minha vida! Arrepia tudo quando lembro da sua entrada na sala de aula, poder total!!! 

As etapas são concluir todo General Skills (Clássico e Moderno) e então se submeter ao Teacher Trainning, após se escreve um e-mail para Carolena que aprovando seu pedido lhe classifica com o Sister Studio, mas hoje em dia há várias nomenclaturas que Carolena nos estimula a usar profissionalmente, como o ATS® Certified, para quem realizou todo processo e não fez o TT.

Fiz 20h de aulas com Carolena divididas em 4 dias power, esta vivência fez toda diferença na minha dança. Escutar dela como ela idealizou, quais foram suas referências e motivação para o ATS® foi o que colocou todo quebra-cabeças no lugar. Além disso, tive alguns momentos conversando com ela que foram muito especiais pra mim!!!

Minha expectativa é que estudar com Carolena seja somente o ponta pé inicial e que possibilite mais estudo, aprofundamento, afinal o título não significa NADA se o estudo não se perpetua. Somos todos INICIANTES nesta dança, manter o ego controlado e a visão no horizonte.

A DANÇA QUE TEM O IMPROVISO COORDENADO, POR LÍDERES, TAMBÉM CHAMADA DE "SIGA OS PASSAROS". ME FALE UM POUCO.
Flock of birds eis a chave da nossa conexão! Seguimos o líder que se altera conforme a troca, conforme o turn (giro). Dentro deste conceito o que me fascina é que a dança não é sobre o ser individual, mas sobre o coletivo. A sua dança, sua técnica deve se conectar ao da amiga ao lado e devemos ter sempre em mente puxar movimentos dentro da possibilidade do mais inexperiente, afinal não é sobre como você é hábil e sim sobre como o grupo é coeso.

Amo quando entramos no círculo, que me remete as Danças Circulares, e foi numa dança de roda que Carolena desfrutou da liberdade de dançar sem amarras, a partir desta sensação e com ela em mente começou a surgir o que conhecemos como ATS®.

A DEMONSTRAÇÃO DE ATS PODE SER CHAMADO DE SOLO???? VISTO QUE O ATS FOI CRIADO PARA SE DANÇAR VARIOS BAILARINOS NO PALCO.
Sim, se você dança ATS® com uma parceira é um dueto, este é o mínimo para chamarmos de ATS®. Se pretende dançar tudo e mais um pouco sozinha, ainda que usando passos de ATS® chamamos de SOLO, simplesmente solo. No ATS® não há danças individuais porque o conceito e sua estética nos remete ao coletivo.

EXISTE POR CAROLENA UMA QUANTIDADE DE MOVIMENTOS NA SUA TOTALIZAÇÃO???
Não sei se entendi a pergunta, mas se você se refere se os movimentos tem uma quantidade final (ex: x movimentos de ATS®)... se for isso, bem. Temos os passos do clássico, que são aqueles e estes não mudam e não são acrescidos de novos, existe o moderno que já foi a absorção de tudo que estava rolando na ocasião e agora há os dialetos que são criações das trupes. Ou seja, o ATS® evoluiu e continua crescendo ☺

PARA SE ADQUIRIR O CERTIFICADO QUANTO TEMPO SE FAZ NECESSARIO???
Sabe o bom senso? É ele que vai dosar isso! Porque não há uma prova, assim sendo não há reprova, se você se matricular no TT certamente vai ter seu certificado ao termino, basta não perder as aulas, o que pode demorar é a aprovação de Carolena pra lhe nomenclar como uma sister, mas uma vez terminado o TT, certamente se transformará em sister studio uma hora ou outra. 

Então, antes de buscar o título, busque o estudo, respeite suas antecessoras, doe-se, dedique-se... não se trata de TER o título, mas SER merecedora dele. 

O merecimento vem com muiiiiiiiiito, mas muito investimento em aulas particulares, em grupo, estudo solitário em casa é isso que torna orgânica a técnica. Entenda a filosofia da dança, a motivação do DRESS CODE, não só se apoderar da técnica, afinal o ATS® para muitas é um estilo de vida.

A NOVA GERAÇÃO AINDA PROCURA O ATS DE FORMA A DAR CONTINUIDADE??? OU SEJA VC OBSERVOU ISSO ENQUANTO TEVE AULA , OU PELO MENOS DURANTE O TEMPO EM QUE VC CONVIVEU LÁ NA CALIFORNIA???
Eu vou pra Califórnia em 2016, participar de uma rotina puxada de workshops durante o Homecoming e aulas avançadas antes do evento com Carolena e Kristine, mas aqui no Brasil o ATS® tem se expandido muito, o que é ótimo. Há turmas novas e alunas ávidas por dançar tilintando os snujs, coisa de louco quando eles tocam... tudo muda! 

Vejo um futuro promissor sim, seja aqui seja na Califórnia... em qualquer lugar do planeta.

