terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

DANÇA INTERPRETATIVA

Texto de Mário Arruda

A dança representa um fator de comunhão cultural, transmitindo ideias e costumes de uma geração a outra, sobretudo, nas formas folclóricas. 

Baseando-se em tradições (lendas, cerimônias religiosas, episódios da comunidade) essas formas prolongam no tempo o espírito de comunidade, donde incorporam-se as festas populares. Seu valor cultural é inegável.

Na Grécia antiga, as danças abstratas exigiam preparo intelectual do praticante e eram as preferidas pelas elites. 

Na Idade Média, a dança foi exaltada, graças à sua espiritualidade que serviu de propaganda religiosa e a difusão das canções dos trovadores da época. 

No Renascimento, já lhe deram valor próprio e, nos tempos modernos, adquiriu esplendor jamais alcançado, sobretudo, na França

No século XIX, a Itália e a Rússia disputavam, através de suas escolas de danças, o centro do aperfeiçoamento técnico e artístico. Depois surgiu Isadora Duncan a impressionar impérios, reinados e repúblicas, poetas e intelectuais, com sua dança revolucionária.

Por que haveria a dança de se ligar tão profundamente à civilização e à cultura? Porque exige vasto manancial de conhecimento. Baseia-se em artes várias e liga-se a conhecimentos científicos. Reclama a música, devendo o dançarino conhecê-las; a literatura, em que há de buscar inspiração para os seus temas; a pintura que colabora nos cenários e maquiagem; a escultura, que a auxilia com sugestões diversas.

Nas próprias indumentárias o gosto artístico e a cultura se revelam.

A dança solicita ainda noções de história da arte e da própria dança; da geografia, folclore, sociologia, anatomia, etc.

Tais noções tornam-se indispensáveis ao dançador não só porque colaboram para o seu êxito no momento de interpretá-la como lhe dão cultura geral e especializada, aumentam o seu cabedal de conhecimentos e enriquecem a sua bagagem cultural.

Além disso, permitem saber a procedência das danças que executa, os países e os povos entre os quais nasceram, as ocasiões em que se realizam e particularidades importantes que lhe são próprias.

A dança presta-se enormemente como centro de interesse, para o estudo das matérias mencionadas, além de ritmo, música, desenho, trabalhos manuais, etc. 

Particularmente as danças folclóricas podem constituir ótima fonte de aquisição de conhecimentos gerais, solicitados em diferentes cursos.

Incontestavelmente a dança é a atividade física elevada e a mais completa das artes.
Modernamente, exige-se da dança artística que seja intelectual, estando a sua força no próprio conteúdo. O acompanhamento e a indumentária quase dispensáveis, porque o valor está não só na interpretação que o artista dê à dança como na importância, no alcance, na elevação dela própria.

Na dança interpretativa o dançarino precisa de imaginação, espírito criador, personalidade, atributos que dependem, em parte, de instrução e cultura adequadas, sem as quais a capacidade de interpretar não se desenvolve em toda a extensão e intensidade.

Vê-se, portanto, que tanto a criança, como o jovem e o adulto podem adquirir conhecimentos gerais através da dança ou acumulá-los para bem desempenhá-la. 

A presença da dança nas escolas, em todos os graus, inclusive nas universidades, só poderá beneficiá-los, pondo em relevo o valor pessoal de cada indivíduo e relevando elites artísticas. 

Autores clássicos, como Platão, Sócrates e Xenofonte, na Grécia antiga, reconheceram o valor da dança.



Texto de Mário Arruda