sábado, 21 de setembro de 2013

ENTREVISTAS - BELA SAFFE

Aerith entrevista Bela Saffe
 
BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você? 
Meu primeiro contato com a Dança do Ventre foi em 1993, há 20 anos. Na época eu fazia parte de um grupo de Teatro em Salvador (Grupo Via Magia) e em uma das cenas eu tinha que dançar a Dança do Ventre. Minha referência imaginária eram os filmes Hollywoodianos ou algo do gênero nos programas de TV. Não existiam professoras, shows, DVDs ou internet para estudar ou pesquisar. Fiz a personagem intuitivamente e me sai muito bem, de tal forma que quando terminava a peça, várias pessoas me procuravam para elogiar e perguntar onde havia aprendido a dançar. Fiquei entusiasmada não exatamente por causa desse retorno positivo do público, mas porque eu realmente gostei de ter entrado em contato com aquela movimentação. Senti tamanha identificação que comecei a pensar que por ser descendente de árabe ( meu pai nasceu no Líbano), essa afinidade já estava no sangue. Nenhuma mulher da minha família dançava, mas ouvir aquelas músicas e dança-las era como estar num lugar de pertencimento.
A partir disso, então, fiquei atenta para saber se havia alguém ensinando dança do ventre, mesmo que fosse em outro estado. No mesmo ano, aconteceu um congresso de abordagens terapêuticas corporais em Salvador e eu soube que viriam duas dançarinas do ventre do Rio de Janeiro. Participei, claro, do congresso e das aulas. Não lembro o nome delas, mas conversamos ao final do curso e, já estando com uma viagem agendada pra São Paulo, perguntei se elas conheciam alguma professora por lá. Elas me responderam que São Paulo era o melhor lugar pra fazer aula e me deram o contato da Khan El Khalili.
Fui na Khan El Khalili primeiro para tomar o chá e ver o show antes de resolver fazer as aulas. A primeira bailarina que vi dançar foi Nájua! Fiquei absolutamente encantada! Resolvi então que passaria um tempo de aprendizado em São Paulo pra poder me dedicar a dança do ventre profissionalmente. Não sei exatamente quanto tempo fiquei em São Paulo dessa primeira vez, mas eu fazia aula todos os dias e às vezes mais de uma vez por dia. Além disso, conheci uma outra dançarina que não era da Khan El Khalili e que dava aulas particulares. Ela também era psicóloga como eu e fazia um trabalho interessante em relação a uma maior consciência do feminino através da dança.
Comecei a dar aulas em Salvador no ano seguinte, em 1994, quando ainda não havia ninguém ensinando. Mas sabia que ainda teria muito o que aprender e retornei a São Paulo incontáveis vezes para fazer aulas. Portanto, 20 anos de aprendizado e ensino, com muitos altos e baixos (claro! Rs), mas com muito amor e paixão!
O interesse pela dança tribal surgiu em 2006, através de vídeos da Carolena. Mas costumo dizer que eu sempre fui tribal. O segundo espetáculo de dança que produzi e coreografei em 1996, Meera, tinha uma estética totalmente tribal: figurinos rústicos sem qualquer brilho ou lantejoula, utilização de músicas não árabes e fusão com a cultura indiana. Ou seja, durante os quase 20 anos de dança do ventre sempre me aventurei, nunca segui os padrões estabelecidos do que era (ou não) dito como “dança do ventre”. Quando encontrei pessoas que faziam algo similar, simplesmente me identifiquei e mergulhei mais ainda naquilo que já expressava.
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Trago um diálogo que vi num filme “Contos em Nova York”, presente no primeiro conto, “Lições de vida”, dirigido por Martin Scorsese. Vou narrá-lo com minhas palavras porque não tenho o filme em mãos.

Lionel Dobie é um famoso artista plástico que mantém uma relação conturbada com sua namorada e assistente, Paulette, também artista plástica e bem mais jovem que ele, mas ainda sem projeção na carreira e insegura em relação ao próprio trabalho. Em um momento de crise, gritando, ela pega um dos próprios quadros e pergunta a ele se ela realmente tem talento. Lionel fica calado por um tempo e em seguida fala que isso não é o mais importante. O mais importante que ela teria que se perguntar é se ela sente necessidade daquilo, se ela sente necessidade de pintar. 

E você, sente necessidade de dançar?

