sábado, 8 de agosto de 2015

KAJIRA ENTREVISTA CAROLENA NERICCIO - PARTE 3

"A IGNORÂNCIA É UMA VIRTUDE"

Uma entrevista com Carolena Nericcio, Instrutora e Diretora da FatChanceBellyDance de São Francisco. Entrevista conduzida por Kajira Djoumahna, em 06/01/96. 


Ao longo dos anos seu negócio de venda pelo correio realmente expandiu e decolou. Você pode contar a nossas leitoras um pouco sobre os tipos de coisas que você oferece, e como ele veio a ser o que é hoje?

As coisas oferecidas no catálogo são todas as coisas que você deseja poder encontrar em um lugar quando você começa a dançar pela primeira vez! Música, livros, vídeos instrutivos e documentários, elementos do figurino, etc. Tenho uma forte experiência em desenho de moda e varejo então não tive muito esforço para visualizar o catálogo e colocá-lo em ação. E, como pessoa controladora que sou, eu realmente acredito no poder do esforço coletivo. Então, uma boa parte do catálogo exibe cosméticos fabricados por Suzanne Elliott e peças do figurino por Gwen Heckeroth.

Você pode nos dizer sobre a Second Skin, Lunatique, a Gypsy Caravan com base em Oregon, e qualquer outra trupe de alunas descendente? A Second Skin originou-se porque eu precisava de alguma diferenciação entre o grupo central e as novas dançarinas que chegam, porque as novas garotas precisavam de muito treino de apresentação. Agora, porém, todas elas assimilaram-se na trupe. Eu sei que há um bom número grupos do estilo da FCBD formando-se por todo o país. Estou realmente muito lisonjeada, mas eu gostaria que ligassem pra casa! Estou realmente interessada no que elas estão fazendo, como misturaram meu estilo com os de outras professoras, suas próprias idéias e pesquisa. Mas eu não recebi muitos contatos muita ligação - Eu sei, eu sei, eu sou intimidante! Mas isso é indústria de entretenimento. Eu quero que minhas alunas apresentem-se e evoluam. Apenas gostaria de ser incluída. Eu quero que elas me liguem e façam perguntas. Eu tenho um diálogo corrente com Kendra de La Danse Serpentine e Suzanne de Invaders of the Heart. Elas sempre revisam comigo e me contam sobre seus espetáculos, sucessos e fracassos. Eu desejo esse tipo de interação.

Notei que os membros de sua trupe apresentam-se no estilo da  FCBD exclusivamente. Isto é simplesmente por sua escolha, ou você as incentiva explorar outros estilos, ou expressões solo? Você já disse que você as incentiva estudar Kathak e Flamenco. Quero dizer outros estilos de dança do ventre. São elas, ou você, ou o quê? 
Quanto à exclusividade, as dançarinas são completamente livres para estudar com outras professoras, dança do ventre ou outro estilo. Mas, para dizer a verdade, eu as mantenho bastante ocupadas. Eles parecem realmente apreciar a disciplina e consistência do nosso estilo. O Tribal Americano é em si uma idéia nova, por isso procuro estar com a mente aberta para material novo. O negócio é que nós queremos manter nosso estilo distinto. Então, quando alguém traz algo novo, nós examinamos e aprimoramos para se adequar ao nosso formato.

Você foi uma solista no Festival de Dança Étnica de SF em qual ano? 
Em 1995. Isso não é algo que eu tinha planejado. Elas realmente me incentivaram a fazer uma audição solo. Eu geralmente não deixo as garotas fazerem solos. Tudo bem dançar solo em uma festa de uma amiga, mas em termos de ser contratadas, eu insisto em duas ou mais dançarinas sempre. Então, eu realmente quero que a parte tribal e o companheirismo das mulheres continuem. Então, eu realmente tive que pensar por muito tempo e severamente sobre isso antes que eu decidisse fazê-la. Foi um desafio que eu realmente precisava, mas eu não queria me contradizer. Então eu decidi fazer algo diferente. Eu dancei sem o turbante , e fiz apenas as belly rolls ( ondulações abdominais ) e taxeem (ondulação de quadril), pois essa é minha parte favorita. Eu realmente não me importava se eu entraria ou não. Eu realmente queria que a trupe entrasse, e realmente me decepcionou que elas me escolheram e não minha trupe! Eu estava muito insultada. Mas foi um tipo de limpeza em que elas pegaram algo tão sutil quanto minha apresentação solo. Eu não me movimentei no palco, apenas fiquei lá em pé e fiz belly rolls (ondulaçõesabdominais ) e flutters (vibrações). De modo que só prova que você não tem que estar por todo o lugar para conseguir sua atenção. Foi uma experiência agradável, mas não é algo que eu possa ver baseando toda uma nova carreira!

