terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ENTREVISTA - DAIANE RIBEIRO

Dança tribal: fusão, mutação, evolução...
Texto extraído do blog: http://absoluta-danca.blogspot.com.br/2009/03/danca-tribal-fusao-mutacao-evolucao.html
Fenômeno irradiante mundial, a dança tribal reúne em alquimia as influências de várias vertentes étnicas, artísticas ou ritualísticas, como a africana, a indiana e a cigana. Integrante do grupo de Karina Iman, bailarina de dança oriental egípcia desde 1998, Daiane Ribeiro encontrou no tribal o que completaria sua expressão. Ela afirma que o estilo funciona como o ponto de mutação da dança do ventre, dissolvendo e transcendendo seu aspecto caracterizadamente sensual e provocativo, e absorvendo muito mais o artístico, o profissional, o espiritual e o emocional. "É como uma ascensão em termos energéticos que se alinha também ao pensamento e a intenção", opina. "Se sua vontade é mostrar sua gratidão ou contar uma história, se é demonstrar poder ou emoção, ou apenas ilustrar a música com a habilidade corporal que possui, a escolha é sua".

O que é a verdadeira dança tribal? É toda dança étnica e primitiva que podemos encontrar em diversas culturas do mundo. São manifestações artísticas ou ritualísticas em forma de dança, tal como a africana, a indiana, a cigana. Porém, a nomenclatura que empregamos atualmente como dança tribal foi difundida como um novo estilo de dança no qual podemos usar fusões entre várias danças étnicas, tendo uma delas como base principal. Surgiu nos EUA como ATS (american tribal style) e vem se espalhando pelo mundo inteiro abrindo espaço para infinitas posibilidades de criação. Ela se tornou uma dança muito pessoal dentro de cada grupo, pois cada bailarina enfatiza aquilo que acha mais importante em sua expressão.


O tribal, ao mesmo tempo que disciplina, não limita a criatividade e transforma cada coreografia numa peça única. Os detalhes, as transições, os momentos tranqüilos ou impactantes, distribuídos dentro de uma composição musical, prendem a atenção de quem assiste. A interação e a identificação entre público e bailarino é imensa. O figurino não visa o luxo, traz elementos rústicos que tem muito mais a ver com nossa situação atual e nossa vontade de resgatar o respeito à natureza.



A dança egípcia é emocional, é festiva, fala muito de amor e precisa de muita habilidade, espontaneidade, é um trabalho diferente. Com o Tribal, acentuou a riqueza do detalhe, da postura, da limpeza e definição, mesmo com os movimentos mais básicos. As pessoas conseguem ver a dança toda com clareza e absorvem toda a intenção de força e espiritualidade. A Dança Tribal traz uma conexão com as raízes, a força e a espiritualidade. Pode ter ligação com a natureza, com nosso tempo, com o caos ou com a busca pelo sagrado.

Apesar da dança oferecer diversas possibilidades de criação, ainda assim é importante usarmos sempre o bom senso e a pesquisa para sermos coerentes com a realidade e o público. Não vamos misturar etnias de forma irrelevante, cada elemento cultural deve ser utilizado com critério, o público reconhece o que é bom e o que se torna meramente "capitalista" ou "descartável".

A dança do ventre, uma das raízes utilizadas para as fusões, tem se vinculado muito ao sensual, ao provocativo, quando na realidade, pra quem estuda há mais tempo, esse aspecto se dissolve e transcende, perdendo grande parte deste caráter e absorvendo muito mais o artístico, o profissional, o espiritual e o emocional. É como uma ascensão em termos energéticos que se alinha também ao pensamento e a intenção. Pois a Dança Tribal é o ponto de mutação da Dança do Ventre. Ela não enfatiza o luxo nem busca estereótipos, ela dá a liberdade que precisamos para transmitir a intenção que colocamos ao dançar. Se sua vontade é mostrar sua gratidão ou contar uma história, se é demonstrar poder ou emoção, ou apenas ilustrar a música com a habilidade corporal que possui, a escolha é sua.

Com muito empenho, muitas bailarinas têm conseguido transmitir essa "escala evolutiva" ao longo do seu trabalho, inspirando e esclarecendo o maior propósito de uma dança feminina: revelar a sua verdadeira beleza em arte através do movimento em música. A dança por si só já realça a sensualidade feminina naturalmente, não há necessidade de enfatizarmos ainda mais esse poder. Com a tribal isso também pode vir a acontecer no momento em que perdermos a razão e utilizarmos seus movimentos com figurinos e expressões inadequados.