ENTREVISTA COMPLETA COM FOTOS E VÍDEOS: 

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

ENTREVISTA - FAIRUZA

Aerith entrevista Fairuza
BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você? 
Iniciei há 30 anos com o ballet clássico e com as danças orientais com a dança do ventre e todas as danças folclóricas provenientes do Oriente Médio, há 25 anos. Sou filha de sírios e minha avó paterna, que por sinal foi a inspiração do meu nome artístico (o nome dela era Fairuza), me mandava  pelo correio, da Síria, vídeos VHS de shows de músicos árabes e bailarinas. Eu estudava dia e noite. Estes foram os meus maiores materiais de estudos. Fui autodidata em muito do que sei, porém, fiz algumas aulas particulares com a Mestra Saamira Samia e alguns workshops com Giselle Bomentre e Camélia.

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Meninas lindas, todas vocês são iguais perante ao Pai. Então, quando dançarem, sintam Deus, que tudo o que for de sentimento negativo ou destrutivo deixará de existir. Respeite o palco, como se ele fosse um templo. Peca licença ao palco para dançar. E dance para celebrar a vida e ser feliz e não para ser melhor do que ninguém. Sinta o sangue vibrar nas veias enquanto dança, sinta- se viva e plena. 











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domingo, 7 de julho de 2013

1° Encontro TribalNic Fusion

1° Encontro TribalNic Fusion - 07/julho 2013

O "Encontro TribalNic Fusion" é um evento sem fins lucrativos, aberto ao público.


É realizado com o intuito de divulgar o estilo e o trabalho dos bailarinos de Tribal Fusion (e suas vertentes), sejam eles alunos ou profissionais, e também unir as tribos de São Paulo.

O Encontro "TribalNic Fusion" possibilita que várias tribos mostrem seu trabalho e seu estilo com liberdade e originalidade, podendo contar com as energias da natureza, pois é realizado no Parque do Ibirapuera, sempre próximo ao público que pretendemos atingir.



Idealizado por Ci Bast, realização de Elendälie (formado por: Kaira Mavic, Íris Alima e Serketh-Na-Yet) e executado com a ajuda de Christopher Queiroz e das bailarinas: Irene Rachel, Idril Minyatur, e Laetittia Braz (idealizadora do grupo e organizadora dos eventos do "Paganus Aeternus"), com a filmagem de Rita de Cássia e Ariana Ramalho, e edição de Rodrigo César.




"Encontro TribalNic Fusion", unindo as tribos de São Paulo!





Lilian Kawatoko


Lukas Oliver



Marcelo Justino


Crys Eda


Doolunay Mooinaa


Othavio Khalih I


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segunda-feira, 24 de junho de 2013

ENTREVISTAS - KILMA FARIAS - PARTE 2

Aerith entrevista Kilma Farias
BLOG: O evento Caravana Tribal Nordeste(CTNE), sob direção e produção sua, de Bela Saffe, Cibelle Souza e Aquarius Tribal Fusion (ATF), é um dos eventos que se destaca no país, unindo quatro cidades nordestinas durante o ano. Conte-nos como surgiu a idéia do evento, sua proposta e objetivos, organização e elaboração deste,bem como a repercussão do mesmo para a comunidade tribal quanto para seu público no Nordeste Brasileiro. Vocês tem pretensão em ampliar o alcance dos estados do nordeste que se envolvem com o evento? 
Caravana veio com tudo em 2010, e o objetivo principal sempre foi difundir e fomentar a pesquisa do Tribal Brasil. Sendo um evento itinerante, a Caravana estava a cada dois meses em uma cidade diferente, entre João Pessoa, Natal, Salvador e Recife. Os eventos continham workshops de tribal, oficinas de danças populares e show.

A ideia surgiu quando estávamos eu e Bela conversando na recepção da Bele Fusco em São Paulo. Na ocasião eu estava ministrando um workshop de Tribal Fusion e antes de começar, troquei uma ideia com a Bela que me contou que também amava as fusões com danças afro-brasileiras. Daí então, pensamos na possibilidade de um festival onde pudéssemos convidar as pessoas a produzirem seus trabalhos nesse contexto. E de muitas conversas surgiu a Caravana Tribal Nordeste. Outro dia, em minha casa, em João Pessoa, a Alê Carvalho, do Aquarius, se propôs a escrever o projeto e daí com ele pronto colocamos em prática. Convidamos a Shaman, que aceitou o convite, e começamos a trabalhar.

O primeiro ano foi dureza porque fomos aprendendo com os erros e, mesmo assim, realizamos 4 edições e uma especial com a presença de Sharon Kihara e Bele Fusco. Também produzimos documentários para que as praticantes de outras regiões do Brasil tomassem conhecimento do que estávamos realizando aqui por essas bandas.


O segundo ano foi bem mais tranquilo, inclusive aqui em João Pessoa, consegui aprovar projeto pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC), o que possibilitou pagar excelente cachê a cada professor, ao documentarista, iluminador, arte e divulgação, etc.