QUAL A VISÃO DA CAROLENA COM RELAÇÃO AS FUSÕES, E A DIFUSÃO DO TRIBAL CRIADO POR ELA, POIS JÁ FOI OBSERVADO QUE MUITOS ADMIRAM O SE TRABALHO A SUA ARTE, MAS, NÃO POSSUEM CERTIFICADO.
Então, ela nos disse que se você olha os passos e movimentos de ATS® e eles fazem sentido para você, então você é uma dançarina de ATS®, mas se tem vontade de mexer aqui, se movimentar diferente ali, então seu caminho é a fusão. Não há melhor ou pior caminho é uma questão de escolha e cada um seguir sua verdade.

Acredito que quanto ao certificado seja também uma questão de investimento, que é bem alto ou talvez uma questão de necessidade, será que o certificado é importante para todos? Depende do que caminho quer trilhar.

QUAL A NECESSIDADE DE SE ESTUDAR POR INICIO O ATS?????
Bem, ele nos dá uma base muito sólida e rica de trabalho! Sabendo e se apropriando da técnica você tem infinitas possibilidades de criação. Há muitos solos de tribal fusion repletos de ATS®, as vezes a bailarina até desconhece que aquele passo é original do ATS®, por isso ser tão importante conhecer realmente as bases de sua fusão, se for o caso.

SUA VISÃO SOBRE AS RAMIFICAÇÕES DO TRIBAL FUSION (DARK, VINTAGE, PIRATE, BURLESCO, BRASIL, INDUSTRIAL, GIPSY ETC)?
Sabe, essa multiplicidade de nomenclaturas me deixam tão confusa!!! Tirando uma ou outra, como por ex: Tribal Brasil que encaro ser mais do que usar música nacional, mas realmente estudar as danças populares brasileiras, entender nossa cultura, coloca-la claramente na proposta e ver o que fica harmonioso na hora da fusão, geralmente olho e penso é dança, ponto final!!! Além do que, tem pessoas que caracterizam sua dança de uma forma e o público interpreta e enxerga de outro. Para que tanta sub-divisão? Chama de tribal, chama de fusão... acho confuso!!! Chama de dança!!!!

Vi Kilma explicando lindamente o que ela entende como Dark Fusion, vejo pessoas chamando de Dark Fusion, uma interpretação bem Gótica, há margem para várias interpretações... acredito que isso é fruto do crescimento, estamos experimentando, reconhecendo o terreno... nos arriscando. O processo é esse, anos na frente é possível que todas essas sub-divisões sejam chamadas simplesmente de Tribal.

DEIXE UMA MENSAGEM SOBRE TUDO O QUE VC APRENDEU NA DANÇA ATS, E COMO ELA TE TROUXE BENEFÍCIOS.
O ATS® mudou minha vida!

Sou advogada de formação, mas sempre dancei, com vários hiatos no percurso, contudo sempre voltando e procurando a dança que moveria minha alma. A libertação, o sentimento de TOU LIVRE, veio com a Dança Circular Sagrada, onde a única prioridade é ser feliz, se conectar com a pessoa ao lado, por isso decidi que o ATS® somente seria apresentado em público quando me sentisse LIVRE e assim foi, estava feliz... tranquila quando me apresentei pela primeira vez, acredito que a única ocasião que senti um certo nervoso em dança-lo foi quando levei minha primeira aluna para sua apresentação inaugural, fiquei mega tensa, mas só até tudo começar... depois é como injeção de adrenalina no corpo, me jogo... e não penso em nada... só me liberto. 

Mudei meu estilo de vida, minha rotina, meu humor (já não chego a noite do trabalho no fórum querendo matar ninguém, porque corro pra alguma aula, ensaio e tudo volta a me harmonizar), minha família maravilhosa mudou também, todos dançam, minha filha, minha mãe (com quem estudo Dança Circular), meu marido e filho apoiam demais, então inequivocamente dançam com os olhos. 

Eu tinha compulsão por sapatos, cheguei a ter centenas e mais centenas de pares, hoje vejo como minhas prioridades mudaram, há meses (várioooos) não compro um par novo, quando meu marido me pergunta o que quer de aniversário, respondo: tal curso de ATS®. E de Natal? Viajar pra tal lugar pra estudar ATS®... enfim, minha vida gira em torno de estudar o ATS®!!! 

E agora invisto no 1º Festival Internacional do blog que criei, o Pilares do Tribal, com Kae Montgomery presente. U-huuuuu

Meu objetivo? Estudar e aproveitar a trajetória. Todas danças que pratico (Dança Circular, flamenco... bata de cola) são formas de estruturar meu corpo e mente para o ATS® e em 2016 junto a uma parceira querida, a Natalia, estarei representando o Brasil no ATS® Homecoming, em San Francisco-CA, um festival destinado ao ATS®. Estaremos levando um dueto com música nacional (Asa Branca do Gonzagão) e vestidas da mais bela chita e crochê, ou seja o ATS® pode ser a cara da nossa cultura, se respeitarmos seu estilo. 

Haja coração, dançar pra Carolena, Masha... com uma música que diz tanto das minhas origens e com um figurino crochetado por minha mãe... estarei levando toca minha ancestralidade e coração em cena, com uma única preocupação na mente: ser perfeita nas imperfeições e feliz com todo meu coração pulsando.

Um forte xero no pulsante cravejado de ATS®.