Eu sei que algumas pessoas gostariam de informações sobre as tatuagens que você e alguns membros da trupe têm. Elas têm algum significado? Não, as tatuagens são uma escolha pessoal. Apenas incidimos em sermos pessoas tatuadas. Há uma piada que diz algo assim: a única diferença entre as pessoas tatuadas e as não tatuadas é que as pessoas tatuadas não ligam! As pessoas não tatuadas continuam nos perguntando o que elas significam, mas elas somente querem dizer que nós temos tatuagens!

Como o figurino da trupe evoluiu? Originalmente, quando eu dançava com Masha, nós vestíamos pantalonas e sem saia, um xale de quadril sem cinturão, e um choli (mini blusa de mangas usada embaixo do sari) com um sutiã. Também um turbante baixo   com um monte de jóias. Quando comecei a ensinar pela primeira vez, eu defendi o uso desse tipo de figurino. Então um dia alguém entrou com uma saia grande e linda da Renaissance Faire (Feira da Renascença). No início eu disse: "Não,nósnão vestimos isto", mas quando coloquei uma que eu percebi que elas eram realmente boas! Assim, em seguida, todas nós tínhamos saias. Em algum momento, o cinturão de quadril entrou, e conseqüentemente os turbantes  começaram a se tornar maiores. Nós realmente precisávamos de mais material para prender nossas quantidades sempre crescentes de jóias, algo com uma base segura. Assim, o turbante  evoluíu de forma pragmática. As tatuagens faciais não foram minha idéia; alguém pensou nisto. Alguém trouxe bindis (ornamento de testa indiano). Sempre que alguém descobria algo novo que elas gostavam, nós todas queríamos. Então chegou ao ponto onde uma pessoa ia comprar alguma coisa, e trazia o bastante para todas. Tornou-se uma diversão, um tipo divertido de complemento. Os figurinos costumavam ser menos uniformes do que eles são agora. Nós tentamos sutiãs com coletes, eu tentei várias túnicas. Era uma espécie de "sobrevivência das mais fortes". As túnicas começaram a rasgar, os coletes eram muito reveladores ou então cobriam o formato do corpo demais. Se os turbantes eram muito altos  , você não poderia equilibrar uma espada. Então de tentativa e erro nosso figurino evoluiu.

Como seu figurino afeta seus movimentos ou estilo de dança? Uma coisa é que nós não podemos usar véu porque não podemos puxá-los por cima dos turbantes ! Também nós não podemos fazer qualquer rotação no chão com eles. Nós podemos, e fazemos, cambrés tanto de pé quanto ao chão; mas não podemos nos curvar para frente ou eles soltarão. Nós podemos fazer emprego de espada se nós tivermos certeza que nossos turbantes  estão corretamente sobre a cabeça. Eu tenho grande admiração por aquelas dançarinas que são capazes de dançar com espadas de cabeça descoberta. Eu nunca poderia fazer isso!Nossos turbantes também tendem a manter-nos muito eretas. Nós tendemos a usar um monte de braceletes e anéis, e tivemos problemas em danças onde gostaríamos de unir os braços ou as mãos porque prendíamos um traje no outro ou apenas não conseguíriamos o que nós tentávamos. Assim, tendemos a não chegar muito perto uma da outra. Às vezes temos que prender nossos pompons em baixo de nossos cinturões se houver muitas pessoas girando próximas  porque elas se enrolarão. Também ajustamos nosso visual atual porque satisfaz todas as dançarinas assim como os movimentos. Tal como com os cholis, que cobrem a parte superior do braço de modo que não precisamos nos preocupar com aquele shimmy (tremido) involuntário do tríceps e podemos estar confiantes que não estará muito visível. Nunca tiramos nossos snujs, e nossos movimentos de mão ficam longe do corpo.



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Uma entrevista com Carolena Nericcio

Tradutora: Suzana Guerra | Revisão: Aline Oliveira | Edição: Ana Harff


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