A dança tribal é uma maravilhosa chance que temos de mostrar que uma mulher que dança não representa sempre aquela que seduz sexualmente. Ela representa a mulher que sabe a hora certa de falar e de agir, a mulher que conhece sua força e suas aptidões, a mulher que trabalha e estuda, a mulher que protege e nutre, mas sabe o limite de tudo isso para cuidar de si mesma.

Daiane Ribeiro - Bailarina de dança oriental egípcia desde 1998. Encontrou no estilo tribal o que completaria sua expressão. Integrante do grupo de Karina Iman desde 2001, estudou também com Lulu Sabongi, Carlla Sillveira e Hadia. Participou de várias feiras e grandes eventos, tais como Porto Alegre em Dança, Feira Harém, Festivais de Itajaí e Mercosul, conquistando posições de destaque em categorias solo e grupo.

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VÍDEOS - Sirin Tribe ao som de Theodor Bastard

Obrigada, Marina Segalla!

THEODOR BASTARD - Takaya Mija featuring dance project "Sirin Tribe".

Directed by Yana Istoshina
Dance show by Sirin Tribe
Music and voice by THEODOR BASTARD.

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Sessão VÍDEOS - Fonte de inspiração em forma de vídeos : Vídeoclipes. Videodança. Video de dança. Vídeos de Grupos. Coreografias. Divulgações. Tribal | ATS | Flamenco | Fusões | Dança Oriental
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domingo, 5 de janeiro de 2014

BOLSHOI - Bailarina Brasileira no Ballet Russo

"Numa dança de dois como a nossa, falar muito é dispensável, basta ouvir a música, olhar nos olhos e sentir." (Mariana Gomes)

Um lindo relato da trajetória da bailarina brasileira Mariana Gomes no Ballet Bolshoi. Peguem um lenço. 