Em 2012 tivemos uma mudança. A Shaman se despede da Caravana e passa a realizar o Shaman’s Fest. A Bela Saffe, em Salvador, também passou a trazer convidadas internacionais. Em Recife e João Pessoa continuamos com a mesma proposta de pesquisa do Tribal Brasil e sempre que possível participamos da edição de Salvador, a exemplo da edição com Mira Betz.

Todas as colaborações são muito bem-vindas. Ano passado a Nadja El Balady esteve na edição de Recife ministrando aulas e contribuindo com a pesquisa do Tribal Brasil. Ou seja, basta querer fazer parte :)

Não estamos buscando ampliar, envolver outros estados do Nordeste nem de outras regiões do Brasil. Mas se isso acontecer espontaneamente será muito bom. Em Fortaleza temos parceiras, no Maranhão também, mas não chegaram ainda a proporem sediar uma Caravana. Por enquanto seguimos sem pressa, curtindo os estudos e descobertas do caminho. 
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Dance, não como se fosse o seu último gesto no mundo, mas como se fosse sempre o primeiro. Buscando descobrir um caminho novo para o braço, para o quadril, escutando o que vem de dentro, percebendo suas reais possibilidades e transformando tudo isso em comunicação. Sinta com todo o corpo; sinta com os pés, com os seios, com as costas, com os cabelos e deixe que cada parte comunique ao todo sua verdade. A dança que me emociona é aquela que transcende a estética, transcende a matéria, porque começa primeiro na nossa alma. E esta, por sua vez, se comunica com o mundo exterior através do corpo que se utiliza, ou não, da técnica. Dancemos a vida!

ENTREVISTA COMPLETA COM FOTOS E VÍDEOS:
  
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domingo, 23 de junho de 2013

ENTREVISTA - KILMA FARIAS - PARTE 1

Aerith entrevista Kilma Farias
BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você? 
Meu primeiro contato com a dança foi na infância, aos 4 anos de idade, no pré-ballet e dança criativa; depois vieram a ginástica rítmica e a dança contemporânea, mas eu não tinha ainda o real desejo em viver para a dança. Praticava enquanto hobby.

Na adolescência também fiz teatro um longo tempo. E acabei largando tudo para me dedicar à faculdade de comunicação social. Vim me reencontrar com a dança já aos 21 anos, quando busquei a dança do ventre como uma forma de equilibrar corpo e mente, no final de 1999. Aqui mesmo em minha cidade encontrei uma professora, a Martha Farias, e logo me matriculei, mas também não tinha pretensão em trabalhar com dança.

Minha relação profissional com a dança veio de um processo natural. Em 2002 eu já estava bem desenvolvida nos estudos e buscava ainda outras professoras que pudessem me auxiliar na caminhada e logo surgiu a oportunidade de ministrar aulas. A partir de 2003 percebi que a dança do ventre tinha me escolhido e que eu deveria fazer escolhas, pois não dava para continuar com o jornalismo ao mesmo tempo. De lá pra cá foram muitas idas e vindas, me dividindo entre ser apenas professora e entre ser professora, bailarina e jornalista.

Em 2004 publiquei o livro Dança do Ventre da Energia ao Movimento pela Editora Universitária (UFPB) e já me dedicava ao estudo do Tribal e das Fusões com danças populares e afro-brasileiras. Desde então, do primeiro contato com o Tribal, me apaixonei fortemente e decidi tomar para mim a missão de divulgar o estilo e de também contribuir com uma formação de caráter mais brasileiro, contendo nossa identidade.
BLOG: Como é o cenário da dança tribal na Paraíba? Pontos positivos, negativos, apoio da cidade, repercussão por parte do público bem como pela comunidade de dança do ventre/tribal?
O Tribal tem tido excelente respaldo, tanto dentro da comunidade praticante do ventre quanto nos círculos de dança contemporânea. Esse ano a Prefeitura me contratou para coreografar a cena do Palácio de Herodes no evento da Paixão de Cristo, que aqui é bem tradicional. E o pedido foi o tribal. Foram feitas oficinas diversas, pois não trabalhei apenas com bailarinas da Lunay, havia integrantes de diversos grupos, inclusive bailarinos de dança contemporânea. Todos amaram!

Claro que ainda há muita desinformação e sempre que possível estamos nas TV, jornais, rádios, divulgando o estilo e divulgando nossos eventos. Também já realizamos uma campanha informativa, distribuindo fanzines que visavam esclarecer a dança tribal, dicas de onde pesquisar na internet, onde baixar músicas, onde fazer aulas em nossa cidade, sobre figurino e maquiagem, etc.

ENTREVISTA COMPLETA COM FOTOS E VÍDEOS:
  
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