domingo, 16 de março de 2014

ENTREVISTAS - ANDREA MONTEIRO

BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você?
Minha trajetória artística, na verdade, começou no teatro. Comecei  aos 16 anos no teatro amador. Em 2005 comecei no  teatro profissional. Fiz participações em dois filmes na minha cidade: um média metragem, Varadouro, do cineasta Elinaldo Rodriques; e o curta Caminhante, de Jacinto Moreno; além de fazer várias peças teatrais. A dança do ventre veio casualmente, eu nem imaginava fazer dança do ventre, absolutamente não sabia dançar nada.

No ano de 2006 eu entrava no elenco da peça “Viúvas”, uma tragicomédia. Entrei nesse elenco para substituir a atriz que estava grávida, pois eu vinha de um curso de teatro com o diretor Flávio Melo. A peça estava com projeto de viajar em cartaz, mas eu ainda não tinha o DRT de atriz. Nesse período fui estudar com o diretor João Costa. Na época, ele era responsável em preparar os alunos para o exame de capacitação profissional , tirando o DRT junto ao Sated da Paraíba. Lembro que ele trouxe vários textos para eu escolher, fazer minha prova prática, apresentando uma performance. E entre tantos textos estava Salomé, uma peça deOscar Wilder.  Não tive dúvidas e escolhi esse texto, pois eu já admirava a personagem por ser uma mulher forte e emblemática. Mas fazer Salomé sem dançar, realmente não seria interessante, então eu acho que tive esse lampejo para a dança a partir desse fato.

Foi quando conheci Jaqueline Lima, da Cia Lunay/PB, através do meu diretor de teatro. Jaqueline já havia trabalhado com ele em Paixões de Cristo, no preparo de bailarinas. Passei a ter aulas particulares com ela, apenas com essa finalidade de fazer a prova de capacitação. Esse foi meu primeiro contato com a dança do ventre, em 2006. Depois de algum tempo nasceu naturalmente a vontade de fazer um monólogo com o texto de Salomé. Nesse período estávamos procurando uma professora de dança do ventre para fazer parte do processo de montagem de Salomé. Colocamos diversos cartazes procurando uma professora para me preparar. Foi quando eu conheciNeliane Lima. Ela tinha sido da Cia Lunay e passamos quase um ano de trabalho duro. Houve muitas mudanças ao longo do processo criativo. Resolvermos, eu e o diretor, colocar bailarinas no elenco e um ator para interpretar João Batista. A professora Neliane ministrava aulas de dança no Teatro Lima Penante e, naturalmente, as alunas fizeram parte da montagem. A peça, infelizmente, não chegou a estrear, devido a vários contratempos.

Foi bem frustrante essa parte, porque trabalhamos duro, fiz quase um ano de dança do ventre com a professora Neliane. Mas, em compensação, absorvi uma vontade enorme de aprender com mais profundidade a dança e conhecer toda a sua cultura.  Formamos a Companhia de Dança Mistérios do Oriente, dirigida pela professora Neliane Lima; e fizemos a primeira apresentação no Fazendo Arte Teatro e Dança. Em 2007, me matriculei nas aulas de dança do ventre, com a professora Kilma Farias. O tribal eu conheci depois, assistindo o espetáculo “De Corpo de Alma”, direção de Kilma e Cia Lunay. Nesta época, Kilma já trabalhava as fusões de danças regionais com a dança do ventre e o tribal. Lembro de ter ficado fascinada com a beleza, tudo era muito belo e diferente. Comecei a estudar o tribal com ela, em 2009, na Escola de Dança do Theatro Santa Roza, onde estudei durante três anos. Nesse ano, eu produzi o espetáculo “ Do Ventre da Terra”, com dança do ventre e Estilo Tribal e direção de Kilma. Nesse espetáculo fiz meu primeiro solo de tribal fusion, tinha poucas semanas de aulas de tribal e estudava os vídeos didáticos de ATS®. Esse espetáculo para mim foi marcante.   Tivemos participações de músicos e participação especial do debarkista Renê Dalton, de Brasília.
Naquele período (2009), a Escola Bele Fusco estava fazendo audições pelo Brasil todo, em busca de novos talentos da dança do ventre e do tribal. Estiveram em  João Pessoa e participei da audição no tribal e fui classificada para a final que aconteceu  em São Paulo. Conquistei o primeiro lugar na categoria tribal iniciante. A Escola Bele Fusco havia trazido ao Brasil, pela primeira vez, as bailarinas internacionais Sharon Kihara (USA), Mardi Love(USA) e Ariellah (USA). Tive a portunidade de estudar  com elas e com os professores nacionais Nadja El Balady – ATS® (RJ), Nanda Najla - Tango Fusion (MG), Carol Schavarosk - Tribal Fusion (RJ), Carlos Clark - Dança Indiana (MG) e Mariana Quadros -  Tribal Fusion (SP).

Fiz muitos workshops com varias bailarinas de dança do ventre na minha cidade. Ministrei aulas de dança do ventre em 2010, numa academia de ginástica em João Pessoa, mas o tribal me conquistou por completo e passei a me dedicar mais ao estilo. A prova disso é que hoje não ensino mais dança do ventre.

Em 2011,ao lado de outras três bailarinas, formamos a Cia Bebelot, um grupo de tribal voltado mais para uma pegada cabaret, estreando no Caravana Tribal Nordeste/PB. Mas em seguida o grupo se desfez, cada uma seguiu carreira diferente, e apenas eu insisti na dança. Também foi um momento frustrante, com muitos altos e baixos... Mas a vida é  assim mesmo, temos que aprender a lidar com essa situações.

Agora, no começo deste ano, eu e mais quatro bailarinas, de estilos diferentes, formamos a “5A Cia de Dança”, que surgiu naturalmente de um bate-papo. É um grupo que não se resume apenas a coreografias, nem  está sempre dançando juntas,mas vem com o objetivo de promover eventos em todos segmentos culturais, pois entendemos que essa é também uma forma de melhor disseminar a cultura dos nossos estilos em dança. Estamos produzindo os eventos de outros artistas e, ao mesmo tempo, oferecendo nosso conhecimento. Temos muitos projetos e está sendo muito enriquecedor. Recentemente, estivemos em parceria com o Atelier Multicultural Elioenai Gomes,onde fizemos várias intervenções em dança. O Atelier nos abriu as portas e estamos muito felizes com o resultado da parceria.

BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog. Trabalhe, estude, acredite em você. Mesmo que ninguém acredite, lute pelos seus ideais, não desista dos seus sonhos, busque se aprimorar e apaixone-se pela vida!Não se critique,procure ter mais contado com a natureza e eleve sua alma para os céus, pois as respostas que você procura estão lá, no universo.



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