Pas de deux – em francês, passo de dois. E, como toda bailarina sabe, no começo de um ensaio de pas de deux pouco se conhece de seu partner, parceiro. Mesmo que abrace e conviva e trabalhe junto, pouco se sabe dele, e com o tempo, mesmo que com poucas palavras, a troca de olhares, o suor, a tentativa de vencer juntos todos os passos e desafios da dança, fazem você conhecer o seu parceiro sem sequer muito falar. E próximo à apresentação, depois de muito ensaio, os parceiros de um pas de deux se sentem tão próximos como se fossem melhores amigos de muitos anos.
Ao chegar a Moscou, oito anos atrás, minha professora russa do Brasil, Galina Kravchenko, me aconselhou a frequentar as aulas de clássico da Professora Svetlana Adyrkhaeva, às 10 da manhã – a aula mais disciplinada, e conhecida como uma das mais rígidas do Teatro.
Svetlana Adyrkhaeva no palco, como bailarina, em "Uma Lenda de Amor", de Arif Malikov
Comecei a frequentar suas aulas e, como num começo de pas de deux, mal sabia quem era quem, quem era Svetlana, suas alunas russas com linhas maravilhosas que ficavam na barra central, primeiras bailarinas e meninas do corpo de baile, eu mal conseguia me concentrar nos exercícios passados, tamanha a minha fascinação por tudo a que eu assistia durante as aulas.
Ela sabia de onde eu era, sabia que pouco eu entendia russo, mas não deixava de ser rígida comigo. Com o tempo fui entendendo quem ela era, e um dia ela me disse: “Você não entende o que eu estou falando em russo? Eu também não entendia russo quando cheguei aqui. Você sente saudade de casa? Eu também sentia quando vim para cá.”
Eu não entendia o que ela quis dizer, quando descobri que ela era da Ossétia, região caucasiana que fazia parte da União Soviética, onde eram selecionadas crianças que viviam no campo, no interior, pelo seu físico. Eram enviadas as mais talentosas para aprender balé aos sete anos de idade em São Petersburgo. E foi assim que começou a jornada da minha professora. Ela entrou num trem com a mãe, a mãe saiu no meio do caminho e a deixou chorando dentro do trem, e o destino final foi São Petersburgo, onde ela entrou na Escola Coreográfica Vaganova, e saiu com o papel de Odette e Odille oito anos depois, convidada a dançar no Teatro Bolshoi de Moscou.
Hoje com 75 anos, ela foi aluna de Galina Ulanova e Marina Semionova, e é um símbolo de disciplina e determinação dentro do Bolshoi, fazendo com que todas as suas alunas sejam vistas da mesma forma. Pouco importa a ela em que papel – valsa do corpo de baile ou primeira bailarina de cisne branco –, ela sempre vê suas alunas, faz correções e briga por elas, defendendo cada uma com unhas e dentes.
Entrar na aula de Svetlana Adyrkhaeva não é fácil. É preciso frequentar sem ausência nenhuma, explicar o motivo de cada vez em que você faltou, usar meia rosa como no palco, todos os dias, falar quando sente dor, e onde e porquê, avisar quando está menstruada, avisar quando vai viajar ou se ausentar. Cada uma tem seu lugar na barra e deve perguntar a ela se pode mudar. Usar sapatilha sempre limpa e com fitas costuradas, saia clara e curta para que as pernas sejam vistas. Se sair mais cedo da aula, deve avisar a ela se tem ensaio. Nunca frequentar aula de outro professor. Sim, não é fácil permanecer neste regime quando se sabe que dentro de um teatro existem varias aulas, cada um faz aula quando pode e com o professor que deseja, com a roupa com que se sente confortável, somente para aquecer e manter a forma, mas não no caso da aula de Svetlana Adyrkhaeva.
Receber uma correção dela, ou um elogio, era motivo de alegria para a semana toda. Não só para mim, mas para qualquer novata que chegasse a frequentar sua aula. Lembro quando pela primeira vez dancei o balé “La Bayadère”, que terminava às 23 horas. Estava muito cansada depois do quarto espetáculo e não consegui chegar a tempo no teatro no dia seguinte para a aula dela às 10 da manhã. E fui à aula das onze com outro professor. Ela me repetiu isso por uns dois meses, lembrando aquele dia em que eu não consegui acordar e estava muito cansada, e lembro que eu não me conformava de ela não entender que eu queria mas não conseguia, fisicamente cansada, fazer sua aula. Por muito tempo frequentei sua aula, sem vontade e com a sensação de que não aguentaria tão forte exigência. Sabia que a maioria do Teatro frequentava outras aulas e não passava por esse tipo de situação. Mas sabia que as mais disciplinadas estavam ali, e, se elas ainda frequentavam esta aula, motivo teriam...
Anos e anos se passaram, correções e correções, e ela já fazia parte da minha vida. Nosso encontro de cada manhã era sem muitas palavras, mas ela já fazia parte da minha vida. Nos dias em que chegava triste e cansada, nos dias em que sofri com a doença do meu pai, tudo ela percebia, tudo ela sabia e com poucas palavras comentava: força, não se entregue. E cada palavra dela para qualquer bailarina tinha muito significado.
Este ano ela completou 75 anos, e do Teatro ela ganhou um espetáculo só seu. Onde ela mesma escolhe o elenco e o repertório, porém, claro que com a aprovação do diretor atual, Serguey Filin.
Sabendo que sua aula é frequentada na grande maioria por primeiras bailarinas e solistas, sua noite foi repleta de grandes pas de deux e solos para suas alunas. Ninguém mais subia ao palco naquela noite, além de suas solistas preferidas. Foi com muita surpresa que vi meu sobrenome no mural entre uma das quatro solistas para o “Grand Pas de Raymonda”. A parte considerada solo, em que no espetáculo de “Raymonda” normalmente dançam grandes nomes, mas não o meu. E na sua noite de Gala, lá estava meu nome entre três solistas.
