segunda-feira, 4 de junho de 2012

ENTREVISTA - GABRIELA MIRANDA

BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal; Como tudo começou para você? 

Eu comecei a dançar ainda pequena, no início das minhas atividades escolares. Não me lembro de não dançar. Eu fazia aula com uma professora que dava movimentos de street dance e jazz , na minha própria escola. Depois conheci a Dança Cigana e comecei a estudar por conta própria, ainda pequena. Mais tarde, pelos meus 10 ou 11 anos (em 1999) eu me interessei por Dança do Ventre e também comecei a estudar por conta própria. Fiz meu primeiro workshop com essa idade, pois na minha cidade não haviam professoras com aulas regulares (eu cresci numa cidade bem pequena no litoral gaúcho, chamada Imbé).



Pelos meus 14 ou 15 anos conheci minha primeira professora de Dança do Ventre e minha grande mestra na dança, Rôsmary Lisboa Lopes, ela havia recém se mudado para minha cidade e eu imediatamente comecei a ter aulas regulares com ela duas ou três vezes por semana, quando eu podia. Em 2004, eu tendo uns 15 anos, ela me pediu para começar a substituí-la nas aulas quando ela fosse viajar e, assim, comecei a dar aulas sob a sua supervisão. Ela foi e é realmente importante para mim porque suas aulas eram muito especiais. Ela sempre preferiu se manter fora do meio competitivo da dança e sempre encarou a Arte como uma forma de expressão mesmo, e não como algo lucrativo. Suas aulas não tinham espelho - ficávamos em círculo - e eram centradas no autoconhecimento. Ela me ensinou a enxergar a dança como algo natural, algo que vem da alma. Paralelo a isso comecei a ir para Porto Alegre fazer workshops e aulas com outras professoras. Fiz um curso para professoras com a Brysa Mahaila que me acrescentou muito! Comecei a dar aulas em diversas escolas de dança e academias da minha cidade e cidades vizinhas.


Em 2006, eu conheci as fusões através de um vídeo da Ariellah... Eu sempre fiz parte de um meio mais alternativo e sempre ouvi muita música Dark, Gótica, EBM, 80's, Metal em geral, então comecei a procurar por fusões góticas na internet... Quando eu descobri que existiam e, mais, que existia todo um seguimento para essa dança, eu SURTEI! O primeiro vídeo que vi foi um da Ariellah Aflalo e mudou minha vida, sem exageros! Quando assisti vídeos de Fusão e depois de Tribal Fusion, eu me senti em casa! Era aquilo que eu sempre quis fazer e nem sabia! Nessa época eu já tinha todos os piercings que tenho hoje e algumas tatuagens, então, cada vez que ia me apresentar em festivais de Dança do Ventre o povo me olhava meio estranho. Veja bem, isso há vários anos atrás e no Sul, onde o povo não é tão liberal como aqui em São Paulo. Imediatamente eu comecei a estudar os movimentos por conta própria, pois, de novo, não haviam professoras na minha cidade. Um ano depois comecei a me aventurar a fazer solos e a acrescentar os movimentos de Tribal nas minhas aulas de Dança do Ventre. Minhas alunas gostaram tanto que montei minha primeira turma de Tribal Fusion e, em seguida, inserimos o estilo no nosso grupo de dança. As turmas de Tribal só aumentaram e passei a dar aula do estilo em outros lugares, além da minha cidade.

Em 2008, fiz aula com Ansuya Rathor e com Bárbara Kale, bailarina de Tribal Fusion e ATS do sul, que dançou em Chicago com o Read My Hips. Essas aulas foram um divisor de água na minha carreira. Ansuya ensinou fusões e até um pouquinho de Tribal, além de arrasar num work de snujs. Com a Bárbara foi apenas um workshop de ATS, mas abriu a minha mente de um jeito incrível! Comecei a estudar o ATS paralelo ao Fusion e achei a origem de diversos passos que as bailarinas que amo usavam e eu não sabia direito da onde vinham. 

Em 2009, vim para São Paulo, para o Encontro Internacional realizado pela Bele Fusco, conhecer a minha maior inspiração: Ariellah Aflalo. Ela é realmente importante para mim porque foi o vídeo dela que deu rumo para a minha dança. Fiz aula com Sharon Kihara, Mardi Love e, claro, com Ariellah. Conversei muito com ela e me senti extramente feliz em saber que além de ser minha bailarina favorita, ela é um ser humano incrível! Desde então não a larguei mais e faço aula com ela sempre que posso. Depois de alguns meses me mudei para São Paulo, por motivos amorosos (hehehehe), e começou um novo capítulo no Tribal para mim. Desde então, conheci muita gente legal, viajei bastante e fiz aulas com pessoas incríveis, entre elas: Mira Betz (que junto com a Ariellah está no topo da minha lista de inspirações), Frederique (idem, uma pessoa e professora incrível!), Moria Chappell, Kami Liddle, Sônia Ochoa, Mariana Quadros, Kilma Farias, Bela Saffe, Nanda Najla, Mahaila el Helwa e por aí vai... Do Tribal e da Dança do Ventre; do Brasil e de fora.


BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog.

Eu sou péssima nessas coisas... Bom, eu acho que o quê nos faz dançar, antes de tudo, é a paixão. As emoções fortes, em geral, são o quê nos move. O amor e também a dor... Eu sei que é piegas e batido o que vou falar, mas a dança para mim é realmente uma ferramenta de catarse, de expressão e também de expurgação... Eu tento manter isso em mente, mesmo quando me frustro com minha técnica, meus solos, minhas coreografias, porque vivo disso profissionalmente. Quando tenho vontade de desistir eu lembro do que me faz dançar e continuo... Eu danço porque não sei viver sem dançar. Quando meu corpo transborda com alguma emoção ao invés de chorar, eu danço. É brega, mas é verdade. Então a dica é: Dance porque você ama dançar. Não force nada. Tudo virá se for consequência da sua paixão, do seu amor pela dança. Trabalhe e treine muito se deseja evoluir com a sua técnica, mas deixe a sua dança fluir naturalmente e ela vai te conduzir por caminhos inesperados.

ENTREVISTA COMPLETA COM FOTOS E VÍDEOS:
http://aerithtribalfusion.blogspot.com.br/2012/06/entrevista-6-gabriela-miranda.html


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