sexta-feira, 4 de abril de 2014

ENTREVISTA - LADY BURLY/ SHAIDE HALIM

Lady Burly é o nome burlesco de Shaide Halim, bailarina, coreógrafa, professora de dança e burlesque performer. Proprietária do Studio de Dança Shaide Halim, leciona modalidades como Dança Burlesca, Ballet Clássico, Jazz Cabaret, Danças Vintage, entre outras.
Em seus mais de 25 anos de estudos, passeou bastante pelo universo da dança, adquirindo conhecimentos em diferentes formas de expressão além das acima mencionadas, como sapateado, street dance, dança havaiana e tahitiana, dança do ventre, dança indiana, flamenco, dança contemporânea, dança afro etc.
Estudou dança em Nova York e Paris, onde teve a possibilidade de também fazer apresentações, e ministrou aulas em Reykjavik, Islândia.
Seu interesse pelo burlesque veio há alguns anos, quando resolveu dedicar-se às danças vintage e ao burlesque, paixões desde sua adolescência. Desde 2009 atua como diretora, coreógrafa e bailarina da C’est Vintage Cia de Dança.
Lady Burly faz apresentações abordando de maneira ampla as possibilidades que o universo da dança burlesca pode oferecer, como o tradicional bump & grind, fan dance, chair dance, as performances de new burlesque, onde a dança ganha um toque teatral e cômico, contextualizando-a com a criação de personagens, entre outras muitas possibilidades.
Em 2010 participou do curta-metragem Uma mulher e uma arma, de André Dragoni, onde personifica uma dançarina burlesca. No mesmo ano preparou workshops de Dança Burlesca para São Paulo, Curitiba e Brasília, o que gerou interesse do público para um curso mais detalhado, que tomou forma e iniciou suas atividades em outubro de 2010, oferecendo aulas regulares de burlesque (o primeiro curso totalmente voltado ao universo burlesque oferecido no Brasil).
Em 2011 foi convidada pela Imovision Filmes a fazer parte, apresentando sua dança burlesca, da divulgação oficial do filme Turnê, de Mathiew Amalric, premiado no Festival de Cannes 2010 e com grandes nomes da dança burlesca no elenco, como Dirty Martini, Mimi Le Meaux, Julie Atlas Muz e Kitty on the Keys.
Dança Burlesca não é strip tease, como muitos podem pensar, mas sim uma dança teatralizada, uma paródia sofisticada, sensual, mas nunca vulgar. O Burlesco é um direto descendente da chamada Commedia dell’arte, uma forma de teatro de improviso que se realizava na Itália, muito popular entre os
séculos XV e XVII. Eram pequenas companhias compostas no máximo por 10 elementos que viviam das contribuições populares quando das suas performances ao ar livre. Uma manifestação popular que tinha como objetivo satirizar o divertimento das classes mais abastadas.
Nos dias atuais, o nome burlesco está vinculado às danças que, aliadas à uma interpretação que mescla sensualidade e comicidade, se caracteriza num gênero leve de erotismo, onde o strip tease é sutil e não chega até o final. 
A grande sacada da dança burlesca está no despir sem deixar tudo à mostra. O famoso gostinho de “quero mais”. Há muito mais que apenas tirar a roupa. Por trás de cada movimento há uma intenção roteirizada, uma motivação, e a interação com a platéia é totalmente diferente do striptease comum.
Confira aqui sua entrevista:
#ComoFaz –  Olá Lady Burly, é um prazer tê-la aqui no nosso cantinho. Conte-nos um pouco sobre a sua história.
Lady Burly – Bom, a Lady Burly é meu mais novo personagem. Comecei a trabalhar com dança burlesca em 2009, mas minha história na dança é bem longa. Meu início na dança se deu quando ainda era muito criança, pelo ballet clássico, e depois fui me enveredando por esse universo e descobrindo outras modalidades: jazz, dança do ventre, dança indiana, flamenco, dança afro, estilo tribal, street dance, line dance etc.


As danças Vintage sempre foram uma paixão, desde a adolescência. Tive uma professora de jazz que era fanática por filmes antigos e sempre montava numeros baseados em musicais da Broadway para a turma. Foi na mesma época em que descobri que havia uma movimentação de bailes de rockabilly em São Paulo e acabei conhecendo outras vertentes desse estilo depois disso.


A dança burlesca surgiu na minha vida por meio de um convite de um amigo. Eu já trabalhava com danças vintage e ele me perguntou se eu não teria interesse em montar um número de dança burlesca para um evento. Eu já estudava o estilo, mas ainda não tinha me aventurado em fazer apresentações do gênero. De lá pra cá, acabou se tornando um dos meus principais trabalhos, que deu origem à minha escola de dança, Escola Burlesca de São Paulo, com espaço para todas as modalidades de dança e teatro, claro, mas com um foco maior na dança burlesca e danças vintage.


#ComoFaz – Quando você percebeu que tinha vocação para dança?
 Lady Burly – Não sei dizer se percebi isso, acho que foi algo que aconteceu naturalmente. Comecei a estudar ballet aos 3 anos de idade e de lá pra cá, nunca parei. Então acho que a dança veio comigo por todo meu crescimento. É claro que depois que estamos no meio da dança, vamos querendo descobrir tudo o que faz parte desse universo, e foi aí que eu fui descobrindo outras várias modalidades de dança.