Ela confiou em mim. Sabendo de tal responsabilidade, eu lhe agradeci, e ensaiamos todos os dias atá a grande noite do seu espetáculo. Ao meu lado três solistas que sempre dançam este Grand Pas de Deux como se estivessem bebendo água, já faz parte do dia a dia delas, mas não do meu, artista do corpo de baile. Ela sabia disso, o meu medo era enorme, e o que era maior que o medo era a certeza de que, se ela confiou em mim na noite mais importante de sua carreira, com certeza tinha motivo.
Esse dia chegou, 27 de outubro de 2013, um domingo, plateia cheia e meu coração disparado, o nosso número era o primeiro. A minha ansiedade era muita, não via a hora de dançar e agradecer-lhe por tudo. Mas sabia que depois do espetáculo teríamos um coquetel em sua homenagem, com flores, champanha, caviar, discurso, pessoas importantes, e chegar até ela seria mais que impossível. Resolvi então entregar flores junto com uma carta, em russo, tentando explicar em palavras tudo que senti ao ser escolhida e ao subir ao palco naquela noite.
A carta foi entregue, possivelmente não lida, era um mar de buquês de flores, um mar de fãs e homenagens a ela. E depois do espetáculo as suas alunas mal conseguiram vê-la.
Mas o trabalho continua, e no dia seguinte tivemos sua aula como sempre pela manhã. Cada um no seu lugar específico na barra, com sua saia, meia rosa, disciplina de escola. Ela chega pontualmente na sala e faz sinal, e... a pianista começa a tocar, e nosso primeiro exercício começa pontualmente o grand plié. Todos concentrados, se olhando no espelho como se nada tivesse acontecido no dia anterior, e ela se aproxima de mim durante o exercício e diz: “Mariana li sua carta, muito tocante.” Eu continuo o exercício me olhando no espelho, não sei o que falar. Ela diz depois de uns segundos, olhando nos meus olhos, “muito obrigada”. A aula continua... tendu, jeté... saltos... ensaios...
Na semana seguinte recebo uma ligação dela no meu celular, ela me convida para jantar num restaurante próximo à sua casa, na Rua Arbat. Restaurante antigo, parecido com um teatro, chamado Casa do Artista. Diz que será um jantar de agradecimento da sua noite, e que convidaria suas alunas mais próximas e pessoas importantes para ela.
Chego às 18 horas em ponto. Várias pessoas mais velhas com medalhas no peito da União Soviética, títulos de Artista do Povo, bailarinas solistas e primeira bailarina. E, ao modo russo, começa o jantar, com brindes em homenagem a Svetlana, com fatos e histórias de sua vida. Quando ouço um brinde de uma amiga dela que diz que todos falam de sua carreira brilhante e de como ela era única no palco, como Odette, Kitri, etc... Mas poucos lembram o começo de sua história, o quanto Svetlana sofreu, sem mãe nem pai, sozinha em São Petersburgo e mais tarde em Moscou, enfrentando sozinha problemas como doenças e hospitais, saudades dos pais, sem ninguém por perto e sem falar bem a língua russa. Todos escutam e brindam, meus olhos se enchem de lágrimas ao perceber que naquela mesa só uma pessoa sabe o que ela passou e entende do que se trata aquele brinde. Não pude conter minhas lágrimas, apesar de saber que na Rússia isso não é comum – todos, frios e fortes, guardam suas emoções. Ela estava sentada muito distante de mim e das suas alunas, e com certeza pensou na mesma coisa que eu. E, do outro lado da mesa, os olhos dela procuram os meus e ela me olha nos olhos como no dia em que me agradeceu a carta. Finjo não chorar. Lembro as palavras da minha professora russa no Brasil: “Vocês brasileiros são muito emotivos. Não chorem, não mostrem a ninguém seus sentimentos, no teatro não se chora.”
Segurei minhas lágrimas, virei meu rosto e continuamos o jantar com brindes, risadas, histórias de seus amigos da Ossétia, medalhas no peito e títulos importantes.
De repente Svetlana se levanta, e é claro que a mesa toda fica em silêncio. E o brinde agora seria para suas alunas. Ela diz: “Minhas alunas são tudo para mim hoje. Vocês sabem que meu marido faleceu há dois anos, e que a minha vida é o teatro, dedicada às minhas alunas, é o que me resta. Eu conheço cada uma, e cada uma delas, como no exército, não quer ser só um soldado, quer ser general, e cada uma com seu caráter diferente. Eu tento explicar a elas que todas não podem ser generais, uma será soldado, outra será comandante, e assim é o teatro... Uma, primeira bailarina; uma solista; outras, corpo de baile. Mas o que importa é fazer o seu trabalho bem feito. Quero aqui falar da minha aluna brasileira, que me escreveu uma linda carta, e nós sabemos a semelhança das nossas histórias. Mariana Gomes chegou do Brasil e mal falava russo, até hoje frequenta a minha aula. Queria que vocês soubessem a pessoa que esta menina é. Ela é incrível. Dançou na minha noite um quarteto, e dançou muito bem. Cuida do instituto onde estuda na minha aula, para ser professora assim como eu, e será. Ela um dia voltará para o seu Brasil com muito orgulho, assim como eu tenho orgulho da minha nacionalidade, e não estou mandando você embora, não. Você já é nossa, faz parte do nosso Teatro, mas um dia você terá suas alunas no Brasil, assim como eu tenho as minhas alunas, e você vai amá-las, assim como eu amo vocês.”
A essa altura do brinde, o choro já não conseguia mais ser escondido. Todos na mesa olhavam para mim e aplaudiam tão alto que ninguém ouvia meus soluços. Levantei-me, abracei Svetlana e chorei como uma criança no colo de sua mãe. E jamais esquecerei essa noite. Foi uma emoção carregada por oito anos, contida dentro de mim por quase uma década e apenas uma noite de poucas porém corretas palavras. E assim como o grand pas de deux dançado em sua noite de homenagem, assim permanece a nossa história, um pas de deux em que cada minuto que se passa de ensaio, com olhares e poucas palavras, esforços e vitórias, os parceiros vêm se conhecendo cada dia mais. Onde falar muito é dispensável. Numa dança de dois como a nossa, falar muito é dispensável, basta ouvir a música, olhar nos olhos e sentir
Obrigada, Mariana. Obrigada, Svetlana.

