quarta-feira, 13 de maio de 2015

ESTUDOS - CONFERÊNCIA DOS PÁSSAROS

"Mantq ut-Tair" ou "Conferência dos Pássaros" em português é um dos exemplos mais encantadores da poesia persa, foi escrita pelo fantástico poeta Farid od-Din Attar, nascido no século XII e é alicerçada na doutrina Sufi.
O livro é uma alegoria mística-filosófica em que as aves de todo o mundo se reúnem para decidir quem será o seu rei. A poupa, eleito o lider de todos os pássaros, sugere que eles devem encontrar o lendário Simorgh, um pássaro mítico persa - uma alegoria da busca por Deus. O autor claramente brinca com um trocadilho na palavra Simorgh e "si morgh" - que significa "trinta pássaros" em persa, já que apenas trinta (30) pássaros conseguem chegar no grande salão do Simorgh e lá descobrem serem eles o rei que tanto procuram.
A poupa representa um mestre sufi, cada uma das aves que vai desistindo da jornada representa uma falha humana que impede o homem de atingir a iluminação.
Sobre a fabulosa ave Simorgh, ela era considerada um purificador da terra e das águas, vivia onde a água é abundante. Uma ave tão antiga que já viu por três (3) vezes a destruição do mundo. A criatura representa a união entre a terra e o céu, servindo como mediador e mensageiro entre os dois mundos. Sua moradia é a Gaokerena (o Hom - Haoma), Árvore da Vida.
No livro, para alcançar o local onde está o Simorgh, o Monte Qaf, as aves devem atravessar sete vales: Talab (ânsia), Eshq (amor), Marifat (gnose), Istighnah (desapego), Tawhid (unidade de Deus), Hayrat (perplexidade) e, finalmente, Fuqur e Fana (abnegação e extinção). Estes vales representam as estações que um sufi ou qualquer indivíduo deve passar a perceber a verdadeira natureza de Deus.
Publicado na Fanpage Estudos Etno-culturais de Mell Borba.

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