#ComoFaz – Ultimamente tem se falado bastante sobre dança burlesca e o vintage no geral. você acredita que é um estilo que veio para ficar e novamente fazer época ou uma moda passageira?
Lady Burly – Eu espero que seja algo que tenha vindo para ficar, mas é notório um modismo atual que fez com que essa dança retornasse ao interesse das pessoas. Mas esse interesse ainda é bem pequeno, uma grande maioria das pessoas desconhece o estilo. Já vi essa situação acontecer no Brasil outras vezes no meio da dança. Há alguns anos atrás, na época da novela O Clone, as salas de aula estavam repletas de meninas ávidas a aprender a modalidade. O mesmo aconteceu quando passou Caminho das Índias. Agora é a vez do burlesque. Nas situações anteriores, quando a febre inicial passou, ficaram as representantes do estilo que faziam aquilo por verdadeira paixão, e não apenas pelo modismo. Acredito que o mesmo acontecerá com a dança burlesca.

#ComoFaz – E quanto aos figurinos. O que não pode faltar para compor um look burlesco?
Lady Burly - Recentemente escrevi um artigo sobre isso para minhas alunas, pois é uma dúvida bem comum. Em primeiro lugar, os trajes de dança precisam ser confortáveis, pois estamos dançando com eles, não podem impedir nossa mobilidade. Bonitos e glamoursos também, mas sem que isso atrapalhe a performance. E fáceis de manusear, pois o tempo para se tirar as peças é bem curto! Um visual bem característico é composto por lingerie vintage (ou customizada para ficar com a cara do estilo!), corset, saias de varios modelos, luvas, meias sete oitavos, cinta-liga, garter, e acessórios que dêem charme ao conjunto, como bijoux, casquetes, boás.
#ComoFaz – Quais os lugares onde você costuma fazer as suas apresentações?
Lady Burly – Atualmente danço no Revaudeville Teatro Cabaret Burlesco, no Teatro Studio 184, onde minha equipe, Revaudeville Cia de Artistas, faz espetáculos temáticos abordando o clima dos antigos vaudevilles, mas com uma pitadinha de modernidade, claro. Os espetáculos misturam dança, teatro, mímica, temos alguns cantores também no elenco, que dão um astral bem cabaret ao evento. Também danço mensalmente nos eventos do SP Scums, que acontecem no Clube Outs. E faço muitos eventos corporativos e festas particulares também.


#ComoFaz – Teve algum local que para você foi incomum ou estranho se apresentar?
Lady Burly – O lugar mais incomum que me apresentei foi numa festa fetichista. Não pelo evento em si, mas por ser um universo totalmente desconhecido pra mim naquela época. Mas a recepção do público foi muito bacana e eu acabei fazendo amizade com muita gente desse meio depois disso, inclusive com a organizadora da festa.


De resto, os locais são bem básicos, casas noturnas, festas particulares, já dancei também na beira da piscina, com muito medo de escorregar e fazer uma performance aquática! rsrs .Mas foi bem divertido!
#ComoFaz – Como você se sente quando está em cima de um palco?
Lady Burly – O palco é meu mundo desde muito cedo. Em minha primeira apresentação eu ainda tinha 4 anos de idade, e nunca parei de dançar, portanto, coxias e camarins são uma extensão da minha casa! Eu me sinto absolutamente à vontade, acredito que sou muito mais desinibida em cima do palco do que fora dele. Claro que sempre rola um friozinho na barriga. Eu costumo dizer que quando esse nervosinho de começo de show acaba, é porque acabou a paixão pelo palco. 

#ComoFaz – Quais os planos e novidades ainda para este ano?
Lady Burly – Esse ano vamos continuar trabalhando com o Revaudeille Teatro Cabaret Burlesco, pois estamos com uma equipe fantástica e o público tem nos dado muito estímulo para continuar. Para 2013 eu garanto que virão muitas novidades, mas por hora é segredo! ^_^ Além disso, eu tenho outro grupo de dança, de outra modalidade, e esses 2 projetos já  estão ocupando bastante meu tempo até o final desse ano! 

#ComoFaz – O que diria à aquelas mulheres que sentem vontade de conhecer e até mesmo praticar a dança burlesca, mas não tem coragem?
Lady Burly – Venham fazer uma aula ou ver um espetáculo Revaudeville. Muitas vezes o receio das pessoas com o burlesco é por conta da grande exposição que enfrentamos com essa coisa de tirar a roupa. Mas garanto que é tudo muito sutil e muito bem trabalhado. Não há pq ter medo de algo natural, que a sensualidade que cada mulher já tem dentro de si, e só precisa descobri-la, resgata-la, e coloca-la pra fora, de uma maneira delicada, que envolve a graça, o riso, que inspira a plateia. Não tem como não se apaixonar!

Texto do blog: http://pscomofazdotcom.wordpress.com/tag/shaide-halim/

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