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ENTREVISTAS - CIBELLE SOUZA

BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você? 
Comecei a dançar em 2003, dança do ventre, a convite de uma amiga. Passava por uma fase difícil na vida e achei que era um momento para novos desafios e a dança serviu como uma luva para este momento, pois ajudou muito a trabalhar minha autoestima, na época, muito abalada. Estudei dança do ventre por 4 anos, com Aini Ashaki, seguindo por algumas escolas da cidade. Em 2006 conheci o tribal e me apaixonei.  Em 2007 passei a trabalhar apenas com o estilo e, em 2008, passei a integrar a direção da Cia. Shaman Tribal, a convite da Paula Braz Ellen Paes.

BLOG: Em 2008, a Cia Shaman realizou seu primeiro espetáculo, Las Nieblas, gostaria que comentasse um pouco sobre a idéia do espetáculo, o quê inspirou vocês para a formulação da parte conceitual e do roteiro do mesmo, e qual é a história por de trás dele? Como foi o processo de  elaboração das coreografias e figurinos, bem como sua repercussão?
Sempre achamos que as pessoas se limitam a apresentações em mostras, quando o assunto é tribal; enquanto outros estilos de dança como balé e dança contemporânea tentam fazer discursos mais longos através de espetáculos. Para nós, o tribal é tão complexo como qualquer outro estilo. O Las Nieblas surgiu através da nossa necessidade de fazermos algo mais complexo, pois queríamos falar um pouco mais, trazer um discurso mais completo como acontece nos outros estilos.

O conceito foi voltado para a ancestralidade e as várias formas de pensar o feminino. Queríamos fazer um passeio entre os conceitos do antigo e do novo, tão presentes no estilo, e através dele fazer as pessoas conhecerem um pouco mais e se familiarizarem com nosso universo. As coreografias e os figurinos foram criados sobre a base do sincretismo e bricolagem, buscando passar tais referências. Todas as coreografias, bem como a direção, foi compartilhada por mim, pela Paula e pela Ellen. A repercussão foi maravilhosa, uma vez que conseguimos com ele colocar o tribal no mapa da nossa cidade, além de abrir portas no mundo tribal.

BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog. 
Acredite no seu potencial, mas nunca deixe de estudar. Todos os dias podemos aprender e crescer, principalmente se você se permitir somar, em vez de subtrair . Respeite os outros como você gostaria de ser respeitado. Trate as pessoas com a mesma delicadeza que gostaria de ser tratado. Crie compromissos com você mesmo, e faça seu trabalho diariamente, com amor e paciência consigo mesmo. Saiba que se alguém conseguiu algo que você ainda não conseguiu não foi por incompetência sua, e que o mérito do outro não diminui em nada o seu trabalho. Às vezes é sorte, às vezes não, mas por via das dúvidas, trabalho honesto é e sempre será o melhor caminho. Liberte-se de suas amarras, dançar é recriar-se!


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